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UM DOMINGO EM LISBOA

por falcao, em 27.04.08

TERRÍVEL – Alguns empresários portugueses gostam de enaltecer a sociedade civil. É uma coisa que só lhes fica bem. O pior é quando o fazem e são inconsequentes, como aconteceu no projecto da revista «Atlântico», deixado cair por muitos dos que  diziam que a iriam apoiar. A «Atlântico» era um espaço de debate, plural, aberto, editorialmente único em Portugal. Por mais voltas que dê não consigo deixar de pensar que a «Atlântico» acabou porque tinha aquela mania de se meter todos os meses com o senhor Sócrates e os senhores empresários não quiseram ficar mal vistos ao pé do senhor engenheiro, numa altura em que vai haver tanta obra para fazer. Cá para mim este é dos casos que mostra como em Portugal a iniciativa privada está demasiado dependente dos senhores que controlam o orçamento de Estado. Muitos dos nossos empresários são ainda muito público-dependentes, 24 anos depois de 25 de Abril de 1974. O fecho da «Atlântico» é o sinal do estado das coisas nestes tempos que vivemos.




VER – Muitas exposições para visitar. Vamos começar pela fotografia, Na K Galeria, «Estrada de Água», de Pedro Azevedo, Rua da Vinha 43 A. Outras fotografias, diferentes, encenadas (podiam ser como que colagens tridimensionais, a meio caminho com instalações do quotidiano, convenientemente preservadas com registo fotográfico) são as propostas de Manuel Botelho em «Confidencial/Desclassificado II: ração de combate», na Fundação EDP, Museu da Electricidade, Av. Brasília. Depois há a arte robótica de Leonel Moura, melhor dizendo do robot RAP que está estacionado no Museu de História Natural de Nova Iorque – as composições automáticas podem ser vistas na Leonel Moura Arte, rua das Janelas Verdes 76. Mais à frente, na Galeria Filomena Soares, «Murder Letters» é uma exposição colectiva que apresenta onze jovens artistas naturais de Nova Iorque: Carol Bove, Dan Colen, Gardar Eide Einarsson, Hanna Liden, Nate Lowman, Adam McEwen, Josh Smith, Dash Snow, Agathe Snow, Banks Violette, e Aaron Young, em diversos suportes, da fotografia à escultura, passando por colagens e pintura. 



O PIORO grande problema para os lisboetas, se decidirem fazer este aliciante percurso artístico ao Domingo, será encontrarem paciência suficiente para passarem do lado do Cais do Sodré, para o lado de Santa Apolónia. Numa daqueles raros momentos em que decidi sair de casa ao Domingo apanhei uma carga de fúria por ver que há mais polícias municipais envolvidos no desvio de trânsito do Terreiro do Paço do que propriamente visitantes. Esta interdição do Terreiro do Paço aos Domingos é daquelas baboseiras demagógicas rasteiras que me fazem chorar cada um dos euros que a Câmara Municipal de Lisboa me obriga a pagar em impostos. Na cabeça de António Costa existirá uma réstea de bom senso que lhe permita perceber o ridículo da situação, ou vai persistir nisto e gastar mais uns milhares largos de euros em animações forçadas, sabe-se lá com recurso a quem, para lhe servir de capote estético? 


PETISCAR – Depois de ter dado mil voltas e ter conseguido passar esse Bojador dos domingos lisboetas que é o Terreiro do Paço, em má hora tentei o Deli Delux. Nada a fazer: mau serviço, arrogância insuportável, lentidão geral. Que pena que os sítios bonitos tenham gente tão feia a explorá-los e incompetente a dirigi-los. Mandei as modas às urtigas e rumei ao sempre fiel Cervejanário (Marina falhada da Expo, Passeio de Neptuno), onde tudo é melhor: belas pataniscas de bacalhau (das achatadas!) e  alheira de caça com grelos. Excelente vista, excelente companhia, um descanso para me redimir das malfeitorias dea empresa de animação «Costa & Salgado United Against Lisbon Incorporated».. Ora ali estava um sítio acolhedor, vista desafogada frente ao rio, serviço simpático, cerveja espectacular. Era pena que o rapaz atrás de mim tivesse uma T Shirt onde a letras garrafais de podia ler «Vagina Lover», mas pronto, é o que há ao Domingo em Lisboa. Enfim, não se pode ter tudo, este cidadão deve ter votado no Bloco de Esquerda, pensei eu com os meus botões, imaginando-o a conversar sobre torres eólicas com o senhor vereador Sá Fernandes. 



LER – Pois, a «Ler». Não, não é trocadilho. A «Ler» renasceu, por obra e graça de Francisco José Viegas e do Círculo de Leitores – Bertelsmann (que aos poucos vai comprando mais editoras e está a tornar-se, aqui, um discreto e poderoso grupo editorial e de distribuição…). Mas voltemos a esta «Ler», magnífica, com uma bela paginação, fotografia bem pensada., um belíssimo dossier sobre os 50 autores mais influentes do século XX, uma entrevista com António Lobo Antunes e uma conversa com Paulo Teixeira Pinto onde ele explica como vai ser a sua editora. 


OUVIR – Ora aqui está uma bela altura do ano para ouvir «Amor Profano», um conjunto de onze árias de Vivaldi, interpretadas pela soprano Simone Kermes, acompanhada pela Orquestra Barroca de Veneza, dirigida por Andrea Marcon. Enérgico, excitante, arrebatador. Com discos assim ,mais vale ficar em casa ao Domingo que ir aturar os desvarios de Costa & Salgado ao Terreiro do Paço (já sei, já falei do tema, mas a bacoquice da coisa irrita-me mesmo…). CD Archiv/Deutsche Grammophon. 



REVELADOR – De partido sem direcção o PSD está a passar a partido com excesso de candidatos a dirigentes. Que falta faz o bom senso… 


BACK TO BASICS –  A função do socialismo é aumentar o sofrimento para um nível superior – Norman Mailer. 
 

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publicado às 12:43

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por falcao, em 24.03.08

MAU – Uma provável suspensão da revista «Atlântico» é das piores notícias que podia  surgir. Trata-se da única revista mensal assumidamente de debate social, político e cultural existente na sociedade portuguesa. Embora tendo por base um núcleo fundador essencialmente liberal, nela têm colaborado pessoas de muitos sectores e a revista, muito bem dirigida editorialmente por Paulo Pinto de Mascarenhas, tornou-se o veículo privilegiado para a intervenção política de muitas figuras que se retiraram da primeira linha da actividade partidária ou que pura e simplesmente hoje em dia não têm partido. Mas é também uma revista que procura ajudar a interpretar a História, nomeadamente a portuguesa, e ao mesmo tempo aborda temas de política internacional pouco tratados por cá. Provocadora, iconoclasta, a «Atlântico» é uma leitura mensal obrigatória. As dificuldades com que se debate para sobreviver são a prova da fragilidade de uma sociedade civil que gosta de dizer que existe, mas que tem muita dificuldade em agir e concretizar projectos fora da zona da actividade empresarial em que algumas das suas figuras principais se distinguiram. Noutros países os grandes líderes empresariais empenham-se em garantir possibilidades de fomentar o debate de ideias e a análise das situações, certos de que assim estão a contribuir para o progresso da sociedade e, em última análise, para o crescimento e consolidação dos mercados. Promovem «think tanks», são patrocinadores empenhados. Aqui está um exemplo de boas práticas que podia ser mais seguido. 




PÉSSIMO – Já lá vai um mês e meio desde que Isabel Pires de Lima saíu do Ministério da Cultura e ainda não se ouviu uma palavra do seu sucessor sobre o que pretende fazer. Entretanto, para além das recorrentes notícias sobre falta de meios para salvaguardar o património e do encerramento das visitas em alguns monumentos, na semana passada foi divulgada a posição de 28 directores de museus e palácios nacionais, que, dizem, estão sob risco de «iminente colapso». É certo que as culpas vêm do orçamento deixado por Isabel Pires de Lima e pela falta de atenção do Governo ao sector, mas a realidade é que a ausência de capacidade política e uma errática actuação pública são as características da actividade do Ministério da Cultura de Sócrates. Será este Ministro capaz de ganhar carta de alforria? 




OUVIR – Pierre-Laurent Aimard é um pianista francês com uma carreira curiosa, que oscila entre o contemporâneo e a música antiga. No início da sua carreira foi convidado por Pierre Boulez para integrar o núcleo fundador do Ensemble InterContemporain. As suas interpretações da música de Boulez, Stockhausen e Ligeti são consideradas referências. Mas ao mesmo tempo tem desenvolvido uma actividade exemplar na música antiga, colaborando com nomes como Nikolaus Harnoncourt, com cuja Orquestra de Câmara Europeia gravou os cinco concertos para piano de Beethoven. O motivo desta nota é no entanto a sua mais recente gravação, a primeira para a Deuscthe Grammophon. Trata-se de «A Arte da Fuga» de Bach, uma peça inacabada cuja composição Bach começou cerca de 1742 e que demonstra o seu enorme domínio técnico de uma das mais complexas formas de expressão da música europeia desse tempo, conhecida como o contraponto. A interpretação agora gravada por Aimard mostra a sua técnica, a sua capacidade, mas também a inteligência e sensibilidade da sua interpretação. 



LER – Durante alguns anos assinei – e li – religiosamente a «Granta», uma revista literária fundada em 1979 por estudantes de Cambridge e que deu a conhecer ao mundo, e a mim em particular, alguns dos novos escritores da época, como Martin Amis, Ian McEwan, Richard Ford e Angela Carter. Mas a «Granta» foi também o paraíso de deliciosas short-stories de proveniências diversas, de portfolios fotográficos inesperados e de numerosas peças de literatura de viagem que me fizeram dar mais atenção ao género. Pois a «Granta» chegou agora ao seu número 100 – são feitas quatro edições por ano, uma em cada estação, e debaixo do título lá continua a frase mágica «The Magazine Of New Writing». Esta edição (350 páginas) é verdadeiramente uma peça de colecção que inclui, por exemplo, um poema de Harold Pinter , um libretto de Ian mcEwan, uma short-strory de Hanif Kureishi, um ensaio ( «The Unknown Known») de Martin Amis e uma curiosa nota sobre a construção de personagens por Mário Vargas Llosa, além de um belíssimo ensaio fotográfico sobre Nova York de Bruce Frankel.


Por cá encontram a «Granta» 100 nas boas lojas de revistas e nalgumas livrarias com edições inglesas. 



PETISCAR – A coisa não é bem sushi tradicional, digamos que é sushi tropical, Japão com influência do Brasil, há quem lhe chame sushi-fusão. O resultado pode desagradar aos puristas mas o final é bom. Experimentem o Hot Salmon ou o Spicy Tuna e vão ver que têm uma boa surpresa. O serviço é simpático mas às vezes é preciso combater a distracção e o olhar vago no horizonte dos empregados – a coisa percebe-se, a vista é deslumbrante, com o rio ali ao pé. O «Sushi no Rio» fica por cima da esplanada dos «Meninos do Rio», na zona de Santos, para lá da linha de comboio, na Rua da Cintura do Porto de Lisboa, armazém 255, edifício Steak House, telefone 213220070. 


BACK TO BASICS – Abrir a porta da rua pode ser uma actividade perigosa – J.R.R. Tolkien 

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publicado às 10:01

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por falcao, em 07.01.08
PRÉMIOS 2007 – Prémio «A Trombeta de Sócrates» direitinho para o comentador de assuntos económicos António Peres Metelo; Prémio «A Inutilidade do Ano» para a Ministra da Cultura pela sua acção decisiva na instalação do Museu Berardo; Prémio «Melhor Agente Secreto» para Augusto Santos Silva, pela forma como deu oportunidade à saída de quadros da RTP para a SIC; Prémio «Qual é o meu papel aqui?» para Vítor Constâncio e o Banco de Portugal.


O ABUSADOR - O destino tem coisas curiosas: a fotografia da capa do «Diário de Notícias» da passada terça-feira valia por mil palavras: nela se via o Inspector-Geral da ASAE, António Nunes, a fumar num local fechado, já no dia 1 de Janeiro. Questionado, o homem que é suposto fazer cumprir a legislação que regulamenta o consumo de tabaco, achou que estava dentro da Lei, contrariando pareceres de outras entidades sobre o assunto. O caso é revelador do personagem: em vez de dar o exemplo, prefere o seu prazer pessoal. Este é o verdadeiro carácter do homem que comanda a ASAE e que propõe como alternativa para os seus opositores que emigrem e deixem Portugal – sim, leram bem: «se não quisermos viver nesta sociedade temos a hipótese de emigrar» - são palavras deste monumento de arrogância e prepotência mascarado de zeloso funcionário, numa entrevista publicada na semana passada pelo «Sol». Espero que ele emigre, depois de se demitir. Sempre duvidei de quem justifica actos burocráticos irracionais com o estrito cumprimento de leis e ordens. Como se comprova o zelo é bom para os outros, não para o próprio. O Senhor Ministro Manuel Pinho, que é suposto tutelar este funcionário, importa-se de dizer o que pensa sobre tudo isto?


COINCIDÊNCIAS – Há uns meses o Primeiro Ministro José Sócrates cedeu ao Comendador Berardo uma parte do CCB e fez com ele um negócio – no mínimo estranho em valor e substância – sobre a colecção de arte daquele investidor. O Comendador falou de alto, impôs regras próprias no espaço, faz uma contabilidade imaginativa dos visitantes do museu que agora tem o seu nome. Eu não sou dado a conspirações, mas não posso deixar de registar que todo o movimento que levou à crise no BCP foi desencadeado pelo comendador Berardo e não posso deixar de notar que foi ele o impulsionador de uma proposta que entrega o destino do Banco ao ex-Presidente do Banco do Estado, a CGD, um gestor próximo do PS, e a destacados socialistas que até há pouco tempo reduzida experiência tinham em gestão. Posso, nesta conjugação de coincidências, ser levado a pensar que o bom negócio que Sócrates proporcionou a Berardo com a sua colecção de arte tem agora uma contrapartida no papel de Berardo a facilitar a tomada de posições por parte do PS no maior banco privado português. Ele há estranhas coincidências. Mas também há curiosas alianças. E curiosíssimas formas de fazer negócio.


LER – A edição deste mês da revista «Atlântico» merece uma leitura atenta. António Carrapatoso, José Miguel Júdice e Rui Ramos escrevem sobre Portugal na transição de 2007 para 2008. Vasco Pulido Valente imaginou um concurso com perguntas inesperadas e prémios para as melhores respostas. Carrapatoso, escreve que o Governo ainda não apresentou uma visão estruturada para o futuro de Portugal, avisa que as perguntas fundamentais sobre o papel e a organização do Estado continuam a não ter uma resposta estruturada e consistente e alerta, com dados e númertos, para o facto de a despesa pública estar de facto a crescer sem beneficiar a coesão social ou a criação de oportunidades para todos.


OUVIR – Em 1982 o pianista Friederich Gulda gravou o ciclo das sonatas de Mozart, mas só parte delas foram editadas. A Deutsche Grammophon, que promoveu a gravação e edições originais, aproveitou o ano Mozart, em 2006, para editar uma remasterização cuidada dea parte dessas gravações que tinha tido uma edição original há 25 anos.. Surge agora, pela primeira vez, a parte nunca antes editada desses registos, São seis sonatas interpretadas por Gulda e nunca antes editadas. Apesar de algumas pequenas imperfeições na captação sonora (e que foram responsáveis pela sua não divulgação até agora), estes trabalhos comprovam a enorme capacidade do pianista e a forma única como foi capaz de interpretar a música de Mozart. - «The Gulda Mozart Tapes II, 6 sonatas», CD Deutsche Grammophon, FNAC.


ASSUKA SEM GRAÇA - Algumas pessoas acham que a comida é tudo num restaurante. Engano. A comida, a boa comida, é uma parte importante de um restaurante. Mas o serviço é outra parte com uma boa dose de relevo, e o ambiente completa o leque das variantes a ter em conta. A pior coisa que pode acontecer a um restaurante é cair na moda e não estar preparado para lidar com isso. É o que se passa no japonês Assuka, em Lisboa. Empregados desatentos, serviço demoradíssimo, falta de coisas básicas como imperial ou atum fresco (estamos num restaurante japonês, caramba!), bajulação dos empregados a estrelas de telenovela que falam alto e encanitam os outros clientes, tudo isto deu cabo num instante da qualidade da comida do Assuka. Tão cedo não volto ao nº153 da Rua de São Sebastião da Pedreira.



BACK TO BASICS – O segredo para ser maçador é dizer tudo o que nos apetece, Voltaire

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publicado às 10:24


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