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LIXO -  Nos últimos anos Fernando Medina gastou milhões a fazer o que entende serem alindamentos da cidadã de Lisboa: remodelou passeios, alterou o traçado de ruas e avenidas (geralmente para piorar a vida dos lisboetas), ajardinou a eito de tal forma que aos primeiros calores as plantas murcham e secam. Tinha dinheiro e fez o que quis: obras na fachada para receber as visitas, esquecendo-se dos que cá vivem. Fruto do trabalho de muitos anos e de muitos executivos camarários, e fruto também das circunstâncias, Lisboa entrou na moda e tornou-se um destino turístico procuradíssimo. O aeroporto rebenta pelas costuras, as politiquices autárquicas e de relação com o poder central levaram a que se perdesse a  oportunidade, há uma dezena de anos, de avançar para uma solução de futuro que a esta hora já estaria construída em Alcochete. Os trânsito habituou-se a ser caótico face à inexistência de transportes públicos eficazes. Mas o pior, o mais revoltante, é a forma como a autarquia encara a limpeza da cidade. Tudo está um nojo e sobretudo no centro, por sinal na zona mais visitada pelos turistas, a lixeira é completa. No Chiado e no Cais de Sodré o espectáculo ao longo de praticamente todo o dia é deplorável. Claro que a culpa reside também nos cidadãos descuidados, nos restaurantes que deitam lixo fora de qualquer maneira, nas sobras de comida que deslizam para fora de sacos de plástico mal fechados, de falta de recipientes apropriados de recolha com capacidade para o aumento do lixo produzido no centro da cidade, para os horários de limpeza inconstantes, para o desleixo geral. Desde a falta de campanhas de sensibilização, à ausência de fiscalização de prevaricadores e à incapacidade dos serviços de limpeza camarários, as causas da porcaria em muitas ruas são variadas. Mas nada limpa a ideia de que se gastaram milhões em retoques e se continua a deixar a limpeza ao abandono. D.Medina, o maquilhador, borrou a pintura.

 

SEMANADA -Lula da Silva comenta o Mundial de Futebol para uma estação de televisão brasileira a partir da cela de prisão onde está detido; o Banco Comercial Português decidiu não emprestar mais dinheiro a clubes de futebol; Portugal tem o pior desempenho em termos de mobilidade educacional entre pais e filhos dos quinze países analisados pela OCDE, apesar de ter uma despesa em educação, em % do PIB, superior à média dos países analisados; no ano passado cada família foi em média 127 vezes às compras em supermercados com um gasto médio de 224 euros por mês; entre 2014 e 2017 a despesa anual de cada português com medicamentos foi de aproximadamente 200 euros; Portugal recusou 64% dos pedidos de asilo que lhe foram apresentados em 2017; a CMVM recebeu, em 2017, mais 24% de reclamações comparativamente com o ano anterior, 51% das reclamações recebidas foram referentes a obrigações e 27% a ações; o inquérito a obras ilegais em terrenos camarários na construção das novas torres das Picoas ficou a meio e duas direcções gerais da autarquia lisboeta recusaram-se a terminá-lo; a lei da paridade aumenta de 33,3% para 40% a percentagem mínima de cada um dos sexos nas listas eleitorais e a Comissão Nacional de Eleições avisa que esta alteração pode prejudicar a apresentação de candidaturas pela "eventual ausência ou diminuta adesão" por parte de um dos géneros; o Bloco de Esquerda anunciou que quer integrar o Governo a partir de 2019.

 

ARCO DA VELHA - Em plena crise provocada pela greve e protestos dos professores o Ministro da Educação preferiu ir à Rússia ver o Mundial do que estar no debate quinzenal do parlamento.

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FOLHEAR - Trabalhei um pouco mais de dois anos literalmente lado a lado com o Pedro Rolo Duarte no Se7e. Dividíamos a direcção, partilhávamos uma sala onde todos os dias fabricávamos ideias para fazer ressuscitar o jornal e agitar as águas, que era uma coisa que nos entretinha bastante. Foram dois anos de intensas e produtivas discussões, de muita criatividade e de várias crises - e sempre nos apoiámos mutuamente dos ataques que íamos recebendo daqueles que eram criticados nas páginas do jornal - músicos, responsáveis de editoras, actores, realizadores, enfim o universo do Se7e. Estávamos no final da segunda metade dos anos 80, uma época em que tudo parecia ser possível. No rasgar da nova década cada um seguiu o seu caminho e para trás ficaram as boas memórias dos nossos tempos em conjunto. Ao longo dos anos mantivemos com prazer encontros regulares onde íamos falando do que fazíamos e dos projectos que tínhamos. O Pedro aparecia sempre com uma ideia nova, mesmo quando profissionalmente os tempos lhe foram adversos, no início da crise da imprensa. Mas estava sempre a pensar, sempre a ter ideias - para imprensa, para rádio, para televisão, para digital. Era multimedia mesmo antes de o termo se vulgarizar. Quando soube que estava doente continuou a ter ideias, boas ideias, ideas de vida. O livro que escreveu nos seus últimos meses não é um livro sobre o fim, é um livro sobre tudo aquilo que o preenchia. Não é um livro de memórias, é um livro de ideias, de ensinamentos, de reflexões construtivas, sobre os seus amigos, sobre aquilo de que ele mais gostava e que fez até ao último dia: comunicar. “Não Respire - Tudo começou cedo demais (e quando dei por isso já era tarde)”, o seu livro de vida,  é a melhor coisa que ele nos podia ter deixado.

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VER - Que lugar melhor para ver Pop Art que um centro comercial? Na oitava edição de “A Arte Chegou ao Colombo” apresentam-se alguns dos trabalhos mais marcantes  do norte-americano Roy Lichtenstein como Crying Girl (na imagem), Whaam! e As I Opened Fire. Esta exposição, dedicada a um dos nomes maiores da Pop Art e apresenta uma seleção das obras de Roy Lichtenstein, um dos criadores deste movimento artístico, que transformou imagens da cultura popular e de massas provenientes da publicidade, da banda desenhada e do quotidiano. Até setembro no Centro Colombo. Outros destaques: dois artistas que estavam com as suas carreiras arredadas das vistas públicas há vários anos fizeram quase ao mesmo tempo exposições marcantes: na Sociedade Nacional de Belas Artes  a Fundação Carmona e Costa apresenta “Clareira”, que mostra esculturas de Manuel Rosa (cujo nome nos últimos anos foi mais conhecido pelo seu trabalho na Assírio & Alvim e na Documenta), esculturas feitas entre 1984 e 2018. Até 21 de Julho; o segundo regresso é de Patrícia Garrido, que expõe na Galeria Miguel Nabinho pinturas, desenho e escultura até 31 de Julho. No Museu da Batalha inaugurou a exposição “Gentes da Batalha”, fotografias de António Barreto.

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OUVIR - Este não é um disco fácil mas é um disco entusiasmante. Desde os primeiros segundos há uma presença dominante do saxofone, ao duelo com tuba e percussões, por vezes umas vozes. Aqui o dominante é o saxofone de Shabaka Hutchings, compositor de todas as nove faixas deste disco dos Sons Of Kemet, que ele criou e dirige. “Your Queen Is A Reptile”, um título carregado de sentido político, que exprime o sentimento da comunidade oriunda de África e das Caraíbas e que já cresceu em Londres com um olhar crítico sobre a sociedade britânica. Os heróis musicais de Hutchings são claramente John Coltrane e Pharaoh Sanders e não deixa de ser curioso que este seu disco seja editado pela renascida Impulse, uma etiqueta decisiva na afirmação do jazz nos anos 60 e 70 do século passado e que lançou aqueles músicos. Os nove temas têm no título o nome de outras tantas mulheres que tiveram um lugar proeminente na herança da cultura negra no Reino Unido. Mas considerações políticas à parte, musicalmente este é um disco arrebatador como poucos hoje em dia, com um sentido de ritmo e uma capacidade de improvisção e combinação das sonoridades dos diversos instrumentos que actualmente é muito rao encontrar. Sons Of Kemet, “Your Queen Is A Reptile”, CD Impulse, dirstribuído por Universal Music.

 

PROVAR - É milagre conseguir encontrar quase no epicentro da zona mais turística de Lisboa um restaurante fiel à cozinha portuguesa, com preços acessíveis e boa qualidade, que não se tenha deslumbrado com a invasão nem cedido à tentação de viver para os estrangeiros, de costas voltadas para os portugueses. Mas tal lugar existe, no Cais do Sodré e chama-se Solar do Kadete. Já lá jantei várias vezes, ao longo dos anos e nunca me desiludi - já lá comi boas sardinhas, posta de garoupa fresca, grelhada no ponto, devidamente acompanhada de feijão verde, ovas grelhadas como manda a tradição e da última vez deixei-me tentar, em boa hora, por um coelho desossado, grelhado. A grelha, onde peixe e carne são preparados, é a carvão e bem manobrada. Com sorte apanha-se cabeça de garoupa para os apreciadores e o bacalhau é de primeira. O serviço é acolhedor, eficaz, o patrão pertence à confraria do Moscatel de Setúbal e orgulha-se da variedade de colheitas dessa espécie que tem em casa e que serve devidamente paramentado quando é o caso. Tem esplanada que nas noites de verão é particularmente agradável. Cais do Sodré 2, telefone 213 427 255.

 

DIXIT - “A bola não queima” - Marcelo Rebelo de Sousa comentando o Portugal-Marrocos

 

GOSTO - A empresa portuguesa Critical Software foi escolhida pela BMW para desenvolver soluções de Inteligência Artificial para os carros que marcaraão o futuro da marca alemã.

 

NÃO GOSTO - Da destruição do Sporting que tem sido levada a cabo pelo que sobra da direcção de Bruno de Carvalho, num caso impressionante de abuso de poder e desfasamento da realidade.

 

BACK TO BASICS - A ilusão é o primeiro de todos os prazeres - Oscar Wilde

 

 

 

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