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 MALABARISMOS - Depois de um período inicial de bom senso, que há uns tempos anda desaparecido, os concursos públicos têm vindo a transformar-se num mundo de opacidade com vários escalões. Alguns escritórios de advogados especializaram-se em criar cadernos de encargos que são uma espécie de encomenda feita à medida para determinado interessado, obviamente a mando da entidade que organiza a consulta, sobrepondo habilidades jurídicas a questões técnicas básicas. Noutros casos as entidades que lançam os concursos resolvem sobrepor-se à apreciação técnica dos júris que nomearam e fomentam justificativos jurídicos, devidamente fundamentados em extensos pareceres que são elaborados de forma a encaminhar a decisão numa determinada direcção, mesmo que não seja aquela que melhor dá resposta técnica aos objectivos do concurso. Tornou-se rotina não haver coerência na apreciação das propostas, na interpretação das regras, não há sequer respeito pelo trabalho desenvolvido. O que nuns casos se aceita em relação a um concorrente, não se aceita noutros casos; o que se tornou regra numa série de concursos passa a ser penalizado noutros. Por isso conheço cada vez mais gente que hesita apresentar propostas a concursos públicos. É mais um sinal da degradação do Estado.

 

SEMANADA - A Comissão Nacional de Eleições já recebeu 450 queixas por causa das autárquicas, 160 delas sobre a “neutralidade e imparcialidade das entidades públicas”; apesar de Domingo ser o dia tradicional dos grandes jogos de futebol, a Comissão Nacional de Eleições desconhecia o facto e mostrou-se surpreendida pela realização de um Sporting-Porto no dia das autárquicas; segundo a Marktest, em Agosto, 52% do tráfego na internet em Portugal foi gerado por PCs (desktop ou portáteis) e 48% por equipamentos móveis, o que representa um aumento de dez pontos percentuais na utilização de smartphones e uma diminuição igual na de PC’s, em relação ao mesmo período do ano anterior; das dez câmaras mais endividadas, oito – Fornos de Algodres, Nordeste, Cartaxo, Vila Franca do Campo, Portimão, Nazaré, Alfândega da Fé e Paços de Ferreira – estão sob a alçada do PS e duas – Fundão e Vila Real de Santo António – do PSD; o número de jovens entre os 15 e os 29 anos que não trabalham nem estudam passou de 11 para 20,8% entre 2000 e 2016; mais de metade da população activa portuguesa não tem sequer o ensino secundário; 14 mil enfermeiros saíram de Portugal desde 2010; um julgamento sobre corrupção no futebol, envolvendo manipulação de jogos sobre os quais eram feitas apostas, está em risco de nulidade por falta de traduções; nos últimos seis meses os portugueses gastaram 1,5 mil milhões de euros em apostas e jogos diversos.

 

ARCO DA VELHA - Numa época de crescente especulação imobiliária em Lisboa Fernando Medina conseguiu inverter a tendência - vendeu o apartamento que tinha há dez anos com um ganho de 36%  e comprou outro por menos 23% do que a vendedora tinha pago por ele, também há dez anos. É o que se chama ter acesso a boas oportunidades.

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FOLHEAR - O British Journal of Photography foi fundado em 1854 e inovação e invenção são duas palavras que podem caracterizar a revista. Uma das melhores demonstrações desse espírito é a iniciativa “Portrait of Britain”, que este ano promoveu pela segunda vez. A ideia é simples: a revista pede aos seus leitores para enviarem imagens que mostrem a multiplicidade e diversidade da sociedade britânica este ano enviaram oito mil imagens.  A partir destes envios são seleccionadas cem fotografias que depois são exibidas, durante o mês de Setembro, numa rede de anúncios de exterior digitais, mupis da JC Decaux, em estações de transportes públicos, centros comerciais e nas ruas em todo o Reino Unido. Na sua edição de Setembro a revista mostra uma selecção dos melhores trabalhos e , acima de tudo, procura mostrar cidadãos vulgares no seu dia-a-dia, fotografados por outros cidadãos. Ainda na edição de Setembro pode ser visto um trabalho sobre alguns editores de fotografia cujo trabalho é escolher quem vai fazer as imagens de que necessitam e que critérios presidem às suas escolhas. Há também dois portfolios muito interessantes - Mathieu Pernot mostra o resultado do trabalho feito ao longo de duas décadas com uma família romena que emigrou para o sul de França e Rob Honstra fala de “Man Next Door”, um trabalho sobre o seu vizinho, que ele documentou fotograficamente ao longo de uma década. Finalmente outro destaque da edição é uma entrevista a Quentin Bajac, o novo responsável pela fotografia no MOMA de Nova Iorque. A revista já está à venda em lisboa e a edição digital pode ser adquirida em  http://www.bjp-online.com .

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VER - Esta semana todo o destaque vai para o Porto. Em primeiro lugar, Serralves, onde está até 7 de Janeiro a exposição Jorge Pinheiro: D'après Fibonacci e as coisas lá fora” (na imagem). Apresentada como um projecto de Pedro Cabrita Reis com o próprio Jorge Pinheiro, a exposição reúne desenhos, pinturas e esculturas do autor e a sua instalação foi concebida pelo arquitecto Eduardo Souto Moura. O diálogo estreito entre Jorge Pinheiro e Cabrita Reis conduziu à seleção de 80 obras datadas de períodos específicos do percurso de Pinheiro, desde os anos 1960 até ao presente. A exposição inclui ainda uma nova escultura produzida especialmente para ser mostrada em Serralves. O catálogo que acompanha a exposição reproduz, além das obras expostas em Serralves, os cerca de 90 desenhos que integram uma exposição na Fundação Carmona e Costa, em Lisboa, a partir de 23 de Setembro. contextualizadas por uma entrevista de Jorge Pinheiro conduzida por Cabrita Reis e um ensaio do poeta e crítico de arte João Miguel Fernandes Jorge. Ainda no Porto o Centro Português de Fotografia (na antiga Cadeia da Relação), lança um desafio: Quem é que já viu uma prisão do lado de dentro? Assim surgiu “the portuguese prison photo project” que procura  transmitir uma visão das prisões contemporâneas e históricas de Portugal.  A exposição é feita a partir de imagens contemporâneas captadas por dois fotógrafos, o português Luis Barbosa e o suíço Peter M. Schulthess, em 2016 e 2017, complementada por imagens históricas pertencentes aos arquivos nacionais. Até 3 de Dezembro. Podem ver várias das imagens expostas em www.prisonphotoproject.pt . Outras sugestões: na Galeria João Esteves de Oliveira (Rua Ivens 38), a exposição Ouvidos No Deserto, trabalhos em papel de Marco Pires; na Fundação Gulbenkian videos, fotografias e serigrafias de Marie José Burki .

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OUVIR - Tori Amos leva quinze discos de originais no activo, desde que começou a sua carreira discográfica em 1988. Depois de em 2014 ter lançado o belíssimo “Unrepentant Geraldines”, Amos regressa agora com “Native Invider”, basicamente construído como reflexo da América que está a desenhar-se depois da vitória de Donald Trump nas presidenciais. Mas para além de uma visão sobre os Estados Unidos, “Native Invider” aborda também, como é tão presente na obra de Tori Amos, a sua relação com a vida e a dor. Amos conta que a ideia deste disco lhe começou a surgir numa viagem às Smoky Mountains, na Carolina do Norte, de onde a sua família é originária,e que a parte mais pessoal tem a ver com a sua própria mãe, que hoje tem dificuldade em comunicar com o mundo exterior. Incomodada com o estado da nação, entristecida pela decadência física da sua mãe, Tori Amos não poupa palavras neste disco e exprime com intensidade as suas emoções. “Native Invider” tem 15 faixas  e algumas das mais marcantes seguem a linha das intensas baladas de voz e piano que são a imagem de marca de Tori Amos - “Reindeer King” (talvez a mais arrebatadora), “Bang” e “Mary’s Eyes”. “Broken Arrow” e “Up The Creek” mostram uma incursão inesperada nas influências da música country e “Wildwood” e “Wings” somam considerações políticas com emoções pessoais, assim como “Breakway” ou “Chocolate Song”. O disco está disponível no Spotify.

 

PROVAR - Há uns tempos que andava com curiosidade de experimentar a Enoteca de Belém, local que me era recomendado por diversos amigos. O local é pequeno, tem poucas mesas, fica numa pequena travessa perto dos Pastéis de Belém, na mesma rua da Galeria da Ermida da Nossa Senhora da Conceição. Aliás a Galeria e a Enoteca são parte do projecto Travessa da Ermida que quer combinar arte com gastronomia e provas de vinhos. Quando se entra na Enoteca a primeira coisa que salta à vista é a variedade de bons vinhos expostos, em prateleiras que vão até ao cimo das paredes - os clientes são convidados a usar uns binóculos de ópera que a casa cede para lerem os rótulos das garrafas mais distantes. A casa tem cerca de uma centena de vinhos e muitos deles podem ser servidos a copo, proporcionando experiências diferentes ao longo da refeição. A cozinha é de inspiração portuguesa com confecção contemporânea - dispensavam-se as espumas da moda. Nesta incursão provou-se com agrado um atum fresquíssimo, no ponto, sobre uma cama de brócolos, anchovas e camarão e um lombo de garoupa muito bem confeccionado com arroz de ameijoas em molho bulhão pato. O chefe ofereceu um amouse bouche interessante - uma mini salada de polvo servida em cone e o couvert inclui uma belíssima manteiga de ovelha. O vinho escolhido foi um branco Casal Santa Maria, de Colares, que estava impecável - embora de início o serviço de vinho fosse desatento. Outras sugestões possíveis são polvo com batata doce, chouriço e molho de ervas ou, na carne, um magret de pato com risotto de cogumelos. O espaço reduzido e a invasão turística aconselham a que se faça reserva. Enoteca de Belém, Travessa do Marta Pinto, 6, Lisboa , todos os dias das 13 às 23,telefone 213 631 511.

  

DIXIT - “Não sei se alguém entrou em Tancos, no limite pode não ter havido furto” - José Alberto Azeredo Lopes, teoricamente Ministro da Defesa.

 

GOSTO - A encenação de “A Viúva Alegre”, que decorre em paris na Ópera da bastilha, tem cenografia de António Lagarto.

 

NÃO GOSTO - O planeta perde 15 mil milhões de árvores por ano.

 

BACK TO BASICS - “A qualidade é mais importante que a quantidade” - Steve Jobs

 

 

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