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GOLPE - Em futebol, chama-se, à manobra de Costa, querer ganhar o jogo na secretaria. Trata-se de um género de actividade que não fica bem a quem é desportista. É boa para batoteiros e anda ao mesmo nível de quem compra árbitros. O futebol, que há muito deixou de ser um desporto e passou a ser um mero palco de negociatas, vive disso - logo a começar nos clubes, passando por quem facilita o apito nos jogos, e também pelos agentes e pelas direcções dos organismos que, em vez de o regularem, apenas o manobram. É este espírito de golpaça que foi introduzido na política portuguesa. Quem achava que já tinha visto tudo, pode desenganar-se. Nos tempos de Sampaio a coisa fazia-se manobrando o árbitro do regime, como se viu quando esperou que o PS estivesse a postos, para apenas depois convocar eleições e levar Sócrates ao altar, com os danos colaterais que se conhecem. Agradeçam pois a esse santo milagreiro. Agora faz-se mesmo, mas na secretaria. Os campeões de secretaria correm pouco quando o jogo é a sério, claudicam, e vivem de expedientes. Não é um golpe de Estado, mas é um golpe. O golpe do Costa. O futuro não é risonho.

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SEMANADA - As queixas de violência no namoro superam as do casamento; este ano registam-se, por hora,  três queixas de violência doméstica; a PJ deteve 190 suspeitos de violarem crianças num ano;  a GNR já recebe queixas através do messenger do facebook; o filme “Regresso ao Futuro II” fez 30 anos; a primeira bébé proveta, Louise Brown, já tem 37 anos; o número de escolas públicas caíu para metade desde 2000 e só no ano passado foram encerradas 535; o Ministério da Educação deve 6 milhões de euros a alunos do Ensino Superior relativos a 2400 bolsas de mérito; os salários de magistrados e políticos foram os que mais subiram desde 2011; médicos, enfermeiros, conservadores e notários foram os que mais perderam; 2015 é o melhor ano de vendas da Porsche em Portugal; o número de falsos recibos verdes aumentou 200%; em Setembro foi ultrapassada pela primeira vez a marca dos 20 mil milhões de euros investidos em certificados de aforro e tesouro; a Câmara de Lisboa não teve ofertas para a primeira tentativa de venda dos terrenos da Feira Popular, que deixou de funcionar há 12 anos; Paulo Portas ofereceu o seu lugar no Governo a António Costa; Marcelo Rebelo de Sousa desafiou Ferreira Fernandes a escrever um novo folhetim sobre eleições, desta vez sobre as próximas Presidenciais; Mário Soares afirmou que a situação do país “é uma confusão efetiva que tem que ser resolvida”; José Sócrates inicia um road-show este sábado em Vila Velha de Rodão com uma conferência sobre justiça e política.

 

ARCO DA VELHA -  Fabricar uma moeda de um cêntimo custa 1,65 cêntimos e  produzir uma de dois cêntimos custa 1,94 cêntimos - o Banco de Portugal não pensa deixar de as fazer, ao contrário de sete países europeus.

 

FOLHEAR - Gosto confessadamente de policiais. Olho para as histórias que eles contam com especial interesse. Encaro-os como um desafio, uma espécie de jogo de adivinhas. Fernando Sobral, que escreve diariamente neste jornal, é um dos autores portugueses que nos últimos anos se tem dedicado ao tema. Tem a particularidade de colocar o seu herói e as suas histórias nas memórias de um Portugal que já não existe. Damasceno Alves, o herói que desenha nas suas palavras, já passou por Macau e, na nova história, agora publicada, “As Jóias de Goa”, vive os derradeiros tempos da presença portuguesa na Índia. É um livro fascinante sobre essa terra que se fez mito, sobre o que foi parte da nossa presença. Fernando Sobral coloca os personagens dos seus livros a reflectirem sobre o momento em que a acção decorre - e essas reflexões parecem muitas vezes estranhamento actuais. Não vou contar o fim, mas recomendo que o leiam todo, com o mesmo prazer que ele me deu. Edição Parsifal

 

Outras leituras - “Vamos Ao Que Interessa” é uma recolha de crónicas escritas ao longo do tempo, entre 2008 e 2015, por João Pereira Coutinho para a Folha de S. Paulo - com observação certeira, humor fino e uma perspectiva que a distância entre o lugar da publicação e o lugar da acção estimula. João Pereira Coutinho é um bom cronista dos tempos que vivemos e se o mundo fôr justo a História far-se-à um dia recordando aquilo que escreveu. Edição D.Quixote.

 

VER - Os smartphones tornaram o modo fotográfico de ver uma coisa natural no dia a dia. De certa maneira, perdoem-me os puristas, o iPhone 6 está para as máquinas fotográficas como as primeiras Leicas de 35 mm estiveram para os aparelhos fotográficos pesadões da época. Registar o que se vê - e mostrar como todos os olhares sobre uma mesma coisa podem ser tão diferentes - é hoje muito acessível. Na realidade há um enorme e crescente número de pessoas que anda com uma máquina fotográfica no bolso, e que cada vez mais a vai usando em situações onde antes não lhes passaria pela cabeça fotografar. Há uns anos o New York Times produziu uma edição inteira apenas com fotografias feitas com iPhones. O sucesso do Instagram é a prova da total democratização da imagem fotográfica, a um ponto que nem Susan Sontag imaginou quando escreveu o seu “Ensaio Sobre Fotografia” em 1977. Alexandra Calapez, que passou uma vida a ensinar  ciências e biologia, tem, por isso, um olhar quase microscópico sobre o mundo que a rodeia, uma visão de observador de experiências e de descobridora de acasos da natureza. Há uns meses decidiu começar a ver com o seu iPhone e uma selecção das fotografias que tem feito, com o título “ping_pang_pong” está até 31 de Dezembro na Galeria do Teatro Municipal Joaquim Benite, em Almada. É muito interessante poder perceber assim o que as pessoas vêem em seu redor.

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OUVIR - A capa deste disco pode enganar - alguém pode pensar que se trata de um best of de árias célebres. Mas não, trata-se de uma recolha cuidada de canções, originalmente para voz e piano, e aqui interpretadas com versão orquestral. Rolando Villazón escolheu um repertório pouco conhecido mas importante do bel canto,  e optou pela orquestra do Maggio Musicale Fiorentino, dirigida por Marco Armiliato Há canções de Vincenzo Bellini, da fase inciial da carreira de Giuseppe Verdi e outras, mais interessantes, de Gaetano Donizetti e, sobretudo de Gidachinno Rossini. O destaque vai para o dueto final, “Tirana por deux voix (les Amants de Seville)”, em que Rolando Villazón faz um dueto arrebatador com Cecilia Bartoli.  CD Deutsche Grammophon, disponível em Portugal.

 

PROVAR - Já lá vai o tempo dos chop suey como petisco único nos restaurantes chineses. Agora as coisas evoluíram felizmente e a oferta começa a ser maior. Na Rua D. João V, às Amoreiras, abriu recentemente um novo Yum Cha Garden, continuador do estabelecimento do mesmo nome que há uns tempos existe em Oeiras. A casa ganhou fama pelos seus dim sum e pela confecção de pratos pouco vistos por cá, como a sopa de porco no forno. Numa recente visita fiquei bem impressionado com uns dim sum de gambas e, mais ainda, com uns raviolis de tubarão, perfeitos no tempero.. Aqui pratica-se a cozinha ao vapor e os sabores resultam mais puros. Uma vieiras salteadas acompanhadas de aipo ao vapor são bem um exemplo disso mesmo e foram muito apreciadas. Há uma selecção suficiente de vinhos portugueses e cerveja e coca cola chinesas. A terminar veio um bolo de chocolate em bola, recheado de gelado de chá verde, que foi um final perfeito.  Mesas amplas, serviço impecável, preço honesto. Yum Cha Garden, Rua D. João V nº31, tel. 211 350 006, aberto todos os dias.

 

DIXIT - “Ontem à noite não resisti ligar a TV nos vários canais, à hora em que normalmente eu comentaria. E pensei, de mim para mim, que grande momento de comentador estou a perder” - Marcelo Rebelo de Sousa, no Festival Internacional de Literatura, de Óbidos.

 

GOSTO - Da ideia de colocar peças gigantes da cerâmica de Rafael Bordalo Pinheiro nas ruas das Caldas da Rainha.

 

NÃO GOSTO - Os portugueses são os europeus que mais utilizam o telemóvel enquanto conduzem  - revela um estudo da Organização Mundial de Saúde

 

BACK TO BASICS - “Os factos são sonoros. O que importa são os silêncios por trás deles” - Clarice Lispector

 

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publicado às 12:51


1 comentário

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De Anónimo a 23.10.2015 às 16:12

Gosto especialmente desta fotografia.

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