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ESTAROLAS - Em 2015 vamos ter legislativas e essa vai ser a primeira possibilidade de voto para quem nasceu em 1997. Quem nasceu a partir do início da década de 90 estará entre os novos eleitores - e já nem falo de quem nasceu a partir de meados dos anos 80 e tem agora 30 anos. Tudo junto é muita gente. Será que este universo de eleitores ainda separa a esquerda da direita como os que tinham 20 ou 30 anos em 1974 ou 1984? E como é que olham para a ideologia? Que acharão eles do que se passa dentro do PS? Que acharão eles dos políticos que falam sobretudo da tradição, eles que se debatem com o desemprego jovem e um futuro nebuloso? Comecei a pensar nisto quando vi que a estratégia de António Costa tem sido arregimentar  os históricos do PS, da Juventude Socialista e em geral figuras tradicionais da esquerda, próximos hoje em dia do PS. Chamo a isto a estratégia dos dinosauros excelentíssimos, que vivem de memórias mais do que de actos. Esta semana, num momento particularmente elucidativo do seu estilo, António Costa juntou apoiantes da chamada área da Cultura. Nas fotografias vi imagens de um parque jurássico onde se passeavam devedores de favores, pretendentes a prebendas e devotos variados. Interrogo-me sobre a razão de ser destes apoios a alguém que, em sete anos de presidência de Câmara Municipal de Lisboa, manifestamente não mostrou estratégia para a cidade nem para a cultura. Dizem-me que pode ter a ver com a solidariedade de uma esquerda cheia de memórias e carente de ideias - aqueles que preferem a emoção à razão. Mas, constato que, mesmo sem formular políticas, António Costa já sabe como vai organizar um Governo, se um dia o tiver. É patética a promessa de um Ministério da Cultura sem antes saber que recursos vai poder ter e como vai poder funcionar - serve apenas para cenário imaginário onde poderá alojar umas vaidades, várias delas na plateia. Este Costa que quer governar o PS e o país está há sete anos a mandar na cidade e, tirando as obras na rotunda, o notável desprezo pelos habitantes e o aluguer da avenida da Liberdade para servir de pocilga de supermercado, não se lhe nota obra feita. Como a congregação desta semana mostrou, este é um daqueles casos em que o rei vai nu e chamou uns estarolas para o cobrirem. Há uma página de Facebook que dá pelo nome de “Costa no Castelo” e que conta as aventuras de “Inércio, o alcaide que queria ser Rei”. Está resumido o assunto.

 

SEMANADA - O revisor oficial de contas da Câmara Municipal de Lisboa levantou um conjunto de reservas sobre as contas de 2013 da autarquia, num montante superior a mil milhões de euros; o passivo total da Câmara Municipal de Lisboa em 2013 aumentou 10,3% em relação a 2012, atingindo os 1420 milhões de euros; a Câmara de Lisboa mais do que triplicou a sua despesa com a adjudicação de empreitadas e a aquisição de bens e serviços entre 2012 e 2013; faltam 82 dias para as primárias do PS; Paco Bandeira é um dos 600 artistas a subscrever um manifesto de apoio a António Costa; a polícia municipal de Braga tem 47 agentes que estão sem comandante há dois meses; em 2013 o prejuízo médio por farmácia foi de 8703 euros, ou seja mais de 25 milhões de euros no total; os vistos gold captaram já mil milhões de euros de investimento este ano; as contas bancárias penhoradas aumentaram 10% num só ano; o crédito malparado das famílias portuguesas atingiu em Maio deste ano o valor mais alto desde o princípio de 1998, um total de 5262 milhões de euros; a bolsa de Lisboa perdeu 16% em três meses; 12 dos 16 administradores da Espírito Santo Internacional, a braços com uma  dívida superior a 7 mil milhões de euros,  pediram a demissão; a Espírito Santo Internacional pondera apresentar pedido de insolvência.

 

ARCO DA VELHA - Narciso de Miranda, ex-presidente da Cãmara de Matosinhos eleito pelo PS ao longo de 29 anos, foi acusado de ter feito uma falsa declaração de roubo de um iPhone 3, para que a Associação de Solidariedade, a que presidia,  substituísse o modelo antigo por um mais recente que lhe agradava mais.

 

FOLHEAR - O número 215 da revista “Aperture” é dedicado à cidade de São Paulo. Publicada quatro vezes por ano por iniciativa da Aperture Foundation, criada em 1952, a  edição do Verão deste ano é pela primeira vez na história da revista dedicada a uma cidade fora dos Estados Unidos. É o pretexto, para em época de Mundial, se falar do Brasil e da fotografia brasileira. Sérgio Burgi escreve um bom ensaio, “An Itinerant Photography”, sobre as primeiras revistas ilustradas e o surgimento dos clubes de fotografia no pós guerra. Militão Augusto de Azevedo, um precursor da fotografia, é recordado pelo seu álbum comparativo de imagens feitas em São Paulo entre 1862 e 1887, quando a cidade passou de 25 mil a 50 mil habitantes - hoje já ultrapassa os 20 milhões. A “Aperture” lembra publicações como a revista ilustrada semanal “O Cruzeiro”, que existiu entre 1928 e 1975 e que em 1954 tirava meio milhão de exemplares. Fala da abertura da Bienal de São Paulo à fotografia em 1953, do lançamento da newsmagazine “Realidade” pela editora Abril em 1966 - durou dez anos. Recorda, com um belo portfolio, Geraldo de Barros, um dos nomes marcantes da fotogradia brasileira dos anos 40 ao final do século XX. Mas a “Aperture” não se fica no passado e mostra trabalhos de nomes como Caio Reisewitz, Barbara Wagner, Hudilson Urbano Jr., Mauro Restiffe (a sua forma de ver o funeral de Niemeyer), Jonathas de Andrade, Regina Silveira, Sofia Borges ou Claudia Andujar. Faz um ponto de situação das residências, galerias e museus ou locais de exposição que privilegiam a fotografia e mostra como os photobooks documentaram a história da cidade ao longo dos anos. Um dos melhores artigos da  edição é assinado por Ronaldo Entler e mostra trabalhos dos colectivos mais marcantes na fotografia contemporânea em São Paulo, a Cia da Foto cujos membros não assinam as fotografias individualmente, a Garapa que se distingue por experimentar novas formas de narartiva fotográfica em trabalhos financiados por crowdfunding, o FotoProtestoSP que nasceu para cobrir as manifestações de 2013, a SelvaSP. criada em 2012, para retratar o lado mais negro da cidade ou a MídiaNinja, também saída dos protesto de 2013.

 

VER -  A exposição da semana está no antigo edifício dos Correios, na Praça de D. Luis, junto ao Mercado da Ribeira, a Central Station. Dentro em breve o edifício vai ser reconvertido, mas entretanto, até dia 17 deste mês,  mostra no seu segundo andar o trabalho de 51 artistas contemporãneos, de diversas áreas, do desenho à fotografia, passando pela pintura, a escultura. A “Mostra”, assim se chama a iniciativa, pretende a partir de agora mostrar todos os anos o trabalho de artistas emergentes ao lado de alguns consagrados, dando uma oportunidade de exposição que vai sendo rara. A “Mostra” estará aberta todos os dias das 13 às 20 horas até à próxima quinta-feira. Mais informações e detalhe do programa paralelo em http://www.mostradearte.com. A não perder. Entretanto neste fim de semana realiza-se também a edição inaugural da Est Art Fair, que se posiciona como uma feira internacional de arte contemporânea. Estão representadas três dezenas e meia de galerias, metade das quais estrangeiras. Mais informações em est-art.com .

 

OUVIR - José James é um dos nomes em ascensão no jazz vocal e já actuou algumas vezes em Portugal. Volta este domingo, aos Jardins do Marquês de Pombal, em Oeiras, integrado no edpcooljazz. Na bagagem traz o seu novo álbum, já editado entre nõs, “While You Were Sleeping”. O disco tem provocado alguma polémica porque James saíu do caminho tradicional dos rhythm’n’blues que tem sido a sua imagem de marca e ensaia outros terrenos - logo desde a primeira faixa, “Angel”, onde uma guitarra que evoca o fraseado de Jimi Hendrix, surpreende quem esperava outra coisa e mostra como José James experimentou a liberdade de sair dos cânones que o marcavam. Outros temas a reter são “Dragon”, que conta com a colaboração da cantora Becca Stevens, o tema título “While You Were Sleeping”, ou ainda “U R the 1”, “4 Noble Truths”  e sobretudo a sua versão do clássico de Al Green, Simply Beautiful”, que encerra o trabalho. (CD Blue Note/Universal).

 

PROVAR - Apresenta-se como o mais tradicional restaurante chinês de Lisboa, tem meia dúzia de semanas de funcionamento e fica no Beato. Chama-se Dinastia Tang e é fruto do trabalho de um casal luso-chinês. Todos os elementos decorativos do restaurante vieram da China, a mobília é tradicional, confortável, sólida. O espaço é amplo, aberto numa parte, com recantos noutra. No rés do chão existe uma sala para grupos, muito utilizada pela comunidade chinesa. A cozinha que aqui se pratica é também diferente daquela que é servida na maior parte dos restaurantes chineses da cidade. A escolha do menu e o cuidado no tempero fazem a diferença, assim como os pratos ao vapor, desde os dim sum ao pão chinês ou a sobremesas como as bolas de arroz com sésamo.  Aqui a influência maior é da gastronomia de Cantão. Amendoins com orvalho, frango ou camarões com fruta variada e caju (muito bom), um excepcional pato com castanhas, ou um tradicional pato à Pequim são apenas alguns dos pontos de uma lista extensa que merece ser explorada. Há raridades, como raiz de lótus, línguas de pato, salada de medusa (ou alforreca em português mais corriqueiro) e, por fim, um afamado doce de leite frito. A serviço é acolhedor e simpático, os preços são ajuizados, o balanço final da primeira experiência foi bom. Dinastia Tang, Rua do Açucar 107, telefone 967145938.

 

DIXIT - “O fantasma de Sócrates vai estar sempre presente” - José António Saraiva, no “Sol”, sobre a situação no PS

 

GOSTO - Do comportamento do Banco de Portugal em relação ao caso BES, bem diferente do que antes se passou no tempo de Constâncio e do BPN.

 

NÃO GOSTO - Num só ano, nos vários graus de ensino, Portugal perdeu cem mil estudantes do pré-primário ao universitário.

 

BACK TO BASICS - A tradição deve ser um guia e não uma prisão - Somerset Maugham

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