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O ESTADO FALHOU  - Esta é a frase que sintetiza o ano que passou. Por mais que António Costa insista em clamar que só tem êxitos, a realidade mostra o contrário sobre o funcionamento do Estado: falhas nos comboios e em outros transportes, na protecção civil, na coordenação de serviços públicos, nos hospitais, em escolas, na justiça, na segurança, no Parlamento, nos disparates dos novos ministros da saúde e da cultura, nos numerosos casos de cativações que impedem serviços aos cidadãos que os pagaram nos impostos, impostos desviados para folhas salariais em vez de serem aplicados a garantir meios para que mortes sejam evitadas. António Costa vai entrar em 2019 em plena campanha eleitoral para as duas eleições (europeias e legislativas) do próximo ano sem querer  ouvir falar de Tancos e de Borba - dois exemplos do que vai muito mal no Estado a todos os níveis. O líder do PS encontrou uma caixa cheia de guloseimas quando chegou a S. Bento. Tem vindo a dar cabo delas e a deixar apenas os seus invólucros espalhados por onde passa. Da sua governação pode dizer-se que gastou onde não devia e poupou onde não podia.

 

SEMANADA - Em 2016 Portugal ocupava o 14º lugar europeu no PIB per capita, passou a 15º lugar em 2017 e a 16º em 2018; o Banco de Portugal reviu em baixa a previsão do crescimento do PIB este ano; no mês de Outubro os bancos concederam 640 milhões em empréstimos ao consumo; mais de metade do crédito ao consumo já é contratado diretamente nas lojas onde se fazem as compras;  Marcelo Rebelo de Sousa admitiu que no caso das operações de busca ao helicóptero do INEM “o Estado falhou”; Nuno Sá, deputado do PS, apagou a página do Facebook onde existiam videos e fotografias da sua campanha eleitoral em Famalicão, no dia 12 de Junho de 2017, a mesma data em que foi dado como presente no Parlamento; este ano já se registaram 173 greves na função pública; o turismo já representa 7,5% da economia e em 2019 deverão abrir 69 novos hotéis em Portugal; Lisboa duplicou a taxa turística para dois euros por noite, mesmo para residentes da cidade que precisem de pernoitar num hotel da capital; o diretor de material circulante da CP foi exonerado depois de ter discordado de uma decisão da administração da empresa que , na sua opinião, podia pôr em causa a segurança dos passageiros; o Presidente do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público acusou o poder político de querer impedir o combate à corrupção.

 

SÓ PARA RECORDAR - Este ano Pacheco Pereira esteve do lado de Rui Rio na eleição para líder do PSD e do lado da Presidente do Conselho de Administração de Serralves no caso da interferência na exposição de Robert Mapplethorpe.

 

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LER AS BARRAGENS  - Em 2006 a EDP deu início ao projecto Arte e Arquitectura nas Barragens, um iniciativa que até agora envolveu o trabalho de José Rodrigues, Álvaro Siza Vieira, Eduardo Souto Moura, Graça Morais, João Louro, José Pedro Croft, Pedro Calapez, Pedro Cabrita Reis, Rui Chafes e Vihls. “Sobre A Paisagem - Arte nas Barragens Portuguesas” é o livro-álbum agora publicado pela editora AMAG e pela EDP e que recolhe  o trabalho fotográfico que André Cepeda foi fazendo sobre a relação entre as barragens, as obras dos artistas e a paisagem. No texto de introdução António Mexia sublinha a importância da intervenção artística nas barragens num país “onde os projectos de arte pública são escassos” e sublinha que “as regiões envolvidas ficam dotadas de um conjunto de artistas conceituados, visitáveis por todos” - no caso nas barragens da Venda Nova, Caniçada, Picote II, Bemposta, Baixo Sabor, Foz Tua e Alqueva. Aurora Carapinha aborda a necessidade da paisagem num texto acompanhado por fotografias de Duarte Belo. Isabel Lucas escreve sobre “A Paisagem É O Grande Acontecimento” onde, pelo meio de conversas com os vários artistas que realizaram obras nas barragens aborda questões como o que distingue a criação para o que é arte pública e para as galerias e como pode uma obra de arte viver numa dimensão tão grande como é a de uma barragem. Já perto do final surge um ensaio de Francesco Careri sobre a obra de Robert Smithson, um artista norte-americano que foi pioneiro na criação de ligações entre a arte e a paisagem e um texto contextualizador dos coordenadores da obra, Nuno Crespo e Luísa Salvador. O livro termina com um portfolio de André Cepeda onde ele próprio faz a interpretação das obras e da sua localização, para além da simples evocação documental.

 

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O ESTADO DA ARTE  - Colocar uma instituição no mapa demora tempo, colocá-la à beira do precipício é coisa rápida: este é o retrato do que aconteceu a Serralves este ano. De Museu de referência pela originalidade das propostas apresentadas foi capturado pelo síndrome de treinador de bancada que percorreu a Administração da Fundação e que a levou a querer mandar e interferir na programação artística. João Ribas, Director Artístico, foi ultrapassado pela Presidente do Conselho de Administração, Ana Pinho. O Director Artístico saíu, e como na cultura o crime compensa cada vez mais, Ana Pinho foi reconduzida atendendo aos serviços prestados na destruição da reputação de Serralves. Este foi talvez o caso mais mediático do ano na área das exposições. No pólo oposto, pelo bom trabalho desenvolvido, destaca-se a actividade da Gulbenkian, nomeadamente a forma como a sua Directora, Penelope Curtis, tem vindo a trabalhar a colecção da instituição, explorando-a e cruzando-a de forma imaginativa - como sucedeu com a exposição “Pós-Pop - Fora do Lugar Comum” (na imagem) e, mais recentemente, “Arte e Arquitectura entre Lisboa e Bagdade” que relembra a exposição levada ao Iraque em 1966 e que incluía nomes como Nuno de Siqueira, Artur Bual, Luís Demée, João Vieira Ângelo de Sousa, José Escada, René Bertholo e Júlio Pomar, entre outros, naquele que foi o núcleo inicial da Colecção desenvolvida pela Fundação Gulbenkian. Finalmente, no MAAT, destaque para apresentação, no Porto primeiro e em Lisboa depois, da colecção Cabrita Reis - “Germinal - O Núcleo Cabrita Reis na Colecção de Arte Fundação EDP”, que pode ainda ser vista até dia 31.

 

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TEMPOS MODERNOS - Há uns anos os discos gravados ao vivo eram editados um tempo depois das digressões em que  tinham sido gravados. Este ano Springsteen deu o sinal da mudança, na realidade um sinal dos tempos: o seu “Springsteen On Broadway”  foi lançado na mesma semana em que a temporada na Broadway terminou e praticamente em simultâneo no Spotify e na Netflix - na Netflix foi disponibilizado cinco horas depois de terminada a derradeira actuação na Broadway. O resultado é um registo de cerca de duas horas e meia  com 35 das suas mais conhecidas canções. Mas não é só um registo de canções - todas em versão acústica, Springsteen sozinho no palco com a sua guitarra e às vezes ao piano, intercalando entre as canções a história da sua vida - desde as primeiras memórias, às lições de guitarra, passando pela cidade onde cresceu (My Hometown), o dia-a-dia familiar, os músicos com quem tocou, as suas primeiras actuações e, claro, o momento em que se tornou um nome incontornável da música popular e do rock há quatro décadas. “I am here to provide a proof of life” - diz ele logo no início das actuações que fez durante 236 dias, ao longo do último ano, até ao sábado passado, no pequeno teatro Walter Kerr, da Broadway com uma lotação de apenas 960 lugares, permanentemente esgotados.  Graças à Netflix é possível ver além do que se ouve no Spotify - um concerto íntimo, uma actuação forte e emotiva. Toda a actuação estava escrita como um argumento, que Springsteen repetiu noite após noite e se isto pode parecer o caminho para a rotina, desenganem-se: não só na interpretação das canções, mas também na forma como contou a sua vida, the Boss mostrou uma capacidade de ligação com o público como acontece nas peças de teatro da Broadway que se repetem noite após noite, na mesma encenação. Os grandes actores vencem a rotina. Além de músico, Springsteen provou ser um actor a representar o seu próprio papel, com uma enorme simplicidade mas também convicção: “That’s how good I am” - dizia ele todas as noites. Esta forma de fazer e registar a música é o acontecimento editorial do ano.

 

INTRAGÁVEIS -  Na restauração lisboeta há uma espécie de triângulo das Bermudas onde desaparece o bom senso e a arte da culinária. As pontas do triângulo são o Princípe Real, o Largo da Misericórdia e o Largo de Camões. Aqui se concentram os restaurantes surgidos da caça ao turista -  pouco cuidado na cozinha, serviço displicente, desprezo pelos clientes nacionais e preços abusivos para a qualidade geral final. Basta passear nesta zona e noutra sua concorrente, na Baixa, na Rua Augusta e suas perpendiculares, para perceber que se perdeu a arte do petisco e cresceu a arte do engano. A maioria destes novos restaurantes importa-se mais com a comunicação do que com a qualidade e o serviço. Muitas das boas tascas que existiam nestas zonas foram sendo substituídas por manjedouras repetitivas e, nos casos em que o nome do local não mudou, tudo o resto foi modificado. Hoje em dia trabalha-se mais para o conceito e o cenário do que para a substância - muitos dos novos restaurantes surgidos nos últimos meses mostram isso e mesmo algumas das boas referências na restauração moderna lisboeta que fez uma época dão sinais de quebra de qualidade. Eu por mim dedico-me sobretudo a procurar boas descobertas em cozinhas étnicas que vão surgindo e em localizar e guardar quem pratica a boa arte da cozinha portuguesa. A propósito recomendo que sigam o blogue “O Homem Que Comia Tudo”, de Ricardo Dias Felner, onde se dão sugestões de confiança nestas áreas.

 

DIXIT - “O Natal, para mim, começa por ser um cuidado com os outros” - Gisela João, fadista.

 

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BOLSA DE VALORES - Em 2018 várias novas galerias de artes plásticas destacaram-se e a Balcony (Rua Coronel Bento Roma 12 A) foi uma delas. Aqui está uma obra de Tiago Alexandre, Spread #16, que integrou a  sua exposição ”Words Don’t Come Easy” e que está à venda por  3.750 euros (IVA não incluido). A técnica é barra de óleo sobre papel e mede 220 x 150 cm.

 

BACK TO BASICS - “Para o Pai Natal conseguir sempre saber onde estás, se te portas bem ou mal, se estás acordado ou a dormir, deve ser de certeza dos serviços de informação” - David Letterman

 

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publicado às 13:00

 

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 MALABARISMOS - Depois de um período inicial de bom senso, que há uns tempos anda desaparecido, os concursos públicos têm vindo a transformar-se num mundo de opacidade com vários escalões. Alguns escritórios de advogados especializaram-se em criar cadernos de encargos que são uma espécie de encomenda feita à medida para determinado interessado, obviamente a mando da entidade que organiza a consulta, sobrepondo habilidades jurídicas a questões técnicas básicas. Noutros casos as entidades que lançam os concursos resolvem sobrepor-se à apreciação técnica dos júris que nomearam e fomentam justificativos jurídicos, devidamente fundamentados em extensos pareceres que são elaborados de forma a encaminhar a decisão numa determinada direcção, mesmo que não seja aquela que melhor dá resposta técnica aos objectivos do concurso. Tornou-se rotina não haver coerência na apreciação das propostas, na interpretação das regras, não há sequer respeito pelo trabalho desenvolvido. O que nuns casos se aceita em relação a um concorrente, não se aceita noutros casos; o que se tornou regra numa série de concursos passa a ser penalizado noutros. Por isso conheço cada vez mais gente que hesita apresentar propostas a concursos públicos. É mais um sinal da degradação do Estado.

 

SEMANADA - A Comissão Nacional de Eleições já recebeu 450 queixas por causa das autárquicas, 160 delas sobre a “neutralidade e imparcialidade das entidades públicas”; apesar de Domingo ser o dia tradicional dos grandes jogos de futebol, a Comissão Nacional de Eleições desconhecia o facto e mostrou-se surpreendida pela realização de um Sporting-Porto no dia das autárquicas; segundo a Marktest, em Agosto, 52% do tráfego na internet em Portugal foi gerado por PCs (desktop ou portáteis) e 48% por equipamentos móveis, o que representa um aumento de dez pontos percentuais na utilização de smartphones e uma diminuição igual na de PC’s, em relação ao mesmo período do ano anterior; das dez câmaras mais endividadas, oito – Fornos de Algodres, Nordeste, Cartaxo, Vila Franca do Campo, Portimão, Nazaré, Alfândega da Fé e Paços de Ferreira – estão sob a alçada do PS e duas – Fundão e Vila Real de Santo António – do PSD; o número de jovens entre os 15 e os 29 anos que não trabalham nem estudam passou de 11 para 20,8% entre 2000 e 2016; mais de metade da população activa portuguesa não tem sequer o ensino secundário; 14 mil enfermeiros saíram de Portugal desde 2010; um julgamento sobre corrupção no futebol, envolvendo manipulação de jogos sobre os quais eram feitas apostas, está em risco de nulidade por falta de traduções; nos últimos seis meses os portugueses gastaram 1,5 mil milhões de euros em apostas e jogos diversos.

 

ARCO DA VELHA - Numa época de crescente especulação imobiliária em Lisboa Fernando Medina conseguiu inverter a tendência - vendeu o apartamento que tinha há dez anos com um ganho de 36%  e comprou outro por menos 23% do que a vendedora tinha pago por ele, também há dez anos. É o que se chama ter acesso a boas oportunidades.

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FOLHEAR - O British Journal of Photography foi fundado em 1854 e inovação e invenção são duas palavras que podem caracterizar a revista. Uma das melhores demonstrações desse espírito é a iniciativa “Portrait of Britain”, que este ano promoveu pela segunda vez. A ideia é simples: a revista pede aos seus leitores para enviarem imagens que mostrem a multiplicidade e diversidade da sociedade britânica este ano enviaram oito mil imagens.  A partir destes envios são seleccionadas cem fotografias que depois são exibidas, durante o mês de Setembro, numa rede de anúncios de exterior digitais, mupis da JC Decaux, em estações de transportes públicos, centros comerciais e nas ruas em todo o Reino Unido. Na sua edição de Setembro a revista mostra uma selecção dos melhores trabalhos e , acima de tudo, procura mostrar cidadãos vulgares no seu dia-a-dia, fotografados por outros cidadãos. Ainda na edição de Setembro pode ser visto um trabalho sobre alguns editores de fotografia cujo trabalho é escolher quem vai fazer as imagens de que necessitam e que critérios presidem às suas escolhas. Há também dois portfolios muito interessantes - Mathieu Pernot mostra o resultado do trabalho feito ao longo de duas décadas com uma família romena que emigrou para o sul de França e Rob Honstra fala de “Man Next Door”, um trabalho sobre o seu vizinho, que ele documentou fotograficamente ao longo de uma década. Finalmente outro destaque da edição é uma entrevista a Quentin Bajac, o novo responsável pela fotografia no MOMA de Nova Iorque. A revista já está à venda em lisboa e a edição digital pode ser adquirida em  http://www.bjp-online.com .

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VER - Esta semana todo o destaque vai para o Porto. Em primeiro lugar, Serralves, onde está até 7 de Janeiro a exposição Jorge Pinheiro: D'après Fibonacci e as coisas lá fora” (na imagem). Apresentada como um projecto de Pedro Cabrita Reis com o próprio Jorge Pinheiro, a exposição reúne desenhos, pinturas e esculturas do autor e a sua instalação foi concebida pelo arquitecto Eduardo Souto Moura. O diálogo estreito entre Jorge Pinheiro e Cabrita Reis conduziu à seleção de 80 obras datadas de períodos específicos do percurso de Pinheiro, desde os anos 1960 até ao presente. A exposição inclui ainda uma nova escultura produzida especialmente para ser mostrada em Serralves. O catálogo que acompanha a exposição reproduz, além das obras expostas em Serralves, os cerca de 90 desenhos que integram uma exposição na Fundação Carmona e Costa, em Lisboa, a partir de 23 de Setembro. contextualizadas por uma entrevista de Jorge Pinheiro conduzida por Cabrita Reis e um ensaio do poeta e crítico de arte João Miguel Fernandes Jorge. Ainda no Porto o Centro Português de Fotografia (na antiga Cadeia da Relação), lança um desafio: Quem é que já viu uma prisão do lado de dentro? Assim surgiu “the portuguese prison photo project” que procura  transmitir uma visão das prisões contemporâneas e históricas de Portugal.  A exposição é feita a partir de imagens contemporâneas captadas por dois fotógrafos, o português Luis Barbosa e o suíço Peter M. Schulthess, em 2016 e 2017, complementada por imagens históricas pertencentes aos arquivos nacionais. Até 3 de Dezembro. Podem ver várias das imagens expostas em www.prisonphotoproject.pt . Outras sugestões: na Galeria João Esteves de Oliveira (Rua Ivens 38), a exposição Ouvidos No Deserto, trabalhos em papel de Marco Pires; na Fundação Gulbenkian videos, fotografias e serigrafias de Marie José Burki .

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OUVIR - Tori Amos leva quinze discos de originais no activo, desde que começou a sua carreira discográfica em 1988. Depois de em 2014 ter lançado o belíssimo “Unrepentant Geraldines”, Amos regressa agora com “Native Invider”, basicamente construído como reflexo da América que está a desenhar-se depois da vitória de Donald Trump nas presidenciais. Mas para além de uma visão sobre os Estados Unidos, “Native Invider” aborda também, como é tão presente na obra de Tori Amos, a sua relação com a vida e a dor. Amos conta que a ideia deste disco lhe começou a surgir numa viagem às Smoky Mountains, na Carolina do Norte, de onde a sua família é originária,e que a parte mais pessoal tem a ver com a sua própria mãe, que hoje tem dificuldade em comunicar com o mundo exterior. Incomodada com o estado da nação, entristecida pela decadência física da sua mãe, Tori Amos não poupa palavras neste disco e exprime com intensidade as suas emoções. “Native Invider” tem 15 faixas  e algumas das mais marcantes seguem a linha das intensas baladas de voz e piano que são a imagem de marca de Tori Amos - “Reindeer King” (talvez a mais arrebatadora), “Bang” e “Mary’s Eyes”. “Broken Arrow” e “Up The Creek” mostram uma incursão inesperada nas influências da música country e “Wildwood” e “Wings” somam considerações políticas com emoções pessoais, assim como “Breakway” ou “Chocolate Song”. O disco está disponível no Spotify.

 

PROVAR - Há uns tempos que andava com curiosidade de experimentar a Enoteca de Belém, local que me era recomendado por diversos amigos. O local é pequeno, tem poucas mesas, fica numa pequena travessa perto dos Pastéis de Belém, na mesma rua da Galeria da Ermida da Nossa Senhora da Conceição. Aliás a Galeria e a Enoteca são parte do projecto Travessa da Ermida que quer combinar arte com gastronomia e provas de vinhos. Quando se entra na Enoteca a primeira coisa que salta à vista é a variedade de bons vinhos expostos, em prateleiras que vão até ao cimo das paredes - os clientes são convidados a usar uns binóculos de ópera que a casa cede para lerem os rótulos das garrafas mais distantes. A casa tem cerca de uma centena de vinhos e muitos deles podem ser servidos a copo, proporcionando experiências diferentes ao longo da refeição. A cozinha é de inspiração portuguesa com confecção contemporânea - dispensavam-se as espumas da moda. Nesta incursão provou-se com agrado um atum fresquíssimo, no ponto, sobre uma cama de brócolos, anchovas e camarão e um lombo de garoupa muito bem confeccionado com arroz de ameijoas em molho bulhão pato. O chefe ofereceu um amouse bouche interessante - uma mini salada de polvo servida em cone e o couvert inclui uma belíssima manteiga de ovelha. O vinho escolhido foi um branco Casal Santa Maria, de Colares, que estava impecável - embora de início o serviço de vinho fosse desatento. Outras sugestões possíveis são polvo com batata doce, chouriço e molho de ervas ou, na carne, um magret de pato com risotto de cogumelos. O espaço reduzido e a invasão turística aconselham a que se faça reserva. Enoteca de Belém, Travessa do Marta Pinto, 6, Lisboa , todos os dias das 13 às 23,telefone 213 631 511.

  

DIXIT - “Não sei se alguém entrou em Tancos, no limite pode não ter havido furto” - José Alberto Azeredo Lopes, teoricamente Ministro da Defesa.

 

GOSTO - A encenação de “A Viúva Alegre”, que decorre em paris na Ópera da bastilha, tem cenografia de António Lagarto.

 

NÃO GOSTO - O planeta perde 15 mil milhões de árvores por ano.

 

BACK TO BASICS - “A qualidade é mais importante que a quantidade” - Steve Jobs

 

 

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publicado às 14:00

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TANGA - Na quarta feira foi divulgada correspondência de António Domingues a Mário Centeno, onde se afirma que o Ministério das Finanças se compromete a criar uma excepção para que a então nova administração da Caixa Geral de Depósitos não tivesse de entregar a declaração de rendimentos no Tribunal Constitucional. A divulgação da carta veio confirmar o que há muito se dizia, que havia documentos comprovando uma aceitação de Centeno às exigências de Domingues para constituir equipa e aceitar o lugar. Nesse mesmo dia houve debate no Parlamento, Centeno não compareceu, mas o Primeiro Ministro lá esteve sorridente. António Costa garantiu que Centeno não mente. Mas não disse que Domingues mentia. Centeno nada disse, visto não ter aparecido. Por mais que Costa grite que o Rei Centeno não vai nu, a verdade é que, se ele aparecesse no plenário, provavelmente apareceria de tanguinha, talvez mesmo de fio dental. Ora acontece que, embora se saiba que os políticos e a verdade não combinam bem, um Ministro não pode ser publicamente suspeito de mentir, ocultar, distorcer. E desde quarta feira passada Centeno é suspeito disso mesmo.

 

SEMANADA - 40 meses é o prazo médio de realização de julgamentos para cobrança de dívidas; o acordo ortográfico, que nasceu há 27 anos envolto em polémica,  nunca foi integralmente adoptado pela totalidade dos países de língua oficial portuguesa, entre os quais Angola e Moçambique que não chegaram a assiná-lo; Manuel Alegre considerou “arrogante e autoritária” a posição do Ministro dos Negócios Estrangeiros português, que é contra a revisão do Acordo Ortográfico; em 2016 aumentou o abandono escolar precoce; a compra de dívida portuguesa pelos Banco Central Europeu atingiu em Janeiro o valor mais baixo de sempre; o tratado de Maastricht, que lançou as bases para a  moeda única, foi assinado há 25 anos; a banca portuguesa apresentava em setembro passado os rácios mais baixos da União Europeia e o terceiro nível de crédito malparado mais pesado; o facebook fez 13 anos e em Portugal cresceu 49% nos últimos cinco anos; os dados do estudo Bareme Rádio da Marktest indicam que, ao longo de 2016, os portugueses registaram um consumo de rádio um pouco acima de 3 horas diárias; um ano após terem sido aprovados os fundos de apoio à Comunicação Social para 2016 as respectivas verbas ainda não foram libertadas pelo Governo.

 

ARCO DA VELHA - 50% da frota automóvel da PSP está parada devido a avarias e falta de verba para as respectivas reparações.

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FOLHEAR - Neste mundo em que o papel tem tendência a ser ultrapassado pelo digital não deixa de ser irónico que a edição para tablet da revista Tate Etc., dedicada a David Hockney, um dos primeiro e mais destacados artistas plásticos a utilizar o iPad, seja a derradeira neste formato, existindo a partir daqui apenas em papel. Sugiro que façam o ainda possível download da aplicação na AppStore da Apple e comprem este número avulso, para guardar - até porque Hockney merece. Nos últimos tempos tem-se assistido a um desinvestimento em aplicações e a um regresso aos sites e até aos blogues, de que o sucesso do Medium é um bom exemplo. Mas voltemos à Tate Etc. O destaque claro que vai para a retrospectiva de Hockney que estará na Tate Britain até Maio, mas há bom material sobre Robert Rauschenberg ( exposição que está na Tate Modern), para novas fotografias de Wolfgang Tillmans e um belo ensaio sobre as visões que os artistas têm daquilo que vêem das janelas das suas casas. No editorial escreve-se que um recente inquérito a 200 recém formados de engenharia da Universidade de Bath mostrou que aqueles que tiveram cadeiras de arte e design ofereciam uma vantagem assinalável sobre os outros que não tinham estudado estas matérias. Cada vez mais se associa o estudo de disciplinas artísticas ao desenvolvimento da criatividade. “A mensagem é clara - escreve o editor - a arte realmente muda as pessoas, seja o que fôr que venham a fazer na vida. Por favor digam isso a todos os vossos amigos que dizem não se interessar por arte”.

 

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 VER -  Destaque para duas novas exposições no espaço Central Tejo do MAAT. No espaço Cinzeiro 8, no piso de entrada, José Maçãs de Carvalho volta a mostrar o Oriente através das imagens que foi fazendo ao longo de uma década. “Arquivo e Democracia”,  assim se chama esta exposição, é mais uma peça da série de viagens ao arquivo pessoal de Maçãs de Carvalho, nesta caso centrado em Hong Kong. Os trabalhos apresentados combinam fotografias com video, numa montagem que consegue reconstituir o processo de observação e criativo  numa sequência lógica. É um documento sobre um quotidiano, mulheres filipinas que trabalham como empregadas domésticas em Hong Kong, e que se juntam aos domingos, seu dia de folga, junto à zona central da cidade onde estão as lojas das grandes marcas. A montagem da exposição, a passagem da imagem fixa das fotografias à imagem em movimento do video é feita de uma forma muito conseguida, mostrando afinal como a fotografia se pode prolongar no tempo. No espaço remodelado do primeiro andar, “Central 1”, está a exposição “Dimensões Variáveis”, construída a partir de um conceito importado da publicação “Artistas e Arquitectura”, editada em Paris em 2015. A mostra propõe confrontar a relação entre a arquitectura e as artes plásticas e apresenta trabalhos históricos e actuais de artistas de diversas gerações, nacionais e internacionais, entre os quais Bruce Nauman, Gordon Matta-Clark, John Baldessari, Julião Sarmento, Pedro Cabrita Reis, Rui Toscano, Liam Gillick e Ed Ruscha. “Arquivo e Democracia” fica no MAAT até 24 de Abril e “Dimensões Variáveis” até 22 de Maio.

 

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OUVIR - Durante muitos anos a formação clássica do trio de jazz (piano, baixo, bateria) foi a imagem de marca de Brad Mehldau, que explora agora o dueto. Após o disco de final do ano passado com o saxofonista Joshua Redman, juntou-se ao bandolinista e vocalista country Chris Thile, com quem deu uma série de concertos, de onde saíu o disco agora editado. Thile e Mehldau são dois músicos muito diferentes: Brad Mehldau é o melhor pianista de jazz da sua geração e Chris Thile é um virtuoso do bandolim e um vocalista com fama feita na country music., nos blues e interpretações de Bach. Neste disco, há dois temas de Thile, outros dois de Mehldau e um belíssimo original de ambos, a faixa de abertura, “The Old Shade Tree”, proporcionando desde o início uma amostra das capacidades vocais de Thile. E há também algumas versões surpreendentes de originais de outros compositores onde Thile canta com a sua voz de falsete e toca o seu bandolim numa inesperada combinação com as sonoridades do piano. No clássico de Nashville “Scarlett Town”, um tema da dupla David Rawlings e Gillian Welch, Mehldau faz côro ao lado da voz de Thile e o resultado é arrebatador. Destaque para as  versões de canções como  “Don’t Think Twice, It’s All Right” de Bob Dylan, do clássico “I Cover The Waterfront”, um original de Johnny Green imortalizado por Billie Holiday, de “Marcie” de Joni Mitchell ou, ainda, ”Independence Day” de Elliott Smith, aqui numa versão apenas instrumental. “Chris Thile & Brad Mehldau” está disponível em duplo CD, em duplo LP de vinyl (com um tema extra,  “Fast As You Can”, de Fiona Apple) e também no Spotify.

 

PROVAR -  Uma sanduíche pode ser uma coisa fantástica e pode ser uma coisa medonha. Infelizmente a maior parte das sanduíches nos cafés portugueses são medonhas - mesmo as mais básicas. Por exemplo a mais tradicional de todas, a sandes de fiambre, é maioritariamente fornecida sob a forma de uma carcaça amolecida, com textura semelhante a borracha, acidentalmente barrada de manteiga mal espalhada (já nem falo das que levam margarina, que as há), com fiambre em reduzida quantidade, mau corte e qualidade inferior. Na maior parte dos casos o corte é grosso, em vez das fatias finas que têm mais sabor. Se sugerirmos que coloquem uma folha de alface olham-nos como se estivéssemos a pedir para substituir a manteiga por caviar. Se usarmos a variante queijo somos brindados com uma fatia acidental de queijo flamengo sensaborão. Tudo isto piora se passarmos ao presunto, que tem grandes probabilidades de aparecer sob a forma de lascas grossas e algo ressequidas que são um teste à integridade de qualquer dentadura. Nem as organizações modernaças como a Padaria do Bairro ou a Padaria Portuguesa conseguem ultrapassar esta mediocridade sanduicheira básica. O meu conselho é que frequentem sempre o mesmo local, de preferência um café tradicional, que partilhem pacientemente com os empregados da casa como querem a sanduíche, que peçam fiambre “do bom e reforçado” e que ganhem a estima de quem está atrás do balcão. Nestes cafés tradicionais, que gostam de ter clientes regulares e não apenas de passagem, os empregados mantêm-se além das estações e vão conhecendo as manias dos clientes. Felizmente tenho locais assim, como a Confeitaria Valbom, onde me fazem uma magnífica sandes de fiambre onde nada de mal se passa.

DIXIT -  “Hoje não há direita” - Vasco Pulido Valente

 

GOSTO - Da edição, pela Gulbenkian, em três volumes, dos ensaios e artigos de imprensa escritos por Agustina Bessa-Luís entre 1951 e 2007.

 

NÃO GOSTO - Da ausência dos membros do Governo da área da Cultura na apresentação realizada em Lisboa, na Gulbenkian, da recolha de ensaios e artigos de Agustina.

 

BACK TO BASICS - A mudança é o processo pelo qual o futuro invade a nossas vidas - Alvin Toffler

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publicado às 14:00

AUTÁRQUICAS - É TUDO DEMASIADO MAU

por falcao, em 03.02.17

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ELEIÇÕES - Olho para o panorama daquilo que já se conhece e do que se adivinha das próximas eleições autárquicas e só me sai uma frase: é tudo demasiado mau. De norte a sul os partidos sofrem crises e deserções, mostram hesitações, vivem ilusões, entram em contradições. Em Lisboa, sobretudo, portam-se de forma inconsciente e abdicaram de combater um autarca substituto que transformou o centro de Lisboa num recreio pessoal.  Medina, estimulado por Salgado e embalado por Sá Fernandes, deixa marcas profundas na cidade, contra os lisboetas e a favor de uma noção de cidade-cenário bonitinha mas desconfortável - o poder vigente cuidou de embelezar o que está à vista, mantendo em ruínas o que está escondido. Tem uma noção antiga de cidade, saudosista e reaccionária, que mascara e usa na propaganda. Lisboa continua a perder habitantes, a sua população continua a envelhecer, está a deixar de ser um local agradável com tantas complicações que são postas no dia a dia a quem nela decidiu viver e trabalhar. Não admira o que sucedeu ao PSD na capital: quem nunca conseguiu ser oposição não vai ser alternativa. As eleições autárquicas deviam ser um exemplo de propostas de proximidade e de empenho político na melhoria efectiva da qualidade de vida. O pior de tudo é que nestas autárquicas, um pouco por todo o país, aquilo a que se assiste é ver os partidos a procurar a sua satisfação própria, distribuindo empreitadas e delapidando dinheiro em obras sem sentido, em vez de cuidarem do bem público. E como se preocupam mais com o umbigo do que com os objectivos, nem alianças conseguem fazer. E, nalguns casos, nem encontram quem queira ser candidato, com ideias e credibilidade.

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SEMANADA - Nem um único dos titulares de cargos políticos e públicos abrangidos pelo Código de Conduta aprovado pelo Governo em setembro passado  emitiu qualquer comunicação de conflito de interesses; um engenheiro da Associação Regional de Saúde do Norte confessou que desde há 20 anos exige luvas para aprovar as obras que superintende; os três principais corruptores livraram-se de ser acusados pelo Ministério Público por fazerem donativos de cerca de 2000 euros a instituições de solidariedade e prestarem depoimentos contra o principal acusado, que deles recebeu perto de meio milhão de euros para facilitar negócios; o mercado imobiliário em Portugal cresceu 50% nos últimos dois anos; o valor das pensões do Estado caíu 27% desde a troika; a dívida pública portuguesa atingiu no final de 2016 os 241,1 mil milhões de euros, o que representa um aumento de 9,5 mil milhões face a 2015: a PSP e a GNR arrecadaram 78,3 milhões de euros em multas de trânsito em 2016, menos 11,6 milhões que em 2015; o tabaco está 18% mais caro que em 2011 mas a venda de cigarros aumentou 14% no ano passado; o Observatório da Justiça elaborou um estudo sobre a actuação dos tribunais em casos de violência doméstica e concluíu que há decisões de sentido contrário em situações semelhantes; guardas prisionais denunciaram que as famílias de alguns detidos estão a ser chantageadas por outros detidos que exigem pagamentos para que os familiares presos não sejam espancados nas cadeias; em Tomar foi descoberto um lar ilegal que tinha dez idosos a dormir numa garagem.

 

ARCO DA VELHA - Oito pessoas perderam a vida em Janeiro e 45 ficaram  desalojadas devido a incêndios que ocorreram quando tentavam aquecer a casa.

 

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FOLHEAR - Hoje o livro de que vou falar pode ouvir-se em casa e ver-se em palco. “Mão Verde”, assim se chama o projecto, foi encomendado pelo Teatro Municipal de S.Luiz, onde estreou ainda em 2015, e coexiste sob a forma de um livro ilustrado, de um disco que vem com o livro e onde são cantados alguns dos poemas do livro e, finalmente, um espectáculo que domingo, dia 5, voltará a ser apresentado pelas 17h00 na Casa da Música, no Porto. A autoria do projecto é da rapper e socióloga Capicua (Ana Matos Fernandes) e do músico Pedro Geraldes (na composição, guitarra, programações e teclados). Aos dois autores juntam-se agora em palco,já que anteriormente era apenas o duo de autores que aparecia ao vivo, Francisca Cortesão no baixo e António Serginho nas percussões. A edição de “Mão Verde” reúne o livro e o disco num só objecto com magníficas ilustrações de Maria Herreros. As canções e os textos falam da natureza - das plantas e animais que constituem o mundo mágico que todos podem descobrir - sobretudo os mais novos. Arrisco dizer que é como um mapa musical de um jardim. Como escreve Capicua, “ as árvores quando morrem viram livros e os livros guardam as histórias e as memórias dos antigos. Das folhas das árvores para as folhas dos livros passa a poesia que nos ensina a ser livres”.

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VER -  A exposição “José de Almada Negreiros - Uma maneira de ser moderno”, que inaugurou esta semana na Fundação Gulbenkian, é uma retrospectiva da obra do autor que engloba mais de 400 trabalhos, alguns deles inéditos, e ocupa até 5 de Junho as duas grandes salas de Exposições Temporárias da Fundação, na Avenida de Berna, em Lisboa. Na Galeria Principal mostram-se a pintura e o desenho em ligação com os trabalhos que o artista fez em colaboração com arquitetos, escritores, editores, músicos, cenógrafos ou encenadores. Na sala do piso inferior é destacada a presença do cinema e da narrativa gráfica. Juntam-se ainda obras e estudos inéditos que permitem descobrir  várias facetas do processo criativo de Almada Negreiros.  Almada, visionário, dizia em 1927, na conferência “O Desenho”, em Madrid: “Isto de ser moderno é como ser elegante: não é uma maneira de vestir, mas sim uma maneira de ser. Ser moderno não é fazer a caligrafia moderna, é ser o legítimo descobridor da Novidade”. E sobre si próprio, em “A Invenção do Dia Claro”, de 1921: “Reparem bem nos meus olhos, não são meus, são os olhos do nosso século! Os olhos que furam para detrás de tudo.” São estes olhos, tão patentes nos seus auto-retratos, que são a sua imagem de marca. Almada defendia uma modernidade presente em todo o lado, nos edifícios públicos, nas ruas, no teatro, no cinema, na dança, no grafismo e nas ilustrações dos jornais e entendia o artista como o agente principal de todo esse movimento. A programação complementar desta retrospectiva, que assinala os 120 anos sobre a data de nascimento do artista, inclui uma peça de teatro, visitas às gares marítimas de Alcântara e Rocha do Conde de Óbidos onde estão murais de Almada, um concerto, um ciclo na Cinemateca Portuguesa e a exibição da obra multimedia “Almada, um Nome de Guerra” de Ernesto de Sousa. E há ainda a aplicação  “A Lisboa de Almada”, com um roteiro em 30 pontos da vida e das obras do artista na capital, desde as tapeçarias do Ritz aos vitrais da Igreja de Nossa Senhora de Fátima.

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OUVIR - Numa outra encarnação Curtis Stigers foi um cantor pop com vagas incursões na soul e no rock e que em 1992 ganhou fama com “I Wonder Why”. Depois fez carreira como cantor de jazz, compositor e saxofonista. Agora registou um disco de homenagem à histórica gravação “Live At The Sands”, de Frank Sinatra, feita em Las Vegas, em 1966, com a orquestra de Count Basie. Stigers alinhou a coisa com o repertório de Sinatra e seguiu o exemplo, gravando ao vivo em Copenhaga com a Big Band da rádio pública dinamarquesa. A qualidade desta orquestra, que captou o espírito e o swing de Count Basie, é o primeiro destaque do disco. E Stigers, que não é o xaroposo Michael Bubblé, afirma-se bem em temas como “Come Fly With Me”, “I’ve Got You Under My Skin”,”You Make Me Feel So Young”,  “Fly To The Moon”, “The Lady Is A Tramp” ou “One For My Baby”, mantendo aliás o fraseado original de Sinatra. É um disco de versões, claro, mas é um belo disco, que seguiu as orquestrações originais de Nelson Riddle, Billy May e Quincy Jones. E acaba por ser uma curiosa homenagem a Sinatra e a Count Basie. “One More For The Road”, de Curtis Stigers com a Danish Radio Big Band.

 

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PROVAR -  Rumemos então a Oriente no mapa lisboeta. Isto não quer dizer ir para a zona da Expo, quer dizer procurar um restaurante chinês que seja frequentado por chineses. É o caso do Palácio do Mar, na Rua D. Estefânia - na parte de cima da rua, ao lado de uma histórica cervejaria dos noctívagos lisboetas, “O Arpão”, agora substituída por uma hamburgueria sem história, uma das quatro, todas igualmente sem história, que existem num raio de 500 metros. O Palácio do Mar apresenta-se como uma casa dedicada à “alta cozinha asiática” e oferece menu de almoço acessíveis a 6 euros, horário em que a casa é mais frequentada por ocidentais - embora se vejam sempre alguns chineses na sala, normalmente com pedidos bem diferentes dos portugueses. Mas é à noite que a casa se torna mesmo um local sobretudo frequentado por orientais. Resumindo-me à minha qualidade de ocidental cabe-me elogiar os raviolis chineses cozidos a vapor, cozinhados na hora, e o pato à Pequim, bem crocante e saboroso. Para acompanhar sugiro uma deliciosa e aromática cerveja chinesa, de malte de cevada, lúpulo e arroz, a Tsingtao. Na lista podem ainda encontrar sopas, saladas e mariscos, que ajudam a fazer a boa reputação da casa.

Palácio do Mar, Rua Dona Estefânia 92 A -  Telefone 218 278 315.

 

DIXIT -  “Fogo com fogo se combate. É assim que a política se faz” - Miguel Esteves Cardoso

 

GOSTO - A Academia das Ciências aprovou uma proposta de aperfeiçoamento do acordo ortográfico que propõe o regresso das consoantes mudas, do acento gráfico e circunflexo e também do hífen.

 

NÃO GOSTO - Passado mais de um ano o Conselho Geral Independente da RTP ainda não apresentou o seu relatório sobre a actividade do operador de serviço público relativo ao ano de 2015. Nos corredores da empresa é conhecido por Conselho Geral Inútil.

 

BACK TO BASICS - “Nunca sabemos quem verdadeiramente somos até vermos aquilo que podemos ser capazes de fazer” - Martha Grimes

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publicado às 13:30


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