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REGULADOR, CENSOR OU APENAS BUROCRATA?

por falcao, em 27.12.19

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ERC AGRIDE RTP - Na semana passada foi dada mais uma machadada no Serviço Público Audiovisual por um órgão essencialmente emanado do Parlamento - a Entidade Reguladora da Comunicação, um organismo que tem tido uma vida aberrante, criado há relativamente pouco tempo sob a batuta desse génio que é Azeredo Lopes (sim, o de Tancos…), mas que é essencialmente um monstro burocrático incapaz de acompanhar o evoluir dos tempos e daquilo que se propõe regular. Tenho guardados na memória episódios da falta de conhecimento da realidade de que a ERC regularmente dá mostras, nomeadamente na área online. Para mal dos nossos pecados cabe à ERC representar o Estado na tutela da RTP, é perante a ERC que os cargos dirigentes na área da programação e da informação da estação de serviço público têm que responder e é por ela que têm de ser aprovados antes de iniciarem funções. Como se viu num caso recente, a luz verde da ERC não impediu a interferência da anterior Direcção de Informação na tentativa de condicionar um programa e de gerir a sua emissão de acordo com um calendário da sua conveniência política. Um dos proeminentes dirigentes da ERC, Alberto Arons de Carvalho, veio mesmo afirmar publicamente não discordar das opções feitas pela anterior Direcção de Informação sobre o caso “Sexta Às Nove”. Este senhor foi em tempos Secretário de Estado, com a tutela da RTP, num dos períodos mais graves de má gestão e manipulação sistemática daquela estação, e não se regista uma decisão sua que impedisse o caos que lá se instalou. Voltemos ao tema: José Fragoso, jornalista e experiente homem de televisão, tem sido o Director de Programas da RTP e tem conseguido, no meio do furacão que em 2019 alterou o panorama das televisões em Portugal, manter a estação pública estável, continuando linhas de programação relevantes, dinamizando documentários, criando novas apostas e proporcionando até um crescimento da relevância do serviço público. A proposta da Administração da RTP em lhe dar a possibilidade de acumular a Direcção de Programas com a Direcção de Informação é uma aposta estratégica, na linha do que acontece nas melhores estações mundiais de serviço público onde há um Director Geral que coordena ambas as áreas. Qualquer pessoa que siga e se interesse pela missão contemporânea do Serviço Público Audiovisual conhece as boas práticas do sector, aquelas que têm dado provas, que têm alcançado resultados, que têm desenvolvido a estratégia de produção de conteúdos. A RTP não tem, na sua estrutura e estatutos, consignada a figura de Director-Geral, embora ela tenha existido implicitamente, de forma mais ou menos disfarçada, em muitos casos anteriores. Desta vez, respeitando os estatutos, a nomeação foi clara e fazia sentido. Sempre defendi que na RTP devia existir um Director-Geral com capacidade para harmonizar as áreas da Informação e Programação, que muitas vezes evidencia uma esquizofrenia que se manifesta graças à solução actual - além das numerosas guerras internas improdutivas que fomenta.  A estrutura que a ERC defende é uma herança da forma de organização dos jornais do início do século passado, adoptada como modelo para todos os media e que depois foi progressivamente sendo abandonada, em que se defendia uma certa predominância da Informação sobre a Programação, em vez de existir complementaridade. Ora era exactamente esta complementaridade, hoje em dia evidente em muitas estações públicas europeias de referência, que a RTP poderia ter, e que esta Administração procurava agora formalizar de forma transparente. Ao recusar a solução por temer a concentração e “os riscos que tal situação comporta”, a ERC veio revelar como é retrógrada, como não compreende o que deve ser hoje em dia um Serviço Público Audiovisual e como é avessa a qualquer tentativa de mudança e inovação. Não é pelo caminho que a ERC preconiza que se pode desenvolver um Serviço Público Audiovisual forte. Os senhores deputados e os senhores governantes que sustentam a ERC são coniventes com isto. Ou seja, prestam um péssimo serviço ao Serviço Público Audiovisual. 

 

SEMANADA - A ADSE tem por validar 650 mil facturas apresentadas por beneficiários para reembolso e o número deverá crescer no primeiro trimestre de 2020; nas duas primeiras décadas deste século Portugal perdeu 8767 escolas; ao contrário do que foi prometido pelo Governo a Autoridade Tributária não está a aceitar as correcções das declarações de IRS de quem recebeu pensões em atraso; cada árbitro ganha 1480 euros por jogo da Primeira Liga; no Orçamento de Estado apresentado por Centeno faltam dados sobre quanto o Governo tem para gastos imprevistos; a Ordem dos Engenheiros afirmou, sobre o impacto do mau tempo na zona de Coimbra, que houve incúria do Estado e desinvestimento na manutenção; segundo o seu Presidente do Conselho de Administração, a agência de notícias Lusa, por ter visto o seu financiamento limitado pelo Governo, vai sacrificar drasticamente o investimento em tecnologia em 2020 “num exercício orçamental de altíssimo risco” sobre o qual a ERC mantém religioso silêncio; no terceiro trimestre do ano o preço das casas em Portugal subiu 10,3%; o Bispo do Porto afirmou que “o Estado não é pessoa fiável”; nos últimos cinco anos a Inspecção do Ambiente só conseguiu cobrar 24% das multas; um terço dos projectos apresentados por empresas, e aprovados, no âmbito do Programa Portugal 2020 estão por executar; cada português produz em média 508 kgs de lixo por ano; o Exército perdeu metade dos efectivos em quase duas décadas; o quartel da GNR em Tavira está há um ano sem água quente.

 

ARCO DA VELHA - NO PSD, que é teoricamente o maior partido da oposição, menos de metade dos seus militantes tem direito a voto nas eleições directas para escolha de quem irá dirigir o partido e só cerca de 30 mil poderão votar. Esta democracia está cada vez menos representativa.

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FOTOGRAFIA  - Este ano, no Porto, surgiu uma galeria integralmente dedicada à fotografia. O Espaço SP620 (na imagem) foi criado por Pablo Berástegui que tem bastante experiência na área, nomeadamente como um dos responsáveis da Photo España. Além de galeria promove edições especiais e promove um projecto pedagógico que organiza visitas guiadas às exposições da Galeria para grupos de jovens. Durante os próximos quatro anos vai dedicar-se exclusivamente à fotografia documental, tendo por base um ciclo designado Salut Au Monde!, evocando o título de um poema célebre de Walt Whitman. Até 11 de Janeiro pode ser vista a exposição “Out Of The Way”, de Elena Anosova, com imagens realizadas nos territórios do extremo norte da Rússia, onde ainda vive a família paterna de Anosova rodeada por uma natureza intacta e uns modos de vida não muito diferentes daqueles dos antepassados que colonizaram a região da Sibéria há três séculos. A Galeria quer basear a sua actividade num grupo de apoiantes que mediante uma contribuição anual têm direito a tiragens das imagens das exposições realizadas. É um desafio para todos os que gostam de fotografia.  Espaço SP620, Rua Santos Pousada, 620. Mais informações em https://www.salutaumonde.info/ . Outras sugestões: ainda no Porto, no edifício da Alfândega pode ver  "Henri Cartier-Bresson: Retratos", uma exposição que reúne 121 trabalhos do fotógrafo francês realizados ao longo de 70 anos.  Em Évora, numa mostra preparada e encenada para ser vista ao ar livre, no Largo Conde Vila Flor, estão expostas 38 fotografias de Sebastião Salgado, a preto e branco, que integram o seu mais recente livro, “Genesis”. 

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SONS DA EMOÇÃO - Os budistas tibetanos acreditam que quando alguém morre a sua consciência vagueia num estado intermédio a que chamam bardo durante sete semanas antes de transitarem para uma nova vida. Tradicionalmente os monges budistas, para auxiliarem os familiares de quem passa por esta prova, lêem em voz alta o The Bardo Thodol, ou seja, o Livro Tibetano dos Mortos, durante os 49 dias do processo. Tenzin Choegyal é um dos mais importantes músicos tibetanos e há cerca de 15 anos trabalha  em diversos projectos inspirados pelo The Bardo Thodol, o último dos quais é “Songs From The Bardo”, feito em colaboração com Laurie Anderson e Jess Paris Smith, a filha de Anderson e de Fred ”Sonic Youth” Smith. Anderson assume o papel de guia nesta gravação, lendo passagens do Livro Tibetano dos Mortos traduzidas para inglês por Choegyal, acompanhadas por música imaginada por Jess Paris. No disco as canções e recitações sucedem-se sem separações evidentes, num ambiente fortemente emotivo e inspirador, musicalmente poderoso, em que o trabalho do violoncelista Rubin Kodheli merece especial referência. Disponível no Spotify.

 

PROVAR - Cada vez mais gosto de restaurantes despretensiosos onde o único conceito é prestar bom serviço e apresentar comida bem confeccionada. Por estes dias descobri o Clotilde, no Estoril, próximo do Casino, junto ao Centro de Congressos.  A sala é confortável, com a cozinha à vista, e existe também uma esplanada coberta. O serviço é atencioso e eficaz, a lista de vinhos é curta mas bem escolhida e a preços honestos e, no final, a conta é decente. Nas entradas provaram-se com agrado os peixinhos da horta e uma perdiz de escabeche muito boa. Umas trouxas de enchidos ficaram aquém das expectativas, mas havia uma opção elogiada numa mesa perto que podia ter sido um boa escolha - ostras à unidade ou à dose de seis. Nos pratos de substância tudo continuou a correr bem, com particular destaque para umas lulas guisadas com ameijoas, no ponto e muito saborosas. Na mesa mereceram elogios uns filetes de peixe galo que podem vir com arroz de tomate ou salada;  e dois amigos estrangeiros residentes aventuraram-se com êxito, ele nuns filetes de polvo com arroz de feijão enquanto uma californiana de gema elogiou a bochecha de porco preto com migas de espargos - destacou o tempero da tenra carne e o sabor das migas de espargos, que quis saber como se faziam. O Clotilde fica na Avenida Clotilde, Edifício Centro de Congressos do Estoril, telefone 214 663 084.

 

DIXIT -  “Os políticos adoram o caos. Não pensam noutra coisa. Dá-lhes autoridade e dá-lhes poder. Dá-lhes proeminência. Ficam com a ideia de que podem resolver as coisas por nós”- John Le Carré

 

BACK TO BASICS -  “Fazer reportagem é uma escola de vida: o que aprendemos baseia-se em erros que cometemos” - Cristina Garcia Rodero, fotojornalista.

 

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publicado às 12:00


2 comentários

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De Andre a 28.12.2019 às 09:29

Se os noticiários das generalistas já são o horror que são –programas de variedades, infotainment, etc, pouquíssima informação relevante– com a duração que se sabe (1h? 1h30m?), imagine com a fusão? Assustador.
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De Anónimo a 28.12.2019 às 10:33

Manuel,

Excelente a critica à ERC. Sempre a aprender sobre a Cultura da Fotografia. Muito oportuno o "Dixit" e a "Clotilde" tenho que experimentar.

Abraço. João

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