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QUEM VIER ATRÁS, QUE FECHE A PORTA

por falcao, em 23.11.18

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UM PAÍS DESCONTROLADO - Cada vez que há uma desgraça neste torrão à beira-mar plantado destaca-se uma tendência fatal para ninguém assumir responsabilidades. Quem olhar para as fotografias das pedreiras de Borba e da estrada que se equilibrava de forma instável entre elas percebe que a falta de bom senso, o laxismo e o desprezo pela segurança dos cidadão é total. Desde quem devia fiscalizar as pedreiras (o Estado), até quem devia garantir as estradas (as autarquias),  todos lavaram as mãos como Pilatos, embora há vários anos existissem alertas para o perigo existente. O caso da estrada entre Borba e Estremoz e o rol de declarações produzidas por governantes e por autarcas é o retrato de um país descontrolado, o retrato de um país onde nenhum poder gosta de ser escrutinado e onde os políticos fogem da realidade e das consequências dos seus actos como o diabo da cruz. Fez-se uma descentralização que atribuiu competências às autarquias sem lhes proporcionar recursos e deixa-se que o Estado continue laxista sem exercer a vigilância que lhe compete. O resultado desta receita só pode ser mau. O caso da estrada, das mortes por intoxicação numa habitação sem condições, no meio da pobreza total, mostra o outro lado do país da web summit: um país onde a miséria coexiste com a irresponsabilidade, no meio da ostentação de Estado. Falta dinheiro para a saúde e para a educação, as cativações são o emblema desta legislatura  - mas não nos devemos preocupar: António Costa gosta da ideia de acolher o Mundial de Futebol de 2030 por cá. Sócrates trouxe o Europeu, ele quer mais, venha o Mundial. Em 2030 já Costa provavelmente não será governo - quem vier atrás que feche a porta e pague as contas. Assim, lá vamos cantando e rindo, de vitória em vitória, até à derrota final…

SEMANADA - O Governo de António Costa já fez em três anos mais cativações que o Governo de Passos Coelho nos quatro anos da legislatura; a Comissão Europeia considerou que a proposta de Orçamento do Estado de Portugal para 2019 coloca um “risco de incumprimento” do Pacto de Estabilidade e Crescimento;  na última década o porto de Lisboa perdeu 31,2% das escalas de navios de mercadorias; em compensação o porto de Lisboa registou em outubro o melhor mês de sempre em número de passageiros de cruzeiro, batendo o anterior recorde de Outubro de 2013e atingindo agora os 108.875 passageiros; o Parlamento prevê gastar no seu funcionamento  mais 3,2 milhões de euros em 2019 do que este ano; as dívidas dos hospitais a bombeiros e a privados estão a provocar problemas no transporte de doentes por ambulâncias; segundo a Marktest 22,6% dos portugueses viram filmes, séries ou documentários online nos últimos 30 dias, mas entre os espectadores até 34 anos este número sobe para 54,2%; a produção de vinho deverá ser este ano a mais baixa das últimas duas décadas e o INE prevê uma quebra de 20%; segundo uma sondagem do Guardian os partidos populistas europeus mais que triplicaram o apoio de eleitores nos últimos 20 anos; o número de jovens colocados à guarda do Estado por terem cometido crimes aumentou 85% no ano passado.

PRODUTIVIDADE PARLAMENTAR - Desde o início da legislatura já foram contabilizadas 4.576 ausências dos deputados nas 324 sessões plenárias realizadas, uma percentagem de faltas de 6,54% e 87 foram classificadas como injustificadas. As sessões de quinta-feira são as que registam mais faltas e com a entrada da Primavera e o bom tempo aumenta o número de ausentes.

 

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MISTÉRIOS POR RESOLVER - Uma mulher esteve presa 15 anos, cumprindo pena por um crime que sempre afirmou que não tinha cometido. Quando Casey Carter foi presa as redes sociais mal existiam, a circulação da informação era completamente diferente. Ao sair da prisão choca de frente com a nova realidade quando um site de mexericos mostra fotografias suas num centro comercial a comprar roupas, noticiando a sua libertação, poucos minutos depois de tudo acontecer. Ao ver um reality show de televisão,  sobre crimes não desvendados, convence a produtora do programa a investigar o seu próprio caso. “A Bela Adormecida Assassina” é o novo policial de Mary Higgins Clark em parceria com Alafair Burke. Relata a busca da acusada pela sua inocência, num novo mundo complexo a que tem dificuldade em se adaptar. Enquanto as pessoas que lhe são mais próximas querem evitar que ela se sujeite à lógica de um reality show, Casey persiste e a produtora responsável pelo programa começa a vislumbrar que ela pode de facto estar inocente, contrariando aliás o parecer de parte da sua própria equipa. É um policial fascinante, com um final completamente imprevisível. Mary Higgins Clark é autora de mais de trinta romances e vendeu em todo o mundo mais de 150 milhões de exemplares. Alafair Burke é uma antiga advogada de acusação, actualmente professora de direito criminal e autora de mais de uma dezena de livros. “A Bela Adormecida Assassina”  foi editado em Portugal pela Bertrand.

 

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AS POSES DE RODIN - Na galeria de exposições temporárias da Fundação Gulbenkian está uma imperdível exposição que reúne três dezenas de esculturas das coleções do Museu Calouste Gulbenkian e da Ny Carlsberg Glyptotek de Copenhaga sob o tema da pose na escultura francesa do século XIX. Feitas praticamente ao mesmo tempo, estas duas colecções, que mostram a escultura que se fazia em Paris no tempo de Rodin, são mostradas em conjunto pela primeira vez. Rodin, Carpeaux ou Dalou, são os autores representados nesta exposição que estará na Gulbenkian até 4 de Fevereiro, seguindo depois até à Glyptotek de Copenhaga. Na imagem “As Bençãos”, de Rodin. Nota: A exposição está aberta nas  sextas feiras até às 21h00. Outras sugestões: em primeiro lugar a nova exposição de Miguel Teles da Gama, Lux in Tenebris, que estará até 5 de Janeiro na Fundação Portuguesa das Comunicações; Cláudio Garrudo viajou num cargueiro em alto mar para criar o seu novo trabalho, a exposição de fotografia Trinus e o livro homónimo,  que serão apresentados neste sábado dia 24 de novembro, às 18h00 na Galeria das Salgadeiras  (Rua da Atalaia 12 a 16, Lisboa); finalmente no Museu Berardo “Saudade, China & Portugal – Arte Contemporânea”, com obras de artistas portugueses e chineses como André Sousa, José Pedro Croft, Luísa Jacinto, Joana Vasconcelos, Pedro Valdez Cardoso, Rui Moreira, Vasco Araújo,  Leng Guangmin, Tao Hui, Liu Jianhua, Rui Moreira, Cheng Ran, André Sousa, Guan Xiao, Sun Xun, Shi Yong, Xia Yu e Liang Yuanwei.

 

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O ENCANTO DO PIANO - O pianista norueguês Tord Gustavsen começou por estudar psicologia e tem uma tese publicada sobre os paradoxos da improvisação - ao mesmo tempo que estudava jazz. Mais tarde dedicou-se à musicologia e ensinou piano e jazz na Universidade de Oslo. O seu primeiro disco data de 2003 (“Changing Places”) e foi gravado com um trio. Mas foi na formação de quarteto que se fez mais notado com “The Well (2012) e “Extended Circle” (2014). Agora regressa à sua formação original de trio com o novo “The Other Side”, onde mostra temas originais , temas influenciados pela música folk do seu país e outros trabalhados a partir da música de Bach. A formação inclui, além de Tord Gustavsen no piano e teclados electrónicos, o baterista Jarle Vespestad que com ele tem tocado e o baixista Sigurd Hole, que se estreia com Gustavsen e que é o principal responsável pela inclusão de referências folk e de uma sonoridade diferente  - e basta ouvir os temas “Duality” e em “Re-Melt” para se perceber como traz um contributo ao grupo. Ao todo são doze temas - e a faixa de entrada, “The Tunnel” estabelece o ambiente musical, envolvente, que caracteriza a sonoridade poética de Tord Gustavsen - também evidente nos outros originais, como a faixa título “The Other Side”, “Left Over Lullaby no.4” e “Curves”, que encerra o disco e nos remete para memórias passadas do grupo. Tord Gustavsen Trio, “The Other Side”, ECM Records, no Spotify.

PROVAR -  Quando não se sabe o que podemos fazer para jantar, qual a solução? Ver se há ovos e o que se pode cozinhar com eles. Para mim ovos simplesmente mexidos são um prato magnífico - e podem vir sozinhos. Experimentem fazê-los muito bem batidos (usem uma varinha mágica em vez do garfo tradicional e sentirão uma diferença), cozinhados em manteiga - coloquem generosos pedaços de manteiga e os ovos ao mesmo tempo (sem deixar a manteiga derreter primeiro). O truque é cozinhar os ovos em lume o mais brando possível, mexendo sempre. Quando os ovos começarem a ficar mais sólidos desliguem a chama e acabem de mexer só com o quente residual da frigideira e sirvam logo de seguida. Estes ovos, muito batidos, mal passados em manteiga e cozinhados lentamente fazem toda a diferença. Se quiserem adicionem cogumelos que saltearam antes, ou pedaços de tomate com bocadinhos de um bom chouriço que também previamente cozinharam um pouco. Claro que tudo melhora ainda mais se tiverem à mão túberas ou, melhor ainda, trufa preta. Mas no fim do dia uns suaves ovos mexidos, cozinhados no ponto, acompanhados de um bom pão e umas lascas de presunto cortado fino fazem um belíssimo e leve jantar.

DIXIT -  “Portugal está para a Madonna como Lloret del Mar está para os putos” - Herman José

 

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BOLSA DE VALORES - Pedro Cabrita Reis criou para a Vista Alegre uma peça de porcelana, uma taça, que recebeu o nome “De Natura” e tem um preço de venda ao público de 600 euros.

BACK TO BASICS - “A lógica leva-nos do ponto A ao ponto B; a imaginação leva-nos a todo o lado” - Albert Einstein

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