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DISCIPLINA - Quem se coloca na posição de querer exigir disciplina tem que ser um exemplo - deverá dar-se ao respeito, tomar decisões de forma acertada, procurar persuadir em vez de impôr, explicar em vez de obrigar. Estas coisas de senso comum não são no entanto bem entendidas pelos partidos políticos, que desenvolvem e radicalizam um sistema de obediência cega sob o pretexto de conseguir a unidade na acção, nomeadamente quando se entende por acção tomar o poder, mesmo que seja por votos. O sistema de obediência e de seguidismo acentua-se à medida que os partidos se cristalizam no exercício do poder e se tornam máquinas distanciadas dos comuns dos mortais. Como bem se sabe a vida interna da generalidade dos partidos parlamentares resume-se a processos de tomada de poder a nível local, depois regional e, com sorte, a nível nacional. Discussão há pouca, os Congressos são momentos mediáticos e de exaltação dos dogmas e há muito tempo que não proporcionam surpresas. Em todo este processo o sistema de escolha de candidatos é uma das grandes paródias, destinado a alimentar clientelas de apoiantes e a fazer uma distribuição de influências. Em resumo, anulam-se os opositores e promovem-se os apoiantes. Quem não concorda deve ficar calado e obedecer. Quem se rebela tem por destino a excomunhão, que nestas coisas estatutárias recebe o nome de expulsão. Nas mais recentes eleições autárquicas o PSD escolheu, numa série de locais, candidatos que não eram desejados por muita gente do partido, com maior ou menor influência; em resultado disso surgiram diversas listas independentes que arregimentavam apoios diversos e que, em alguns casos politicamente significativos, derrotaram os candidatos oficiais que foram impostos pela direcção nacional. O mais extraordinário desta história é que os responsáveis pelo desaire eleitoral do PSD nesses locais, os que traçaram a estratégia autárquica, e aqueles que impuseram nomes e listas, não são penalizados por terem provocado cisões; mas aqueles que, em nome da sua consciência, agiram contra as ordens partidárias, são agora expulsos. Eu acho que isto é ver o mundo ao contrário, mas pelos vistos isso é o que está a dar nos tempos que correm.

 

SEMANADA - Entre 2019 e 2013 o endividamento público aumentou mais de 71,5 mil milhões de euros, ou seja um crescimento de cerca de 54%; o número de insolvências caíu 10% em 2013; os empréstimos da banca às empresas aumentaram 18%; mais de 16 mil famílias saíram da situação de incumprimento no ano passado; em 2013 entraram em incumprimento 2046 empresas; os tribunais apenas conseguem cobrar 7,6% das dívidas das empresas; a previdência paga subsídios e pensões a quatro milhões de beneficiários; a segurança social perdeu 350 mil contribuintes desde 2008; inquérito a crimes de corrupção cresceu quase 40% em três anos, mas as taxas de acusação estão abaixo dos 25%; em 2013 registaram-se  557 crimes por dia em Lisboa; Vitor Gaspar afirmou, numa entrevista para um livro, que o facto de ter corrigido ideias de Catroga antes das eleições foi uma das razões para ter sido escolhido para Ministro; dias mais tarde Eduardo Catroga desmentiu a versão de Vitor Gaspar sobre o contributo que este teria dado para o programa eleitoral do PSD; Vitor Gaspar classificou Paulo Portas como uma pessoa com “uma enorme ambição”; Fernando Tordo anunciou que irá viver para o Brasil por estar “cansado de ser governado por incompetentes”; segundo a Marktest, ao longo do segundo semestre de 2013, acederam a sites de jornais, revistas e de informação online cerca de 5 milhões de portugueses; uma colecção de uma centena de obras emblemáticas da chamada “arte povera”, pertencentes a um casal de coleccionadores italiano, foi vendida terça-feira passada em Londres pela Christie’s sem escândalo nem polémica.

 

ARCO DA VELHA - Rui Rio apoiou politicamente a eleição de Rui Moreira no Porto, contra um candidato do PSD, e não lhe aconteceu nada; António Capucho fez o mesmo em Sintra e foi expulso do partido.

 

FOLHEAR - A “Aperture” é uma das melhores revistas sobre fotografia. É publicada quatro vezes por ano, cada edição com o nome da estação respectiva. Cada número tem um tema, que lhe dá título, o deste Inverno é “Photography as you don’t know it”. O editorial, com o mesmo título, começa com uma pergunta: “Será que a história da fotografia está a chegar ao fim, ou estará apenas no seu início?”. Com a transição da película para o digital e, depois, com a vulgarização da captação de imegam nos telemóveis e em aparelhos com permanente ligação à internet, a pergunta ganha uma dimensão especial - e ao longo deste número a “Aperture” tenta mostrar exemplos da vitalidade e diversidade da fotografia. Permito-me destacar o artigo de Joel Smith, precisamente sobre a História da Fotografia e destaco ainda a entrevista com Quentin Bajac que deixou Paris e o Centro Pompidou para ser o novo Conservador principal de Fotografia no MOMA, em Nova York. Muito acertadamente sublinha que a grande questão que se lhe coloca hoje em dia é conseguir seleccionar o que vale a pena num fluxo cada vez maior de imagens fotográficas, que todos os dias aumenta. A secção Pictures desta edição mostra o trabalho de dez fotógrafos pouco conhecidos, cada um com um portfolio, acompanhado por um texto que enquadra o autor. Um deles é o fotógrafo moçambicano Ricardo Rangel (1924-2009) e o texto que o apresenta foca a sua importância no contexto da fotografia africana, nomeadamente do fotojornalismo na época colonial. Oito fotografias, da década de 60 e 70 exemplificam o seu trabalho, hoje depositado no Centro de Formação Fotográfica de Maputo.

 

VER - Desde há mais de duas décadas José Maçãs de Carvalho vem fazendo fotografia, primeiro na sua zona de conforto, da terra onde nasceu e cresceu, e depois alargando o olhar, sobretudo a Oriente nos anos mais recentes. Ao mesmo tempo faz incursões no universo de video, mas sempre com o espírito de observação que é a sua imagem de marca. O Arquivo Fotográfico de Lisboa mostra até 8 de Março a exposição “Arquivo e Domicílio”, que percorre a sua carreira, juntando imagens de várias épocas que podem ter leituras comuns ou complementares. Desenvolvendo-se nos dois pisos do Arquivo, a exposição permite ver no piso inferior os mosaicos que compõem a memória de imagens do autor, e, no piso superior, memórias mais pessoais ligadas à história das próprias fotografias mostradas - quase apontamentos visuais. Neste sábado, 15 de Fevereiro, pelas 15h00, José Maçãs de Carvalho apresenta no Arquivo Fotográfico (Rua da Palma 246, quase a chegar ao Martim Moniz), o livro “Unpacking - A Desire For The Archive” que percorre o tema da exposição - o processo de significação das imagens fotográficas do arquivo do autor. Trata-se de uma edição limitada a 50 exemplares, cada um manuscrito, o que os torna em objectos únicos.

 

OUVIR - Se eu entrasse numa sala e estivesse a tocar o álbum “Saturday Morning”, dificilmente diria que o pianista que comanda as operações tem 83 anos - mas essa é a verdade. Ahmad Jamal consegue ainda surpreender - como um jornal norte-americano dizia, depois de anos de aquecimento ele está em grande forma. Em 2011, no álbum “Blue Moon”, Jamal interpretava temas de filmes e de espectáculos da Broadway, mas neste novo registo, efectuado em França, no estúdio La Buissonne, a maioria dos temas - sete em onze - são originais seus (e mesmo os que tinham já sido anteriormente gravados, aparecem aqui em novas versões). Os outros temas incluem três baladas - “I’ll Always Be With You” (numa fantástica interpretação), “I’m In The Mood For Love” e “I Got It Bad Ana That Ain’t Good”, e ainda um dos temas preferidos do pianista, “One”, de Sigidi. Ao longo de todo o disco Ahmad Jamal toca com um à vontade notável, claramente satisfeito com os músicos que o acompanham - Reginald Veal no baixo, Herlin Riley na bateria e Manolo Badrena na percussão. Ainda inesperado, ainda inovador, dando espaço à improvisação, Ahmad Jamal tem aqui um dos discos mais representativos do seu estilo e mais elucidativos sobre o seu talento e técnica.

 

PROVAR - Que fazer numa tarde de fim de semana de chuva e algum vento, quando se quer comer peixe fresco ao pé do mar e não muito longe de Lisboa? Uma boa possibilidade é ir ao Bar do Peixe, em Alfarim, no Meco. Para quem gosta de ver o mar no Inverno, poucos restaurantes da costa portuguesa aliam a localização privilegiada do Bar do Peixe à qualidade da matéria prima - peixe fresco, bem confeccionado, com bom serviço numa sala quente e confortável. Na circunstância as honras da casa foram feitas por umas ameijoas à Bulhão Pato que estavam impecáveis no tamanho e no tempero, seguidas de um pregado delicioso, acompanhado por verduras salteadas. Uma torta de laranja rematou o repasto, bem acompanhado por um branco da região de Azeitão. Eu, por mim, gosto mais de ver o mar sem ser no Verão, de preferência confortávelmente sentado, em boa companhia, com uma boa conversa servida por uma refeição sem mácula. Foi uma bela tarde de sábado. Bar do Peixe, telefone 212 684 732.

 

DIXIT - “Falta cumprir uma reforma do Estado inteligente” - Pedro Reis

 

GOSTO - Da nomeação de José Manuel Costa para a Cinemateca Portuguesa.

 

NÃO GOSTO - Em Lisboa os casos de violência na escola aumentaram 21,6% em 2013.


BACK TO BASICS - Os factos são incontornáveis, as estatísticas são mais maleáveis - Mark Twain

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publicado às 12:44


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