Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]


IMG_0311.jpg

INQUIETUDES - Quando me recordo do que se tem passado nas últimas semanas no domínio das restrições exercidas sobre obras de arte, das clássicas às contemporâneas, fico inquieto. Com base em diversos pretextos quadros clássicos são retirados de exposição em museus prestigiados invocando razões morais, imagens com conteúdos sexuais, mas há muito aceites como expressão artística, são amaldiçoadas, fotografias de alguns dos grandes fotógrafos do século XX são denegridas por mostrarem o corpo humano, e, sobretudo na moda, acusadas de o explorarem. Esta voragem puritana está a viver num crescendo perante a indiferença daqueles que habitualmente se rebelam contra a limitação das formas de expressão e que agora se mostram silenciosos em nome de uma nova forma de correcção política que só tem paralelo nos tempos da inquisição e do fanatismo religioso. Ao mesmo tempo obras que têm mais de carácter provocatório do que de arte foram retiradas da ARCO em Madrid, dando uma notoriedade ao autor de «Presos políticos na Espanha contemporânea» que a sua obra artisticamente não merecia de todo. Já aqui o côro dos habituais protestos se fez ouvir, num ruidoso contraste com o silêncio noutras ocasiões. Mas, como Manuel Villaverde Cabral bem fez notar, nota-se cada vez mais arasteira manifestação das ideologias partidárias que se imiscuem de forma cada vez mais deletéria no mundo da criação artística”. Parece que estamos a remar para trás, dizem-me aqui ao ouvido. E é verdade.

 

SEMANADA - Em Portugal registam-se cinco queixas de plágio por semana; em 2016 a Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos recebeu cinco mil queixas, a maioria sobre erros de leitura, facturação e cobrança da água; mais de 200 mil jovens portugueses até aos 25 anos não têm qualquer ocupação, não estudam nem trabalham; as dívidas por pagar na área da saúde cresceram 112 milhões de euros em apenas um mês; a Inspecção Geral da saúde detectou hospitais que contratam médicos ilegalmente; a falta de especialistas médicos e tarapeutas ditou o encerramento de 68 camas em unidades de reabilitação; uma instituição europeia acusa Portugal de manter detidos em condições desumanas; os pedidos de asilo a Portugal atingiram em 2017 cerca de 2000, um número recorde;  foram realizados 11 inquéritos sobre violação do segredo de justiça entre 2014 e 2017; peculato e corrupção são os crimes mais frequentes entre os 405 funcionários públicos condenados por ilegalidades em 2017; no ano passado o número de mulheres designadas para cargos de direção superior da Administração Pública foi pela primeira vez maior que o número de homens - 12 mulheres para oito homens; segundo a Marktest, há cerca de 4,7 milhões de portugueses que ouvem rádio - a maioria ouve no carro, um terço ouve em casa e cerca de 15% ouve no local de trabalho; em 2017 os diários generalistas venderam menos 15.831 exemplares por dia e fecharam o ano com uma quebra de circulação de 9%.

 

ARCO DA VELHA - O mesmo Governo que estabeleceu prazos muito apertados para a limpeza das matas anunciou em Outubro que iria participar na gestão do SIRESP e quatro meses passados não deu passos concretos nesse sentido nem cumpriu o seu próprio calendário.

 

Capa_Memorias_300dpi.jpg

FOLHEAR - Raymond Aron foi filósofo, jornalista, professor e politólogo. Nasceu em 1905, morreu em 1983 e as suas memórias constituem uma visita aos principais momentos e ideias do século passado. Já era bem conhecido quando ganhou acrescida notoriedade com  “O Ópio dos Intelectuais”, uma crítica a Sartre, ao marxismo e à intelectualidade francesa, simultaneamente uma crítica ao pensamento unilateral da esquerda e à  sua complacência face à repressão existente nos regimes comunistas - por acaso uma obra que volta a ganhar oportunidade com a sanha politicamente correcta que por aí cresce. As suas “Memórias” são uma reflexão sobre um século de grandes mudanças, desde a ascensão do nazismo à expansão do ideal comunista no pós-Guerra, passando pela a análise da Guerra Fria, as guerras do Vietname e da Argélia, a descolonização francesa e a sua opinião sobre qual foi a verdadeira dimensão do Maio de 68. No fundo estas suas “Memórias” percorrem as ideias mais salientes da sua época: o marxismo, o liberalismo e o existencialismo. Foi colega de universidade de Sartre e conviveu com personalidades como Charles de Gaulle, André Malraux, Henry Kissinger ou Giscard D’Estaing e neste livro traça retratos destas figuras. Para quem gosta de ler sobre as ideias e políticas que moldaram o século XX, as “Memórias” de Raymond Aron acabaram de ser reeditadas, 35 anos depois da sua publicação original, pela Guerra & Paz na sua colecção Grandes Livros, com tradução de Susana Serrão.

 

Personas Excelentíssimas.jpg

VER - João Miguel Barros um advogado que vive entre Macau e Lisboa, tem já um percurso longo ligado à  fotografia. Expõe agora “Photo-Metragens”, uma coleção de 14 pequenas histórias fotográficas para ver “como quem lê um livro de contos”, segundo as palavras do próprio. A exposição, na imagem, que resultou num  livro-catálogo de grande formato, a preto e branco, arranca com “Sentido Único” nos viadutos de Xangai, para nos levar numa viagem que salta entre Lisboa, Banguecoque, a praia dos Salgados, Paris ou Hong Kong. Há visões nocturnas, marés vivas, pontes mágicas e alucinações nesta exposição pensada (e escrita) por João Miguel Barros, patente até 3 de Junho no Museu Berardo. Em simultâneo, promoveu na Galeria 8, no palacete da Fidelidade no Chiado, uma exposição do fotógrafo chinês Yang Yankang, intitulada “O Espelho da Alma” e que tem por tema o Budismo Tibetano e que mostra até 4 de maio 40 fotografias centradas na espiritualidade do Tibete. Num outro registo, uma das melhores fotógrafas portuguesas, Luisa Ferreira, mostra até 30 de Março, no Museu das Vítimas da Inquisição, na Igreja de Santa Maria da Várzea, em Alenquer, o seu mais recente trabalho, “Ao encontro de Damião de Goes, para José Mariano Gago”. As imagens são um testemunho da derradeira investigação do antigo Ministro da Ciência e Tecnologia, dedicada ao humanista português do século XVI: pouco antes da sua morte, em 2015, Mariano Gago convidou Luisa Ferreira para que o acompanhasse a Alenquer, terra natal de Damião de Goes, e aí recolhesse imagens do universo associado ao historiador.

 

image (2).png

OUVIR - Pouca gente se recordará que Laurie Anderson foi a única pessoa que trabalhou como  artista residente para a NASA, no início deste século. Anderson é uma artista visual, realizadora de filmes, autora e intérprete musical e na sua colaboração com a NASA trabalhou com o Kronos Quartet, um grupo de cordas contemporâneo, originário de São Francisco, também colaborador pontual da agência espacial, e ambos construíram uma peça intitulada “The End Of The Moon”. Quer Laurie Anderson quer os músicos do Kronos Quartet têm em comum uma atracção por pensar o futuro e observar de forma crítica o presente. Este “Landfall” começou por ser uma performance executada ao vivo numa digressão até chegar a este ponto - um CD que reúne 30 canções, compostas por Laurie Anderson, uma boa parte delas a evocar o furacão Sandy, com o objectivo de mostrar como a memória humana pode ser mais forte que a destruição provocada pela catástrofe. A combinação da voz de Anderson, com as sonoridades do Kronos Quartet produz um resultado marcante. “Landfall”, Laurie Anderson & Kronos Quartet, CD Nonesuch/Warner, disponível em Portugal.

 

PROVAR - O Pho é um dos pratos mais conhecidos da gastronomia vietnamita e consta de um caldo com noodles, vegetais e carne cortada aos pedaços de vaca ou frango. Como sou fã de sites de receitas dei há pouco tempo com o www.nutricaocompanhia.com , em que a nutricionista Cláudia Cunha propõe um Pho à portuguesa, completamente vegetariano. Os ingredientes, para uma dose individual,  são 200 gr de legumes congelados (feijão-verde, courgette, cebola, cenoura parisiense, cogumelos e brócolos), um novelo de noodles de arroz, um ovo cozido por 7 minutos e coentros. O processo é simples: quando os legumes estiverem quase cozidos em água acrescentam-se os noodles que ao fim de dois ou três minutos estão no ponto e reservam-se legumes e noodles. Depois tempera-se essa água (que vai ser o caldo) com azeite, vinagre de vinho branco e sal. Numa taça mistura-se  tudo e coloca-se o caldo a gosto. Acrescenta-se o ovo que já foi cozido previamente durante 7 minutos, partido ao meio e, para finalizar, colocam-se pedaços de coentros. É uma boa alternativa para as noites frias deste Inverno. Cláudia Cunha é autora de um livro intitulado “Doce Veneno - Plano Detox de 21 dias para se livrar do açúcar” e tem o canal www.youtube.com/nutricaocompanhia  onde vai publicando filmes com as suas receitas e conselhos.

 

DIXIT - “A política é uma actividade altamente lucrativa (...) Dá rendimento, nome e influência. Os partidos devem pagar impostos como toda a gente e como as empresas. E o Estado deve financiar pouco” - António Barreto

 

GOSTO - Vhils, aliás Alexandre Farto, tem uma exposição na Galeria Over The Influence em Los Angeles cuja inauguração foi um êxito de público.

 

NÃO GOSTO - A CP vai vender para sucata locomotivas a vapor raríssimas do início do século XX e diz não ter condições para as conservar nem recuperar.

 

BACK TO BASICS - “Os políticos são a mesma coisa por todo o lado: prometem uma ponte onde nem sequer há um rio” - Nikita Khrushchev.




Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 13:15

O DESTINO MARCA A HORA

por falcao, em 13.10.17

IMG_1969.jpg

TIC-TAC - O relógio da política, que estava parado há uns tempos, voltou a andar, as autárquicas deram mesmo um abanão ao estado das coisas. O PSD tem uma oportunidade de voltar a fazer oposição e o PCP já começou a mostrar que reactivou a política de rua - está visto que vamos ter mais greves nos próximos tempos. Cada um destes dois partidos procura recuperar a sua identidade, perdida no caso do PSD por uma incompreensão do que tinha mudado no país e, no do PCP, pelos travões que lhe foram impostos pela geringonça. No PSD a luta interna vai ser dura entre a ala de Rio, apoiado pela previsível velha guarda do partido e Pedro Santana Lopes, que quer uma renovação de pessoas e de ideias. Qualquer dos dois não está no Parlamento nem nos habituais poisos do regime - o que coloca em vantagem Santana Lopes, mais experiente a fazer comunicação fora do círculo institucional. Para além das pessoas o que está em causa tem a ver com o funcionamento dos partidos e do sistema político: quem quer dar mais voz aos cidadãos? Quem vai conseguir envolver e cativar simpatizantes, apoiantes, independentes, fazendo o partido crescer para além do seu aparelho? No fim do dia quem quer mesmo afirmar a diferença? Já se percebeu que de um lado está um candidato que prefere não aceitar perguntas de jornalistas, como Rio fez na apresentação da sua candidatura e, do outro, alguém que aprecia uma boa polémica e gosta de correr riscos, como Santana Lopes. Entre a pressão do PCP e o reviver do PSD António Costa vai ter um fim de legislatura mais agitado que esperava. Imaginou, talvez, que poderia ensaiar uns passos de dança com Rui Rio, pode ser que em vez disso lhe reste continuar a dançar o tango com Catarina Martins.

 

SEMANADA - O investimento público previsto no Orçamento de Estado de 2018 será inferior ao do último ano do governo de Passos Coelho e equivale a menos de 2% do PIB, que é o valor mais baixo da Europa; em 2016 o Estado concedeu cerca de 2500 milhões de euros em benefícios fiscais a entidades sujeitas a IRC; cem mil famílias não vão ter descida no IRS; nos últimos dois meses e meio verificaram se 29 assaltos à bomba a caixas multibanco; desde 2015 já ocorreram 215 insolvências de farmácias; a marca Elefante Branco, registada no Instituto Nacional da Propriedade Industrial,  está à venda por um valor base de  cinco mil euros; em Portugal realizaram-se 850 transplantes de coração em 30 anos, e o país está no 12º lugar europeu neste tipo de cirurgias; há 1672 obesos à espera de cirurgia adequada, mais 10% que no ano passado; a entidade reguladora da saúde recebeu 49 mil queixas nos primeiros oito meses do ano; em Portugal a penetração das redes sociais aumentou quase três vezes e meia entre 2008 e 2017, passando de 17.1% para 59.1%, segundo a Marktest; um milhão e 807 mil os portugueses costumam jogar online, segundo os resultados do estudo Bareme Internet 2017; o número de alunos cresce há quatro anos seguidos nas universidades privadas que este ano registaram 20 600 novas entradas; temos 140 reclusos por cada 100 mil habitantes e a idade média dos detidos é de 39,7 anos; a nova lei de estrangeiros já legalizou cadastrados violentos em Portugal.

 

ARCO DA VELHA- A concessionária dos cacilheiros, Soflusa, reagiu aos protesto dos utentes sobre os enormes atrasos devido à greve que afecta os seus barcos, pedindo paciência aos passageiros que se deslocam para o trabalho e sugerindo que evitem as horas de ponta.

 

IMG_1976.jpg

FOLHEAR - O futebol não é coisa que me excite - não acho grande graça ao assunto. Mas fico sempre fascinado pelo entusiasmo que suscita, pela paixão que se sente, e pelas conversas infindáveis que proporciona. O que se passa nalguns canais de televisão do cabo é sintomático - há uns rapazes que analisam a bola como se estivessem a analisar um tratado filosófico, outros que se insultam como se estivessem ébrios numa taberna e outros ainda que vibram como se estivessem num Indiana Jones. Reconheço que o futebol é bom motivo de conversas -  mas há há muito que recomendei ao meu barbeiro que não me falasse de futebol e se um taxista tenta começar num relato sobre o Jesus ou o Vitória desato a falar da uber e lá me vou safando. Mas sei que o futebol é uma paixão - que vem de miúdo quando se joga na rua, numa praceta, em qualquer lugar. “Houve um tempo em que o futebol era um prazer barato que se jogava ao domingo. Não era difícil que alguém se apaixonasse por aquele jogo de regras simples, com artistas que fintavam os adversários e marcavam golos” - esta descrição está em “Futebol, o estádio global”, uma nova edição dos Ensaios da Fundação Francisco Manuel Dos Santos, escrita por Fernando Sobral (declaração de interesse: meu amigo e companheiro de muitas páginas). Fernando Sobral fala da evolução do jogo, com o saber de um conhecedor e a distância fleumática de um atento observador que o caracteriza - e que lhe permite falar das relações entre futebol, marcas, economia, mídia, poder e política, sempre com uma frase de fundo: “para os adeptos o futebol é quase tudo”. Até eu fiquei mais interessado pelo futebol depois de ler este livro. “O futebol não tem fronteiras, acaba com elas”, como diz Fernando Sobral.

IMG_1981.jpg

OUVIR - Alfredo Rodrigo Duarte, Alfredo Marceneiro para toda a vida, nasceu em 1891. Marceneiro de profissão, tornou-se fadista por vocação e assim ficou conhecido. Tive a felicidade de o ouvir cantar e até, eu miúdo ainda, de o ouvir a falar à volta de uma mesa. Era um homem fascinante, uma voz impressionante e, sobretudo, um sentir especial que transmitia a cantar o seu fado. Até hoje nunca tinha percebido as semelhanças que existem, de facto, entre Camané e Marceneiro - tão distantes no tempo um do outro. Mas ao fazer um disco de homenagem a Alfredo Marceneiro, Camané expôs essa semelhança. E o maior ponto dessa semelhança é na alma, no tal sentir do que se canta. Logo na faixa de entrada, “Cabaré”, Camané canta ao que vem - não é a um despique, é a uma homenagem feita com a voz que faz ouvir o coração. Sou dos que considera Camané o grande fadista português surgido na segunda metade do século XX - para mim não há outro como ele na intensidade, na capacidade de interpretação, na comunicação que estabelece - na emoção que transmite - será isto o Fado? Ouvir estas versões de “Olhos Fatais”, “Ironia”, “Empate Dois a Dois”, “Despedida”, “Lembro-me de Ti” e, sobretudo “O Remorso” é  uma experiência extraordinária. Simples mas intenso, criativo mas respeitador, inesperado mas tradicional, Camané fez desta homenagem a Marceneiro o grande disco de Fado dos últimos anos. Destaque ainda para  a produção exemplar de José Mário Branco, para a guitarra portuguesa de José Manuel Neto, a viola de Carlos Manuel Proença e o extraordinário trabalho de baixo de Carlos Bica. “Camané Canta Marceneiro”, CD Warner, disponível numa edição especial com CD e DVD ou apenas CD.

image.png

VER - Lu Nan, fotógrafo chinês e correspondente da agência fotográfica Magnum mostra no Museu Berardo uma longa marcha, a preto e branco: "Trilogia - Fotografias (1989-2004)" inaugurou esta semana (na imagem) e é uma mostra parcial de um trabalho que Lu Nan realizou ao longo de 15 anos por toda a China. Dividida em três partes a exposição mostra a realidade dos hospitais psiquiátricos da China, segue depois a estrada da fé católica e termina com o dia a dia dos camponeses tibetanos. O curador desta exposição, João Miguel Barros, advogado português apaixonado pela fotografia (e pelos fotógrafos chineses em particular) escreveu que o inferno, o purgatório e o paraíso da "Divina Comédia" de Dante Alighieri não andam muito longe daqui."Lu Nan, Trilogia - Fotografias (1989-2004)" fica no Museu Coleção Berardo, CCB, em Lisboa, até 14 de janeiro, onde podem também ser comprados os três livros que compõem esta Trilogia: The Forgotten People: The Condition of China’s Psychiatric Patients; On The Road: The Catholic Faith in China e Four Seasons: Everyday Life of Tibetan Peasants. Passando para outra sugestão, ainda na fotografia, até 29 de Dezembro pode ser vista na Casa da América Latina uma exposição do trabalho de Daniel Mordzinski  que retratou dezenas de escritores ao longo da sua vida. Para mudar de registo o MAAT propõe uma exposição sonora - uma instalação áudio de Bill Fontana, “Shadow Surroundings”, baseada em gravações feitas no ambiente da ponte 25 de Abril.

 

PROVAR - Nesta altura do ano um fim de semana alargado no Douro é uma coisa verdadeiramente única. Há o Douro, as vinhas  de Outono que estão a mudar de côr, as quintas muito bem arranjadas, o acolhimento sempre simpático e descontraído em qualquer lugar. O norte, nessa matéria, é outro campeonato. Um pequeno exemplo: em Tonda, uma freguesia de Tondela, íamos à procura de um restaurante que nos tinham aconselhado, mas, por engano tínhamos antes entrado num pequeno café-restaurante a perguntar se era ali o local que procurávamos - que não, mas sorridentes disseram que este, simples, era melhor. Fugindo da recomendação fomos para o que o acaso nos tinha dado e encontrámos um espaço alegre e familiar onde nos serviram uma vitelinha de Lafões digna de nota - tudo isto se passou n’O Samarras,  Rua de Santo Amaro, Tonda. Mas o melhor dos dias estava para vir com a localização, em cima do rio Douro, da Quinta da Ermida, em Baião. Além do alojamento e dos fins de tarde à conversa em torno de um bom verde branco produzido na quinta, os jantares eram de cozinha antiga portuguesa - merece destaque a bôla servida como petisco de entrada, uns belos rissóis de carne , além de um frango do campo com batatas e arroz a trazer memórias de infância. Ali perto, também, ficou na memória A Casa do Almocreve, em Portela do Gôve, que proporcionou  um anho extraordinário de tempero e boa confecção. E mal ficaria se não evocasse aqui a prova de vinhos, tão bem explicada, na Quinta de Covela, em S. Tomé de Covelas. Destaque para o Rosé, para o Branco Escolha, e para a descoberta de um branco da casta local avesso, além dos tintos da Quinta das Tecedeiras. Se  a tudo isto somarmos uma noite de lua cheia reflectida no Douro ficam com uma boa ideia do que é um belo fim de semana.

 

DIXIT - “Neste momento os partidos têm todo o poder e os cidadãos nenhum” - Marina Costa Lobo

 

GOSTO - Segundo um estudo da ACEPI, mais de 91% da população portuguesa vai estar a utilizar a internet até 2025 e 59% farão compras online.

 

NÃO GOSTO - O consumo de antidepressivos em Portugal duplicou nos últimos quatro anos.

 

BACK TO BASICS - “Uma boa oportunidade é falhada pela maior parte das pessoas porque aparece vestida de fato macaco e é confundida com trabalho” - Thomas Edison.

(Publicado no Jornal de Negócios, Weekend, de 13 de Outubro de 2017)

http://www.jornaldenegocios.pt/opiniao/colunistas/manuel-falcao/detalhe/20171013_1021_a-esquina-do-rio?ref=Opini%C3%A3o_grupo1

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 11:25


Mais sobre mim

foto do autor


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.



Arquivo

  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2019
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2018
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2017
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2016
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2015
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2014
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2013
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2012
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2011
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2010
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2009
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2008
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2007
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D
  183. 2006
  184. J
  185. F
  186. M
  187. A
  188. M
  189. J
  190. J
  191. A
  192. S
  193. O
  194. N
  195. D
  196. 2005
  197. J
  198. F
  199. M
  200. A
  201. M
  202. J
  203. J
  204. A
  205. S
  206. O
  207. N
  208. D
  209. 2004
  210. J
  211. F
  212. M
  213. A
  214. M
  215. J
  216. J
  217. A
  218. S
  219. O
  220. N
  221. D
  222. 2003
  223. J
  224. F
  225. M
  226. A
  227. M
  228. J
  229. J
  230. A
  231. S
  232. O
  233. N
  234. D