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PS: AUSTERIDADE COMO LINHA POLÍTICA

por falcao, em 29.11.19

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QUEM ANDA À CHUVA, MOLHA-SE - O cartoon de Luis Afonso neste jornal, na passada quarta-feira, era dedicado ao anúncio de que Portugal tem um excedente orçamental de 998 milhões de euros. “Nada mau” - replicava-se a este número. Para a seguir dizer: “Agora é continuar a poupar no Serviço Nacional de Saúde, que se ultrapassa tranquilamente a fasquia dos 1.000 milhões”. Este diálogo imaginado das personagens do cartoon de Luís Afonso sintetiza o estado da nação, melhor que mil discursos. A triste realidade a que todos assistimos é que o Estado falha cada vez mais onde deve mostrar eficácia - saúde, segurança, educação, justiça. Como é patente as contas do país estão melhores porque a austeridade continuou e até se agravou nalgumas áreas. Em vez de o dinheiro existente ser utilizado para políticas sociais foi usado para satisfazer grupos de interesse e comprar apoio eleitoral. O Governo de Passos Coelho criou medidas austeridade, nalguns casos menos agressiva, mas comunicou-a muito mal. Costa e Centeno agravaram a austeridade, prolongaram-na, mas  fazem como se ela não existisse - quando é absolutamente necessário abrem os cordões à bolsa numa área muito específica para calar algumas bocas e obter simpatia. Continuando no universo da banda desenhada há que reconhecer que António Costa é como Mandrake: tornou-se num grande ilusionista, um mágico das aparências, como se provou no debate quinzenal desta semana. Só que quem anda à chuva molha-se e todos os dias cai mais uma chuvada nas ilusões que são a linha política do Governo. Isto vai-nos custar imenso a todos - como já se percebeu a carga fiscal é para continuar a aumentar - não necessariamente para aplicar onde é mais precisa, mas para onde é mais útil aos interesses do PS.

 

SEMANADA -  Foi aprovado o projeto que permite aumentar o tráfego no aeroporto de Lisboa, dos atuais 44 para até 72 movimentos por hora; o orçamento do município de Lisboa para 2020 prevê que as despesas com pessoal subam 12% em 2020; no próximo ano cada lisboeta pagará 545 euros em taxas e impostos municipais; os gastos dos partidos nas eleições europeias derraparam 18%,  o BE, o PS e o CDS foram os que mais gastaram face ao que tinham previsto para a campanha eleitoral e o PSD, a CDU e o PAN gastaram menos face ao orçamentado; o Ministério das Finanças travou um curso para formar 200 GNR prometidos em maio pelo Ministro da Administração Interna; entre 2013 e 2018 o valor das casas em Portugal subiu mais 32% que os salários e Portugal foi o segundo país com a maior diferença na evolução do custo da habitação e o rendimento das famílias; mais de metade das crianças passam 10 a  12 horas por dia em creches; 52,9% dos professores no ensino público têm hoje 50 e mais anos de idade e apenas 1,1% se situam abaixo dos 35 anos; o número de diplomados em educação caíu para metade e os cursos de formação de professores atingiram em 2018 o valor mais baixo da última década; até 2030 mais de metade dos professores do quadro podem aposentar-se devido à idade; em Portugal apenas 33,5% da população entre os 30 e 40 anos tem o ensino superior, abaixo da meta europeia de 40% para 2020; há turnos nos serviços do INEM sem médico coordenador e existem falhas nesses turnos que têm gerado um atraso no encaminhamento correcto de doentes urgentes, colocando em risco a vida das pessoas.

 

ARCO DA VELHA - Joacir Katar Moreira queixou-se do assédio de jornalistas dizendo que tanta pergunta não a deixa trabalhar e pediu para ser escoltada pela GNR dentro do edifício da Assembleia para não ser incomodada por perguntas de repórteres no trajecto para o seu gabinete. 

 

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A MAGIA DAS MÁSCARAS -  Até domingo Bragança torna-se o paraíso das máscaras, com a realização da Mascararte, a IX Bienal da Máscara. Este ano o centro das atenções é a exposição sobre as máscaras da cultura Makonde, de Moçambique. Nesta cultura a paixão pela vida é talhada nas suas afamadas máscaras, elemento central de rituais, como o “Mapiko”, uma dança enérgica, cheia de força e expressividade acompanhada ao som de cânticos e tambores, executada nas principais festas e cerimónias e, sobretudo, nos ritos de iniciação dos jovens homens e mulheres. Outras exposições estão patentes no Centro Cultural Municipal Adriano Moreira, no Centro de Fotografia Georges Dussaud e no Museu Abade de Baçal. Um ponto alto da IX Bienal da Máscara – Mascararte é o desfile pelas ruas do Centro Histórico de Bragança, em direção ao Castelo, onde acontecerá a Queima do Mascareto, sob o tema “Reencarnação do Diabo, da Morte e da Censura no deus Brahma”, e actuações de um grupo de canto e dança de Moçambique.  Esta edição da Mascararte termina com a inauguração da exposição “Gaitas de Fole do Noroeste da Península Ibérica”, de Pablo Carpintero. Outras sugestões: em Coimbra pode também ver até  31 de Dezembro, na Casa  Municipal da Cultura, e organizada pelo Centro de Artes Visuais,  a exposição Linha de Fronteira baseada na Colecção Encontros de Fotografia e na série de exposições que realizou no decurso dos anos 90 sobre os territórios fronteiriços de Portugal e que incluíram encomendas a vários fotógrafos. 

 

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PIANO FADO - Atenção que este disco pode arrepiar logo no início, quando o piano de Mário Laginha se cruza com a voz de Camané em “Não Venhas Tarde”, o clássico de Aníbal Nazaré e João Nobre que Carlos Ramos cantou. E logo a seguir, no disco, está “Com Que Voz”, o fado composto por Alain Oulman para Amália, baseado num poema de Camões. Oulman compunha ao piano e Amália cantava a seu lado quando preparavam os discos e é impossível não pensar nesses momentos quando se ouve este “Aqui Está-se Sossegado”, penas com voz e piano. Mais à frente aparece outro tema onde Oulman, também para Amália, retomou a lírica de Camões, “Amor É Fogo Que Arde Sem Se Ver”. E há mais uma composição de Alain Oulman, desta vez sobre poema de David Mourão Ferreira, o “Abandono”, que Amália também cantou. Laginha e Camané trabalharam muito tempo neste disco, experimentaram os fados e as canções em concertos por todo o país. O resultado é um disco de emoções e cumplicidades feito de repertório clássico e de alguns originais. Do repertório habitual de Camané aqui estão “Guerra das Rosas” e “Ela Tinha Uma Amiga” (ambos de Manuela de Freitas e José Mário Branco), “Dança de Volta” (de Luiz de Macedo), sobre Fado Bailarico, de Marceneiro e Fado Lopes, de José Lopes), e “Quadras” (de Fernando Pessoa, no Fado Alfacinha, de Jaime Santos). Nos inéditos destaque para “Aqui está-se sossegado”, que dá o título ao CD (um poema de Fernando Pessoa sobre o Fado Espanhol, de Júlio Paiva), “Rua das Sardinheiras”, (de Maria do Rosário Pedreira com música de Mário Laginha) e “Se Amanhã Fosse Domingo”  (de João Monge e Laginha). Finalmente há um instrumental de Laginha, “Rua da Fé”. Ao todo 14 temas neste “Aqui está-se Sossegado” que vai ser interpretado ao vivo dia 20 de Dezembro no Coliseu de Lisboa.

 

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TRÊS IRMÃS PODEROSAS - Jung Chang é uma escritora chinesa, actualmente a viver em Londres, que se tornou conhecida com o livro “Cisnes Selvagens”, que conta a história da sua família ao longo de três gerações (sendo uma a dela própria), vendeu mais de dez milhões de exemplares em todo o mundo e foi proibido na República Popular da China. Outras obras suas que ganharam destaque foram a biografia  “Mao - a História Desconhecida” e a biografia da Imperatriz Viúva Cixi. Desta vez Jung Chang revisita a história de três mulheres que estiveram no no centro do poder da China no século XX, “As Irmãs Soong – A Mais Velha, a Mais Nova e a Vermelha”. O livro percorre a vida de três irmãs de Xangai cuja vida girou em torno de poder, amor, conquista e traição: a Irmã Vermelha, Ching-ling, que se casou com Sun Yat-sen, (o fundador da República Chinesa) e veio a ocupar cargos importantes na estrutura do regime de Mao Tsé-tung; a Irmã Mais Nova, May-ling, que foi a senhora Chiang Kai-shek, primeira-dama da China nacionalista pré- comunista e uma figura política por direito próprio; e a Irmã Mais Velha, Ei-ling, que foi conselheira principal não oficial de Chiang Kai-shek, fez do seu marido primeiro-ministro e foi uma das mulheres mais ricas da China. Esta é a história até aqui pouco conhecida das três irmãs Soong, uma narrativa que envolve exílio, amor, momentos de glória, perigos, intriga, guerra, glamour, desespero, traição e perda – mostrando-nos o século decisivo que a China atravessou e como elas conspiraram, influenciaram e deixaram a sua marca. Arrebatador.

 

OS VINHOS DO DOURO SUPERIOR - Pode um vinho branco ser adequado a estes dias de chuva a meio do outono? A resposta é sim se ele tiver corpo e alma. É o caso do Duorum Colheita Branco de 2018. É um vinho proveniente da Quinta do Castelo Melhor, situada a 500 metros de altitude na zona do Douro Superior, perto de Vila Nova de Foz Côa, em terrenos de xisto. O vinho é elaborado a partir de uvas das castas Castas Rabigato, Gouveio, Arinto e Códega do Larinho.  30% da produção foi fermentada em barricas de carvalho francês e o resto em tubas de inox a temperatura controlada. O resultado é um vinho amarelo dourado, com 13º, com volume e corpo e um final prolongado, com aroma frutado e boa acidez. É um daqueles vinhos que persiste na boca, bom para beber devagar, pessoalmente correu muito bem num fim de tarde entre dois dedos de conversa e umas tapas de queijo de pasta mole. Também se portou bem a acompanhar o peixe da refeição que se lhe seguiu.

 

DIXIT - “Fui eu que ganhei as eleições sózinha e a direcção (do Livre) quer ensinar-me a ser política” - Joacine Katar Moreira

 

BACK TO BASICS - “Como nação temos o dever de preservar os recursos naturais que recebemos para os entregar à geração seguinte” - Theodore Roosevelt.

 



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