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POLÍTICAS - Os parlamento anda há anos a tentar fazer uma nova lei que regule a cobertura das eleições. Num curto espaço de tempo tivemos uma troika de deputados eméritos do PP, PSD e PS a proporem uma comissão de visto prévio à metodologia de cobertura do acto eleitoral por cada redacção. Depois evoluíram e as águas separaram-se - PSD e PP querem privilegiar os partidos com assento parlamentar e o PS lá decidiu não se meter em mais alhadas fomentadas pela sua deputada Medeiros e  fez uma proposta que basicamente permite que sejam critérios editoriais a prevalecer. Esta não é uma questão menor. Em 1975, quando foi feita a Lei ainda em vigor,  a maior parte dos mass media estavam estatizados e o legislador quis impôr normas iguais para todos - a informação era ainda altamente regulada, não havia praticamente orgãos de comunicação privados, muito menos televisões, e a internet era uma coisa inimaginável. Acontece que agora é legitimo perguntar se nas próximas eleições é mais interessante, de um ponto de vista editorial, cobrir o que diz o Bloco de Esquerda, com assento parlamentar, do que o Livre, que está a concorrer pela primeira vez às legislativas - os exemplos podiam ser outros, mas num ambiente de transformação e alargamento do espectro de concorrentes (mais de 20 certamente) é utópico pensar que todos têm que ter tratamento igual - porque a audiência tem alternativas e não ficaria à espera de ver 20 auto-iluminados a debitar promessas. Arrisco dizer que é preciso ter em conta um princípio que deveria nortear toda esta discussão: quando se trata de comunicação e informação os políticos e os partidos em geral, e os orgão de soberania e os governos em particular, são péssimos editores. Não sei se os senhores dos partidos já terão percebido que, agora, há um remédio simples para os evitar: carrega-se no botão e muda-se de canal. Ou então vai-se à internet buscar o que se quer. No fundo não acreditam ainda que os eleitores saibam procurar e escolher o que querem ver - agora já não há só um canal de televisão como há 40 anos atrás. Melhor fariam se garantissem total transparência aos seus actos e se pensassem melhor no que querem propôr aos eleitores. De preferência sem mentiras.

 

SEMANADA - O Partido Democrático Republicano, de Marinho Pinto, não conseguiu proceder à eleição do seu Conselho Nacional devido a alegadas irregularidades e distúrbios internos; 55 motoristas de taxi foram condenados em 2014 por burlas a turistas no aeroporto de Lisboa; os pedidos de vistos gold de chineses caíram 20% após o caso de corrupção descoberto em Novembro passado; neste primeiro trimestre os portugueses dedicaram mais de 8 milhões de horas a sites de comércio electrónico - de viagens a livros - uma média de 1 hora e 45 minutos por utilizador; Sampaio da Nóvoa afirmou-se como “um candidato improvável” e garantiu que, sendo eleiteo Presidente da República, não seria “omisso e ausente”; o défice público desceu 31% entre de Abril de 2014 e Abril desde ano exclusivamente devido ao aumento da receita fiscal; os centros de emprego chegaram ao fim de Abril com 20 849 ofertas de emprego que estão por preencher devido a falta de interessados; o metropolitano de Lisboa realizou a sua sétima greve só este ano - uma média superior a uma por mês; desde 2010 a banca cortou 15% dos balcões e 13% do número de colaboradores; a lista dos contribuintes VIP estava a funcionar 11 dias antes de ser aprovada; existem actualmente 1111 empresas portuguesas a exportar para a China; um relatório da Inspecção Geral das Finanças obriga o Fisco a proteger dados dos contribuintes;  o Hospital de Santa Maria, o maior do país, está minado por uma teia de interesses e lealdades a partidos políticos, à maçonaria e organizações católicas como a Opus Dei, conclui um estudo que avaliou a qualidade e funcionamento de seis instituições nacionais.

 

ARCO DA VELHA - Nesta história da FIFA o que é mais surpreendente é que há uma lista de notáveis, um pouco por todo o mundo, a dizerem que não é surpresa que tenham sido presos tantos dirigentes da organização sob acusações de corrupção, encarando com naturalidade que tudo tivesse continuado na mesma durante anos.

 

FOLHEAR - A edição de Junho da revista “Monocle” é dedicada aos transportes, às novidades que surgiram no sector em todo o mundo, às tendências emergentes e à análise da qualidade de serviço dos principais operadores - desde fabricantes de bicicletas até linhas aéreas, passando por companhias de comboios ou as novas tendências dos carros auto-pilotados. Como sou fã de publicidade não resisto a registar que os primeiros anúncios desta edição, são de marcas como a Rolex, a Cadillac, os jactos privados Bombardier, o novo carro da Lexus,os relógios Panerai e a Nike. A “Monocle” atingiu o estatuto de incontornável suporte de comunicação de marcas em poucos anos graças à determinação e perseverança do seu fundador Tyler Brulé em manter o posicionamento sem cedências. Esta é talvez a maior prova de que em alguns segmentos ainda faz sentido pensar em publicações impressas em papel - a vida digital da Monocle é feita à margem da revista e baseada na rádio em streaming. A qualidade dos conteúdos, o sentido de descoberta e de comunidade que foi criado entre os leitores da revista são a chave do seu sucesso e aquilo que mês após mês me faz voltar a cada nova edição, que dedicadamente folheio ao longo de vários dias, à procura do que não conheço.

 

VER - Vamos a uma síntese do que há para ver, apontando desde já que a curiosidade me impele a descobrir o que José Barrias apresentou esta quinta.feira na Plataforma Revólver - mas a isso regressarei na próxima semana. Esta semana começo por recomendar que se afoitem até Sacavém, ao Museu da Cerâmica, na Praça Manuel Joaquim Afonso, onde poderão descobrir uma exposição sobre os Móveis Olaio, porventura a unidade industrial na área do mobiliário que mais procurou a inspiração modernista e mais se inspirou no design nórdico. Acabou por criar móveis para o Ritz, o Estoril-Sol, o Hotel Tivoli, mas também os teatros Monumental e Éden, o Capitólio e os cafés Império e a Mexicana. Eu, que cresci com móveis da Olaio em casa, e ainda guardo uma estante e um cadeirão, fico sempre entusiasmado com esta memória da marca. Outra exposição a ver , no Museu Berardo, é “O Olhar do Coleccionador”, que mostra algumas das peças da colecção pouco conhecidas, nomeademnte o telão de cena criado por Marc Chagall para a Flauta Mágica, de Mozart, ou a obra Severambia, de Frank Stella . Ainda no Museu Berardo vale a pena ver a obra”Due Ragazzi alla Fonte” de Michaelangelo Pistoletto (na imagem), no ciclo “A Escolha dos Críticos”, uma iniciativa do serviço educativo do museu, aqui comissariada por Sérgio Mah.



OUVIR - Nada melhor que um fim de tarde desta fase da Primavera para pôr a tocar um disco com os standards de Frank Sinatra. Acompanham bem qualquer cocktail, encaixam no pôr-do-sol, apreciam o tempo quente e, em havendo espaço e companhia, desafiam à dança. Sinatra faria cem anos em Dezembro, morreu aos 82 em Maio de 1998. A efeméride foi o motivo para o lançamento de uma compilação, “The Ultimate Sinatra”,  que agrupa 25 das mais importantes interpretações de Sinatra, desde “All Or Nothing At All”,. de 1939, até “New York ,New York” de 1979, passando por temas tão incontornáveis como “”Young At Heart”, “In The Wee Small Hours Of The Morning”, “I’ve Got You Under My Skin”, “The Way You Look Tonight” ou “Fly Me To The Moon” e “My Way” - além de uma versão inédita de “Just In Time”. Este ano promete muitas edições de livros e discos que assinalarão o centenário, mas o fundamental mesmo é recordar a capacidade de interpretação, a forma como pegou em grandes compositores do cancioneiro popular norte-americano e os tornou numa linguagem universal. (CD Universal na FNAC e El Corte Ingles).

 

PROVAR - Mesmo no centro de Azeitão está um daqueles segredos bem guardados que apenas os locais e frequentadores habituais conhecem - a esplanada da Casa das Tortas, coberta e cercada por vegetação. Não há muitos lugares, há mesas e bancos corridos e sobretudo há um grande cuidado com a selecção da matéria prima utilizada para a confecção dos pratos, seja de carne ou peixe. A cozinha é tradicional, de fogão e de grelha, sem concessões. Tudo se joga na frescura do que é apresentado. A comandar as operações está o Sr. Paulo, que não se faz rogado a contar as suas próprias excursões gastronómicas pelo país à demanda da lampreia ou do sável nos dias em que está de folga. Para além dos grelhados, de peixe e carne, é aqui conhecida a arte dos pratos de tacho, como o frango à bordalesa, mas, também no fogão, o peixe assado no forno, das douradas ao pargo, sempre fresquíssimo. Além disso há petiscos, tábuas de queijo e de enchidos, e, para sobremesas, a incomparável A Tarte de amêndoa ou os pastéis de moscatel- acompanhados claro por moscatel roxo. A casa está aberta do pequeno almoço ao jantar. O telefone é o 969 146 996 e a morada é  Praça da República 37, Azeitão.

 

DIXIT - “A nossa democracia está cheia de cáries e, se nada fizermos, daqui a pouco está sem dentes” - Pedro Bidarra

 

GOSTO - Dos 70 anos do Centro Nacional de Cultura, uma instituição única em Portugal.

 

NÃO GOSTO - O Parlamento continua sem conseguir legislar sobre o enriquecimento ilícito, qualquer dia está igual à FIFA.

 

BACK TO BASICS - “Quando se educa uma pessoa muda-se uma vida mas quando se educam muitas podemos mudar o mundo” - Shai Reshf, fundador da University Of The People, Tel Aviv, Israel.

 

 

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