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O ESTADO DAS SONDAGENS - A pouco mais de um mês das eleições legislativas recomendo a consulta regular de uma compilação de dados, feita pela Marktest, sob o título “Dossier Sondagens Eleitorais para as Legislativas” (https://www.marktest.com/wap/a/p/id~112.aspx) e que é actualizado regularmente desde 2009. O estudo já integra 553 sondagens, realizadas por 11 empresas (Aximage, CESOP-Universidade Católica, Consulmark2, Euroexpansão, Eurosondagem, ICS/ISCTE, Intercampus, Marktest, Metris, Multidados e Pitagórica). O referido dossier apresenta intenções de voto para os partidos analisados em cada sondagem, com a integração dos novos partidos e coligações que foram surgindo ao longo do tempo. Considerando os resultados das sondagens dos últimos 12 meses observa-se que é numa sondagem da CESOP-Universidade Católica, realizada em junho passado,  que o PSD regista a intenção de voto mais elevada com 35.1%, deixando o PS em segundo lugar com 32.1% e o Chega em terceiro, com 7.8%. Na última sondagem de 2023 (23 de dezembro, da Pitagórica), o PS alcançou uma intenção de voto de 34.1% deixando o PSD em segundo com 24.8%, seguido do Chega com 16.3%, o Bloco de esquerda com 6.3%, o Iniciativa Liberal com 4.1%, o PAN com 3.7%, o PCP-PEV com 2.7%, o Livre com 1.8% e o CDS-PP com 1.2% . Mas na primeira sondagem de 2024 (17 de janeiro, da Consulmark2), surge pela primeira vez a coligação AD, com 28.1%, ficando o PS em segundo na intenção de voto com 26.7%. Segue-se o Chega com 17.5%, o Bloco de Esquerda com 7.2%, o Iniciativa Liberal com 6.3%, o PCP-PEV com 3.3%, o Livre com 2.1% e o PAN com 1.2%. Quase um mês depois, na segunda sondagem do ano (da Intercampus, publicada a 23 de janeiro), a AD encontra-se em segundo lugar, com 24.3%, ficando o PS em primeiro com 30.9%. O Chega mantém-se como a terceira força política em termos de intenção de voto, com 19.4%, seguido do Bloco de Esquerda com 8.7% e do Iniciativa Liberal com 6.3%. O PCP-PEV registou 4.6%, o PAN 2.6% e o Livre 1.5%. Ainda está tudo muito confuso, a ver vamos como as coisas evoluem até 10 de Março.

 

SEMANADA - Em 2023 foram importados 106 mil carros usados e 44% deles tinham entre seis e dez anos de uso; no ano passado fecharam 16 lojas emblemáticas de Lisboa, o número mais alto dos últimos anos; as autodeclarações de doença, as chamadas “autobaixas” atingiram números mais altos nas semanas dos feriados de junho, agosto, Natal e fim de ano; todos os dias faltam em média 11 mil professores nas escolas portuguesas, o que dá um total de dois milhões de faltas por ano; o número de desempregados inscritos nos centros de emprego sobe há seis meses e já supera os 317 mil; segundo a associação  empresarial Business Roundtable de Portugal em duas décadas fomos ultrapassados no PIB per capita por todos os países de Leste e no plano dos salários, somos o antepenúltimo, apenas com Grécia e Hungria atrás de nós; em matéria de lentidão da justiça administrativa estamos no fundo da tabela e em média, precisamos de mais de dois anos para resolver um processo; Portugal desceu uma posição no Índice de Perceção da Corrupção (CPI) 2023, da organização Transparência Internacional e numa lista em que a Dinamarca e a Finlândia são os países com melhor classificação, Portugal fica atrás de outros países como a França, a Áustria, o Chile, Cabo Verde e Lituânia; o número de notas falsas de euro apreendidas em Portugal no ano passado aumentou 55% para um total de 16723; os partidos vão ter direito a uma subvenção estatal superior a 8 milhões de euros para as próximas legislativas.



O ARCO DA VELHA - Depois de um organismo do Ministério da Cultura ter autorizado em Novembro a venda no estrangeiro, por um particular, da obra “Descida da Cruz”, de Domingos Sequeira, o Governo anunciou agora que a pretende comprar. A obra está à venda numa galeria de Madrid por 1,2 milhões de euros.

 

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170 FOTOGRAFIAS -  Na Cordoaria Nacional estão desde a semana passada 170 fotografias de Eduardo Gageiro, feitas ao longo da sua longa carreira de repórter fotográfico, desde a década de 50 até agora. É uma exposição que mostra o seu olhar de repórter sobre Portugal e os portugueses, acompanhando o desenrolar da História ao longo destas décadas. Na exposição estão imagens feitas durante o antigo regime, mas também momentos decisivos do dia 25 de Abril de 1974 e os acontecimentos mais marcantes deste último meio século. Mas estão também dezenas de retratos de pessoas como a fadista Amália Rodrigues,  o escritor Luiz Pacheco, o pianista Artur Rubinstein, e diversas figuras da política portuguesa. O mundo do trabalho, na construção, nas fábricas ou na agricultura está também presente. E estão também vitrines com algumas das máquinas que usou, recortes de imprensa e memorabilia diversa. Trata-se da maior exposição realizada em Portugal da obra de Eduardo Gageiro,  demorou cerca de um ano a preparar e apresenta impressões novas, feitas a partir da digitalização dos negativos originais por André Cepeda, sempre em diálogo com Gageiro e com a equipa das Galerias Municipais, Sara Matos e Pedro Faro, que acompanharam todo o processo e também com a colaboração Sérgio B. Gomes. O nome da exposição, “Factum” , evoca precisamente o registo da memória do que aconteceu, o olhar sobre os momentos. A exposição está no Torreão Nascente da Cordoaria Nacional até 5 de Maio e tem entrada gratuita.

 

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CINCO FOTOGRAFIAS - Quis o acaso que na mesma altura em que abriu a exposição de Eduardo Gageiro, surgisse uma outra forma de ver e trabalhar a fotografia, na exposição “Double Jeu”, de André Cepeda, que está exposta na Galeria Cristina Guerra até 9 de Março.  A exposição conta com 5 obras inéditas que são apresentadas em grande formato, de 2,40m por 3, com provas únicas, e também tiragens de dois exemplares das mesmas imagens, de 1,20mx1,50. Há  ainda uma instalação criada por Carrilho Da Graça e André Cepeda, que incorpora uma maquete imaginada pelo arquitecto, na qual estão as fotografias apresentadas na galeria, suspensa sobre uma outra fotografia de Cepeda que proporciona um suporte cenográfico à instalação. Nascido em 1976, André Cepeda é um dos mais interessantes fotógrafos da sua geração. Integrou a representação oficial portuguesa na Bienal de Veneza de 2018, tem exposto em Portugal e no estrangeiro e a sua obra faz parte de diversas colecções privadas e públicas. Nesta nova série, “Double Jeu”, com curadoria de Joerg Bader, Cepeda explora a dupla representação tanto pela sua forma como pelo seu conteúdo, convidando o espectador a fazer parte do espaço. Cada fotografia mostra duas realidades, por vezes similares, que se confrontam e complementam dentro de cada uma das imagens. André Cepeda utiliza a fotografia como suporte do que imaginou e procura mostrar em cada imagem uma reflexão pessoal, para além do registo da realidade. Os originais foram feitos em película de grande formato e os preços de venda situam-se entre os 10.600 euros das tiragens mais pequenas e os 20.000 euros das maiores. A Galeria Cristina Guerra Contemporary Art fica na Rua de Santo António à Estrela 33.

 

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DESAFIO - Mathieu Bordenave é um saxofonista francês que tem gravado para a ECM, normalmente em trio, com o pianista Florian Weber e o baixista Patrice Moret. Para o seu novo disco, gravado em Outubro passado e agora editado, também pela ECM, “The Blue Land”, chamou o baterista James Maddren. A elegância da forma de tocar de Maddren acrescentou um toque de subtileza ao trabalho do trio, que já se pautava por uma harmonia feita de contenção e pequenas explosões, desafio normalmente assumido pelo saxofone de Bordenave, por vezes com o piano de Weber. É isso que acontece aliás logo na primeira faixa do disco, que, chamando-se “La Porte Entrouverte” funciona de facto como uma antecâmara sonora para tudo o que vem a seguir. E é logo na faixa  que dá o título ao álbum, “The Blue Land”, que se começa a perceber a importância de se ter acrescentado a bateria de Maddren. Dos nove temas que compõem o disco, oito são da autoria de Bordenave e um é a versão de um tema de John Coltrane, “Compassion. E é precisamente em “Compassion” que os quatro músicos dão um exemplo de diálogo perfeito, sem procurar virtuosismos gratuitos, tomando reciprocamente espaço e protagonismo numa perfeita harmonia que se desenvolve pelas outras faixas deste álbum. É um disco feito de subtilezas, de ambientes que vão mudando, evitando a repetição, mas mantendo um fio condutor comum. São privilegiados os diálogos entre o saxofone e o piano mas há também espaço, como em “Three Four”, para que baixo e bateria ocupem o centro das atenções. “Three Peaks”, o tema que encerra o disco, é uma espécie de resumo da matéria dada e um olhar para o que pode vir. “The Blue Land” está disponível nas plataformas de streaming.

 

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OUTRO DYLAN - A coleção “Miniatura”, dos Livros do Brasil, apresenta pela primeira vez em Portugal uma série de contos de Dylan Thomas, originalmente publicados entre 1934 e 1952. Mais conhecido pela sua poesia do que pela prosa, Dylan Thomas encontrava no entanto especial prazer na escrita destes pequenos contos onde se cruzam bruxas, pêssegos, cachorros, quotidianos soltos entre a mitologia e o humor. Nalguns é possível localizar quase uma escrita jornalística, actividade que aliás Dylan Thomas exerceu. São descrições de episódios que saltitam entre pedaços de vidas que ele observa e descreve com elegância,  são histórias de amor ou de miséria, divertidas ou desoladoras, todas elas plenas de imagens reveladoras da sua ternura pelos seres que as habitam.“O Fim do Rio”, “A Escola das Bruxas”, “Os Pêssegos”, “Tal e Qual Cachorros”, “A Velha Garbo”, “Um Sábado de Calor”, “Móveis com Fartura” e “Os Seguidores” são apresentados nesta edição que recolhe as suas mais célebres narrativas curtas, com tradução de José Lima sob o título “Oito Contos”. A partir de 1934 Dylan  lançou vários livros de poesia, que culminaram na publicação dos seus “Collected Poems” em 1952. Ao longo da vida foi também escrevendo contos, sendo o seu livro mais célebre o autobiográfico “Retrato do Artista quando Jovem Cão”. Nascido no País de Gales, morreu precocemente em 1953, pouco depois de completar 39 anos.

 

DIXIT - “As duas forças políticas centrais- PS e PSD -deixaram de somar a maioria inquestionável do eleitorado” - Teresa de Sousa


BACK TO BASICS - “Nunca se alimenta um crocodilo na esperança vã de sermos os últimos a ser devorados por ele.” - Winston Churchill.







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