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INQUIETUDES - Quando me recordo do que se tem passado nas últimas semanas no domínio das restrições exercidas sobre obras de arte, das clássicas às contemporâneas, fico inquieto. Com base em diversos pretextos quadros clássicos são retirados de exposição em museus prestigiados invocando razões morais, imagens com conteúdos sexuais, mas há muito aceites como expressão artística, são amaldiçoadas, fotografias de alguns dos grandes fotógrafos do século XX são denegridas por mostrarem o corpo humano, e, sobretudo na moda, acusadas de o explorarem. Esta voragem puritana está a viver num crescendo perante a indiferença daqueles que habitualmente se rebelam contra a limitação das formas de expressão e que agora se mostram silenciosos em nome de uma nova forma de correcção política que só tem paralelo nos tempos da inquisição e do fanatismo religioso. Ao mesmo tempo obras que têm mais de carácter provocatório do que de arte foram retiradas da ARCO em Madrid, dando uma notoriedade ao autor de «Presos políticos na Espanha contemporânea» que a sua obra artisticamente não merecia de todo. Já aqui o côro dos habituais protestos se fez ouvir, num ruidoso contraste com o silêncio noutras ocasiões. Mas, como Manuel Villaverde Cabral bem fez notar, nota-se cada vez mais arasteira manifestação das ideologias partidárias que se imiscuem de forma cada vez mais deletéria no mundo da criação artística”. Parece que estamos a remar para trás, dizem-me aqui ao ouvido. E é verdade.

 

SEMANADA - Em Portugal registam-se cinco queixas de plágio por semana; em 2016 a Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos recebeu cinco mil queixas, a maioria sobre erros de leitura, facturação e cobrança da água; mais de 200 mil jovens portugueses até aos 25 anos não têm qualquer ocupação, não estudam nem trabalham; as dívidas por pagar na área da saúde cresceram 112 milhões de euros em apenas um mês; a Inspecção Geral da saúde detectou hospitais que contratam médicos ilegalmente; a falta de especialistas médicos e tarapeutas ditou o encerramento de 68 camas em unidades de reabilitação; uma instituição europeia acusa Portugal de manter detidos em condições desumanas; os pedidos de asilo a Portugal atingiram em 2017 cerca de 2000, um número recorde;  foram realizados 11 inquéritos sobre violação do segredo de justiça entre 2014 e 2017; peculato e corrupção são os crimes mais frequentes entre os 405 funcionários públicos condenados por ilegalidades em 2017; no ano passado o número de mulheres designadas para cargos de direção superior da Administração Pública foi pela primeira vez maior que o número de homens - 12 mulheres para oito homens; segundo a Marktest, há cerca de 4,7 milhões de portugueses que ouvem rádio - a maioria ouve no carro, um terço ouve em casa e cerca de 15% ouve no local de trabalho; em 2017 os diários generalistas venderam menos 15.831 exemplares por dia e fecharam o ano com uma quebra de circulação de 9%.

 

ARCO DA VELHA - O mesmo Governo que estabeleceu prazos muito apertados para a limpeza das matas anunciou em Outubro que iria participar na gestão do SIRESP e quatro meses passados não deu passos concretos nesse sentido nem cumpriu o seu próprio calendário.

 

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FOLHEAR - Raymond Aron foi filósofo, jornalista, professor e politólogo. Nasceu em 1905, morreu em 1983 e as suas memórias constituem uma visita aos principais momentos e ideias do século passado. Já era bem conhecido quando ganhou acrescida notoriedade com  “O Ópio dos Intelectuais”, uma crítica a Sartre, ao marxismo e à intelectualidade francesa, simultaneamente uma crítica ao pensamento unilateral da esquerda e à  sua complacência face à repressão existente nos regimes comunistas - por acaso uma obra que volta a ganhar oportunidade com a sanha politicamente correcta que por aí cresce. As suas “Memórias” são uma reflexão sobre um século de grandes mudanças, desde a ascensão do nazismo à expansão do ideal comunista no pós-Guerra, passando pela a análise da Guerra Fria, as guerras do Vietname e da Argélia, a descolonização francesa e a sua opinião sobre qual foi a verdadeira dimensão do Maio de 68. No fundo estas suas “Memórias” percorrem as ideias mais salientes da sua época: o marxismo, o liberalismo e o existencialismo. Foi colega de universidade de Sartre e conviveu com personalidades como Charles de Gaulle, André Malraux, Henry Kissinger ou Giscard D’Estaing e neste livro traça retratos destas figuras. Para quem gosta de ler sobre as ideias e políticas que moldaram o século XX, as “Memórias” de Raymond Aron acabaram de ser reeditadas, 35 anos depois da sua publicação original, pela Guerra & Paz na sua colecção Grandes Livros, com tradução de Susana Serrão.

 

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VER - João Miguel Barros um advogado que vive entre Macau e Lisboa, tem já um percurso longo ligado à  fotografia. Expõe agora “Photo-Metragens”, uma coleção de 14 pequenas histórias fotográficas para ver “como quem lê um livro de contos”, segundo as palavras do próprio. A exposição, na imagem, que resultou num  livro-catálogo de grande formato, a preto e branco, arranca com “Sentido Único” nos viadutos de Xangai, para nos levar numa viagem que salta entre Lisboa, Banguecoque, a praia dos Salgados, Paris ou Hong Kong. Há visões nocturnas, marés vivas, pontes mágicas e alucinações nesta exposição pensada (e escrita) por João Miguel Barros, patente até 3 de Junho no Museu Berardo. Em simultâneo, promoveu na Galeria 8, no palacete da Fidelidade no Chiado, uma exposição do fotógrafo chinês Yang Yankang, intitulada “O Espelho da Alma” e que tem por tema o Budismo Tibetano e que mostra até 4 de maio 40 fotografias centradas na espiritualidade do Tibete. Num outro registo, uma das melhores fotógrafas portuguesas, Luisa Ferreira, mostra até 30 de Março, no Museu das Vítimas da Inquisição, na Igreja de Santa Maria da Várzea, em Alenquer, o seu mais recente trabalho, “Ao encontro de Damião de Goes, para José Mariano Gago”. As imagens são um testemunho da derradeira investigação do antigo Ministro da Ciência e Tecnologia, dedicada ao humanista português do século XVI: pouco antes da sua morte, em 2015, Mariano Gago convidou Luisa Ferreira para que o acompanhasse a Alenquer, terra natal de Damião de Goes, e aí recolhesse imagens do universo associado ao historiador.

 

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OUVIR - Pouca gente se recordará que Laurie Anderson foi a única pessoa que trabalhou como  artista residente para a NASA, no início deste século. Anderson é uma artista visual, realizadora de filmes, autora e intérprete musical e na sua colaboração com a NASA trabalhou com o Kronos Quartet, um grupo de cordas contemporâneo, originário de São Francisco, também colaborador pontual da agência espacial, e ambos construíram uma peça intitulada “The End Of The Moon”. Quer Laurie Anderson quer os músicos do Kronos Quartet têm em comum uma atracção por pensar o futuro e observar de forma crítica o presente. Este “Landfall” começou por ser uma performance executada ao vivo numa digressão até chegar a este ponto - um CD que reúne 30 canções, compostas por Laurie Anderson, uma boa parte delas a evocar o furacão Sandy, com o objectivo de mostrar como a memória humana pode ser mais forte que a destruição provocada pela catástrofe. A combinação da voz de Anderson, com as sonoridades do Kronos Quartet produz um resultado marcante. “Landfall”, Laurie Anderson & Kronos Quartet, CD Nonesuch/Warner, disponível em Portugal.

 

PROVAR - O Pho é um dos pratos mais conhecidos da gastronomia vietnamita e consta de um caldo com noodles, vegetais e carne cortada aos pedaços de vaca ou frango. Como sou fã de sites de receitas dei há pouco tempo com o www.nutricaocompanhia.com , em que a nutricionista Cláudia Cunha propõe um Pho à portuguesa, completamente vegetariano. Os ingredientes, para uma dose individual,  são 200 gr de legumes congelados (feijão-verde, courgette, cebola, cenoura parisiense, cogumelos e brócolos), um novelo de noodles de arroz, um ovo cozido por 7 minutos e coentros. O processo é simples: quando os legumes estiverem quase cozidos em água acrescentam-se os noodles que ao fim de dois ou três minutos estão no ponto e reservam-se legumes e noodles. Depois tempera-se essa água (que vai ser o caldo) com azeite, vinagre de vinho branco e sal. Numa taça mistura-se  tudo e coloca-se o caldo a gosto. Acrescenta-se o ovo que já foi cozido previamente durante 7 minutos, partido ao meio e, para finalizar, colocam-se pedaços de coentros. É uma boa alternativa para as noites frias deste Inverno. Cláudia Cunha é autora de um livro intitulado “Doce Veneno - Plano Detox de 21 dias para se livrar do açúcar” e tem o canal www.youtube.com/nutricaocompanhia  onde vai publicando filmes com as suas receitas e conselhos.

 

DIXIT - “A política é uma actividade altamente lucrativa (...) Dá rendimento, nome e influência. Os partidos devem pagar impostos como toda a gente e como as empresas. E o Estado deve financiar pouco” - António Barreto

 

GOSTO - Vhils, aliás Alexandre Farto, tem uma exposição na Galeria Over The Influence em Los Angeles cuja inauguração foi um êxito de público.

 

NÃO GOSTO - A CP vai vender para sucata locomotivas a vapor raríssimas do início do século XX e diz não ter condições para as conservar nem recuperar.

 

BACK TO BASICS - “Os políticos são a mesma coisa por todo o lado: prometem uma ponte onde nem sequer há um rio” - Nikita Khrushchev.




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publicado às 13:15

PRIMAVERA - Estamos oficialmente na Primavera, tempo de romance, a estação do ano em que a sedução anda à solta. Veja-se o que tem acontecido nestes dias: o Presidente da República e o Primeiro Ministro partilharam a mesma posição sobre a eventual venda de bancos portugueses a  capital estrangeiro; Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa foram juntos ao futebol, a Leiria, ver o Portugal-Bélgica; Marcelo e Costa estiveram também juntos nas críticas à gravidade da pena de Luaty Beirão;  o Orçamento de Estado passou sem frisson e foi promulgado antes do 1º de Abril para não existirem graçolas entre a razoabilidade das previsões orçamentais e o dia das mentiras. Está tudo portanto no melhor dos mundos. A maior prova do espírito primaveril vem, no entanto, de Rui Rio, que fez uma interrupção do seu ruidoso  silêncio para se juntar a Marcelo e a Costa, mostrando uma grande convergência de pontos de vista, como se costumava dizer nos comunicados oficias entre representações de países satélites da ex-URSS. Parafraseando a feliz expressão de Vasco Pulido Valente, ouso dizer que a geringonça encontrou finalmente um mecânico que poderá reparar alguma avaria que possa ter. É sabido como Rui Rio gosta de restaurar e recuperar veículos, portanto tem as competências necessárias para o caso de a geringonça conduzida pelo seu amigo Costa gripar algum cilindro ou quebrar algum amortecedor. Que o hábil Rio apareça e se ofereça como mecânico da geringonça na semana do Congresso do PSD é evidentemente um fruto do acaso, como tanta coisa no nosso Portugal.

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 SEMANADA - Marcelo Rebelo de Sousa recebeu um cão pastor alemão oferecido pela Força Aérea; dirigentes das associações representativas dos cães de raça portuguesa lamentam que não tenha sido oferecido um cão de “linhagem” lusa ao Presidente; já depois da oferta do canídeo soube-se que o Presidente vai fazer uma visita oficial à Alemanha; Marcelo Rebelo de Sousa optou por fazer uma comunicação ao país fora dos jornais televisivos das 20h00, preferindo as 17h00, horário do chá; o cenário escolhido para a comunicação, com uma escrivaninha e um pedaço de tapeçaria como fundo de imagem, foi muito comentado por especialistas em televisão, que o acharam desadequado; António Costa, referindo-se à reposição de feriados, disse que: “ há valores acima das conveniências conjunturais”; o numero de clientes de banda larga fixa aumentou 9,5% no ano passado, para um total de 2,99 milhões; num país tão dado a tecnologias foi revelado que o site do fisco não trabalha com alguns dos browsers mais usados do mercado; um em cada quatro professores, do pré-escolar ao ensino superior, está a recibos verdes; existe um déficit de sete mil camas na área dos cuidados continuados em todo o país; em 2014 formaram-se 2633 enfermeiros e emigraram 2850; no Hospital de Chaves foram adiadas cirurgias porque não existia fio para suturar as costuras das operações.

 

ARCO DA VELHA - Luis Amado, ex-Ministros dos Negócios Estrangeirs aquando da assinatura do Tratado de Lisboa, disse no Parlamento, a propósito do caso Banif, que as instituições europeias funcionam como um “centro de poder burocrático extremamente agressivo” ,  sublinhou que o poder da Europa chega a assemelhar-se a um “rolo compressor” e defendeu que “temos de reavaliar a relação com a UE”.

 

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 FOLHEAR - O mercado está cheio de livros de dietas e de conselhos de alimentação, muitos deles com muita promessa e pouca explicação. Não é o caso de um novo título que se destaca e que faz da guerra ao açúcar a sua causa. Trata-se de “Doce Veneno”, da nutricionista Cláudia Cunha. O livro vai além da evidência dos bolos e dos doces ou do açúcar que se coloca no café e, por exemplo, dá conselhos sobre como ler as etiquetas dos alimentos processados em busca de formas de açucares escondidos. O ponto de partida é que o açúcar cria uma dependência, tal como o álcool, por exemplo, dependência que está ligada a uma série de doenças que à partida não imaginaríamos. “Doce Veneno” explica ainda o que o açúcar faz ao nosso organismo, desmistifica os substitutos artficiais do açúcar e aconselha alimentos a eliminar e outros a introduzir. Este livro de Cláudia Cunha estabelece um plano prático de desintoxicação do açúcar em 21 dias, sugere listas de compras saudáveis para serem utilizadas no plano e, mais tarde, no dia a dia. Além disso inclui um conjunto de receitas de culinária ajustadas ao plano, do pequeno almoço a snacks para comer durante o dia, passando pelas refeições principais. O livro é editado pela Esfera dos Livros e Cláudia Cunha tem um site que pode seguir em www.nutricaocompanhia.com .

 

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VER - Várias sugestões para esta semana. Começo por destacar  uma das raras exposições de Manuel João Vieira, fundador dos Ena Pá 200, Irmãos Catita, artista plástico, compositor, músico e cantor, que criou e encenou diversas personagens em palco e em exposições diversas. Esta, chama-se “Viagens Na Minha Terra” e está na galeria Giefarte, Rua da Arrábida 44, ao Rato, até 26 de Abril (na imagem) . No Museu Colecção Berardo estará patente até 25 de Setembro a exposição “O Enigma - Arte Portuguesa na Colecção Berardo”, que agrupa trabalhos de Rui Chafes, Jorge Molder, João Maria Gusmão e Pedro Paiva, Pedro Cabrita Reis, João Tabarra e Ana Vieira.  Passando para  a Fundação Gulbenkian sugere-se “Inside a Creative Mind”, uma exposição que visita a obra de sete arquitectos portugueses - Aires Mateus, ARX Portugal, Carrilho da Graça, Gonçalo Byrne, Inês Lobo, Siza Vieira e Souto de Moura. Fica patente até 6 de Junho e inclui pequenos documentários de Catarina Mourão sobre os projectos apresentados. Destaque para uma maltratada exposição de João Mariano, que apenas até dia 16 fica no Arquivo Fotográfico Municipal (Rua da Palma 246), 20 fotografias do litoral de Lagoa sob o título “O Conhecido Desconhecido”. Finalizo com “Mexicano”, a exposição de Bruno Cidra que inaugurou esta semana na Galeria Baginski, onde ficará até 7 de Maio - Rua Capitão Leitão 51 e 53, ao Beato.

 

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OUVIR - Entre meados dos anos 40 e 50 do século passado o produtor Norman Granz juntou um grupo de músicos de excepção, em formações de geometria variável.  O centro das operações começou por ser o Philarmonic Auditorium, de Los Angeles e, da série de concertos aí realizada, nasceu a sigla JATP - Jazz At The Philarmonic, que fez longas digressões pelos Estados Unidos. Nessa altura Ella Fitzgerald tinha começado a gravar para uma editora de jazz acabada de nascer, a Verve - que teve a felicidade de registar o seu talento sobretudo no apogeu da sua carreira. “The Ella Fitzgerald JATP” é um CD que reune 19 temas gravados entre 1949 e 1954, ou entre os 32 e 37 anos da cantora, uma das suas melhores fases. O CD, que agora agrupa pela primeira vez registos antes editados em vários LP’s, começa por um concerto de 1949 no Carnegie Hall em que Ella é acompanhada por Hank Jones, Ray Brown e Buddy Rich com interpretações excepcionais em “A New Shade Of Blues” e “Black Coffee” e uma versão arrebatadora de “Oh Lady Be Good”, de Gershwin. A segunda série de gravações, de 1953, foi feita no Connecticut e inclui clássicos como “Bill” de Jerome Kern e uma reinterpretação de um grande êxito de Peggy Lee, “Why Don’t You Do Right”. E um ano depois, em 1954, Ella, faz maravilhas com “Hernando’s Hideaway”, uma canção menor de uma banda sonora que ela transforma, outro Gershwin - “The Man That Got Away” e, a finalizar, “Later”, que ela já tinha gravado em estúdio nesse ano mas aue aqui aparece numa outra versão. Ao todo 22 temas de um lado menos conhecido da carreira de Ella Fitzgerald, fora dos estúdios, acompanhada por músicos fantásticos em concertos ao vivo cheios de fulgor. CD Verve, distribuído em Portugal por Universal Music

 

PROVAR -  Depois de escrever sobre um livro que prega a contenção, até fica mal abordar este tema, ainda por cima com três exemplos e um extra. O primeiro é uma conserva de achovas do Cantábrico, situada em Laredo, no norte de Espanha. São da marca Codesa, uma empresa familiar. A série Oro, disponível nos supermercados do El Corte Inglês, na zona do frio perto da peixaria, tem anchovas pescadas nos meses de Abril e Maio, que ficam um ano em salmoura, até serem cortadas em finíssimos filetes, embalados em azeite virgem, em caixas de 48 gramas. Perdoem-me os conserveiros portugueses, mas estas anchovas da série Oro da Codesa são os melhores filetes de anchova que conheço. Por mais estranho que pareça com estes filetes vão bem as finíssimas tostas de pão de centeio integral Finn Crisp, absolutamente sem mais nada - assim brilha o sabor das anchovas e das tostas. A terminar, para acompanhar isto, vem um produto bem português - um vinho tinto de superior qualidade, o Ex-Aequo de 2011, produção da Quinta do Monte d’Oiro, de José Bento dos Santos com Michel Chapoutier. Com 75% de Syrah e 25% de Touriga Nacional, este vinho mereceu a classificação de 95 pontos de Mark Squires, no Wine Avocate. Como no fim das anchovas ainda deve sobrar vinho sugiro que se prolongue a conversa, com as mesmas tostas, com um queijo da ilha de S. Miguel velho, de cura prolongada. A splendid time is guaranteed for all, como dizia o outro.

 

DIXIT - “Resta saber se o possível será suficiente...Só em 2017 saberemos se o modelo provou” - Marcelo Rebelo de Sousa, sobre o Orçamento de Estado

 

GOSTO -  A Orquestra Jazz de Matosinhos regressa aos Estados Unidos para uma residência de uma semana no mítico clube Blue Note, de Nova Iorque.

 

NÃO GOSTO - China Irão e Rússia são os três países com maiores restrições à liberdade de criação artistica, segundo um relatório divulgado esta semana

 

BACK TO BASICS - “O meu objectivo não é que as minhas respostas agradem a quem faz as perguntas” - William Shakespeare

 

 

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publicado às 14:00


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