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AS NOVAS ENCRUZILHADAS DA POLÍTICA

por falcao, em 02.02.18

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ENCRUZILHADA - A maior prova de que vivemos novos tempos veio de uma afirmação proferida esta semana por Assunção Cristas: “conto com o PSD para uma alternativa às esquerdas unidas”. Com esta simples frase a líder do CDS alterou a ordem dos factores e colocou o seu partido na liderança da oposição, que efectivamente tem assumido, colocando o PSD na posição subalterna. A frase, e a sua circunstância, mostram a situação a que o PSD chegou - e que Nuno Garoupa bem dissecou numa série de artigos. Mas outro facto político surgiu esta semana e é o mais significativo na área social-democrata: Carlos Moedas e Pedro Duarte anunciaram que vão apresentar uma moção ao Congresso onde é patente, pelas primeiras coisas que se conhecem, que desejam sair do dogma, agitar as águas e  levar o partido e os seus militantes a pensar. No fundo o que esta moção de Carlos Moedas e Pedro Duarte pretende é começar a trabalhar num novo posicionamento do seu partido. O PSD, com as suas contradições e indefinições chegou àquela situação que atinge por vezes alguns fabricantes automóveis: fazem veículos que andam, mas incaracterísticos, e, num doloroso processo, perdem adeptos e destroem o valor da marca. Andar, anda - mas não seduz nem marca a diferença. Se acrescentarmos a isto a recente proposta de iniciativas da sociedade civil para alterar a lei eleitoral de forma a criar círculos uninominais, podemos dizer que existe um clima de mudança. Vamos é ver se os partidos e a Assembleia da República querem olhar para o passado ou perceber o futuro.

 

SEMANADA - As famílias portuguesas devem mais de 25 mil milhões aos bancos, o maior número dos últimos quatro anos; os bancos estão a conceder uma média de 350 milhões de euros por mês para crédito ao consumo; em 2017 foram importados mais de 60 mil veículos usados do estrangeiro e as marcas que mais subiram foram a Tesla e a Porsche; em 2016 saíram de Portugal 1,7 mil milhões de euros para offshores sob escrutínio da União Europeia; cada jornada de futebol movimenta 340 milhões de euros em apostas e um Benfica-Sporting pode chegar aos 100 milhões de euros; o IMT teve uma receita recorde de 851 milhões de euros em 2017 graças à bolha no sector imobiliário; Castro Marim e Vila do Bispo (no Algarve) e Santa Cruz (na Madeira) foram os três concelhos onde o poder de compra per capita mais desceu nos últimos dez anos; o Estado não sabe quantas crianças estrangeiras estão institucionalizados em Portugal, em situação irregular e sem apoios; 1637 pessoas pediram a nacionalidade portuguesa nos últimos seis meses mas apenas quatro pessoas já a viram reconhecida, um deles um brasileiro arguido no processo Lava-Jato; em 2016 a entrada de portugueses nos Estados Unidos aumentou 17% superando, pela primeira vez desde 2007, os mil pedidos de vistos de residência num só ano; em 2017 registaram-se 678 casos de violência contra profissionais da saúde; a Autoridade da Concorrência tem “sérias dúvidas” na fusão da TVI com a MEO; há um juiz acusado de vender sentenças.

 

ARCO DA VELHA - Estão avariados todos os helicópteros Kamov pertencentes ao Estado e que deviam ser usados no combate a incêndios e transporte urgente de doentes.

 

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FOLHEAR -  A edição de Fevereiro da revista “Wallpaper” é o número dedicado à atribuição dos prémios anuais de design, um dos momentos altos da publicação ao longo de todo o ano. A revista, fundada por Tyler Brulé (que depois fez a Monocle), tem conseguido manter-se como uma referência de grafismo e de montra do melhor que é produzido em termos de arquitectura, design de mobiliário, de  objectos, de acessórios e de moda. Na capa desta edição está a impressionante escadaria desenhada por Gwenael Nicolas para unir os seis andares da nova loja da Dolce & Gabanna em Mayfair, Londres - uma obra que depois é detalhadamente explicada no interior da revista e que obviamente ganhou um dos prémios. Os trabalhos escolhidos para os prémios de design proporcionam uma galeria de ideias e criatividade nas mais diversas áreas, com informação sobre os seus autores - e todos dizem respeito a peças que estão em produção e comercialização. É verdadeiramente impressionante folhear esta edição da Wallpaper e ir descobrindo as boas ideias, quer seja a surpreendente fachada do novo Museu do Design do Victoria & Albert, ou a decoração de restaurantes, quer seja ainda uma ampla mesa de sala de jantar de dimensões variáveis ou até um escorrega feito de vidro. A terminar uma boa notícia: o prémio para o melhor novo hotel foi para o Santa Clara 1728, um projecto de Manuel Aires Mateus, que pertence ao hoteleiro João Rodrigues.

 

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VER - Paulo Brighenti tem vindo a revelar-se como um dos mais interessantes artistas plásticos portugueses contemporâneos. Sem abandonar algumas linhas mestras que têm norteado a sua obra vai experimentando novas técnicas e trabalhando sobre materiais por vezes inesperados - como é o caso em “Três Estações Nocturnas”, a exposição que esta semana abriu na Baginski, e que é a sua quarta mostra individual na galeria. A partir do poemário “Noite de Pedra”, do escritor e artista plástico português Luís Veiga Leitão, Brighenti trabalha pintura a óleo aplicada sobre linho, com recurso a uma técnica antiga baseada na utilização de cera derretida, a encáustica. Noutros momentos inventa esculturas com base em matérias naturais, búzios de grandes dimensões, com uma face coberta de grés pintado e ainda, pontualmente, gravura. É uma exposição forte e surpreendente mesmo para quem tem seguido a obra de Brighenti, um momento marcante de afirmação com múltiplas leituras entre a evocação da natureza e a alteração surreal dessa mesma natureza. A exposição (na imagem) ficará até 3 de Março na Baginski, Rua Capitão Leitão 51.

Outra exposição marcante desta semana é “poetry as art as poetry”, de Pedro Proença (aliás John Rindpest), como o próprio artista sublinha. Aqui a matéria prima de Proença Rindpest é a palavra e a manipulação que pode ser feita da sua imagem - quer isoladamente em letras, quer em frases - assumindo a forma de um quase manifesto, com múltiplas citações de clássicos e evocações de textos de origem diversa. A mostra foi organizada pela Galeria Bessa Pereira e está na Fundação Portuguesa das Comunicações (Rua do Instituto Industrial 16). Nas montras do British Bar está a décima série de obras expostas com curadoria de Pedro Cabrita Reis, trabalhos de Vasco Araújo, Joaquim Bravo e Rosa Carvalho. Na Galeria Vera Cortês, em Alvalade, Vihls (Alexandre Farto), mostra “Intrínseco”, oito painéis que pretendem abordar os problemas da vida urbana.

 

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OUVIR - Nos anos 60 a BBC gravou ao vivo, nos seus estúdios, o surgimento da pop e do rock britânicos. Os grandes nomes passaram pelos seus programas e tocaram ao vivo - quer para programas de rádio quer para a televisão. Os Rolling Stones não foram excepção e entre 1963 e 1965 estiveram presentes numa série de programas, como “The Joe Loss Pop Show”, “Top Gear”, “Saturday Club” ou “Blues In Rhythm”. Aos poucos essas gravações foram sendo editadas e no final do ano passado, nos seus BBC Records, a estação britânica lançou a colectânea “On Air” (De Luxe), que agrupa gravações de 32 temas gravados ao vivo pelos Rolling Stones em diversas ocasiões, nos anos já referidos. Aqui estão as canções mais conhecidos dessa época, desde o incontornável “Satisfaction”(num registo feito poucos meses depois do single original e com algumas diferenças),  até “Come On”, passando por versões de canções como “Mercy, Mercy”, “Carol” , “I Just Want To Make Love To You”, “Beautiful Delilah” ou ainda “I Wanna Be Your Man”, um tema que Lennon e McCartney cederam aos Stones e que eles aqui executaram com maior energia que o original dos Beatles. O som é o da rádio de então, muitas vezes com a assistência a manifestar-se ruidosamente e as misturas recuperam o espírito da época. Na verdade estas 32 gravações contam a história de como os Rolling Stones passaram de um grupo que executava com competência versões de clássicos dos blues e de R & B para uma criativa e irresistível banda que então levou o rock’n’roll a novas dimensões. The Rolling Stones , On Air, disponível no Spotify.


PROVAR - Uma das boas coisas dos últimos anos é o renascer de padarias onde o pão é feito de forma artesanal. A mais interessante que surgiu em Lisboa é a Gleba, junto à Praça da Armada, perto de Alcântara. Obra de uma equipa jovem que se dedicou a recriar o método tradicional de fazer pão, a Gleba só utiliza variedades antigas e sustentáveis de cereais cultivados em Portugal. A moagem decorre nas suas próprias instalações, em mós de pedra como as antigas, e o pão é feito na máximo três horas depois da moagem do cereal - o que garante a sua frescura. Na Gleba um ciclo de produção de pão demora um dia inteiro, desde a moagem à preparação da massa e sua cozedura. Farinhas de cereais portugueses, sal marinho integral e água são os ingredientes utilizados nas três variedades habituais da casa : broa de milho do Minho, pão de centeio verde de Trás os Montes e pão de trigo barbela também de Trás Os Montes. Todas as semanas há edições especiais, que podem ser consultadas na página de Facebook da Gleba. Este fim de semana, por exemplo, ao sábado, haverá pão com batata doce amarela e pão de figos e canela; ao domingo pão de figos e amêndoa e pão com bagas de sabugueiro. A Gleba está aberta das 10 às 20 de quarta a domingo e para o fim de semana é imperioso encomendar o pão que se pretende (uma das três variedades habituais já referidas ou as edições especiais)  via SMS para o 966 064 697 . As encomendas devem ser feitas até às 20 horas de sexta-feira. Provem que vale a pena - eu sou fão do pão de trigo barbela, bem cozido, com a crosta escura e estaladiça.

 

DIXIT - “Temos de escolher se queremos dívida ou independência” - António Barreto

 

GOSTO - O Novo Banco vai ceder obras da sua colecção para exposição em museus públicos e a colecção de fotografia, uma das melhores a nível internacional, será depositada provavelmente em Coimbra para que fique disponível ao público em permanência.

 

NÃO GOSTO - Da sucessão permanente de casos de vigarice e de corrupção ligados ao mundo dos clubes de futebol e que se estendem a magistrados e políticos - o futebol tornou-se perigoso fora dos estádios.

 

BACK TO BASICS - É provável que um poeta que lê em público os seus versos possa ter outros maus hábitos (Robert Heinlein).

 

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publicado às 13:15

PSD – Quando se quer debater, aparece-se. Esteja quem estiver. No Porto dois candidatos não quiseram aparecer num debate. Se não é agora que se vão trocar ideias, quando é? Ele há quem, nesta disputa, queira separar os candidatos entre os de primeira e os de segunda. É mau sinal, muito mau sinal. 

 


 


PERGUNTAS – Houve uma remodelação no Ministério da Cultura no dia 30 de Janeiro. Desde então, que novas medidas foram tomadas? Que novas políticas vão ser seguidas? Que foi – ou vai ser - corrigido da actuação que levou à saída da anterior Ministra? Qual o balanço dos primeiros cem dias do novo Ministro? A cultura não faz parte da agenda política do Governo? Se fosse noutros tempos não haviam de faltar críticas de inacção… Nem os tristes episódios da Feira do Livro tiraram o Ministro do seu silêncio – mesmo sabendo que noutros tempos outros titulares da pasta da Cultura não hesitaram em querer agitar a monotonia que a APEL gosta de impor. 

 


 


SINTOMA – Na semana passada mais do que um amigo meu me disse que cada vez que assiste à abertura dos noticiários da noite fica com vontade de não viver aqui. Isto está a ficar triste, o país esvai-se nos problemas do dia a dia. 

 


 


DIFERENÇA – No tempo em que Dalila Rodrigues estava no Museu Nacional de Arte Antiga a Noite dos Museus era um acontecimento onde as teias de aranha da veneranda instituição eram varridas, onde propostas contemporâneas tinham as honras da noite e onde sons actuais faziam a festa, chamando efectivamente novos públicos que nessas ocasiões descobriam o espaço, os jardins, as colecções. Era uma festa, aberta e diferente. Este ano voltou tudo ao ram ram antigo, com um solene jantar e um não menos solene concerto de música antiga. Sinais dos tempos. Tristes sinais. 

 


 


DESCOBRIR – Sugiro que entrem no site do Meo e escolham a opção «Assume o Comando». Ou então vão direitos a http://jatens.meo.pt e sigam as instruções. É absolutamente genial, é um site interactivo brilhante, com os Gato Fedorento versão espacial a entrarem directamente em contacto consigo. Parabéns PT, parabéns à equipa do Meo. Com sites destes futuro não é uma palavra vã. 

 


 


VER – Já vi muitos filmes de concertos rock mas nenhum chega aos calcanhares deste «Shine A Light» de Martin Scorsese, que regista um concerto dos Rolling Stones no final de 2006, no Beacon Theatre de Nova York. É um trabalho notável, em primeiro lugar de captação de imagem, depois de edição, não esquecendo a recolha de depoimentos antigos. Martin Scorsese rodeou-se de uma equipa brilhante que fez um filme extraordinário: um concerto, na prática, visto de dentro do palco, os músicos a olharem uns para os outros, as câmaras nos seus planos visuais. Colaborações especiais de Jack White (dos White Stripes), Buddy Guy , Christina Aguillera e de… Bill Clinton. Versões fantásticas de temas como «Faraway Eyes», «Brown Sugar», «Sympathy For The Devil» e de «As Tears Go By», uma canção originalmente composta pelos Stones para Marianne Faithful. À data da gravação deste filme Mick Jagger e Keith Richards tinham 63 anos, Charlie Watts 65 e Ron Wood era o benjamim, com 59. Não percam o filme, de preferência numa sala com bom som. Ou então guardem-se para quando sair uma cópia em Blue Ray. 

 


 


OUVIR – As «coplas» são pequenas canções, um género musical muito popular em Espanha, histórias de amor e ciúme, de orgulho e solidão, de morte e de dor, histórias que começam e acabam em três ou quatro minutos, hoje em dia muito populares também na América Latina e sobretudo no México. Rafael Alberti, Federico Garcia Lorca e António Machado são alguns dos grandes poetas que escreveram letras para «coplas» que ficaram célebres. Admirador confesso das coplas, a que chama «mini-óperas», Plácido Domingo reuniu uma selecção de 13 das suas preferidas no seu novo CD «Pasión Española», no qual é acompanhado por José Maria Gallardo del Rey à guitarra e pela Orquestra da Comunidad de Madrid. Muito bom para comer umas tapas num fim de tarde, a olhar para as cores primaveris e a fazer de conta que estamos num país menos cinzento. (CD Deutsche Grammophon, Universal Music). 

 


 


 


PETISCOS – Nesta altura do ano gosto das giestas, das papoilas, dos malmequeres, das alcachofras que começam a rebentar. António Barreto sublinharia os jacarandás, eu limito-me a dizer que estas cores todas são o sinal de que já aí estão dois dos bons petiscos da estação: as sardinhas e os caracóis. Nos tempos que correm estou para ver como neste final de Primavera dois dos mais típicos petiscos portugueses vão escapar à fúria da ASAE. Ainda teremos sardinhas assadas na grelha à beira da estrada por muito tempo? Caracóis tirados de grandes panelões para acompanhar uma imperial? Sócrates, que é quem manda na ASAE, deixar-nos-à ainda petiscar? 

 


 


BACK TO BASICS – A política não é uma má profissão: quando se tem êxito é-se recompensado, e quando se falha pode-se sempre escrever um livro – Ronald Reagan. 

 

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publicado às 13:05


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