Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]


CRÓNICA DE UM MÊS INESPERADO

por falcao, em 03.11.17

IMG_2131.JPG

MUDANÇAS - No espaço de um mês azedou a relação entre Belém e S.Bento, o PCP entupiu um dos motores da geringonça, Francisco Louçã voltou à actividade política oferecendo-se para mecânico da avaria registada e, no PSD, aquilo que prometia poder ser uma passeata cómoda para Rui Rio está a transformar-se numa sucessão de gaffes , que lhe têm saltado da boca mal teve oposição pela frente e que vão mostrando a verdadeira natureza deste Rio - um caudal que não é agradável à vista nem ao ouvido. No final do primeiro semestre deste ano nada indicava que se chegaria a uma situação destas e há muitas razões para isso: as catástrofes ocorridas nos incêndios florestais, a forma como o Governo não encarou a gravidade do problema, a insensibilidade de António Costa e a sua recusa da realidade, os descalabros nas eleições autárquicas - que fizeram despertar o PCP e o PSD do estado em que andavam. O que se vai sabendo do orçamento (e do seu anexo incontornável que são as cativações) mostra que o estado de austeridade continua e se agravou, embora mascarado, como se isto fosse um Halloween permanente. Mário Centeno é o aprendiz de ilusionista de falinhas mansas - desloca moedas de um bolso para outro e no percurso perdem-se umas e surripiam-se outras: perdem-se as das cativações e surripiam-se as que estão em taxas e taxinhas. Se a oposição ficar séria e eficaz Costa vai ter um 2018 menos tranquilo do que esperaria.

 

SEMANADA - Na lista do material roubado de Tancos e que apareceu na Chamusca figura uma caixa de petardos que não estava na relação inicial de items furtados; os Açores e a Madeira são as regiões com números mais elevados de violência doméstica; entre Janeiro e Agosto foram vendidos menos 34488 jornais e revistas por dia nas bancas; a taxa de desemprego de jovens abaixo dos 24 anos subiu para 25,7% - a média na zona euro é de 20,3%; o próprio Estado não cumpre uma lei de 2010 que estabelece uma quota de emprego para deficientes na administração central e local; foi agora revelado que a Força Aérea tem equipamento que permite detectar incêndios e reacendimentos na sua fase inicial mas ele não foi utilizado nos períodos em que ocorreram os incêndios mais graves; a protecção civil dispensou militares de patrulhas nocturnas de vigilância, precisamente a altura em que surgiam mais fogos; o PCP acusou o Governo de ter subestimado os perigos reais dos fogos; os bombeiros do Seixal estão à beira da falência; por cada cem euros de rendimento as famílias portuguesas só amealham cinco e a poupança está em mínimos históricos; a DECO recebeu pedidos de ajuda de 26.080 famílias sobre-endividadas até 25 de Outubro, mais de oitenta pedidos por dia; em 2016 foram registados em Portugal mais de nove mil crimes informáticos; dirigindo-se aos deputados do PSD, Rui Rio afirmou que em matéria de política financeira “faria igual a Maria Luís, ou pior”.

 

ARCO DA VELHA - O líder catalão Carlos Puigdemont proclamou a república em Barcelona e no dia seguinte fugiu para uma monarquia na Bélgica.

As Viagens de Gulliver_CAPA_300dpi.jpg

FOLHEAR - Jonathan Swift foi um escritor anglo-irlandês, nascido na segunda metade  do século XVII e que se tornou conhecido pela sua prosa repleta de ironia, pelos panfletos políticos que escreveu para trabalhistas e conservadores e, sobretudo pelo seu clássico “As Viagens de Gulliver” - que em muitos pontos tem abundante sátira política. A obra relata as aventuras de um viajante destemido,  um médico inglês, que depois de um naufrágio descobre civilizações fantásticas onde a excentricidade existe aliada à cupidez e a inveja naturalmente à intriga. Mas este livro extraordinário é também povoado de utopias, desde ilhas voadoras habitadas por intelectuais, gente que nunca morre, marinheiros, piratas e até um capitão de origem portuguesa. Editado originalmente em 1726, sem ser assinado pelo autor, as Viagens de Gulliver rapidamente se tornaram num êxito. George Orwell disse que “se tivesse de fazer uma lista de seis livros a serem preservados, quando os demais fossem destruídos, poria certamente “As Viagens de Gulliver” nessa lista.”  E Jorge de Sena escreveu que por esta obra perpassava “ o espírito da medonha sátira contra a humanidade e a vida”. O título original do livro era  “Viagens a Diversas Nações Remotas do Mundo, em Quatro Partes, Por Lemuel Gulliver, primeiro como cirurgião, depois como capitão de vários navios”. Assim Gulliver visita Lilipute onde é um gigante, Brobdingnag onde parece um anão, até aos territórios da terceira viagem que desemboca no Japão e na quarta viagem que o leva a um mundo onde há cavalos dotados de razão.  Editado pela Guerra & Paz na colecção Clássicos.

image.png

VER - Há 15 anos João Esteves de Oliveira fundou a sua Galeria, no Chiado, depois de uma carreira na banca. Posicionou-a como um espaço de exposição para obras em papel, uma declaração de princípios a favor da rigorosa arte do desenho. O papel, o seu suporte de escolha na arte que apresentou e na sua relação com artistas, fez a sua diferença enquanto galerista. Foi uma opção que manteve ao longo dos anos e que lhe permitiu apoiar o trabalho de jovens artistas, como tem feito anualmente, mas também das mais de seis dezenas de nomes incontornáveis da arte contemporânea portuguesa que lá expuseram. Há um lado de mercado nesta opção - para quem quer uma boa obra de arte, o suporte em papel é mais acessível. Ocasionalmente expôs esculturas, pintura que invadiu o papel e, uma vez ou outra, suportes diferentes. Assinalando década e meia da sua galeria João Esteves de Oliveira, chamou pela segunda vez para o seu espaço trabalhos de Manuel Caldeira, neste caso guaches sobre papel, com o nome genérico de “Spettacolo”. João Esteves de Oliveira, Galeria de Arte Moderna e Contemporânea, Rua Ivens 38. Outras sugestões: No Atelier Museu Júlio Pomar (Rua do Vale 7, Bairro Alto), e integrado no programa “O Passado e o Presente” no âmbito de Lisboa Capital Ibero Americana da Cultura 2017, abriu a colectiva TAWAPAYERA, com curadoria de Alexandre Melo, que inclui trabalhos de Júlio Pomar, Tiago Alexandre, Igor Jesus e Dealmeida e Silva. Por fim a iniciativa British Bar, organizada por Pedro Cabrita Reis, inaugurou a sua sétima apresentação e nas montras estão até final do mês obras de Diogo Seixas Lopes, João Pedro Vale e Júlio Pomar.

image (1).png

OUVIR - No ano de 1982 Manchester era uma cidade assolada pelo encerramento de muitas indústrias que a tinham tornado uma das mais prósperas zonas de Inglaterra A cidade estava em crise mas da crise nascia um importante pólo criativo, em torno da Universidade local, do clube The Haçienda e da ousadia criativa de Tony Wilson, que havia fundado a Factory Records ( a casa dos Joy Division, Durutti Column ou A Certain Ratio, entre tantos outros). Foi em 1982 que quatro rapazes, Steven Morrissey, Johnny Marr, Andy Rourke e Mike Joyce fundaram The Smiths, recusados pela Factory Records, mas que rapidamente se tornaram notados - graças ao génio de Morrissey e Marr e a uma outra editora independente, a Rough Trade. O primeiro álbum foi editado em 1984, chamava-se simplesmente “The Smiths” e incluía temas como "Reel Around the Fountain" e "The Hand That Rocks the Cradle". Quatro anos depois saíu o seu terceiro disco, por muitos considerado a sua obra-prima, “The Queen is Dead”, gravado no final de 1985 e editado em 1986. Na realidade The Smiths eram mais uma ideia, um estado de espírito musical, do que uma banda - e a esse nível a sua influência na música britânica estendeu-se ao longo das décadas seguintes. The Smiths era um estilo, uma maneira de escolher palavras (escritas e cantadas por Morrissey), sobre ideias musicais muitas vezes surpreendentes de Marr.“The Queen Is Dead” é talvez o disco que mais mostra essa faceta do seu trabalho. Agora, 30 anos depois, sai esta edição especial, que recupera o alinhamento original do álbum, numa nova masterização, junta-os a versões alternativas, gravações demo, lados B de singles, além da gravação de um concerto realizado em Boston em Agosto desse ano e ainda um DVD com um filme realizado por Derek Jarman e que é uma evocação de “The Queen Is Dead”. Caixa The Queen Is Dead, edição Warner, disponível na FNAC e El Corte Ingles.

 

PROVAR - Gosto de fruta da época e esta é a altura do ano em que os sabores explodem - das castanhas aos dióspiros, passando pelos marmelos, essa matéria prima excelente de tantos prazeres. Sem brejeirice, gosto de marmelos de quase qualquer maneira - como acompanhamento, cortados ou em puré, como sobremesa, cozidos em calda ou assados no forno. Mas, sobretudo, esta é a altura ideal para se confeccionar e comer as várias variadas de doçaria marmeleira. A geleia de marmelo, por exemplo, só é boa fresca - se fôr com nozes - outro fruto da época - melhor ainda. Umas panquecas com geleia de marmelo fresca por cima batem aos pontos qualquer outra combinação possível. Mas o melhor de tudo é comer marmelada fresca, sozinha, no pão ou, melhor que tudo, a acompanhar um queijo - pode ser um flamengo açoriano de boa qualidade, um queijo de S. Jorge (ainda melhor) ou um queijo de Serpa bem curado. O marmelo é um fruto duro e trabalhoso, demora horas a preparar e a cozinhar. Se não tiver paciência para isso, há uma solução em Lisboa no que toca a marmelada e geleia - a Confeitaria Cistér, na Rua da Escola Politécnica 101, frente à faculdade de Ciências e que foi fundada em 1838 sob o nome Confeitaria Portuguesa. Aí encontra aquela que os seus produtores dizem ser a melhor marmelada do mundo e uma geleia de marmelo que não lhe fica atrás. Divirtam-se com o Outono, ele é cheio de coisas boas.

  

GOSTO - Manuel Maria Carrilho, ex-Ministro da Cultura de Guterres,  foi condenado a quatro anos e meio de prisão por crime de violência doméstica contra Bárbara Guimarães.

 

NÃO GOSTO - Mário Centeno bloqueou a utilização da verba, dada em 2015 pelo então Ministro da Saúde, necessária para ampliar a capacidade do bloco operatório do Instituto Português de Oncologia em Lisboa

 

BACK TO BASICS - “A utopia está sempre dois passos à minha frente. Eu dou dois passos e ela afasta-se. Então serve para quê? Para eu continuar a andar”  - Eduardo Galeano.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 09:32

IMG_3971.JPG

OUTRAS ELEIÇÕES - Se pensam que a única campanha que está a decorrer é a das Presidenciais, estão muito enganados. Por numerosas escolas deste país decorrem campanhas eleitorais para as respectivas Associações de Estudantes. Circunstâncias familiares levaram-me a ter contacto com uma delas, no caso as eleições para a Associação de Estudantes do Colégio Moderno, em Lisboa. A coisa que mais me surpreendeu, pela positiva, foi como estas eleições, as primeiras em que muitos são chamados a votar, são encaradas como um incentivo à participação das pessoas em processos de decisão. A minha neta mais velha explicou-me que o Colégio acompanha e  incentiva o processo eleitoral, ajuda que se promovam debates entre as listas e que os alunos percebam bem a diferença entre elas; e a irmã, mais nova, fez-me saber que nos boletins de voto não se deviam desenhar corações nem smiles ou deixar outros escritos, mas apenas fazer a cruzinha no sítio certo, para que o voto não seja anulado. As diversas listas têm manifestos eleitorais bem construídos, na maioria com reivindicações adequadas à situação, que vão da prática desportiva à rádio interna da escola. Uma das listas, ecologista, defende que se use mais papel reciclado, por exemplo nos testes. Várias apresentam, nos seus folhetos de propaganda, as indicações das contas de facebook, instagram e snapchat onde as respectivas actividades de campanha podem ser seguidas - e estão assim anos luz mais avançadas que vários candidatos presidenciais. Mas o ponto essencial é este: estas eleições não são encaradas como apenas uma disputa, mas como uma aprendizagem da importância da participação das pessoas na vida colectiva. Espero que a percentagem de abstenções na escola seja baixa e que os alunos vão votar - e ainda acalento a esperança que os candidatos das outras eleições, as presidenciais, percebam que os seus discursos e as suas acções ignoram e deixam de lado o segmento daqueles que agora têm entre 18 e os 25 anos, os que nasceram na última década do milénio passado e já cresceram a ver o mundo de maneira digital. Mas na maioria dos casos o que vejo é a réplica do que passa nas televisões, nas rádios e nos jornais, com uma forma de comunicação que não os cativa. A maioria dos candidatos presidenciais comunicam para os que já estão convertidos, não dão um passo para procurar que novos eleitores votem. E isto faz-me muita impressão. Depois não digam que a abstenção é um problema.

 

SEMANADA - Os filmes portugueses estreados em 2015 foram vistos por 904 mil espectadores, o valor mais elevado desde 1975; ao longo do ano passado registaram-se 14,5 milhões de espectadores nas salas de cinema de todo o país; em Portugal a escuta de música em streaming cresceu 60% em 2015; os pilotos de aviação alertam para o perigo de haver maior numero de pássaros na segunda circular, nas imediações do aeroporto, se o plano de arborização do local fôr para a frente;  a Comissão Europeia exigiu que os activos problemáticos do Banif sofressem uma desvalorização de 66%, contra os 50% propostos pelas autoridades nacionais, agravando assim o prejuízo do banco em 400 milhões de euros; em oito anos o Estado injetou dinheiros públicos em sete bancos; as ajudas do Estado a bancos portugueses já superaram o montante do resgate da troika; o petróleo desceu esta semana abaixo dos 30 dólares por barril; de Janeiro de 2015 até agora o petróleo caíu 31,6% mas a gasolina subiu 3%; a Bolsa de Lisboa teve nesta semana o pior ciclo de quedas desde 2011; até 2025 estima-se que 26% das oportunidades de emprego sejam na agricultura; um estudo recente aponta que os doentes que são internados de urgência num hospital ao fim de semana têm um risco de morte mais elevado; CGTP, PCP e BE reivindicam semana de 35 horas também para o sector privado e ameaçam o seu Governo de Costa com uma greve geral; Francisco Louçã tomou posse como Conselheiro de Estado.

 

ARCO DA VELHA - Segundo o jornal “i”, o cirurgião Eduardo Barroso terá vetado a primeira escolha do Ministro da Saúde, levando-o a desconvidar os novos responsáveis hospitalares da região de Lisboa que tinham sido inicialmente convidados por aquele membro do Governo e que desagradavam ao cirurgião.

 

Inline image 1

FOLHEAR - Um dos livros que ultimamente entrou no meu dia-a-dia é “A Dieta Ideal - receitas familiares e saborosas”, de Francisco José Viegas. Conhece-se a devoção do autor à boa cozinha portuguesa, a sua escolha de restaurantes que a praticam, mas também o prazer que tem em cozinhar para amigos. São receitas dessas incursões na cozinha que aqui estão, explicadas de maneira simples, a maioria de origem nacional a evocar sabores e tradições familiares, mas também umas quantas de inspiração estrangeira, sobretudo italiana. A sua actividade como crítico de restaurantes valeu-lhe um prémio da Academia Portuguesa de Gastronomia e a sua actividade de escritor levou a que um dos heróis dos seus policiais se deliciasse também com petiscos. Desde ervilhas com ovos, ao cozido à portuguesa, passando pelo empadão de carne, um arroz de romã com frango de escabeche (os arrozes são uma das perdições do autor…), um cuscuz com salmão fumado e legumes ou ainda uma massa com feijão, até uns ovos rotos com azeite de trufa, aqui se encontram receitas para todas as ocasiões, seja de entradas ou pratos principais. A culinária, diz o autor na introdução do livro, é uma invenção decisiva da nossa civilização. Esta “Dieta Ideal” fez-me lembrar um dos livros que também consulto com regularidade - “The Family Meal, home cooking with Ferran Adriá”, o livro onde o Chef do extinto El Bulli relatava os cozinhados que eram feitos diariamente para a equipa do seu restaurante, destinados à refeição partilhada por toda a equipa - com zero molecular e muita tradição. Com livros assim nem apetece ir comer fora.

 

Inline image 1

VER - Esta semana tive a sorte de ver duas exposições que me marcaram.  A primeira é uma surpreendente mostra de pinturas de Rui Sanches, que tem tido essencialmente uma actividade regular, e marcante, na área da escultura. Estas obras, a que chamou “suite alentejana”, numa referência ao atelier onde as trabalhou e que fica na sua casa no Alentejo, foram  inicialmente expostas no Porto, em 2013, na Galeria Fernando Santos, e chegam agora a Lisboa, ao espaço da Fundação Portuguesa das Comunicações, por iniciativa da Giefarte, até 12 de Março  (Rua do Instituto Industrial 16). A utilização da côr, a criação de um espaço a duas dimensões bem diferente daquilo a que as suas esculturas remetem são elementos dessa surpresa (ver imagem no início desta coluna). A outra exposição é um conjunto de trabalhos em papel de José Pedro Croft, que está na Galeria João Esteves de Oliveira até 11 de Março (Rua Ivens 38). São cerca de três dezenas de obras, entre originais e múltiplos de pequena tiragem, sob o título genérico “Espaços de Configuração” (na imagem). Estes trabalhos, aparentemente simples, são uma prova de que é  precisamente na simplicidade que melhor se distingue o poder da criatividade - mesmo quando baseada em coisas tão elementares como linhas, formas, volumes. E, claro, com uma cuidadosa utilização dessa distração que pode ser a côr.

 

 Inline image 1

OUVIR - Sinto-me um pouco vampiro a escolher para disco da semana “Blackstar”, a derradeira obra de David Bowie - até porque o essencial do que havia a dizer foi bem escrito neste jornal por Fernando Sobral. Mas, independentemente da evidência, hoje incontornável, de que o álbum foi pensado e produzido como uma carta de despedida, ele é sobretudo um testamento artístico - a indicação do caminho musical que Bowie achava interessante explorar. É curioso porque há aspectos do disco que fazem lembrar alguns pontos do início da sua carreira, nomeadamente nos arranjos e na utilização do saxofone, particularmente em “Tis a pity she’s a whore”. Mas é curioso também observar a diferença entre a edição original em single do tema “Sue (or the season of crime)”, lançado em 2104, com a nova versão, bem diferente , incluída no álbum - muito mais elaborada e homogénea, e que abre pistas sobre a forma como ele via a evolução da sua música. Um ponto importante do disco é a própria escolha do núcleo musical, o trio de Donny McCaslin, saxofonista e um importante músico de jazz de Nova Iorque, que Bowie conheceu através da sua amiga, igualmente música de jazz, Maria Schneider - que também tem uma participação no disco e que foi, sabe-se agora, uma conselheira musical regular de Bowie nos últimos tempos. A intensidade e originalidade do disco, independentemente do dramatismo das suas circunstâncias, evoca o período em que Bowie e Eno colaboraram em Berlim. “Blackstar” afasta-se do pop, larga amarras no jazz e mesmo a faixa mais tradicional, digamos, “Girl Loves Me”, sai da sua zona de conforto.  Para além da simbologia de “Lazarus”, ou da mensagem de preocupação com o estado do mundo da faixa-título de abertura, estou em crer que é na derradeira canção, “I Can’t Give Everything Away”, na forma como ela foi escrita, construída e cantada, que está verdadeiramente o recado de Bowie: “Saying no but meaning yes, this is all I ever meant, that’s the message that I sent”.

 

DIXIT - “A higiene na Roma antiga não evitou as lombrigas e outros parasitas” - título de um artigo do “Público”.

 

GOSTO - A livraria Lello, do Porto, que celebrou esta semana 110 anos de existência e que nos últimos seis meses vendeu uma média diária de 512 livros.

 

NÃO GOSTO - O novo Ministro da Educação mudou todo o sistema de avaliação depois de já ter passado um período escolar e sem antes dialogar com representantes dos pais ou das direcções das escolas.

 

BACK TO BASICS - “À medida que envelhecemos tudo se resume a duas ou três questões: quanto tempo nos resta, o que é que vamos fazer e como o faremos” - David Bowie

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 11:22


Mais sobre mim

foto do autor


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.



Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2014
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2013
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2012
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2011
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2010
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2009
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2008
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2007
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2006
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D
  183. 2005
  184. J
  185. F
  186. M
  187. A
  188. M
  189. J
  190. J
  191. A
  192. S
  193. O
  194. N
  195. D
  196. 2004
  197. J
  198. F
  199. M
  200. A
  201. M
  202. J
  203. J
  204. A
  205. S
  206. O
  207. N
  208. D
  209. 2003
  210. J
  211. F
  212. M
  213. A
  214. M
  215. J
  216. J
  217. A
  218. S
  219. O
  220. N
  221. D