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DUAS PERGUNTAS  - Nas eleições do PSD há duas perguntas que me surgem constantemente e que, para mim, são as decisivas para se fazer uma escolha:  Porque é que a esquerda prefere Rui Rio? Qual dos dois candidatos tem por objectivo derrotar António Costa? Confesso que a figura de Rui Rio não me agrada, e não é de agora. Assemelha-se a uma rolha que vai flutuando ao sabor do movimento das águas, sem nunca se comprometer demasiado. Não gosto da forma como no Porto impôs os seus gostos pessoais por competições automóveis e aviões a outras actividades, fazendo as correspondentes alocações financeiras, e, em simultâneo, subalternizou a política cultural que quase desapareceu do município enquanto Rio foi seu presidente. Nunca gostei do seu enlevo por António Costa e hoje compreende-se  que esse enlevo evoluíu para linha política, concretizada numa estratégia de possibilitar condições para uma aliança entre PS e PSD. O argumento ridículo de que essa seria a forma de afastar o BE e o PCP da esfera do poder colide com a evidência maior que é a de que a única forma de garantir uma derrota da frente de esquerda é o PSD lutar para obter uma vitória clara e não uma posição negocial. Isto no fundo é Rui Rio: um defensor de arranjinhos, alguém que se satisfaz com o segundo lugar e não tem rasgo para lutar pela vitória. É isso que mais impressão me faz. Rio hesita perante o conflito, prefere a conciliação. E, no país, não há eleições que se ganhem com este pensamento. Espero que dentro do PSD não ganhe a linha do compromisso de Rio. Não sou filiado em nenhum partido, tenho votado muitas vezes no PSD, e não me apetece votar num partido cujo projecto político, como é o de Rui Rio, seja aliar-se ao PS. Se fosse militante do PSD votaria em Pedro Santana Lopes.

 

SEMANADA - Mais de 80 médicos do serviço Nacional de Saúde pediram exclusão de responsabilidade, para se defenderem das falhas nos serviços e da falta de meios nos hospitais; o Ministério das Finanças, ao atrasar a autorização de verbas, está a bloquear a implementação dos planos de contingência da gripe que estavam planeados em vários hospitais - afirmou o bastonário da Ordem dos Médicos; a bastonária da Ordem dos Enfermeiros afirmou que sempre que membros do Governo visitam uma urgência hospitalar os doentes são retirados dos corredores de espera e levados para outros locais menos visíveis, até “para debaixo das escadas”;  “Coisa estranha esta: há tudo mais, mais, mais, mas a verdade é que a Saúde está menos, menos, menos” - disse Assunção Cristas em resposta a António Costa no debate quinzenal na Assembleia da República; em Portugal, um quarto dos jovens não tem emprego; Portugal foi o país onde o desemprego jovem mais cresceu na União Europeia; “Somos um país de treinadores de bancada” - afirmou Constança Urbano de Sousa, ex-Ministra da Administração Interna, dizendo-se vítima de sexismo nas críticas feitas à forma como geriu a resposta aos incêndios de 2017; caíu um pedaço de tecto na Escola Superior de Dança de Lisboa e chove em vários locais do edifício onde são dadas aulas; segundo a CAP, dos 15 milhões de euros anunciados como ajuda do Governo aos agricultores para a situação de seca, apenas foram pagos cerca de 20 mil euros; Portugal é o terceiro país que mais paga a agentes do futebol e num só ano foram pagos quase 50 milhões de euros em comissões; 25% das casas vendidas em Portugal no ano passado foram compradas por estrangeiros.

 

ARCO DA VELHA - O inspector geral do trabalho foi demitido por revelar informações pessoais de uma trabalhadora sob a sua tutela e agora indigna-se por ter sido afastado.

 

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FOLHEAR - Sou fã dos livros de Astérix desde que os comecei a ler há mais de quatro décadas. Mesmo depois da morte de Goscinny, continuei a seguir o caminho que Uderzo foi traçando, com ajudas de novos colaboradores. E cheguei a este novo “Astérix e a Transitálica”, o 37º álbum da colecção. Editado no final do ano passado, só esta semana o fui comprar à Pó dos Livros e fiquei contente quando o livreiro me disse que esta nova aventura estava a ter mais saída que as anteriores -  "Astérix entre os Pictos" (2013) e "O Papiro de César" (2015), também assinados por Jean-Yves Ferri (argumento) e Didier Conrad (desenho). Neste novo livro Astérix e Obélix rumam à Península Itálica, de que até agora apenas conheciam Roma, que visitaram em "Astérix Gladiador" (1964) e "Os Louros de César" (1972). O pretexto é a participação numa corrida de quadrigas, organizada por Júlio César para provar a excelência das vias romanas - uma espécie de rallye onde até participa uma equipa da Lusitânia, por sinal um bocado avariada mas com um inesperado protagonismo final graças à perseverança que nessa época já era a nossa imagem de marca… No livro surge retratada , que me lembre pela primeira vez numa aventura de Astérix, a actividade de jornalistas - no caso a fazer o relato da competição e a entrevistar concorrentes. E o final é completamente inesperado - até nos novos amores que despertam Obélix… o melhor será lerem.

 

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VER -  Não é fácil falar de um conceito quando abordamos imagem e sobretudo a imagem fotográfica. Não estamos apenas a falar de uma maneira de ver, o que está em causa é o que se vê para, depois, se mostrar. E, em última análise, avaliar se faz sentido mostrar o que se vê.  Cláudio Garrudo optou por mostrar o que viu em momentos do céu deixando a cada um dos visitantes da sua mais recente exposição a responsabilidade (ou a possibilidade) de se encontrar nas fotografias. Chama-se “Luz Cega” e está exposta na Ermida Nossa Sra. da Conceição até 21 de Fevereiro (Travessa do Marta Pinto 21, ao Restelo, por trás dos Pastéis de Belém). José Manuel dos Santos, no texto do catálogo da exposição, afirma que estas fotografias “são as imagens de um telescópio interior que só se tornam nossas quando as imaginamos dos outros”. Cláudio Garrudo usou na impressão destas fotografias uma técnica antiga, a cianotopia - um processo de impressão fotográfica em tons azuis, que produz uma imagem em ciano, uma blueprint.  Além de fotógrafo, Cláudio Garrudo colabora activamente em diversas áreas da produção cultural, tem trabalhado com a Galeria das Salgadeiras e é coordenador da nova colecção PH, da Imprensa Nacional, recentemente inaugurada com uma edição sobre a obra de Jorge Molder. Outras sugestões: nas três montras verticais do British Bar Pedro Cabrita Reis escolheu para esta nona mostra das suas apresentações neste local obras de Noé Sendas, Vasco Futscher e Rui Calçada Bastos - que poderão ver até ao final deste mês. E as 85 muito desiguais obras de Miró continuam no Palácio da Ajuda até 13 de Fevereiro.

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OUVIR - “Chasing Trane” é um documentário sobre a vida e obra de John Coltrane, escrito e realizado por John Scheinfeld, exibido na estação de televisão pública norte-americana PBS no ano passado. A produção contou com o apoio da família do músico assim como teve acesso ao arquivo das várias editoras discográficas para que ele gravou. Trane, assim era conhecido o saxofonista e compositor  pelos seus amigos, morreu em 1967 com 40 anos, no auge de uma carreira marcada pela diferença. O documentário mostra o impacto que a música de Coltrane teve na sua época e nos seus contemporâneos e mostra ainda as experiências, paixões e forças que marcaram a sua vida e a sua sonoridade - que muitos apelidaram de revolucionária. A banda sonora do documentário foi agora editada e inclui 11 temas interpretados pelo próprio John Coltrane. Os onze temas são “Love Supreme”, “Russian Lullaby”, “Trane’s Slo Blues”, “Giant Steps”, “My Favorite Things”, “My One And Only Love”  (com Johnny Hartman, o único vocalista com quem o saxofonista aceitou gravar), “Alabama”, “After The Rain”,  “Moment’s Notice” e versões ao vivo de “I Want To Talk About You” e de  “Chasin’ The Trane”. Este CD-banda sonora é uma espécie de introdução acelerada ao génio de Coltrane, patente nos diversos géneros que percorre. No fundo está aqui uma selecção das suas melhores gravações, com bons exemplos da inovação que trouxe ao jazz.

 

PROVAR - Comida de inverno é comida de tacho e comida de tacho é boa em restaurantes populares. Armado destes princípios básicos mão amiga encaminhou-me para o “Caçoila”, em Paço de Arcos. A ideologia da casa é simples: bons petiscos, cozinha regional portuguesa, doçaria tradicional. Não há refeição naquela casa que não deva ser antecedida de uma prova de petiscos - de tal maneira são famosos estes acepipes que os proprietários vão abrir, mesmo ao lado, uma petiscaria que estará aberta todo o dia. Na recente experiência o repasto começou com bom pão e bolinhas de queijo de cabra temperado para barrar o hidrato de carbono; depois vieram peixinhos da horta com uma fritura exemplar, alternados com pimentos padron,  suculentos. Até aqui estamos portanto num repasto vegetariano - em parte seguido na opção seguinte - uns ovos mexidos no ponto certo misturados com espargos verdes. A parte mais carnívora veio com o complemento destes ovos - um pica pau de vitela, de tempero saboroso e tenro, como tenho apanhado poucos ultimamente. Por sugestão de quem me transportou ao local rematou-se o repasto com migas de pato. Só que neste prato a carne desfiada do marreco vem misturada com couves picadas e salteadas, muito bem temperadas - que são as tais migas (na realidade migas de couve tradicionais em algumas regiões). Quem tiver estômago pode ainda apostar no ex libris doceiro da casa, umas farófias armadas de forma sugestiva. A casa é ampla, enche cedo, permite grupos grandes nas mesas corridas e tem um serviço simpático. A morada é Rua Oeiras do Piaui 12, Oeiras, e o telefone é  214460831.

 

DIXIT - “Vinhas para estas diretas para derrotar Pedro Passos Coelho na liderança, eu vim para derrotar António Costa” - Pedro Santana Lopes no debate desta semana na TVI.

 

GOSTO - Catherine Deneuve e cem escritoras, artistas e académicas francesas escreveram uma carta aberta em que rejeitam um feminismo “que exprime ódio pelos homens”.

 

NÃO GOSTO - Do fecho da livraria Aillaud & Lello na rua do Carmo, apesar de estar integrada no programa “Lojas Com História”.

 

BACK TO BASICS - É mais fácil obter perdão que conseguir autorização de fazer algo de invulgar - Stuart’s Law of Retroaction



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publicado às 13:15



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