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O RELATÓRIO - Soube-se esta semana que o Governo não autorizou o reforço de meios humanos e materiais que lhe foi solicitado em tempo oportuno, e por diversas ocasiões, em relação ao combate aos incêndios, nomeadamente os de Outubro de 2017. Na semana passada, num dos seus habituais comícios parlamentares, o líder da frente de esquerda, António Costa, atirou para o ar que “um dos principais problemas do pais é a péssima qualidade da informação que só acorda para os problemas nas tragédias". Menos de uma semana depois o relatório mostra que afinal o problema está num Governo que nem nas tragédias acorda. Os peritos que elaboraram o relatório são claros: o Governo ordenou a desmobilização de meios, ignorou alertas que indicavam os perigos dessa desmobilização, não acedeu a pedidos de meios humanos e aéreos quando as chamas já lavravam. A razão de ser disto - assim como, por exemplo, dos sucessivos e graves  problemas na saúde - é sempre a mesma: o dinheiro não chega para tudo e quando se trata de escolher entre pagar a presença do PCP e do Bloco no apoio parlamentar ou cuidar dos problemas do país, a escolha recai na manutenção da paz podre dentro da frente de esquerda, através da satisfação das reivindicações corporativas que passaram a ser o seu alimento. Nalgum momento o Presidente da República vai ter que dizer se prefere que existam mais vítimas de catástrofes ou de doenças, ou se quer continuar a permitir a chantagem dessas reivindicações em nome de uma falsa estabilidade.

 

SEMANADA - O relatório sobre os incêndios conhecido esta semana, afirma que entre março e outubro o executivo chumbou total ou parcialmente os sete pedidos apresentados pela Autoridade Nacional de Proteção Civil para que houvesse mais aviões e bombeiros no combate a incêndios; o relatório da comissão técnica independente nomeada pelo Parlamento para avaliar o que aconteceu nos incêndios de outubro arrasou as novas regras publicadas em fevereiro pelo Governo para limpar a floresta perto das casas; numa conferência de imprensa o ministro da Administração Interna recusou pronunciar-se sobre as falhas apontadas ao Estado no relatório independente;  as exportações portuguesas para Luanda caíram 11% desde as eleições em Angola; o arrendamento em Lisboa custa o dobro do resto do país; as casas arrendadas representam apenas 1,4% do parque habitacional português; o novo secretário geral do PSD foi o coordenador do grupo de trabalho do financiamento partidário que andou a funcionar às escondidas da opinião pública; um estudo europeu divulgado esta semana indica que 42% dos jovens portugueses não se identifica com nenhuma religião.

 

ARCO DA VELHA - A Universidade de Coimbra convidou o primeiro-ministro que liderou dois governos cuja política económica nos levou à bancarrota a dar uma aula de economia.

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FOLHEAR - “Um dos poucos divertimentos intelectuais que ainda restam ao que ainda resta de intelectual na humanidade é a leitura de romances policiais” - assim começa um dos escritos de Fernando Pessoa recolhido numa nova edição de uma antologia de textos seus intitulada “Absinto, Ópio, Tabaco e Outros Fumos - um livro de vícios”. Esta antologia foi originalmente organizada e editada  por Manuel S. Fonseca para o livro “As Flores do Mal”, que incluía fotografias de Pedro Norton numa edição de luxo, especial e limitada, com capa em madeira. Agora, Manuel S. Fonseca publica apenas os textos, numa edição mais simples, que é a primeira de uma série de antologias de Pessoa que a Guerra & Paz vai fazer. À laia de introdução Manuel S. Fonseca escreveu “Álvaro do Desassossego” onde percorre os cinco momentos em que os textos estão organizados - Inocência, Êxtase, Confissões, Abandono e Decadência, ou seja, as etapas dos vícios: “Lido seja onde for, no meio da rua, no café ou no quarto, lidos onde se fuma e bebe, estes são poemas  e textos que, pela sua natureza, terão de ser lidos em sobressalto”.

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VER - Todas as fotografias podem ser banais mas é o olhar de quem captura as imagens que as torna diferentes umas das outras. Desde sempre a fotografia é encarada como a mais democrática das formas de expressão visual, exactamente pela sua acessibilidade, quer técnica quer formal. Se isto era assim quando a Kodak introduziu a Brownie em 1990 e tornou a fotografia acessível a quase toda a gente, hoje em dia os smartphones, e particularmente o iPhone, foram ainda mais longe e puseram no bolso de cada um de nós uma máquina fotográfica com assinalável qualidade, disponível em qualquer momento e em qualquer lugar. É por isso que me interesso pelas fotografias feitas com smartphones. Esta semana abriu em Lisboa, na Galeria Giefarte uma exposição de fotografias feitas com iPhone, da autoria de Alexandra C (na imagem). Escrevi no texto do catálogo da exposição, que Alexandra C. procura com as suas fotografias coleccionar o mundo e é isso que me fascina nesta exposição - a sinceridade e a diversidade do olhar. Até 30 de Abril na Rua da Arrábida 54, em Lisboa. Outro destaque: em Ponta Delgada, na Galeria Fonseca Macedo, até final de abril, Pauliana Valente Pimentel expõe “O Narcisismo das Pequenas Diferenças”, 27 fotografias realizadas em 2017 durante uma  residência em São Miguel onde centra o seu olhar na observação de um grupo de jovens micaelenses e nas relações que estes mantêm com os locais, e com os costumes da ilha.

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OUVIR - Este disco é uma verdadeira encomenda. No caso o Dublin National Concert Hall, o New York Carnegie Hall e outras instituições encomendaram ao pianista de jazz Brad Mehldau um disco que abordasse a sua interpretação de Bach. O pianista sublinha que este "After Bach" não é um exercício de jazzificação da música de Bach, antes a sua interpretação pessoal - dá-se o caso de as peças aqui tocadas serem parte da obra Das wohltemperierte Klavier (Well-Tempered Clavier) de Joahnn Sebastian Bach, composta em 1722, cuja aprendizagem foi um dos exercícios mais praticados por Mehldau. Os especialistas dizem que esse facto se reflectiu na forma de Brad Mehldau tocar e o próprio anuncia este disco como uma homenagem sua ao que aprendeu graças a esta obra de Bach. Esta está no entanto longe de ser uma versão conservadora, antes introduzindo muito do estilo pessoal do pianista, sobretudo a sua capacidade de improvisação. Aqui estão quatro prelúdios e uma fuga de Well Tempered Clavier, cada uma seguida de uma versão pessoal de Brad, sempre intitulada After Bach. O interessante é notar que os grandes compositores clássicos eram eles próprios, enquanto instrumentistas, grandes improvisadores e é esse espírito que de alguma forma aqui se evoca, para além do que ficou escrito nas pautas que atravessaram os tempos. Brad Mehldau, After Bach, CD Nonesuch, distribuição Warner.

 

PROVAR - Uma das mais interessantes experiências gastronómicas que se pode ter em Lisboa é também um dos casos de referência  no acolhimento a refugiados. Trata-se do restaurante Mezze, onde a comida e o serviço são assegurados por refugiados sírios. Mezze quer dizer refeição com muitos pratos para serem partilhados e a ementa tem vários menus feitos precisamente para partilhar, com preços entre os 11 e os 15 euros. Escolhemos o menu de 15€, que começa com baba ganoush, um puré de beringela assada com tahini e especiarias, que na época da romã pode incluir uns bagos, e que é óptimo para comer à mão com o pão sírio que podemos ver a ser preparado numa banca do mercado ali mesmo ao lado.  Depois, uma salada mista fatoush, com pão árabe estaladiço, antes das meshawi - umas espetadas de frango tenríssimo e muito bem temperado, tudo acompanhado por arroz fumado com pimentos a que o açafrão dá uma cor e sabor intensos. Sem fazer parte deste menu, ainda provámos a moussaka que é diferente daquela a que estamos habituados: beringelas no forno com tomate e especiarias, sem carne. Já não houve estômago para a sobremesa mas de outra vez já se tinha provado a baclava do Mezze, que já ganhou fama. O preço médio anda nos 20€ por pessoa. O Mezze não aceita reservas, é chegar e esperar que vague lugar. A esplanada tem aquecedores e o espaço interior tem uma mesa corrida enorme e algumas mesas para duas pessoas. Para beber há sumo de tamarindo, limonada com hortelã, vinho a copo branco e tinto e alguns vinhos do Alentejo. Resta dizer que o Mezze fica no Mercado de Arroios, rua Ângela Pinto 12, por trás da Almirante Reis, já perto da Alameda.

 

DIXIT - “Dei com uma esplanada inteira a comer os queijinhos frescos com uma colher de café, sem tirar a cinta de plástico, como quem despacha um iogurte” - Miguel Esteves Cardoso, sobre a forma como os turistas lidam com a comida portuguesa.

 

GOSTO - O Hot Clube comemorou 70 anos de existência, contados desde que Luís Villas Boas deu o pontapé de saída na instituição que mais tem feito pela divulgação do jazz.

 

NÃO GOSTO - Dois terços dos hospitais públicos levam mais de 90 dias a pagar as suas dívidas a fornecedores.

 

BACK TO BASICS - “Fiquem longe de pessoas negativas, elas são capazes de inventar um problema para cada solução” - Albert Einstein

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publicado às 13:15

OS ABUSOS DE MEDINA

por falcao, em 09.02.18

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ABUSOS - Durante alguns anos a Câmara Municipal de Lisboa cobrou uma taxa de protecção civil que agora se veio a comprovar ser ilegítima - apesar de na altura da sua criação várias vozes terem alertado o PS de que estava a entrar no território da ilegalidade. O valor cobrado ao longo de três anos, e que os contribuintes tinham de pagar por transferência bancária ou multibanco, da sua conta directamente para a conta do município, vai ter um percurso mais árduo para quem quiser receber a devolução. Em vez de aplicar o princípio da restituição pela mesma via através de transferência para as contas dos contribuintes, a Câmara optou por fazer a devolução por vale postal, o que implicará que os cidadãos vão perder tempo em filas numa estação dos CTT para levantar o numerário ou irem a uma agência bancária depositar o vale. O que levará um autarca a proceder desta forma senão o princípio de que para tirar dinheiro às pessoas tudo deve ser fácil, para o devolver tudo terá de ser  difícil?  Este é no fundo mais um abuso de poder de Fernando Medina e da sua equipa, uma prova da falta de respeito pelos munícipes, uma espécie de punição - e, quem sabe, o secreto desejo que haja quem se esqueça de ir rebater o vale postal a tempo e horas. A devolução total prevista será de 58,6 milhões de euros que foram ilegalmente tirados aos lisboetas pela equipa de Medina - a tal que se gaba de fazer bem as contas. Para cúmulo a Câmara decidiu isentar-se a si própria do pagamento de juros referentes ao tempo em que ficou com o dinheiro alheio. Eis em acção o programa de Medina: cobrar rápido o que é ilegal, devolver devagar, sem juros e com dificuldade, o que é devido aos lisboetas.

 

SEMANADA - O excesso de álcool causa cinco acidentes por dia e as autoridades prendem diariamente 50 condutores com valores proibidos;existem mais de oito mil sem-abrigo em Portugal; um terço das crianças portuguesas entre os 3 e 8 anos vê telenovelas quase todos os dias e 38% usam a internet com regularidade; 12,6% é a percentagem dos jovens portugueses entre os 18 e 24 anos que em 2017 não tinham concluído o 12º ano nem estavam a frequentar qualquer grau de ensino; os crimes contra pessoas, com destaque para ofensas à integridade física, ameaças e coação, estiveram na origem de quase metade dos 147 casos de internamento de jovens em centros educativos verificados em 2017, um aumento de 7% em relação ao ano anterior; em 5090 escolas só 88 têm a maioria dos seus alunos sem negativas;; a Câmara Municipal de Montalegre decidiu manter a trabalhar um técnico superior que terá desviado mais de 61 mil euros dos cofres da autarquia entre 2015 e 2016; Diogo Gaspar, suspeito de desvio de bens do Museu da Presidência, vai trabalhar, a seu pedido, na Direcção geral de Cultura do centro em projectos ligados ao património; segundo o Tribunal de Contas a Autoridade Nacional da Protecção Civil não controlou como foram utilizados os 68 milhões de euros entregues em 2016 aos bombeiros; em 2017 houve 139 pessoas que mudaram de sexo nos registo civil e ao todo foram 514 nos últimos sete anos; oito anos depois de ter sido aprovada por unanimidade no Parlamento uma resolução para reduzir os riscos sísmicos o diploma continua na gaveta sem regulamentação nem aplicação; a Associação de Diplomatas contestou a designação de Sampaio da Nóvoa para a UNESCO, criticando a opção do Governo por um embaixador político.

 

ARCO DA VELHA - Uma mulher de 48 anos permitiu que o seu filho de dez anos conduzisse um automóvel na via pública no meio de Torres Vedras e a brincadeira só terminou quando foi detida pela PSP..

 

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FOLHEAR -  A 21 de Fevereiro de 1925 nascia a revista The New Yorker. Na capa estava um homem, vestido à moda da época, de cartola e com um monóculo a espreitar uma borboleta que esvoaçava na sua frente. 93 anos depois a edição de aniversário deste ano mostra a evolução dos tempos: é a imagem de uma mulher, negra, vestida a rigôr, e a encarar à mesma uma borboleta esvoaçante, ainda com um monóculo na mão. The New Yorker, hoje propriedade de um dos grandes grupos editoriais norte-americanos, a Condé Nast, criou uma sólida reputação de qualidade de escrita e rigôr de conteúdos. Para além de ser um guia sobre o que se passa nos palcos, museus e cinemas de Nova Iorque a revista inclui ensaios sobre temas contemporâneos, artigos de fundo sobre política, partidária e nacional, além de reportagens e investigações e, por vezes, a publicação de contos ou short stories inéditas de alguns dos grandes nomes da escrita norte-americana. Nesta edição que assinala o 93º aniversário há  exemplos de tudo isso. A secção The Talk Of The Town é a que aborda a actualidade - nesta edição em torno do mais recente discurso de Trump, sobre o Estado da União. Destaque ainda para uma reportagem sobre uma expedição solitária à Antártica, e a evocação dos 200 anos sobre a criação de Frankestein por Mary Shelley em 1918, contando como tudo então aconteceu. Finalmente, prova de que a publicidade também pode ser conteúdo editorial é a campanha da Emporio Armani, baseada no conceito de story telling - “Everyone has a different story...and everyone wears Emporio Armani” e que ocupa as quatro primeiras páginas de publicidade desta edição. Vale a pena ver a edição digital, à venda na App Store para iPad por 9,99 euros.

 

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VER - João Fernandes, que trabalhou com Vicente Todoli em Serralves e depois o substituíu, esteve ligado ao crescimento de Serralves enquanto palco da arte contemporânea e há uns anos decidiu aceitar o desafio de ser sub-director  do Museu Rainha Sofia, em Madrid. Agora, nessa qualidade, foi o impulsionador da exposição «Pessoa. Tudo é uma forma de literatura»  que pretende dar a conhecer obras e grandes nomes do Modernismo português. Ali estão apresentados cerca de 300 peças, dos quais 150 de pintura e desenho, de nomes como Amadeo de Souza-Cardoso, Almada Negreiros, Eduardo Viana, ou Santa-Rita Pintor , algumas apresentadas pela primeira vez fora de Portugal. Além da exposição, que fica até 7 de Maio, o programa inclui uma série de actividades paralelas, de conferências a ciclos de cinema - recordo que a ARCO Madrid decorre este mês entre 21 e 25 de Fevereira, reunindo 211 galerias de 29 países - coincidência que potencia também o alcance desta mostra de cultura portuguesa em Espanha. Outras sugestões: na Galeria Belo-Galsterer, até 29 de Março,  obras de Manuel Tainha e um projecto de Jorge Nesbitt (Rua Castilho 71).  Na Galeria Fonseca Macedo, em Ponta Delgada, nos Açores, Daniel Blaufuks expõe “O Monte dos Vendavais” e ,em Lisboa, na Galeria Francisco Fino, José Pedro Cortes mostra as suas novas fotografias sob o título  “Planta Espelho” (Rua Capitão leitão 76, ao Beato).

 

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OUVIR - Aos 72 anos Sérgio Godinho faz o seu 18º álbum de estúdio, "Nação Valente", o primeiro nos últimos sete anos e seguramente o melhor deste século. O arranque não podia ser melhor - uma canção-manifesto intitulada “Grão da Mesma Mó”, com letra de Godinho, música de David Fonseca, tocada por este e por Nuno Rafael, que produz o disco e está musicalmente presente por todo o lado. Ao todo são dez canções - nove originais e uma versão de “Delicado”, um tema de Márcia, uma das mais interessantes autoras e intérpretes portuguesas dos últimos anos e ao qual Sérgio Godinho se dedica numa interpretação tão pessoal que até parece um dos seus próprios clássicos. Outro ponto alto é “Maria Pais, 21 Anos”, onde as palavras de Godinho se cruzam mais uma vez com as ideias musicais de José Mário Branco naquela que é certamente a mais elaborada e emocional composição deste disco, não por acaso certamente uma espécie de retrato de uma geração para a qual ambos os autores olham com um agudo espírito de observação. Nuno Rafael, Pedro da Silva Martins, Filipe Raposo e Hélder Gonçalves assinam as restantes composições e apenas “Noites de Macau” é da autoria, na letra e música, de Sérgio Godinho num arrebatamento inesperado e quase fadista. A produção, de Nuno Rafael, é exemplar no respeito pelo património de Sérgio Godinho e na sua abertura a sonoridades actuais. CD Universal.


PROVAR - Os ovos são um dos alimentos mais fantásticos - não só pela riqueza da sua composição, como pela capacidade nutritiva que têm: em apenas 70 calorias oferecem seis gramas de proteína e 13 vitaminas e minerais essenciais. Ao contrário do que se pensa não têm uma influência negativa no colesterol do corpo humano - na realidade um ovo  por dia é um precioso auxiliar da alimentação saudável. Gosto de ovo de todas as maneiras mas ultimamente eles são a salvação dos dias em que não sei bem o que hei-de jantar. Esta semana experimentei uma nova tortilha. O primeiro passo é arranjar uma frigideira não aderente, razoavelmente funda que possa ir ao forno. A seguir começa o preparado: para duas pessoas uso quatro ovos de tamanho médio, aos quais adiciono um pouco de água - na realidade bater os ovos com água torna-os mais fõfos e leves, impedindo que fiquem secos. Uma das minhas tortilhas favoritas leva meia courgette cortada em fatias da espessura de uma moeda de um euro, que salteio primeiro na frigideira, de ambos os lados, até começarem a escurecer. Adiciono depois os ovos, bem batidos, e por cima uma chávena de café de ervilhas (podem ser congeladas). Com a frigideira ao lume misturo tudo bem e no fim deito uma farripas de presunto cortado fino e tempero com pimenta preta a gosto e cebolinho. Deixo ficar em lume brando uns cinco/sete minutos até os ovos estarem mais ou menos sólidos e depois vão para o forno com o grelhador superior ligado no máximo durante outros 5 a 7 minutos. Isto deve ser o suficiente para a tortilha ganhar uma bonita côr sem queimar. serve-se com uma salada e uns pickles (no meu caso de pepino) e pão torrado. Em menos de meia hora está pronto um belo jantar para duas pessoas.

 

DIXIT - “Eu não sou daqueles que dormem com um olho aberto. Eu, quando durmo, tenho os três olhos fechados” - Bruno de Carvalho

 

GOSTO - 13 anos depois de ter sido considerado o Chef D’Avenir, em 2005, José Avillez foi agora o primeiro português a vencer o Grande Prémio da Arte da Cozinha da Academia Internacional

 

NÃO GOSTO - Do comportamento de Bruno Carvalho em relação aos sócios na recente Assembleia Geral do Sporting e do ultimato que lançou para fazer impôr as suas propostas.

 

BACK TO BASICS - É muito perigoso para um político, candidato a um lugar, dizer e prometer coisas de que as pessoas se possam vir a lembrar - Eugene McCarthy

 



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publicado às 13:15

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(esta imagem é um pormenor da obra "Interdito" da artista plástica Marilá Dardot)

 

AGORA? - Não tenho a certeza se a avaria política detectada no Domingo passado se resolve com uma simples reparação de motor, recauchutagem de pneu ou mudança de mecânico e condutor. O que aconteceu nestas autárquicas foi o sinal da crise que percorre o sistema político e partidário desenhado em 1974, entretanto desactualizado mas nunca adequadamente ajustado. A avaria maior foi detectada no lado direito do espectro partidário, com o PSD, mas teve também sinais fortes do lado esquerdo, com o PCP. A minha convicção é que este foi o sinal de um problema estrutural irreversível se se mantiver o quadro actual. Soluções antigas dificilmente resolvem problemas novos - como apresentar propostas diferentes de acordo com as questões contemporâneas, de adequar o discurso às novas formas de comunicação, conseguir atrair os eleitores mais jovens. Duvido que formas de organização antigas possam ajudar a solucionar o problema. Se quer sobreviver e ser relevante o PSD necessita urgentemente de criar um novo enquadramento, de analisar como se distanciou do eleitorado, qual a razão que o leva a ser  incapaz de mobilizar vontades, cativar independentes e criar propostas fora dos aparelhos partidários. Precisa sobretudo de uma clara definição ideológica e de um posicionamento político que seja mobilizador. Veja-se o que aconteceu em Lisboa: Assunção Cristas conseguiu falar para fora do seu partido, o PSD ficou a falar para dentro (na realidade nem para dentro conseguiu falar) e deixou muitos dos seus eleitores tradicionais fugir. O PSD tem o desafio de voltar a conseguir inserir-se na sociedade, a quem virou costas nos últimos anos. Importa mais saber o que se diz para fora de forma coerente e consistente do que entrar no jogo das habilidades tácticas conjunturais e exercícios de conspirações palacianas. O CDS deu um exemplo de mudança. Será o PSD capaz de fazer o mesmo?

 

SEMANADA - Em Lisboa  Fernando Medina perdeu 3 vereadores e a maioria absoluta; no Porto Rui Moreira obteve maioria absoluta; o PCP perdeu dez câmaras, entre as quais Almada, Barreiro e Beja; a análise dos fluxos de eleitores mostra que os votos das câmaras perdidas pela CDU foram para o PS; a CDU (PCP e PEV) ficou pela primeira vez abaixo do meio milhão de votos em todo o território; nestas autárquicas houve 17 movimentos independentes que ganharam câmaras, contra 13 em 2013; Tino de Rans obteve 6,22% de votos em Penafiel; em 2013 o PAN teve 16 mil votos, Domingo passado chegou praticamente aos 56 mil; 47 câmaras mudaram de côr nestas autárquicas - 16 passaram do PSD para o PS, 12 passaram do PS para o PSD, 9 passaram da CDU para o PS e 2 passaram do PSD para independentes; o PSD, sozinho ou em coligação, nunca tinha obtido tão poucas presidências de câmara desde o início das autárquicas, em 1976; o PS ficou com 159 câmaras, o PSD vai liderar 98; há mais de 40 anos que o PSD não tinha tão poucos votos; Passos Coelho anunciou que não se recandidatará à liderança do PSD; segundo a Marktest, a freguesia de Lamosa (concelho de Sernancelhe, distrito de Viseu) foi a mais participativa neste acto eleitoral pois 90.15% dos 203 inscritos apresentaram-se nas urnas; pelo contrário, a freguesia de Parada do Monte e Cubalhão foi a que registou maior abstenção, tendo votado apenas 29.89% dos 977 inscritos nesta freguesia.

 

ARCO DA VELHA - O candidato do PCTP/MRPP à Câmara da Moita, Leonel Coelho, prometia uma ruptura com o passado apesar de ter 82 anos - teve 667 votos, mais sete do que há quatro anos.

 

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FOLHEAR - A colecção Livros Amarelos, da editora Guerra & Paz, permite fazer uma leitura paralela de textos de dois autores que por alguma razão têm uma ligação entre si. O novo volume reúne, sob a orientação de Jerónimo Pizarro, a “Saudação a Walt Whitman” de Álvaro de Campos/Fernando Pessoa e o “Canto A Mim Mesmo” de Walt Whitman. Pizarro escreveu para esta edição curtas biografias de Fernando Pessoa e de Walt Whitman e ainda um ensaio, “Negação e Saudação”, que permite perceber o porquê de juntar os dois textos. Nele Jerónimo Pizarro recorda que o crítico literário norte-americano Harold Bloom escreveu que Fernando Pessoa foi considerado o maior herdeiro português de Whitman e é sugerido que o heterónimo Álvaro de Campos pode ter nascido desse fascínio que Pessoa tinha pela poesia de Walt Whitman e que ”toda a sua produção de 1914-e 1916, e não só, torna-se mais compreensível se a aproximarmos de Whitman”. Os dois poemas que esta edição reúne reforçam a comunhão poética entre os dois autores, e, como Jerónimo Pizarro diz, “vem precisamente convidar-nos a uma leitura dupla, permitindo neste caso revisitar Whitman para reler Pessoa”.

 

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VER - Prossegue o ciclo “British Bar”, uma ideia de Pedro Cabrita Reis que encontra nas três montras do estabelecimento do Cais de Sodré o seu ponto de exposição - peças de artistas plásticos que encaixam nas dimensões das três estreitas montras verticais, obras escolhidas pelo próprio Cabrita Reis - que está sempre presente no animado fim de tarde de apresentação de cada um destes projectos, que depois durante um mês ali estão expostos. Desde esta segunda-feira ali estão peças de Maria José Oliveira (“Macaco Miguel”, na imagem) e dois trabalhos de artistas mais novos - uma peça sem título de João Ferro Martins na montra da esquerda e outra da Fernão Cruz, “Apologizing studio#1”, na montra da direita. Trago mais duas sugestões e ambas partilham de uma mesma nota prévia: apresentadas em galerias privadas, são obras de inegável valor que parecem destinadas apenas a serem compradas por instituições, que as possam albergar nos seus acervos e esporadicamente mostrar. Começo pelo trabalho de Ana Jotta, que está na galeria Miguel Nabinho (Rua Tenente Ferreira Durão 18). Intitulado “fala-só”, trata-se de um trabalho de grandes dimensões, em que o suporte é um rolo de tela que ao ser desenrolado vai mostrando movimentos de figuras humanas traçadas em esboço, que podem ser lidos como  momentos da evolução da espécie, evocando quase um storyboard cinematográfico através do desenho afirmativo e forte de Ana Jotta. A outra exposição, que manifestamente só vive de todas as peças e ambientes em conjunto, é da brasileira Marilá Dardot, está na Galeria Filomena Soares (Rua da Manutenção 80) e é uma instalação que evoca a censura sobre a criação literária, a partir de uma lista de 900 livros censurados, proibidos ou apreendidos entre 1933 e 1974 em que uma representação tridimensional do objecto livro convive com a justificação dos censores para as suas proibições.

 

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OUVIR - O trio clássico de jazz - contrabaixo. bateria e piano - é uma das minhas formações preferidas. Para a coisa funcionar é preciso que os intervenientes sejam grandes músicos e, sobretudo, que consigam dialogar entre si e conjugar as suas experiências e vivências musicais. Depois de 30 anos a tocar com Keith Jarrett, com quem gravou duas dezenas de discos no Standards Trio (que incluía o baterista Jack DeJohnette), Gary Peacock decidiu em 2014 criar o seu próprio trio e escolheu o pianista Marc Copland e o baterista Joey Baron. O seu primeiro disco, dessa altura, foi “Now This” e agora saíu novo álbum, “Tangents”. Gary Peacock, agora com 82 anos, tem uma carreira de mais de seis décadas e nos anos 60 tocou com nomes da vanguarda dessa época, como Albert Ayler e Paul Bley. Depois dos anos com Jarrett, Gary Peacock retoma nesta sua nova formação as influências das diversas fases da sua carreira e sente-se que as suas experiências com Ayler deixaram marca que perdurou ao longo de todos estes anos. O novo disco, “Tangents”, tem onze temas: cinco deles são do próprio Gary Peacock, dois de  Baron, um de Copland, um outro uma improvisação assinada pelos três músicos e duas versões, ambas fantásticas - “Spartacus” de Alex North e “Blue In Greens” de Miles Davis e Bill Evans. O tema improvisado, “Open Forest”, é um dos momentos altos do disco, assim como a faixa título, “Tangents”, “December Greenwings”, a envolvente faixa de abertura “Contact” ou a energia que passa em “Tempei Tempo”. Este CD é um perfeito exemplo de um trabalho em que os músicos deixam espaço uns para os outros, com longos solos, permitindo que os temas se desenvolvam de forma natural - a experiência de todos os envolvidos subtilmente deixa a música ir para onde ela quer. CD "Tangents", Gary Peacock Trio, edição ECM, na FNAC.

 

PROVAR -  Há já muito tempo que João Portugal Ramos se dedicou a vinhos fora do Alentejo que lhe deu fama. Primeiro, em 2004, chegou à região do Tejo, com o Quinta do Vimioso, depois, em 2007, foi o Douro, com o Duorom e uma parceria com José Maria Soares Franco; no entretanto tinha começado a trabalhar as vinhas da Quinta da Foz do Arouce, na Lousã; e, mais recentemente, entrou no mundo dos vinhos verdes, da região de Monção e Melgaço. É nestes vinhos verdes que me vou focar. O primeiro Alvarinho acompanhado por João Portugal Ramos foi de 2012 e no ano seguinte saíu um Loureiro. Agora, a sua equipa, que inclui a enóloga Antonina Barbosa, apresentou duas novas propostas. A primeira é um Alvarinho Espumante Reserva Bruto Natural, de 2014, o primeiro espumante da sub-região apresentado como um Bruto Natural. Tem bolha fina e persistente e um longo final, marcado pela mineralidade do Alvarinho. A outra novidade é o Alvarinho Reserva 2015 que mantém a mineralidade, pontuado por um toque de madeira e notas frutadas, com um longo final - um vinho branco surpreendente. Aproveitem estes dias quentes, convidativos para um fim de tarde na companhia de qualquer destes vinhos.

 

DIXIT - “Não gostei da vitória esmagadora de Fernando Medina. Os lisboetas, como eu, sabem que não merecia. “Alindar” a cidade não é o que se pede ao Presidente da CML – e sentindo que todos os dias mais lisboetas são literalmente expulsos da cidade para os subúrbios, e que a cidade vive um caos que resulta das (erradas) prioridades da Câmara, esperava uma vitória ligeira, que lhe reconhecesse algum talento mas o obrigasse a ouvir quem vive na capital.” - Pedro Rolo Duarte

 

GOSTO - O MAAT teve mais de meio milhão de visitantes no primeiro ano de existência, que se completou esta semana.

 

NÃO GOSTO - A dívida pública ultrapassou os 250 mil milhões de euros.

 

BACK TO BASICS - “Um fanático é alguém que não muda de opinião, nem muda de assunto” - Winston Churchill.

 




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publicado às 13:00

GOVERNO - UM ANIVERSÁRIO REPIMPADO

por falcao, em 09.12.16

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REPIMPAMENTE - Tenho para mim que o estado de graça do Governo se deve a duas coisas: à habilidade de António Costa e à inabilidade da oposição. As duas coisas juntas, polvilhadas pelo tempero de afectos do Presidente da República, deram o que está à vista. Para que não surjam más interpretações devo dizer que a habilidade de António Costa inclui alguma eficácia negocial em Bruxelas, tácticas bem imaginadas e bem utilizadas em algumas situações mais explosivas e, acima de tudo, uma enorme capacidade de só dizer o que lhe interessa, construindo uma realidade própria e negando tudo o que ele entenda não caber dentro dessa realidade. Isto é uma arte - ou, melhor dizendo, estes pontos são parcelas dessa arte a que se chama política. Se existir um Óscar para a melhor ficção política, António Costa ganha-o de certeza absoluta. Nestes últimos dias, e a propósito do primeiro aniversário do seu Governo, o Primeiro Ministro esteve envolvido em duas manobras de comunicação política pura, ambas a tender (usando palavreado da moda) para uma versão pós-verdade das conversas em família. A primeira, era uma ideia engraçada, mas acabou por sair frouxa, e tinha a ver com uma produção ensaiada na Aula Magna da Reitoria de Lisboa em que um grupo de pessoas, seleccionadas pelo Instituto de Ciências Sociais, colocava perguntas ao chefe do governo e aos seus Ministros. A outra foi a entrevista concedida à RTP. Sobre a forma como António Costa se desempenhou das duas tarefas opto por citar um dos próprios entrevistadores, André Macedo, que, referindo-se ao espectáculo da Aula Magna, acabou por fazer o retrato geral da situação e escreveu o seguinte sobre a prestação do Primeiro Ministro: “transformou o debate numa imensa piscina olímpica aquecida, habilmente aproveitada por António Costa para se banhar repimpamente”.  Tudo indica que, com a oposição adormecida, este Governo vai ter longa vida. Mais vale, a bem de nós todos, que isto não corra mal. Mas, temos sempre que ter presente, como dizia Galileu perante a inquisição, falando sobre o movimento da Terra, “e pur si muove!”. Quer dizer, a realidade acaba por se sobrepôr à fantasia. Às vezes com custos pesados.

 

SEMANADA - Num estudo internacional, realizado de três em três anos, que avalia a literacia dos alunos de 15 anos de idade em Ciências, Leitura e Matemática os jovens portugueses ficaram pela primeira vez à frente da média da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico;  a segurança social fecha três lares ilegais por mês; O Tribunal de Contas acusa o Ministério das Finanças de “falta de controlo” na Caixa Geral de Depósitos (CGD) entre 2013 e 2015, salientando que o Estado aprovou documentos de prestação de contas sem ter a informação completa; nos últimos dois anos houve 33360 processos ligados à criminalidade económica e foram feitas 297 acusações por corrupção; 17 empresas portuguesas são fornecedoras da da agência espacial europeia e o Governo fala em criar uma agência espacial portuguesa; segundo a Marktest 3,6 milhões de portugueses já têm o hábito de ler notícias através do tablet ou do smartphone, o que significa que o número destes utilizadores quadriplicou desde 2013; nos últimos três anos foram multados três mil condutores por não obedecerem às novas regras de circulação em rotundas; 2015 foi o ano com menos greves desde 2010 - 95 verificadas no ano passado que comparam com as 199 registadas em no início da década; 2012 foi o ano com mais greves, 233; o congresso do PCP realizado este fim de semana caucionou o apoio comunista ao Governo de António Costa.


ARCO DA VELHA - O serviço de estrangeiros e fronteiras admite desconhecer a quantos imigrantes ilegais concedeu autorização de residência sem cumprirem a principal exigência da lei, terem entrado legalmente no espaço Schengen.

 

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FOLHEAR - “Tabacaria” é um poema escrito por Fernando Pessoa, sob o heterónimo Álvaro de Campos, em Janeiro de 1928, publicado pela primeira vez na revista Presença em Julho de 1933. É considerado como um dos mais importantes poemas de Pessoa e o crítico e escritor italiano António Tabucchi considerava-o mesmo o poema mais importante do século XX. “Tabacaria” pertence à fase intimista do heterónimo Álvaro de Campos, onde os temas são a solidão interior, a incapacidade de amar, a descrença em relação a tudo e o conflito entre a realidade e o próprio poeta. Esta belíssima nova edição, da “Guerra & Paz”, inclui a versão original portuguesa e ainda traduções para inglês, francês, espanhol e italiano. É composta por um livro, de 176 páginas, muitíssimo bem paginado e impresso, onde além de Tabacaria nos cinco idiomas, estão recolhidos um conjunto de textos agrupados sob a designação “A Tabacaria vista de outra janela - das páginas íntimas de Fernando Pessoa”. Estes textos, que vários estudiosos do poeta consideram autobiográficos, são reproduzidos nas versões originais em que foram escritos - em português, inglês e francês. O livro inclui ainda um texto do editor, Manuel S. Fonseca, e 25 fotografias de Pedro Norton em que ele mostra a Baixa de Lisboa, digamos que o território natural do poeta. Numa pasta separada estão agrupadas estas 25 fotografias, em impressões de alta qualidade. O livro e a pasta com as fotografias estão guardados numa caixa de madeira de choupo e de maple, impressas a laser e UV e feita em Proença-A-Nova na empresa Ambiente d’Interni - a caixa só por si é uma obra. O grafismo e o design global foram de Ilídio Vasco. Trata-se de uma edição especial, de coleccionador, com uma tiragem numerada de 1500 exemplares.

 

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VER - Até 26 de Fevereiro, na renovada sacristia da Igreja de Nossa Senhora da Conceição Velha, na Rua da Alfândega, em Lisboa, pode ser vista a exposição “Mater Dei”, que apresenta obras de 25 artistas contemporâneos portugueses, que foram desafiados a criarem peças inspiradas na figura de Maria (na imagem). A exposição inclui trabalhos de escultura, pintura, desenho e outras técnicas de artistas como Manuel Amado, Rui Chafes, Ilda David, João Queiroz, Pedro Calapez e Cristina Ataíde. O pároco de São Nicolau, Mário Rui Pedras,  explica que não foi feito “qualquer tipo de limitação do ponto de vista nem da sua vida de fé, nem da sua orientação como artista”. Destaque ainda, para a exposição de Miguel Telles da Gama na Giefarte, até 13 de Janeiro (Rua da Arrábida 54B). O artista mostra a sua produção mais recente com um conjunto de obras a que deu o nome de “Vanishing Act”. Observador de detalhes, contador de histórias através de imagens,  estas suas obras conjugam o hiper realismo da pintura com as palavras usadas para cada peça, a constituir uma narrativa ao longo da sala onde estão em exposição. Há aqui, até no título escolhido para a exposição, uma evocação quase cinematográfica do olhar, como se o artista fosse realizando planos e contra planos, numa cuidada edição de diálogos e de olhares.

 

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OUVIR - Já lá vão 14 anos de Dead Combo, esse encontro musical  de dois talentos - Tó Trips na guitarra e Pedro Gonçalves no baixo. O novo disco chama-se  "Dead Combo e As Cordas Da Má Fama"  - sendo que essas cordas são Carlos Tony Gomes, no Violoncelo, Bruno Silva, na Viola e Denys Stetsenko, no Violino. O objectivo era recriar com esta formação alargada 12 temas da história dos Dead Combo, como  “Quando A Alma Não É Pequena”, “A Menina Dança”, “Lisboa Mulata”, “Rodada”, “Puto Que Cais Descalço”, “Welcome Simone”  e “Anadamastor”, entre outros. Como se deseja nestas ocasiões as versões estão diferentes e para melhor - mas mantêm-se as melodias originais e o espírito de desafio que os Dead Combo sempre imprimem à sua música, algures entre a tradição portuguesa e as bandas sonoras de westerns. Por falar em filmes é curioso notar como a imagem em movimento acompanha a história dos Dead Combo - desde a banda sonora escolhida por Anthony Bourdain para o seu episódio de “No Reservations” sobre Lisboa até à música que compuseram para “Slightly Smaller Than Indiana” de Daniel Blaufuks, até ao facto de terem sido convidados a actuar na estreia, em Cannes, do filme “Cosmopolis”, de David Cronenberg, produzido por Paulo Branco. Este é o seu primeiro disco desde “A Bunch Of Meninos”, de 2014.


PROVAR -  Apanhar com crianças num restaurante pode ser por vezes um pesadelo e muitos restaurantes não acolhem bem estes pequenos clientes. Outros recebem-nos de braços abertos e até têm espaços para eles brincarem. Que isto acontece em cadeias de fast-food já se sabia. Mas que isto aconteça num restaurante dedicado à cozinha tradicional portuguesa e onde se come verdadeiramente bem, já é mais raro. O 13% Restaurante fica no Porto, na zona da Foz, e além da sala tem uma esplanada coberta e um jardim onde, caso o tempo o permita, as crianças podem estar á vontade. Talvez por isso é procurado ao fim de semana para almoços de família ou de amigos. O serviço é muito simpático, sempre disponível e as mesas são amplas e confortáveis. Na cozinha as coisas correm muito bem e a casa tem várias especialidades: rosbife à inglesa, cabrito assado com arroz de forno, batatas e grelos, filetes de polvo com açorda de coentros, e, claro, dobrada. Boa garrafeira a preços sensatos. Nos doces destaque para o crumble de maçã com gelado e o leite creme. Durante a semana ao almoço há um menu especial. Fecha às terças, marcação recomendável especialmente ao fim de semana. O 13% Restaurante fica na Rua da Cerca 440, telefone 912 332 690.

DIXIT -  “Quando se perde, não se finge que não aconteceu nada” - Matteo Renzi, primeiro-ministro italiano, após a derrota no referendo.

GOSTO - O sector da cortiça vai fechar 2016 com valor recorde nas exportações, cerca de 950 milhões de euros.

NÃO GOSTO - A Câmara Municipal de Lisboa escondeu no seu site os atrasos verificados nas obras com o expediente de  mudar as datas inicialmente previstas de conclusão dos trabalhos.

BACK TO BASICS - “Dar dinheiro e poder ao governo é a mesma coisa que dar bebidas alcoólicas e as chaves de um carro a um adolescente” - P.J . O’Rourke

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