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APRENDER – Al Ries, o grande mestre norte-americano do marketing e relações públicas , escreveu um fantástico artigo sobre a campanha eleitoral norte-americana no site da revista «Advertising Age»  intitulado «What Marketeers Can Learn From Obama’s Campaign» (http://adage.com/columns/article?article_id=132237) . Começa assim: «Imaginem um homem relativamente desconhecido. Mais novo que os seus rivais. Negro. Com um nome difícil e de má sonoridade. Agora tenham em consideração o seu primeiro rival: a mulher mais conhecida na América, ligada a um dos políticos que maior êxito obteve na História. Tenham também em consideração o seu segundo rival: um herói de guerra bem conhecido e com uma longa carreira, bem sucedida, como Senador. Nada disto teve significado. Barack Obama teve uma estratégia de marketing melhor que a de qualquer deles: Change». O artigo de Al Ries é muito bom, recorda a importância de manter mensagens claras e constantes, compara as campanhas de Hillary Clinton e John McCain com a de Obama, estabelece comparações com campanhas de produtos de consumo e termina sublinhando a importância que teve a consistência da mensagem de mudança, como se criou uma rede em torno do conceito e como essa rede foi montada por forma a que fosse muito fácil entrar nela e participar.

 

ARRISCAR - A campanha de Obama, dirigida por David Axelrod, foi o resultado de muito profissionalismo e de uma dose abundante de sentido de risco. Um grande amigo meu costuma dizer que, se ao longo da vida não tivesse insistindo em fazer as coisas de forma diferente e em estabelecer objectivos elevados, não teria chegado onde chegou. Felizmente chegou longe. Os grandes líderes, na realidade, gostam de desafios que parecem impossíveis e não têm receio em fazer as coisas de forma diferente. Foi este o enorme trunfo de Obama para vencer as eleições. Reparem – o autor dos seus poderosos e surpreendentes discursos é Jon Favreau, que agora tem 26 anos mas que começou a trabalhar com Obama quando tinha apenas 23. Outra das armas de Obama foi a internet – permitiu-lhe recrutar voluntários, organizar um processo de recolha de donativos que obteve os melhores resultados de sempre, criar uma base de dados de votantes que até ao último minuto foi estimulada para exercer o voto. Todos os observadores concordam que do ponto de vista tecnológico a campanha de Obama, baseada em jovens voluntários da área de engenharia informática, apresentou soluções novas, aproveitou as potencialidades do «social networking» e foi, verdadeiramente, uma campanha digna do século XXI. Esta campanha é um verdadeiro ‘case study» de como se deve fazer política hoje em dia.

 

MUDAR - Há duas semanas a revista «Newsweek» pediu a Michael Bloomberg, entre outros, para escrever uma carta ao futuro presidente, com sugestões concretas para a sua acção. O artigo merece ser lido (http://www.newsweek.com/id/165642) porque sai fora dos cânones dos conselhos políticos mais habituais. Um dos pontos fortes do artigo é a forma de conseguir efectivamente fazer reformas, ganhando apoios noutros sectores políticos: a nomeação de um gabinete bipartidário, fazer nomeações tendo apenas em consideração quem é melhor e não quem é da mesma cor, dar a mão aos seus opositores, por forma a que eles tenham dificuldade em romper, fazer as negociações legislativas deixando que toda a gente possa sentir o sabor da vitória em vez de tentar compromissos que acabam por impedir as mudanças – aproveitar as melhores ideias, independentemente de onde elas vêm. Bloomberg deve saber do que fala – trabalhou tão bem que teve uma autorização especial para concorrer a um terceiro mandato para Mayor de Nova York (o limite são dois mas os representantes da cidade decidiram dar-lhe mais uma oportunidade). E em Nova York, gente de todos os partidos e tendências, concorda que a cidade mudou e está melhor com Bloomberg. Aqui está um artigo que os nossos queridos políticos locais deviam ler. E, se possível, seguir.

 

PORTUGAL - O grande problema da lei das nacionalizações é saber como se distingue o interesse público do interesse político – já que os governos gostam de classificar todas as medidas políticas que tomam em nome do tal interesse público. Este é o caminho mais certo para arbitrariedades. Cá para mim na origem da nacionalização do BPN esteve a inveja: o Ministro Teixeira dos Santos devia andar com inveja dos seus colegas nacionalizadores britânico, alemão e norte-americano e vai daí decidiu que não lhes queria ficar atrás. O mais curioso, no entanto, no caso português, é que na origem da decisão não está a actual crise do sistema financeiro, mas sim actos de gestão ocorridos há anos, já denunciados pela actual administração do Banco e sobre os quais o Banco de Portugal nada fez.

 

VER – Agora no rescaldo das eleições norte-americanas ainda é mais divertido ver «Destruir Depois de Ler», o filme dos irmãos Ethan e Joel Cohen que parodia os serviços secretos dos Estados Unidos e as obsessões dos americanos com interpretações deliciosamente cabotinas de John Malkovich, George Clooney e Brad Pitt.

 

OUVIR - «Night & The Music», o refrescante CD do trio do pianista Fred Hersch, provavelmente o melhor novo disco de jazz que ouvi nos últimos meses. Com base na mais clássica das formações de jazz, o trio, Hersch aventura-se na exploração de novas sonoridades. Descobri-o na discoteca Trem Azul, Rua do Alecrim 21 A.

 

PROVAR – Sempre deliciosas a muqueca de camarão e a feijoada à brasileira do restaurante «Barra do Quanza», uma boa alternativa para quem quer ir ao fim de semana ver o rio e já está fartinho de peixe grelhado. Preços razoáveis, bom vinho branco da casa, caipirinha excelente sem açúcar a mais. Clube Naval de Lisboa, Doca de Belém, Av de Brasília, tel. 213620697.

 

BACK TO BASICS – Nunca voto em ninguém, voto sempre contra alguma coisa, W.C. Fields.

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