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LUSA- Na passada terça-feira a Administração da agência de notícias portuguesa, a Lusa, decidiu que era altura de fazer uma reestruturação, constatou que não tinha confiança no Director de Informação e comunicou-lhe que estava demitido. Fez constar que queria um perfil com experiência de gestão e controlo orçamental e, à tarde, anunciou um novo Director de Informação, que até há pouco tempo fora Director da “Visão”, sem particular experiência nas áreas pretendidas. Não estão em causa pessoas, diga-se: não conheço o Director demitido pessoalmente, tenho boa ideia profissional dele, sei que cursou Economia na Nova e que foi correspondente da Lusa junto da UE em Bruxelas, constato que tem muitos anos de agência noticiosa, um meio que para todos os efeitos requer um jornalismo diferente, na forma e na organização, do que se faz num jornal ou numa revista, para já não falar em rádio e televisão, e sobretudo nesta nova área digital. O novo Director, se recolher os pareceres favoráveis legalmente necessários, é, em contrapartida, uma pessoa que conheço, por quem tenho estima pessoal, e que fez boa carreira profissional nos jornais e revistas, mas sem experiência anterior de agência noticiosa. Toda esta movimentação se passa a um mês de eleições legislativas - e mesmo sendo certo que o Director demitido fica em gestão corrente até à data do acto eleitoral, não é menos verdade que perdeu legitimidade de poder editorial e ganhou condicionalismos. Acontece também que devido às dificuldades de muitos orgãos de comunicação, que ficaram com redacções menores e menos experientes, o noticiário fornecido pela agência Lusa ganhou indíces de publicação e difusão como já não acontecia há alguns anos - daí vermos cada vez mais o mesmo texto em notícias de jornais diferentes sobre o mesmo assunto, o que aliás volta a colocar o papel de Serviço Público da agência na ordem do dia. Diga-se ainda que este aumento de penetração do noticiário da agência abona a favor da Direcção demitida. Inevitavelmente o noticiário que a Lusa fornecerá sobre a campanha eleitoral será concerteza muito utilizado por orgãos de comunicação que não têm meios para seguir todos os partidos concorrentes. Portanto esta é uma decisão com consequências políticas incontornáveis. Ora acontece que a Lusa é detida maioritariamente pelo Estado, que é o seu accionista principal. O Ministro que a tutela, Poiares Maduro, veio rápido dizer, como é seu costume, que não interfere ( creio que o tempo trará ao de cima algumas histórias sobre essa matéria). O meu ponto de vista é que neste caso faz mal em não interferir - não na redacção, onde de facto não deve, mas na Administração, onde é seu dever ser vigilante: um accionista maioritário não pode ser indiferente a uma mudança estrutural que pode ter repercussões no seu próprio core business - que no caso de um governante é a política - e nos seus stakeholders, ainda para mais numa área tão delicada como a informação. Ao demitir-se do papel de accionista e ao dar aval à Administração para ter tomado estas decisões (nem quero imaginar que não tenha sido avisado antes…), Poiares Maduro presta um péssimo serviço e, em nome da decência, devia assumir as suas responsabilidades. Este é daqueles casos em que não chega afirmar ser sério, tem que mostrar que o é. E este Ministro tem-se escusado demasiadas vezes a mostrá-lo. Mesmo em política a hipocrisia tem limites.

 

SEMANADA - As greves da TAP agravaram os prejuízos da empresa em 60 milhões de euros; metade dos desempregados não trabalha há mais de dois anos; muitos desempregados não têm as qualificações pedidas por empresas e muitas empresas não conseguem empregar os mais qualificados; as exportações portuguesas de artigos de pele quadriplicaram desde 2009; Cristiano Ronaldo encomendou ao escultor que fez a sua estátua para o Museu de Cera de Madrid uma réplica em tamanho real para decorar a sua casa na capital espanhola, que custará 27 mil euros; o Director do Museu de Cera de Madrid disse que Ronaldo envia todos os meses um cabeleireiro para escovar o cabelo natural da sua estátua; em Agosto a Ferrrari vendeu cinco automóveis em Portugal e a Porsche 12; o Partido Democrático Republicano, de Marinho Pinto, tem tentado, sem sucesso, obter financiamentos bancários para a campanha eleitoral; em Julho e Agosto registaram-se mais de 12 mil incêndios florestais, mais fogos que em França e em Espanha juntas; segundo a Marktest, entre Janeiro e Junho, mais de 5 milhões de portugueses acederam a partir de computadores pessoais a sites de jornais, revistas e de notícias nacionais; em Julho, 27% das páginas dos sites auditados pela Marktest foram acedidas através de equipamentos móveis e face ao mês homólogo de 2014 os smartphone foram os equipamentos que mais quota ganharam; demitiu-se o director de campanha de Sampaio da Nóvoa, ao saber que após as legislativas seria substituído por um deputado do PS; Manuela Ferreira Leite vai apresentar um livro do ex-dirigente socialista Pedro Adão e Silva, sobre os mitos do Estado Social; há cinco mil docentes para os 78 mil alunos com necessidades educativas  especiais e muitas destas crianças só têm meia hora de apoio por semana,

 

ARCO DA VELHA -  Em Portugal gasta-se mais dinheiro em cápsulas de café expresso do que em livros e os números revelam que mais de metade da população portuguesa pode atravessar a vida sem ler um livro completo fora dos manuais escolares.

 

FOLHEAR - Regresso à revista Monocle, depois de um breve interregno estival. O Número de Setembro é a edição dedicada todos os anos ao empreendedorismo, desta vez com particular enfoque nas start ups e em negócios familiares. O suplemento especial, guia do mês, é dedicado a Singapura. Destaque ainda para uma reportagem sobre o império mediático da Globo no Brasil e para uma viagem ao interior da Ordem de Malta, enquanto Estado soberano. Em relação a Portugal há uma página de publicidade redigida da Renova com conteúdos um pouco confusos, e, em termos informativos, além de uma nota sobre a pasta dentífrica Couto, há um curto texto sobre as próximas eleições onde se destaca o facto de o Governo ter conseguido evitar o caminho da ruína, como aconteceu na Grécia - embora se diga que votar a favor da continuação da austeridade coloca escolhas difíceis. A Espanha aparece com quatro páginas de conteúdos patrocinados, quer sobre os museus de Madrid, quer sobre bares e restaurantes da cidade, e ainda uma peça sobre a conciliação da recuperação urbana com pequenos negócios domésticos. Também fiquei a saber que na Turquia há uma revista mensal sobre desportos que não o futebol  que dá pelo nome de “Socrates”. Finalmente o mês trouxe outra novidade, uma newsletter diária da Monocle, a “Monocle Minute”, que pode ser subscrita no site da revista. Assim se reforçam os laços de uma comunidade.

 

VER - Com o Verão a acabar e o Outono a dar sinais é boa altura para planear uns passeios. Sugiro uma visita ao Museu Automóvel do Caramulo onde, até 6 de Dezembro pode ser vista uma exposição sobre os Micro-Carros e as suas histórias. Além disso há a bela colecção de automóveis e de motociclos antigos, de brinquedos relacionados com veículos motorizados e  uma colecção de arte, clássica e contemporânea. Além disso decorre uma iniciativa de crowdfunding para recuperar um  histórico Messerschmitt KR200 de 1958 , o “Messi”- informações em www.museu-caramulo.net. No mesmo site obtenha informações sobre o Caramulo Motorfestival, que decorre até sábado, um evento dedicado aos automóveis e motociclos clássicos e desportivos.

 

PROVAR - Para aqueles que ainda estão de férias a sul, aqui ficam umas impressões gastronómicas de uma semana no Algarve, na zona do Alvor. Começo pelo Restinga (282 459 434), que fica mesmo na praia e foi onde encontrei o serviço mais simpático, a melhor relação qualidade/preço e onde provei a melhor confecção culinária - uma canja caldosa de garoupa e ameijoas que estava verdadeiramente fora de série. Já o Àbabuja, na zona ribeirinha de Alvor, foi uma completa desilusão - serviço fraco e com piadolas, uns lingueirões à bulhão pato de fraca qualidade e excessivamente temperados, um peixe razoável de grelha mas demasiado amolecido para ser bem fresco - e uma má relação qualidade/preço; em contrapartida, em Ferragudo, no Sueste, encontrei o melhor peixe grelhado, exemplarmente fresco e preparado, um xerém de ameijoas impecável, um serviço sempre atento e um preço justo para a qualidade (Rua da Ribeira 91, frente ao cais - na foto -  vista magnífica sobre Portimão, telefone 282 461 592). Aquele que mais me aborreceu foi o Caniço, na Prainha, que me vinha bem recomendado e onde, depois de me terem aceite uma reserva para o jantar do dia seguinte, me fizeram a partida de informar, poucas horas antes, que afinal a reserva ficava sem efeito - é isto que dá má fama a qualquer casa.

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 DIXIT - “(A UE) chama ao drama dos refugiados ‘um assunto urgente’. mas só tem vaga na agenda para uma reunião extraordinária daqui a 15 dia. É sempre lesta a reunir aos domingos sobre a moeda única, fomentar maratonas negociais para vergar parceiros ou ter governantes a fazer figuras tristes no Twitter, mas não consegue arranjar umas horas para, em conjunto, discutir medidas urgentes que salvem vidas e salvaguardem Schengen” - Bernardo Pires de Lima.

GOSTO - Da decisão de Miguel Albuquerque, Presidente do Governo Regional da Madeira, de alienar as residências pertencentes ao Estado em Porto Santo, que eram apenas utilizadas como casas de férias pelos anteriores responsáveis regionais, nomeadamente Alberto João Jardim.

NÃO GOSTO - Da cobardia da maioria dos responsáveis europeus no caso dos refugiados.

BACK TO BASICS - A imaginação é mais importante que o saber, porque o saber é limitado (Albert Einstein)

 

 

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