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UM ESTADO DILUÍDO NA POUCA VERGONHA

por falcao, em 07.07.17

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VERGONHA - Aquilo que as semanas recentes mostram é que, no Estado, se perdeu toda a vergonha. A seguir à catástrofe dos incêndios a prioridade cronológica foi  encomendar um estudo de focus group, para ver se a opinião pública não ficou muito desagradada com o Governo pelo sucedido. Logo depois soube-se que o exército deixa roubar as armas e munições que lhe estão confiadas e descobre-se que há quase mais chefes que índios na estrutura. Logo, com grande rapidez, o ministro substituto do Primeiro Ministro declarou estar certo que o Governo vai reaver o armamento roubado, com as autoridades a dizerem pouco depois que o armamento já estaria fora do país, num caso de semelhança, pelo absurdo, com a rapidez com que a polícia judiciária atribuíu, a um raio, o fatal incêndio de Pedrogão, que começou horas antes da ocorrência metereológica. O Estado diluíu-se num pantanal de descaramento e pouca vergonhice e dois pilares de qualquer Governo - na Administração Interna e na Defesa - comportam-se como zombies da série “Walking Dead”. A trapalhada é total e o Ministro da Defesa foi arrastado pelas orelhas, pelo Presidente da República, a ver o local do roubo das armas. Dou comigo a pensar que por bem menos o ex-Presidente da República Jorge Sampaio, em vez de puxar orelhas, resolveu invocar que havia trapalhadas,  demitir o Governo, dissolver o Parlamento e convocar eleições. Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, já Camões dizia; Marcelo conformou-se ao papel de  distribuir afetos num país que se vai transformando num cenário de papelão usado para filmes de série B.

 

SEMANADA - A Uber tem actualmente em Portugal três mil motoristas, nos últimos 12 meses transportou clientes de 80 nacionalidades, num total de 750 mil estrangeiros de visita a Lisboa ou Porto e 30% dos portugueses que vivem nestas cidades já experimentaram utilizar os seus serviços;  no primeiro semestre deste ano o número de mortos nas estradas portuguesas aumentou mais de 23% ; António Costa interrompeu o seu merecido repouso para dar uma palavrinha à nossa Selecção pelo 3º lugar na Taça das Confederações e deixou a Santos Silva o encargo de lidar com a trapalhada criada no Ministério da Defesa; em compensação a conversa futebolística da semana foi em torno da utilização de bruxedos na obtenção de resultados, o que mostra o elevado grau de bom senso dos dirigentes daquela área de negócio desportivo;  foi encontrado o principal segredo para os números do défice: houve um valor histórico de cativações, que chegou aos 942,7 milhões, mais do dobro que o governo tinha prometido à Comissão Europeia;  estatísticas divulgadas pela Anacom mostram que a maior proporção de acessos residenciais de Internet em banda larga se localiza no concelho de Cascais, ao contrário de Pedrógão Grande onde essa proporção é a mais baixa do país; nos tribunais reabertos por este Governo realizam-se menos de dois julgamentos por mês.

 

ARCO DA VELHA - Em Tancos não houve rondas de vigilância durante 20 horas, a videovigilância estava inoperacional há dois anos, os soldados que vigiavam os paióis tinham armas sem balas e nos últimos anos as Forças Armadas contrataram serviços a empresas privadas de segurança. Fica no ar a pergunta: antes de se inventar a videovigilância como se garantia a segurança dos paióis militares?

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FOLHEAR - Um interessante livro para ler neste período preparatório das próximas eleições autárquicas é “Manual de Crimes Urbanísticos - exemplos para compreender os negócios da especulação imobiliária”. O seu autor é Luis F. Rodrigues, um especialista em ordenamento do território e planeamento ambiental, que se dedica também ao estudo de temas religiosos e históricos. Entre as suas obras anteriores estão “A História do Ateísmo Em Portugal” e “A Ponte Inevitável”, que relata a história da primeira ponte sobre o Tejo. “Manual de Crimes Urbanísticos” foi originalmente editado em 2011 e teve agora uma segunda edição. Numa nota sobre esta nova edição, o autor sublinha: “analisados os relatórios do Provedor de Justiça à Assembleia da República de 2011 (ano da primeira edição) e 2015 (ano do relatório mais recente), verifica-se que as admissões de queixas relacionadas com urbanismo e habitação, ambiente e recursos naturais e ordenamento do território, totalizaram, em 2011, 482 processos, enquanto em 2015 esse número ascendeu a 678 processos - ou seja um acréscimo de 40%”. Já na primeira edição o autor fazia notar que os dados da corrupção permitem identificar o urbanismo como um sector de risco nas câmaras municipais. O livro tem prefácio de Gonçalo Ribeiro Telles que sublinha que os crimes urbanísticos reflectem a falta de uma visão integrada do território.

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 VER -  É uma das exposições mais marcadamente políticas e mais relevantes que me foi dado ver este ano em galerias de Lisboa - “Talk Tower for Ingrid Jonker, 2012”, de Ângela Ferreira, na Appleton Square (Rua Acácio Paiva 27). A exposição combina o som de um poema de Ingrid Jonker (The Child Is Not Dead) declamado pela própria, difundido através de uma escultura que evoca  uma torre de transmissão radiofónica (na imagem) e fotografias de Paul Grendon (feitas em colaboração com Ângela Ferreira), da praia da Cidade do Cabo onde Jonker caminhou pelo mar até se afogar. Jonker era uma activista anti-apartheid, o poema relata a morte de uma criança negra pelas autoridades e foi este o poema que Nelson Mandela recitou na sua intervenção inaugural do primeiro parlamento democrático da África do Sul, em 24 de maio de 1994. Passando para outra sugestão, as Galerias Baginski (de Lisboa) e a Kubikgallery (do Porto) organizaram na Baginski (Rua Capitão Leitão 51) uma exposição colectiva que reúne artistas representados pelas duas galerias, com curadoria de Miguel Mesquita, sob o título “Force, Strength, Power” e que decorre até 9 de Setembro. Destaque para os trabalhos de Hernâni Reis Baptista, Cecília Costa, Bruno Cidra, Rui Valério, Carlos Azeredo Mesquita e Valter Ventura. Destaque especial para os trabalhos de Raquel Melgue e Liliana Porter . No British Bar, ao Cais do Sodré, Pedro Cabrita Reis apresenta até dia 27 as suas terceiras escolhas para as montras do melhor sítio para beber uma Guiness em Lisboa - são  peças de Edgar Massul, Ana Vieira (magnífica) e Amanda Duarte. O destaque final vai para para a exposição dedicada à carreira de cenógrafo e figurinista António Lagarto, que decorre na Sala Polivalente da Escola D. António Costa, junto ao Teatro Municipal Joaquim Benite e integrada na edição deste ano do Festival de Almada.

 

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OUVIR - Há 33 anos, em Junho de 1984, Prince publicava o álbum “Purple Rain”, que foi um dos maiores e mais marcantes sucessos da sua carreira e que tem várias canções que fazem parte das suas melhores obras - disco que originalmente era a banda sonora de um filme com o mesmo nome, protagonizado pelo próprio, uma estratégia de cruzamento da música com a imagem em movimento que estava à frente do seu tempo. Assinalando o aniversário foi feita uma edição especial com quatro discos e um livro de 36 páginas com histórias que rodeiam essa época, relatando os concertos da digressão de “Purple Rain” e as suas gravações. O primeiro disco reproduz, remasterizado em 2015 ainda por Prince, o álbum original de Purple Rain; o segundo disco tem 11 gravações inéditas - ou de temas nunca antes editados ou de versões até agora desconhecidas e é uma prova das preciosidades que ainda estão por descobrir; o terceiro CD agrupa remixes editadas como singles ou como lados B desses discos; e finalmente o quarto disco é um DVD gravado a 30 de Março de 1985 e que reproduz o concerto então realizado  no Carrier Dome, de Syracusa, em Nova Iorque. Soberbo. Já disponível em Portugal, edição Warner.

 

PROVAR -   Nestes dias de verão há um paraíso escondido em Lisboa - o terraço do Hotel Olissipo Lapa Palace, antigo Hotel da Lapa. O terraço fica no prolongamento natural do restaurante, tem uma vista magnífica sobre o jardim, a encosta e o rio e, nesta altura do ano, ao almoço,  oferece um menu especial, à base de pratos ligeiros e saladas. Numa recente visita receberam boa nota uma salada Caesar muito bem guarnecida e uma salada de legumes mistos com presunto de parma e ovos de codorniz. Há também uma salada de gambas, um gaspacho e, para quem quiser outro género, uma boa sandwich club clássica ou um hamburguer Lapa Palace, que pode vir com ovo e bacon. A acompanhar as saladas provou-se um branco, a copo,  Encostas de Sonim reserva, de Trás os Montes, que recebeu boa nota. O terraço tem poucas mesas, a clientela inclui protagonistas que procuram um lugar discreto para conversas tranquilas, num sítio confortável e com estacionamento garantido. O restaurante é dirigido pelo chef Helder Santos e na sala e na sua carta normal propõe um menu degustação e uma lista onde se incluem diversas propostas inspiradas pela gastronomia portuguesa, quer nos peixes quer nas carnes, além de uma possibilidade de risottos e pastas frescas. Mas essas são outras conversas.

 

DIXIT -  "O Parlamento Europeu é ridículo, muito ridículo. Saúdo os que se deram ao trabalho de estar na sala. Mas o facto de haver só uma trintena de deputados presentes neste debate é suficientemente demonstrativo que este parlamento não é sério" - Jean Claude Juncker no discurso de encerramento da presidência rotativa da União Europeia, que esteve a cargo de Malta. O Parlamento Europeu tem 751 deputados.

 

GOSTO - O artista plástico português Vihls (Alexandre Farto) tem desde 30 de Junho e até 23 de Julho uma exposição em Pequim, de 70 retratos em baixo relevo, “Imprints”,  feita com o apoio da REN.

 

NÃO GOSTO - A praia do Portinho da Arrábida está reduzida a 37% do seu comprimento e a 40% da sua área em relação ao que era há cem anos.

 

BACK TO BASICS - A capacidade do comando vem do saber e da experiência e não das armas que se utilizam - William Shakespeare.

 

 



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ABUSO - Em 25 de Abril de 1974 o fotojornalista Alfredo Cunha, então no início da sua carreira, fez uma imagem do capitão Salgueiro Maia que ficou para a História, e que se tornou numa das suas fotografias mais conhecidas. Este ano a Juventude Popular pegou na imagem, alterou o seu enquadramento, manipulou-a digitalmente e utilizou-a num cartaz - fez tudo isto sem pedir autorização ao autor da fotografia. Manda o bom senso e a ética, para além da Lei,  que não se utilizem em propaganda e em publicidade fotografias, textos ou ilustrações sem a expressa autorização dos seus autores. A Juventude Popular achou por bem ignorar o Direito de Autor e fez com a imagem de Alfredo Cunha aquilo que quis. Alfredo Cunha anunciou que irá processar a organização por utilização indevida da sua obra. Francisco Rodrigues dos Santos, presidente da Juventude Popular, em resposta, manifestou-se revoltado com a posição do autor e afirmou que “43 anos mais tarde parece que nos querem subtrair aquilo que naquele dia nos deram”,  sugerindo que aquela fotografia “pertence ao património imaterial do país”. Insinua ainda que na base de decisão de Alfredo Cunha estarão motivações políticas. Ora acontece que a propaganda política é a publicidade dos partidos e é lamentável que um dirigente partidário não saiba que os autores têm o direito de recusar que as suas obras sejam associadas a organizações políticas nas quais não se revêem. Estamos pois perante o caso de um dirigente político que defende o abuso do direito de autor - o que neste universo contemporâneo é uma questão na ordem do dia em qualquer área criativa. Pior ainda é que os dirigentes mais velhos e experientes do seu partido não venham explicar ao senhor que a política se faz com respeito pelos outros e não abusando deles. A começar por não violentar a consciência e as opções políticas de quem quer que seja.  

 

SEMANADA - Em 2015 os acidentes em contexto laboral provocaram mais de dois milhões de dias de trabalho perdidos; mais de 10% dos alunos da universidade de Coimbra são brasileiros; já há mais sul-coreanos a pernoitar em Fátima do que brasileiros; em 2016 foram elaborados 1.112 autos a proprietários de cães de raças potencialmente perigosas; segundo a GNR cães considerados perigosos fizeram pelo menos 355 vítimas em 15 meses; em média a ASAE multa 2700 estabelecimentos de restauração por ano e encerra um restaurante por dia; a quantidade de peixe transacionada em lota diminuíu 18% desde 2010 e o preço médio do pescado por quilo subiu 31%; um estudo britânico indica que as crianças que usam tablets e smartphones dormem menos e pior; os dados do Netpanel da Marktest mostram um aumento de 10% no número de horas de navegação em sites de informação durante o mês de Março; um estudo do Eurostat indica que 49% dos portugueses usam a internet para fazer um auto-diagnóstico médico a partir de pesquisas no Google; 90% dos maiores de 50 anos não estão vacinados contra a pneumonia; Portugal tem a terceira maior dívida da União Europeia em percentagem do PIB, logo atrás da Grécia e Itália; Portugal tem a quarta maior taxa de abandono escolar na Europa, a seguir a Malta, Espanha e Roménia.

 

ARCO DA VELHA - Enquanto o Comissário Europeu da Saúde considera que algumas vacinas, como a do sarampo, devem ser obrigatórias, o nosso Ministro da Saúde descartou a possibilidade de de o governo propor a obrigatoriedade da vacinação; o Director-Geral da Saúde, Francisco George, condenou a “moda bizarra” de não vacinar as crianças.

 

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FOLHEAR - São quase 700 páginas a relatar o grande desafio do homem contra a natureza, personificada na grande Baleia Branca, a Moby Dick. É uma escrita que parece às vezes uma reportagem e noutros momentos se revela uma sucessão de recomendações, pensamentos, opiniões.  “Moby Dick” é um dos grandes livros da história da literatura e, no entanto, em vida do autor, Herman Melville, vendeu apenas cerca de 3000 exemplares. Melville navegou em barcos de carga e em baleeiros no Pacífico e no meio das suas viagens foi capturado por canibais na Polinésia, tendo conseguido fugir. Em tudo o que viveu encontrou material para escrever. Fez da vida que viu, da vida que ouviu e da que imaginou a matéria prima das suas histórias. É de William Faulkner esta frase: “ penso que o livro sobre o qual poderia dizer incondicionalmente quem me dera ter escrito isto é o Moby Dick”. Trata-se da história de um capitão de Marinha enlouquecido que, depois de ter sido mutilado por uma baleia, procura vingar-se. O capitão chama-se Ahab e a baleia é Moby Dick, o terror dos baleeiros. No interior do barco de Ahab, o Pequod, gera-se um micro-cosmos onde o ressentimento e o ódio alimentam o confronto e o conflito. “Moby Dick” é o relato do desafio entre o homem e a natureza e das rivalidades e disputas entre os homens. Foi agora editado pela Guerra & Paz na sua colecção de clássicos.

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VER - Ana Vidigal gosta de mostrar as suas memórias - umas vezes pessoais, familiares, outras vezes memórias de tempos vividos, às vezes mapas que desenham o imperfeito mundo em que vivemos. “Eu encontro coisas e guardo-as. Junto-as. Penso que não as perco” - escreve Ana Vidigal a propósito desta sua nova exposição, a quarta individual que faz na Galeria Baginski. Assumidamente, como a artista escreve, “este é um tempo político” e é isso mesmo que estas imagens da memória nos mostram, evocando geografias e momentos. Na fotografia aqui reproduzida Vidigal está junto a “Há manhãs que cantam” - o título da obra em fundo e que remete para a China da Revolução Cultural. Outras, das oito obras aqui expostas, têm títulos como”Morrer na praia”, “Só a a poesia nos pode salvar. Há lugar para mim?(Bambi a fugir de lá)” ou “o fim está no meio”. A exposição está na Baginski até 9 de Junho (Rua Capitão Leitão 51, ao Beato). Mudando de registo e passando para a fotografia, a Barbado Gallery expõe obras recentes do fotógrafo brasileiro Claudio Erdinger que, depois de uma carrreira de duas décadas como fotojornalista nos Estados Unidos, regressou a S. Paulo, de onde trabalha na sua visão das urbes e das alterações de paisagem. A Barbado fica na Rua Ferreira Borges 109. Finalmente, na Appleton Square (Rua Acácio Paiva 27), o artista galego Misha Bies Golas expõe até 11 de Maio “Recordo”, uma co-produção com o DIDAC, uma instituição de Santiago de Compostela, em que o artista mostra como a reutilização de materiais pode ser matéria prima para a criatividade.

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OUVIR -  Ralph Towner é um dos guitarristas de jazz que mais aprecio e discos exclusivamente de guitarra fazem parte das minhas preferências. “My Foolish Heart”, agora editado, é o primeiro disco de Towner a solo desde “Time Line”, de 2006, e neste novo registo ele passa pelos seus territórios preferidos que evocam influências da música clássica, da folk, da música espanhola para guitarra e, claro, dos standards de jazz, como o nome do álbum, “My Foolish Heart” indica. O original de “My Foolish Heart”, uma composição de Victor Young e Ned Washington, surgiu na banda sonora do filme com o mesmo nome, em 1949. Mas este “My Foolish Heart” de Ralph Towner é bem diferente do original e, no caso deste seu novo álbum, é mesmo o único tema que não foi composto por ele - e o guitarrista já afirmou que começou a ouvir esta canção de outra maneira quando ouviu a versão que dela fez Bill Evans, ao piano. No disco Towner toca guitarra de seis e 12 cordas e alguns dos seus temas que incluíu neste álbum são novas versões de composições que fez no início da carreira, como “Shard” e “Rewind”. Um dos novos temas é uma homenagem ao seu amigo Paul Bley, desaparecido há cerca de um ano, duas semanas antes deste disco ter sido gravado - “Blue As In Bley”. Editado pela ECM, “My Foolish Heart” de Ralph Towner foi publicado em Fevereiro deste ano. Como outras edições da ECM não está disponível no Spotify.

 

PROVAR - Mário Ribeiro e Francisco Bessone largaram o Sushic de Almada em meados do ano passado e instalaram-se nas Avenidas Novas, no Nómada. Reformularam o espaço, criaram uma esplanada coberta e fizeram um menu que mostra a forma como encaram a cozinha japonesa, incorporando influências ocidentais e propondo também pratos de gastronomia portuguesa. Em primeiro lugar deve dizer-se que um dos segredos do local é a qualidade dos ingredientes utilizados, a forma como são combinados e, finalmente, o serviço exemplar. Já agora, aqui encontra-se uma garrafeira com uma diversidade e qualidade que é raro encontrar em restaurantes de inspiração japonesa, e a preços decentes. O nome escolhido, Nómada, é afinal o descritivo de uma cozinha que derruba fronteiras e não vive de preconceitos, aberta a experiências e combinações inesperadas.  Nas entradas destaco  o Asian Ebi, em que uma base de arroz envolto em sésamo torrado é temperado com maionese japonesa e finalizado com tempura de camarão com caril. Também merecem destaque as gyosas de legumes e frango, os cones crocantes recheados de atum e cebola em vinho do Porto e sobretudo as vieiras seladas em óleo de sésamo com puré de castanhas, gengibre e manga. Outra belíssima experiência foi o carpaccio de lírio dos Açores cortado em tiras finas regado com molho ponzu e azeite de alho, acompanhado de chips de raiz de aipo. Tenho ouvido elogiar o vongole - pampo cortado em tiras finas com camarão, mexilhão e berbigão à bolhão pato japonês. Ainda no domínio oriental há uma boa oferta de combinados de sushi e sashimi. Se alguém quiser algo menos oriental pode escolher pratos tradicionais que vão do prego de atum com chips de batata doce a um mil folhas de salmão com legumes em manteiga de alho ou uma perna de pato confitada com puré de castanhas e legumes. A escolha de vinho foi um branco, a copo, da Quinta do Penedo, que se revelou muito apropriado. Nos doces destaque para o gelado sobre crumble de maçã e o fofo de chá verde com gelado de melão e gengibre. Nómada, Avenida Visconde de Valmor 40A, telefone  917 779 737. É melhor marcar.

 

DIXIT -  “Não tenho vontade nenhuma de sair do Porto” - Rui Moreira

 

GOSTO - De todo o processo de pesquisa e criativo que o realizador João Canijo e as actrizes seguiram para fazer “Fátima”, um filme fora de série.

 

NÃO GOSTO - Do futebol como pretexto para violência entre adeptos, instigada por dirigentes das claques que se tornam figuras de prôa nas eleições dos clubes e que são toleradas pelos dirigentes.

 

BACK TO BASICS - “Se o objectivo é falar verdade, deixem as preocupações sobre a elegância ao alfaiate” - Albert Einstein.

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