Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]


UMA OUTRA FRENTE

por falcao, em 07.05.09

(Publicado no diário Meia Hora de 5 de Maio)


 


O que eu gostava para Lisboa era que fosse constituída uma Frente Para a Qualidade de Vida dos lisboetas. O que eu gostava para Lisboa era que a autarquia se empenhasse em manter o que está bem, recuperar o que precisa de obras e preservar o que merece ser estimado. O que eu gostava era de ver menos prédios derrubados, mais prédios recuperados, menos fúria de nova construção. E gostava muito de ver ruas limpas, bem tratadas, com árvores, passeios largos, esplanadas – o que se vê em outras cidades de pior clima e em Lisboa é uma raridade.

A Avenida da República e as avenidas novas são um exemplo do mal que foi feito à cidade ao longo dos anos. Belos edifícios foram demolidos só para que novos e geralmente desinteressantes prédios fossem erguidos. Em Portugal privilegia-se infelizmente a demolição e a construção em vez da preservação. Ao lado do local onde trabalho, um centenário e elegante edifício de gaveto foi apodrecido para ser demolido. Perdeu-se a mercearia que fornecia produtos rurais de boa qualidade e a alternativa única de compra está nos supermercados, todos iguais. Tudo isto vais descaracterizando a cidade, tornando-a mais incómoda para quem nela vive, tudo isto diminui a qualidade de vida, a possibilidade de escolha e, também, a diversidade das actividades económicas.

Outro exemplo? - Quem manda em Lisboa não se preocupa em resolver os incómodos, só isso explica que as obras do Metropolitano, que esventram toda a área do Saldanha, tenham sucessivos prazos de conclusão, cada vez mais longos. Estes atrasos não são penalizados? Quem manda no Metro?

Em ano de eleições lá aparece a recuperação dos quiosques – o que é uma boa medida, por sinal entregue e alguém que tem cuidado da tradição dos produtos portugueses – Catarina Portas. Mas mesmo a maneira como a Câmara tratou do assunto cheira mais a propaganda do que a estratégia, e o contraste com o abandono a que outros espaços são votados e à falta de medidas integradas (a Avenida da Liberdade é o exemplo mais gritante), provoca a maior desconfiança.

O que eu gostava era que espaços como o jardim do Campo Grande fossem bem cuidados, não fossem deixados quase ao abandono, que tivessem bons locais de encontro, esplanadas simpáticas e bom serviço. O estado em que o Campo Grande está é uma ofensa à cidade – simbolicamente em frente a um edifício onde estão alojados muitos dos serviços da Câmara Municipal de Lisboa.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 16:30

UMA FRENTE SEM SENTIDO

por falcao, em 21.04.09

(Publicado no Diário Meia Hora de 21 de Abril)


Na semana passada surgiu o apelo para que em Lisboa se constitua uma frente única de forças políticas de esquerda com o objectivo de evitar o regresso da direita ao poder na cidade, nas próximas autárquicas e para que António Costa continue Presidente. Valerá a pena?


Comecemos por recordar alguns factos. Após um longo período em que Lisboa foi governada pelo PS em coligação com o PCP, primeiro por Jorge Sampaio e depois por João Soares, no final de 2001 o PSD venceu as eleições e Pedro Santana Lopes exerceu a Presidência da Câmara durante perto de dois anos e meio, até ser indicado Primeiro Ministro, no Verão de 2004. Por força da queda política de Carmona Rodrigues, que venceu as eleições de 2005, foram realizadas intercalares autárquicas em Lisboa em Julho de 2007, das quais saiu vencedor António Costa, que concluirá o seu mandato no final do ano, com praticamente o mesmo tempo de exercício de poder, enquanto Presidente da Câmara de Lisboa, que Pedro Santana Lopes. Portanto, ambos terão tido teoricamente as mesmas possibilidades – até porque, convém recordar, o estado das Finanças da Câmara deixado por Jorge Sampaio e João Soares não era melhor do que aquele encontrado por António Costa. O PS gosta de iludir este pormenor mas o facto é bem real.


Na verdade o balanço comparado dos mandatos de Pedro Santana Lopes e de António Costa não podia ser mais elucidativo: Lisboa agora está sem rumo, faz muitos estudos mas pouca obra, a cidade voltou a estar suja, esburacada, os problemas no urbanismo aumentam, as cedências ao Governo (como na Frente Ribeirinha e nos contentores) aumentam, a reforma do funcionamento do Município parou, a recuperação da Baixa-Chiado desapareceu das conversas, o trânsito está mais caótico e não foi lançada uma única obra infra-estruturante importante.


Para além disso convém recordar que a política de apoio social enquanto Santana Lopes foi Presidente da Câmara foi objectivamente mais à esquerda que a de António Costa e que em matéria de ambiente, cultura e recuperação urbana se fez mais do que se tem feito agora.


Por isso esta Frente é surpreendente: uma Frente que quer juntar pessoas que não conseguem fazer um plano comum, que não conseguem implementar políticas de esquerda quando chegam ao poder, e que deixam a cidade apodrecer, serve para quê?  

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 16:27


Mais sobre mim

foto do autor


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.


Posts mais comentados


Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2014
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2013
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2012
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2011
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2010
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2009
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2008
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2007
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2006
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D
  183. 2005
  184. J
  185. F
  186. M
  187. A
  188. M
  189. J
  190. J
  191. A
  192. S
  193. O
  194. N
  195. D
  196. 2004
  197. J
  198. F
  199. M
  200. A
  201. M
  202. J
  203. J
  204. A
  205. S
  206. O
  207. N
  208. D
  209. 2003
  210. J
  211. F
  212. M
  213. A
  214. M
  215. J
  216. J
  217. A
  218. S
  219. O
  220. N
  221. D