Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]


AS NOVAS ENCRUZILHADAS DA POLÍTICA

por falcao, em 02.02.18

IMG_0337.JPG

ENCRUZILHADA - A maior prova de que vivemos novos tempos veio de uma afirmação proferida esta semana por Assunção Cristas: “conto com o PSD para uma alternativa às esquerdas unidas”. Com esta simples frase a líder do CDS alterou a ordem dos factores e colocou o seu partido na liderança da oposição, que efectivamente tem assumido, colocando o PSD na posição subalterna. A frase, e a sua circunstância, mostram a situação a que o PSD chegou - e que Nuno Garoupa bem dissecou numa série de artigos. Mas outro facto político surgiu esta semana e é o mais significativo na área social-democrata: Carlos Moedas e Pedro Duarte anunciaram que vão apresentar uma moção ao Congresso onde é patente, pelas primeiras coisas que se conhecem, que desejam sair do dogma, agitar as águas e  levar o partido e os seus militantes a pensar. No fundo o que esta moção de Carlos Moedas e Pedro Duarte pretende é começar a trabalhar num novo posicionamento do seu partido. O PSD, com as suas contradições e indefinições chegou àquela situação que atinge por vezes alguns fabricantes automóveis: fazem veículos que andam, mas incaracterísticos, e, num doloroso processo, perdem adeptos e destroem o valor da marca. Andar, anda - mas não seduz nem marca a diferença. Se acrescentarmos a isto a recente proposta de iniciativas da sociedade civil para alterar a lei eleitoral de forma a criar círculos uninominais, podemos dizer que existe um clima de mudança. Vamos é ver se os partidos e a Assembleia da República querem olhar para o passado ou perceber o futuro.

 

SEMANADA - As famílias portuguesas devem mais de 25 mil milhões aos bancos, o maior número dos últimos quatro anos; os bancos estão a conceder uma média de 350 milhões de euros por mês para crédito ao consumo; em 2017 foram importados mais de 60 mil veículos usados do estrangeiro e as marcas que mais subiram foram a Tesla e a Porsche; em 2016 saíram de Portugal 1,7 mil milhões de euros para offshores sob escrutínio da União Europeia; cada jornada de futebol movimenta 340 milhões de euros em apostas e um Benfica-Sporting pode chegar aos 100 milhões de euros; o IMT teve uma receita recorde de 851 milhões de euros em 2017 graças à bolha no sector imobiliário; Castro Marim e Vila do Bispo (no Algarve) e Santa Cruz (na Madeira) foram os três concelhos onde o poder de compra per capita mais desceu nos últimos dez anos; o Estado não sabe quantas crianças estrangeiras estão institucionalizados em Portugal, em situação irregular e sem apoios; 1637 pessoas pediram a nacionalidade portuguesa nos últimos seis meses mas apenas quatro pessoas já a viram reconhecida, um deles um brasileiro arguido no processo Lava-Jato; em 2016 a entrada de portugueses nos Estados Unidos aumentou 17% superando, pela primeira vez desde 2007, os mil pedidos de vistos de residência num só ano; em 2017 registaram-se 678 casos de violência contra profissionais da saúde; a Autoridade da Concorrência tem “sérias dúvidas” na fusão da TVI com a MEO; há um juiz acusado de vender sentenças.

 

ARCO DA VELHA - Estão avariados todos os helicópteros Kamov pertencentes ao Estado e que deviam ser usados no combate a incêndios e transporte urgente de doentes.

 

image (1).png

FOLHEAR -  A edição de Fevereiro da revista “Wallpaper” é o número dedicado à atribuição dos prémios anuais de design, um dos momentos altos da publicação ao longo de todo o ano. A revista, fundada por Tyler Brulé (que depois fez a Monocle), tem conseguido manter-se como uma referência de grafismo e de montra do melhor que é produzido em termos de arquitectura, design de mobiliário, de  objectos, de acessórios e de moda. Na capa desta edição está a impressionante escadaria desenhada por Gwenael Nicolas para unir os seis andares da nova loja da Dolce & Gabanna em Mayfair, Londres - uma obra que depois é detalhadamente explicada no interior da revista e que obviamente ganhou um dos prémios. Os trabalhos escolhidos para os prémios de design proporcionam uma galeria de ideias e criatividade nas mais diversas áreas, com informação sobre os seus autores - e todos dizem respeito a peças que estão em produção e comercialização. É verdadeiramente impressionante folhear esta edição da Wallpaper e ir descobrindo as boas ideias, quer seja a surpreendente fachada do novo Museu do Design do Victoria & Albert, ou a decoração de restaurantes, quer seja ainda uma ampla mesa de sala de jantar de dimensões variáveis ou até um escorrega feito de vidro. A terminar uma boa notícia: o prémio para o melhor novo hotel foi para o Santa Clara 1728, um projecto de Manuel Aires Mateus, que pertence ao hoteleiro João Rodrigues.

 

IMG_0364.jpg

VER - Paulo Brighenti tem vindo a revelar-se como um dos mais interessantes artistas plásticos portugueses contemporâneos. Sem abandonar algumas linhas mestras que têm norteado a sua obra vai experimentando novas técnicas e trabalhando sobre materiais por vezes inesperados - como é o caso em “Três Estações Nocturnas”, a exposição que esta semana abriu na Baginski, e que é a sua quarta mostra individual na galeria. A partir do poemário “Noite de Pedra”, do escritor e artista plástico português Luís Veiga Leitão, Brighenti trabalha pintura a óleo aplicada sobre linho, com recurso a uma técnica antiga baseada na utilização de cera derretida, a encáustica. Noutros momentos inventa esculturas com base em matérias naturais, búzios de grandes dimensões, com uma face coberta de grés pintado e ainda, pontualmente, gravura. É uma exposição forte e surpreendente mesmo para quem tem seguido a obra de Brighenti, um momento marcante de afirmação com múltiplas leituras entre a evocação da natureza e a alteração surreal dessa mesma natureza. A exposição (na imagem) ficará até 3 de Março na Baginski, Rua Capitão Leitão 51.

Outra exposição marcante desta semana é “poetry as art as poetry”, de Pedro Proença (aliás John Rindpest), como o próprio artista sublinha. Aqui a matéria prima de Proença Rindpest é a palavra e a manipulação que pode ser feita da sua imagem - quer isoladamente em letras, quer em frases - assumindo a forma de um quase manifesto, com múltiplas citações de clássicos e evocações de textos de origem diversa. A mostra foi organizada pela Galeria Bessa Pereira e está na Fundação Portuguesa das Comunicações (Rua do Instituto Industrial 16). Nas montras do British Bar está a décima série de obras expostas com curadoria de Pedro Cabrita Reis, trabalhos de Vasco Araújo, Joaquim Bravo e Rosa Carvalho. Na Galeria Vera Cortês, em Alvalade, Vihls (Alexandre Farto), mostra “Intrínseco”, oito painéis que pretendem abordar os problemas da vida urbana.

 

image.png

OUVIR - Nos anos 60 a BBC gravou ao vivo, nos seus estúdios, o surgimento da pop e do rock britânicos. Os grandes nomes passaram pelos seus programas e tocaram ao vivo - quer para programas de rádio quer para a televisão. Os Rolling Stones não foram excepção e entre 1963 e 1965 estiveram presentes numa série de programas, como “The Joe Loss Pop Show”, “Top Gear”, “Saturday Club” ou “Blues In Rhythm”. Aos poucos essas gravações foram sendo editadas e no final do ano passado, nos seus BBC Records, a estação britânica lançou a colectânea “On Air” (De Luxe), que agrupa gravações de 32 temas gravados ao vivo pelos Rolling Stones em diversas ocasiões, nos anos já referidos. Aqui estão as canções mais conhecidos dessa época, desde o incontornável “Satisfaction”(num registo feito poucos meses depois do single original e com algumas diferenças),  até “Come On”, passando por versões de canções como “Mercy, Mercy”, “Carol” , “I Just Want To Make Love To You”, “Beautiful Delilah” ou ainda “I Wanna Be Your Man”, um tema que Lennon e McCartney cederam aos Stones e que eles aqui executaram com maior energia que o original dos Beatles. O som é o da rádio de então, muitas vezes com a assistência a manifestar-se ruidosamente e as misturas recuperam o espírito da época. Na verdade estas 32 gravações contam a história de como os Rolling Stones passaram de um grupo que executava com competência versões de clássicos dos blues e de R & B para uma criativa e irresistível banda que então levou o rock’n’roll a novas dimensões. The Rolling Stones , On Air, disponível no Spotify.


PROVAR - Uma das boas coisas dos últimos anos é o renascer de padarias onde o pão é feito de forma artesanal. A mais interessante que surgiu em Lisboa é a Gleba, junto à Praça da Armada, perto de Alcântara. Obra de uma equipa jovem que se dedicou a recriar o método tradicional de fazer pão, a Gleba só utiliza variedades antigas e sustentáveis de cereais cultivados em Portugal. A moagem decorre nas suas próprias instalações, em mós de pedra como as antigas, e o pão é feito na máximo três horas depois da moagem do cereal - o que garante a sua frescura. Na Gleba um ciclo de produção de pão demora um dia inteiro, desde a moagem à preparação da massa e sua cozedura. Farinhas de cereais portugueses, sal marinho integral e água são os ingredientes utilizados nas três variedades habituais da casa : broa de milho do Minho, pão de centeio verde de Trás os Montes e pão de trigo barbela também de Trás Os Montes. Todas as semanas há edições especiais, que podem ser consultadas na página de Facebook da Gleba. Este fim de semana, por exemplo, ao sábado, haverá pão com batata doce amarela e pão de figos e canela; ao domingo pão de figos e amêndoa e pão com bagas de sabugueiro. A Gleba está aberta das 10 às 20 de quarta a domingo e para o fim de semana é imperioso encomendar o pão que se pretende (uma das três variedades habituais já referidas ou as edições especiais)  via SMS para o 966 064 697 . As encomendas devem ser feitas até às 20 horas de sexta-feira. Provem que vale a pena - eu sou fão do pão de trigo barbela, bem cozido, com a crosta escura e estaladiça.

 

DIXIT - “Temos de escolher se queremos dívida ou independência” - António Barreto

 

GOSTO - O Novo Banco vai ceder obras da sua colecção para exposição em museus públicos e a colecção de fotografia, uma das melhores a nível internacional, será depositada provavelmente em Coimbra para que fique disponível ao público em permanência.

 

NÃO GOSTO - Da sucessão permanente de casos de vigarice e de corrupção ligados ao mundo dos clubes de futebol e que se estendem a magistrados e políticos - o futebol tornou-se perigoso fora dos estádios.

 

BACK TO BASICS - É provável que um poeta que lê em público os seus versos possa ter outros maus hábitos (Robert Heinlein).

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 13:15

IMG_0951.JPG

ÉPOCA - Este ano é com o Verão à porta que regressam as greves, depois de muitos meses de acalmia. Um amigo com quem almocei esta semana tem uma explicação, que me pareceu plausível, para a nova sazonalidade destas movimentações sindicais de peças fundamentais da administração pública, como o ensino e a justiça: o orçamento está em fase de preparação nos próximos meses e o objectivo dos parceiros do Governo é encontrarem mais dinheiro para a máquina do Estado. Estas greves são um sinal a António Costa e uma chamada de atenção a Centeno. Depois do cheque branco que o PCP e Bloco entregaram ao PS pós eleições de 2015, começam agora a vir as faturas. A grande incógnita está em saber o que a habilidade política de Costa conseguirá, estando os seus parceiros notoriamente nervosos e a quererem todos os dias mais uma fatia do bolo da recuperação das contas públicas. É tão engraçado ver como o estado de hibernação foi suspenso aos primeiros calores e como agora as coisas se vão agitando. O jogo tem permissas simples: Costa precisa de uma legislatura completa e com resultados visíveis em termos de cumprimento das regras europeias para tentar a maioria absoluta, ou um resultado que o deixe menos nas mãos do Bloco e do PCP. E os “compagnons de route” temem pelo seu eleitorado que começa a ficar irrequieto e acham que já é tempo de receberem o prémio de bom comportamento. Os próximos meses, até á entrega do Orçamento de Estado, vão ser muito curiosos de seguir.

 

SEMANADA - As mortes por overdose de drogas aumentaram na Europa pelo terceiro ano consecutivo e em 2015 atingiram 8400 pessoas; um estudo divulgado esta semana indica que o mercado das drogas ilícitas na União Europeia movimenta cerca de 24 mil milhões de euros por ano;  o laboratorio de polícia científica da Judiciária identificou em Portugal o aparecimento de 80 novas drogas em seis anos; em 2016, pela primeira vez em quatro anos, o Partido Socialista conseguiu um saldo financeiro positivo de 250 mil euros; a venda de casas penhoradas pelo fisco está a cair mais de 40% em comparação com o ano passado; entre 2007 e 2016 Portugal ganhou uma média de 40 mil novos cidadãos por ano, segundo um estudo do Observatório das Migrações que salienta que a maioria tem origem em países onde se fala português; o consumo de refrigerantes caíu com a nova taxa sobre produtos com açúcar e, no caso das bebidas mais açucaradas, a quebra foi de 72%; segundo a Marktest durante o mês de Abril  foram visitadas 298 milhões de páginas de sites de informação nacionais e o tempo total de navegação nestes sites superou as 4,8 milhões de horas, uma média de 1 hora e 28 minutos por utilizador, o que significa um aumento de 5.6% no número total de horas e de 12.8% no número de horas por utilizador, quando comparados com o mês homólogo do ano anterior; verificaram-se oito acidentes mortais com tratores em 15 dias.

 

ARCO DA VELHA -  Os professores marcaram greve para o dia em que se realizam exames de matérias que andaram a ensinar aos seus alunos.

 

FullSizeRender (35).jpg

FOLHEAR - Carlos Quevedo é o mais português dos argentinos. Nasceu em Buenos Aires em 1952 e, em 1978, renasceu em Lisboa depois de ter andado  por diversas paragens. E por cá ficou, a fazer teatro (encenou peças de Beckett, Ibsen e Pinter), dedicou-se à escrita, teve responsabilidades em “O Independente” e na “Kapa”, viu televisão para a “Visão” e de há alguns anos para cá apaixonou-se pela rádio - desde 2015 é o autor e produtor do programa “E Deus Criou O Mundo”, na Antena 1, onde procura fomentar o debate inter-religioso. Vai daí, pegou no conceito e no nome do programa e fez este livro, que aborda três das religiões historicamente mais representativas: o Judaísmo, o Cristianismo e o Islão. O livro tem uma abordagem histórica das origens destas religiões, a partir de um tronco comum, com origem em Abraão. Como Carlos Quevedo escreve, “só com o diálogo inter-religioso podemos conhecer o mundo diverso e semelhante dos homens de fé”. E sublinha: “Ter o mesmo Deus é o que os une, mas fazer a sua vontade na Terra parece ser a grande divergência”. O livro está organizado em quatro partes : as duas primeiras abordam o enquadramento das religiões, e a terceira mostra as posições que as três religiões têm sobre a vida dos crentes, na família, no casamento e no divórcio e, finalmente, como o judaísmo, o catolicismo e o islão encaram a morte. Este é um livro que permite descobrir os pontos comuns - e as diferenças - entre estas três religiões. “Conhecer os credos é conhecer a humanidade”, como Carlos Quevedo escreve já no final do livro.

 

FullSizeRender (34).jpg

 

VER - A recomendação da semana vai para o novo encontro proposto na Fundação Julio Pomar. Desta vez é entre o próprio Pomar e Pedro Cabrita Reis, que se encontram sob o título “das pequenas coisas”, numa exposição que ficará até 8 de Outubro no atelier-museu na Rua do Vale 7, no Bairro Alto. Esta série de encontros tem por objectivo cruzar a obra de Júlio Pomar com outros artistas por forma “a estabelecer novas relações entre a obra do pintor e a contemporaneidade” - o convidado anterior foi Julião Sarmento. “das pequenas coisas” recorre a objectos, esculturas e assemblages, em materiais variados. Pedro Cabrita Reis mostra uma série de esculturas e objectos feitos com materiais de várias proveniências, nomeadamente materiais encontrados na rua e na praia, ocupando todos os espaços do atelier-museu, incluindo o caminho de acesso do edificio recuperado por Álvaro Siza, que até aqui não tinha sido ainda utilizado como área expositiva. A informação da exposição salienta que “foi também na praia, durante um período de quatro meses de férias e trabalho no Algarve, no Verão de 1967, em Manta Rota, que Júlio Pomar começou a produzir assemblages de objectos e materiais aí encontrados, corroídos e desgastados pelo sal, pelo sol, pelo tempo”. A curadoria é de Sara António Matos, que é a directora do atelier-museu desde 2012. Outras sugestões: na Galeria Ratton - Helena Lapas expõe até final de Julho “Matéria do Tempo” (Rua da Academia das Ciências 2C); e até dia 18 ainda pode ver “Pai”, de Paulo Brighenti, na Ermida de Nossa Senhora da Conceição, Travessa do Marta Pinto, por detrás dos Pastéis de Belém.

 

E finalmente, num registo diferente, este sábado, às 16h00 mais uma sessão do ciclo “Grandes Clássicos no Grande Écran do Grande Auditório do CCB “ - no ecrã vai passar “Cleópatra”, o filme de Jospeh L. Mankiewicz com Elizabeth Taylor, de 1963, em nova versão digital restaurada.

 

image (99).png

 

OUVIR - João Gil tornou-se conhecido quando, em 1976, fundou os Trovante com Luis Represas, Manuel Faria e João Nuno Represas. Os Trovante fizeram canções que marcam a história da música popular portuguesa e João Gil compôs muita da sua música. Mais tarde criou os Moby Dick, compôs a Ala dos Namorados, esteve no projecto Rio Grande, Cabeças no Ar, Filarmónica Gil, depois os Baile Popular e o Quinteto Lisboa, entre outros. Grande parte da sua obra mais conhecida vem do tempo dos Trovante e da Ala dos Namorados. Luis Represas, João Monge, Carlos Tê são alguns dos co-autores das suas mais célebres composições. “João Gil Por…”, um duplo CD agora editado, recolhe 26 canções assinadas por João Gil, aqui interpretadas por outros nomes - 32 convidados para ser exacto. Permito-me destacar a maneira como Carlão e Lúcia Moniz reinventam a “125 Azul”, como “Tatanka” faz redescobrir “Fim do Mundo”, como Luísa Sobral dá a volta a “Postal dos Correios” ou Héber Marques canta “Solta-se o Beijo”. Destaque ainda para a simplicidade de Miguel Araújo em “Senta-te Aí”, para Jorge Palma em “Dezembro”, para Celina da Piedade (com o próprio João Gil) em “Timor”, e para João Pedro Pais e Márcia, respectivamente em “Providência Cautelar” e “Memórias de um Beijo”. Os discos de versões podem ser um exercício perigoso. Este correu muito bem. CD Warner.

 

PROVAR - Quando era miúdo não gostava nada de côco. Os bolos de côco enjoavam-me, o côco ralado fazia-me impressão. Foi graças ao caril que me reconciliei, através do leite de côco, fundamental para que o belo molho resulte. Aos poucos comecei a usar leite de côco em alguns pratos, como alternativa à nata. Esta semana, por exemplo, fiz lombos de salmão no forno com funcho e courgette cortada em esparguete, tudo embebido em leite de côco. Com os ingredientes previamente temperados com limão, gengibre, cebolinho fresco, pimenta e um salpico de vinho branco ficou uma maravilha ao fim de 25 minutos no forno, já com o leite de côco adicionado. A minha rendição ao côco estende-se ao óleo do dito. Experimentem estrelar um ovo em óleo de côco ou usá-lo para untar a placa das panquecas e não quererão outra coisa. Ainda por cima é uma gordura saudável com benefícios provados. E o melhor de tudo é que dá bom sabor aos alimentos que nele são cozinhados, o que nem sempre acontece com alguns bruxedos apresentados como saudáveis.

 

DIXIT -  “Tenho martelo e vou usá-lo com fartura” - Rui Moreira, a propósito dos festejos de S. João, no Porto.

 

GOSTO - Do discurso de aceitação do Nobel, de Bob Dylan, que ele divulgou esta semana e cuja gravação se encontra disponível na internet.

 

NÃO GOSTO - De um sistema judicial que promove investigações com base em denúncias anónimas e em cima do prazo de prescrição.

 

BACK TO BASICS - “Estou convencido que no sótão do Ministério dos Negócios Estrangeiros há uma pequena sala esconsa onde os candidatos a diplomatas são ensinados a gaguejar” - Peter Ustinov

 

www.facebook.com/mfalcao

instagram: mfalcao

twitter: @mfalcao

 

 

 

 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 14:00


Mais sobre mim

foto do autor


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.



Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2014
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2013
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2012
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2011
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2010
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2009
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2008
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2007
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2006
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D
  183. 2005
  184. J
  185. F
  186. M
  187. A
  188. M
  189. J
  190. J
  191. A
  192. S
  193. O
  194. N
  195. D
  196. 2004
  197. J
  198. F
  199. M
  200. A
  201. M
  202. J
  203. J
  204. A
  205. S
  206. O
  207. N
  208. D
  209. 2003
  210. J
  211. F
  212. M
  213. A
  214. M
  215. J
  216. J
  217. A
  218. S
  219. O
  220. N
  221. D