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TEMA - Quanto mais o sol brilha, mais me parece que este país precisa de uma primavera política. Olho à volta, vejo os deputados comentadores dos canais de televisão e confirmo que os nossos políticos são invernais, quanto muito outonais, mas sempre cinzentos, tristes e com uma previsibilidade de ideias assustadora. Levam-se demasiado a sério, interpretam muito, analisam imenso, alguns reproduzem o que lhes dizem, há quem apenas diga o que outros querem ouvir. Falam para o umbigo dos partidos. Não admira que os programas  de debate sobre futebol tenham maior audiência nos canais de informação que os debates entre políticos - são mais bem humorados, fazem poucas promessas e são bem mais sinceros. O actual Governo cumpriu os seus primeiros mil dias de existência e, para mim, o seu pecado capital é ter-se esquecido que a parte mais importante da governação é convencer as pessoas, procurar ganhar o seu apoio, explicar o que se faz e o que nos espera à frente. Não há política possível sem ter em conta as pessoas e lembrarem-se apenas delas nos momentos eleitorais tem levado o país ao estado em que está. Em vez de programas fazem-se promessas; em vez de estratégias fazem-se manobras tácticas; em vez de reformas fazem-se manobras. Portugal vive em ciclos, é um país bipolar inconstante, e acaba sempre por penalizar quem não deve, deixando impune quem  merecia castigo.

 

SEMANADA - Em 2012 o tempo médio para resolver uma acção em tribunal foi de 860 dias ou 2,3 anos em 2012; os tribunais portugueses levam em média dois anos para decretar uma insolvência; os tribunais custam 45 euros por ano a cada português; após três horas de reunião soube-se que  o estado da nação é uma divergência insanável; 48% dos portugueses manifestam-se a favor de maior transparência na vida política; um relatório da OCDE diz que 15% dos jovens portugueses entre os 15 e 24 anos não tem qualquer ocupação; o mesmo relatório diz que seis em cada dez desempregados não recebem subsídio e 49% dos 850 mil desempregados estão sem trabalho há mais de um ano; 36% dos espanhóis confiam no Governo do seu país e em Portugal o número é de 26%, o segundo mais baixo da Europa; a despesa em saúde publica per capita em Portugal é a segunda mais baixa da Europa; mais de 60% das obras públicas derrapam nos prazos; em 2012 o procedimento adoptado em 96,2% de todos os contratos públicos foi o ajuste directo; o Presidente da República marcou as eleições para o Parlamento Eurtopeu para 25 de Maio, apelou à participação dos eleitores e recomendou contenção aos partidos; António Costa recomendou ao Governo que deixe em paz o lixo de Lisboa; existem cerca de três mil ninhos de cegonhas em torres de distribuição eléctrica.

 

ARCO DA VELHA - Retrato instantâneo da crise da imprensa: três quartos dos portugueses têm acesso a canais de cabo e quase 30% dos espectadores preferem-nos -  mas grande parte da imprensa ainda só dá informação regular sobre a programação dos canais generalistas.

 

FOLHEAR - Habituei-me a ver em José Manuel Felix Ribeiro um dos poucos economistas que, além de fazer o diagnóstico da situações, elenca estratégias possíveis e propõe soluções concretas. Isso distingue-o dos econo-políticos que desgraçadamente povoam o arco da governação. O seu novo livro, “Portugal - A Economia de Uma Nação Rebelde” é um belo guia de ideias para estes tempos que atravessamos - “findos os primeiros quarenta anos do regime democrático, está na altura de definir um novo conjunto de escolhas fundadoras para as próximas décadas”, como diz o autor nesta sua obra que, salvaguardadas a distância e o contexto, bem podia ser encarada como uma espécie de “Portugal E O Futuro” contemporâneo. “Portugal - e o espaço lusófono - só sobreviverão com relevância mundial num quadro da  globalização, naturalmente organizado em torno dos oceanos. E por isso é que Portugal e o espaço lusófono têm como aliados naturais o espaço anglo-saxónico (e os Estados que com ele se articulam)” - sublinha Felix Ribeiro, para depois afirmar: “A proposta de uma parceria transatlântica de comércio e investimento proposta pela Administração dos EUA é o futuro que nos interessa explorar. Do mesmo modo que são as relações históricas múltiplas com Estados da Ásia que constituem o elemento mais diferenciador de Portugal no contexto europeu - relações históricas com a Índia, o Japão, a China e a Malásia”. O livro analisa e elenca sectores, traça prioridades e culmina com a proposta de um novo mapa de alianças para crescer na globalização. São ideias e propostas invulgares, algumas polémicas, outras de uma desarmante evidência. Mas merecem ser conhecidas e debatidas, em vez das estéreis discussões de conveniência que por aí abundam. Aqui está boa matéria de discussão nas europeias.

 

VER - Vai-se a um dos bons Hotéis de Lisboa, o Tivoli, e entra-se no seu restaurante do piso de entrada, a Brasserie Flo, cujas janelas dão sobre a Avenida da Liberdade - e onde se podem degustar das melhores ostras de Lisboa e um bife tártaro exemplar. Agora este espaço do Tivoli passou a apresentar regularmente obras de arte contemporânea. A estreia coube a Inez Teixeira com a exposição de pintura e desenho “O Jogo das Nuvens”, que estará exposta no restaurante até 15 de Junho. Depois seguir-se-ão fotografias de Pauliana Valente Pimentel. A exposição compreende 3 impressões digitais sobre tela a partir de desenhos e dois originais, de acrílico cobre tela. A paisagem volta a ser o tema dominante nestes desenhos e pintura que mostram mais uma vez como o olhar meticuloso de Inez Teixeira interpreta o mundo à sua volta.

 

OUVIR - Anne Clark toca 13 diferentes instrumentos mas é na guitarra eléctrica que verdadeiramente ela dá cartas e mostra um talento, discreto, mas constante. A forma como canta também contribui para a sonoridade que é a sua imagem de marca. Este seu quinto disco, “St. Vincent” é porventura aquele onde ela consegue mostrar de forma mais saliente a progressão na composição e interpretação das suas canções, em simultâneo com a consolidação de um estilo próprio. A sua imagem ficou marcada pelas colaborações com David Byrne em 2012, que lhe deram notoriedade mas puseram à sombra da fama alheia. Neste novo disco ela sai da sombra e afirma-se, logo desde a faixa de abertura, “Ratllesnake”, marcada pela electrónica, até ao humor cáustico da letra de “Digital Witness” ou da deliciosa balada com que finaliza o disco, “Severed Crossed Fingers”. É justo destacar ainda a forma como ela toca guitarra em “Birth In Reverse”, o esplendor de “i Prefer Your Love” ou os desafios de “Prince Johnny”. 40 minutos de grandes canções.

 

PROVAR - Até aqui o Largo da Anunciada, em Lisboa era conhecido por duas coisas: ficava perto desse clássico que é o “Solar dos Presuntos” e da Ervanária da Anunciada, casa de pergaminhos em produtos naturais. Agora adiciona-se à lista de pontos de interesse do local a “Champanheria do Largo”, um misto de wine bar com restaurante, onde petiscos se conjugam com ampla selecção de champagnes e espumantes e uma curta mas bem escolhida lista de vinhos. Muita desta existência está disponível a copo. Existe ainda a changria que como o nome indica é uma sangria de champagne e uma champirinha que por estas horas já adivinharam o que é. A lista de petiscos é extensa e variada, a decoração é contemporânea e confortável, existe uma pequena esplanada, o serviço é atento.  A Champanheria é dos mesmos proprietários do Avenue, que fica do outro lado da Avenida da Liberdade, quase em frente. A clientela tem estrangeiros encaminhados dos hotéis que são próximos, mas pode também ter figuras como o Chef Rui Paula, do DOC e do DOP, recentemente a ganhar fama de júri televisivo - a bem dos seus restaurantes espero que a prestação televisiva não o faça descurar aquilo que lhe deu notoriedade.

Uma recente visita permitiu provar, com agrado, uns peixinhos da horta de fritura impecável e de tempero aromático inesperado, vieiras frescas na chapa, mini hamburgueres de pato acompanhados de batata doce frtta às rodelas finíssimas, uns muito bem apanhados croquetes de ostra e, a rematar, uma sopa de frutos vermelhos com papos de anjo. A petisquice foi acompanhada pelo transmontano Vértice, o nosso espumante que não se apaga ao lado de muitos champagnes. Largo da Anunciada 20, telefone 213 470 392, encerra às segundas, aberto entre as 12 e as 24.

 

DIXIT - “A primeira qualidade que por aí acham que um Primeiro Ministro deve ter não é a lucidez. Nunca dizem: "Vou dar o máximo para manter a capacidade de lucidez." Em vez disso, a primeira frase que se ouve sobre os nossos últimos PM's é: "Vejam a coragem das medidas que está a tomar" - José Medeiros Ferreira em entrevista ao Negócios em 2012.

 

GOSTO - “Quando se navega sem destino, nenhum vento é favorável” - frase final do livro “O Segredo do Hidroavião”, de Fernando Sobral

 

NÃO GOSTO - Em 15 hospitais portugueses há falta de anestesistas.

 

BACK TO BASICS - O talento acerta num alvo onde mais ninguém consegue acertar, mas o génio atinge um alvo que ninguém conseguia ver  - Arthur Schopenhauer

 

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publicado às 14:08


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