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PROCURA-SE ESTADISTA VIVO - Quando olho para a paisagem política neste rectângulo à beira mar penso que estou a ver uma disputa enciumada entre amantes do poder. Vejo ambição, agressão, falta de escrúpulos e de princípios. Sou de uma geração que se habituou a ver estadistas responsáveis pelos destinos de Portugal a liderar Governos, partidos, na Assembleia da República como deputados e em Belém, na Presidência da República. Hoje bem posso andar à procura que, à excepção de Marcelo Rebelo de Sousa em Belém, não vejo estadistas em lugar algum. Na direcção dos partidos não vislumbro ninguém com essas características, no Governo tão pouco e pela Europa fora é preciso um grande esforço para encontrar alguém que seja indiscutivelmente um estadista - basta olhar para a corte de Bruxelas para o perceber. Perguntei à IA o que é um estadista e a resposta é esta: “Um  estadista é uma pessoa com grande habilidade e sabedoria na arte de governar, que conduz os assuntos de um Estado com competência, visão e desprendimento partidário, focando no bem-estar do país e do seu povo, não apenas em interesses políticos imediatos. É um líder que entende os desafios do Estado, demonstra conhecimento profundo da política e atua com dedicação e liderança. “. Confirmei o que pensava: estadistas são bem escasso e a sua falta  é uma das razões que gera grande parte dos nossos males, dos problemas que nos assolam, provocando o descrédito crescente da classe política e a desconfiança dos eleitores. Na realidade não chega ser contra tudo, o que distingue um demagogo de um estadista é a capacidade de encontrar consensos e concretizar transformações sem entrar em rupturas. As propostas que apresentam são na maioria dos casos um rol de banalidades. Querem o poder sem saber o que depois podem fazer a não ser distribuir brindes para manter eleitores. Em resumo: procuram-se estadistas.

 

SEMANADA  - O número de pessoas sem abrigo em Portugal já ultrapassa os 14 mil, o que significa um crescimento de 10% num ano e a maioria são homens, de nacionalidade portuguesa, entre os 45 e 64 anos; o crescimento dos sem-abrigo registados aumentou 260% em nove anos; as escolas com maior concentração de alunos mais pobres são as mais esquecidas nas requalificações de infraestruturas, daí terem maiores sinais de degradação; mais de 80% dos directores de escolas dizem não ter recursos para assegurar a educação de alunos com necessidades especiais; a taxa de sindicalização em Portugal caíu de 63% em 1977 para 7,2% em 2023; a frota pesqueira portuguesa perdeu cerca de 34% da sua força de trabalho na última década e desde o início do ano, 13 pescadores morreram no exercício da atividade; desde o início do ano, Portugal perdeu 37 ecrãs de cinema e está em vias de ver extinguirem-se mais nove, num total de quase meia centena; segundo dados do Instituto do Cinema e Audiovisual três distritos - Beja- Bragança e Portalegre - não têm exibição comercial e diversificada de cinema; a quebra de público registado nas salas de cinema portuguesas em Novembro deste ano face ao período homólogo é de 32%;  a Federação Portuguesa de Futebol fez um acordo de parceria com uma corretora financeira que não tem licença de funcionamento em Portugal; o Estado português admite que não sabe quantos são e onde vivem os imigrantes; em Portugal são vendidas mais de 23 mil embalagens de antibióticos por dia; uma sondagem da Intercampus para o “Correio da Manhã” indica que  65,1% dos inquiridos vão poupar nos presentes de Natal em relação ao ano passado; segundo o Banco de Portugal o peso das casas secundárias ou vazias sobre o parque habitacional ronda os 30% e Portugal mantém-se como um dos países europeus onde esta percentagem é mais elevada.

 

O ARCO DA VELHA - O município espanhol de Encinasola, ao lado de Barrancos, tem um centro de saúde que funciona sete dias por semana, 24 horas por dia, enquanto o de Barrancos fecha às 17h30 e só consegue funcionar ao fim de semana porque o município português paga a um médico espanhol para que sejam asseguradas as consultas de sábado e domingo.

 

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FOTOGRAFIA ANTIGA - Uma das mais interessantes exposições de fotografia em Lisboa é “O que elas viram, o que nós vemos - fotógrafas amadoras em Portugal 1860-1920”. A exposição, que está no Museu Nacional de Arte Contemporânea, no Chiado, até 1 de Fevereiro de 2026, apresenta cerca de 200 imagens captadas por três fotógrafas amadoras portuguesas do início do século XX. Cada uma delas usou técnicas diferentes, desde o colódio húmido, a gelatina e sais de prata e placas de vidro. A exposição resulta de um projecto de investigação e mostra obras de Margarida Relvas e Mariana Relvas, respectivamente filha e segunda mulher de Carlos Relvas e de Maria Da Conceição de Lemos Magalhães. Todas as fotografias expostas foram captadas entre final do século XIX e início do século XX e mostram a evolução do percurso das autoras, perceptível na passagem de uma estética romântica para o pictorialismo fotográfico.  A exposição, que foi inicialmente exposta no Museu do Porto, tem curadoria de Emília Tavares e Susana Lourenço Marques e está integrada no projecto Women Photo Pt. O Museu Nacional de Arte Contemporânea fica na Rua Capelo 13, ao Chiado,  e pode ser visitado de terça-feira a domingo das 10h00 às 13h00 e das 14h00 às 18h00. A  propósito de fotografia desta época cabe relembrar que a Casa-Estúdio Carlos Relvas na Golegã é uma visita obrigatória por quem se interessa pela história da fotografia em Portugal.

 

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ROTEIRO - No Atelier- Museu Júlio Pomar a exposição “Húmus” apresenta trabalhos de Graça Morais e Júlio Pomar em contraste com obras de Daniel Moreira e Rita Castro Neves, duas gerações artísticas distintas. A exposição mostra um extenso conjunto de desenhos pouco conhecidos, mas marcantes, de Graça Morais, muitos com sinais de um universo pagão abundante em Trás-Os Montes, de onde a artista é natural. A ligação às obras de Daniel Moreira e Rita Castro Neves está bem conseguida, num trabalho de curadoria de Ana Rito. A exposição fica patente até 5 de Abril. Em Lisboa, na Galeria Santa Maria Maior (Rua da Madalena 147), 54 fotógrafos portugueses apresentam outras tantas fotografias na exposição "Edição Limitada" que está patente até 17 de Janeiro e que foi organizada pelo colectivo CC11 (declaração de interesse: tenho lá uma fotografia minha exposta). João Miguel Barros, no texto que escreveu para a ocasião, salienta que “esta exposição reflecte, em parte, um olhar autêntico sobre o que é a contemporaneidade fotográfica em Portugal”. Todas a s imagens estão à venda com preços entre 200 e 480 euros. Na Figueira da Foz, Palácio Sotto Mayor, é apresentada a exposição “Em Testemunho da Luz”, que reúne 100 obras de alguns dos maiores nomes da pintura impressionista e da Coleção Norlinda e José Lima, assim como trabalhos da fotógrafa austríaca Renate Graf. 

 

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A ARTE DE ENSINAR - “As Lições dos Mestres” é uma recolha das conferências que George Steiner proferiu na Universidade de Harvard sobre o trabalho e a obra de nomes como Sócrates e Platão, Jesus e os seus discípulos, Virgílio e Dante, Heloísa e Abelardo, Tycho Brahe e Johann Kepler, o Baal Shem Tov, sábios confucionistas e budistas, Edmund Husserl e Martin Heidegger, Nadia Boulanger e Knute Rockne. No prefácio desta nova edição portuguesa de “Lessons of the Masters”, originalmente publicada pela Harvard University Press em 2003, Maria do Carmo Vieira relembra a proximidade de pensamento de Einstein e Steiner relativamente à tendência para o ensino se tornar especializado, o que reforça a necessidade de uma maior atenção às disciplinas de humanidades e das artes “que educam a sensibilidade, ensinam a pensar, promovendo a emancipação e formam cidadãos, sendo imprescindíveis à imaginação e ao pensamento intuitivo”. Cito algumas linhas do texto final de Steiner, o epílogo destas Lições: “Eu diria que a nossa era é a da irreverência. As causas desta transformação fundamental são as da revolução política, da sublevação social (a célebre “rebelião das massas” de Ortega y Gasset), do cepticismo obrigatório nas ciências. A admiração, para evitar falar da reverência, passou de moda. Somos viciados na inveja, na difamação, no rebaixamento. Os nossos ídolos devem exibir cabeças de barro, os louvores são principalmente dirigidos aos atletas, às estrelas pop, aos milionários ou aos reis do crime”. Steiner viveu entre 1929 e 2020, nasceu em Paris, estudou nos Estados Unidos, doutorou-se em Oxford e foi membro do Churchill College em Cambridge, onde faleceu. A edição é da Gradiva.

 

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MESA DE CABECEIRA - Fernando Correia de Oliveira é um jornalista que há mais de três décadas investiga, divulga e publica sobre temas ligados à horologia.  A sua tese de mestrado em História e Filosofia das Ciências é sobre “A Introdução do relógio mecânico em Portugal”. Em “Portugal e o Tempo”, livro agora publicado, parte de algumas perguntas: “Existe um «tempo português», no sentido cronológico, descrito e medido como por nenhum outro povo? De onde virá a nossa má relação com os hábitos de pontualidade? E a história da nossa relojoaria, o que diz sobre nós? Porque desapareceu ou está hoje ao abandono, sem funcionar, muito do património relojoeiro nacional?” No final do livro o autor deixa estas palavras: “continua a não haver nenhuma entidade ou relógio público que emita a hora legal em Portugal”. (Edição Fundação Francisco Manuel dos Santos). “Portugal E o Património da Humanidade” é uma abordagem cronológica da evolução de Portugal, desde os seus antecedentes até à atualidade, inventariando e enquadrando  os dezassete sítios nacionais  reconhecidos como Património Mundial pela Unesco , uma obra  escrita por por João Paulo Oliveira e Costa, professor catedrático do departamento de História da NOVA/FCSH e editada pela Temas & Debates.

ALMANAQUE - “Porta Premium” é uma divertida série de cinco episódios apenas disponível na plataforma RTP Play e que é uma muito bem conseguida sátira ao mercado imobiliário, à proliferação de empresas de intermediação e a todo o universo em que se movem. Boas interpretações de Gonçalo Waddington, Sónia Balacó, Tânia Alves, Mauro Herminio e Janico Durão e realização de Tota Alves.

DIXIT - “Portugal é provavelmente o país da Europa com mais processos, arguições e prescrições de primeiros-ministros. ministros, secretários de Estado, diretores-gerais e presidentes de instituições públicas. E certamente menos condenações” - António Barreto, no Público

BACK TO BASICS - “Nunca verão um Peru a desejar o Natal” - provérbio irlandês

A ESQUINA DO RIO É PUBLICADA SEMANALMENTE, ÀS SEXTAS, NO SUPLEMENTO WEEKEND DO JORNAL DE  NEGÓCIOS



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