Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]


A POLÍTICA DE NAMORO À BEIRA RIO

por falcao, em 19.01.18

IMG_0207.JPG

FUTURO - Rui Rio fez uma curiosa afirmação esta semana, depois de conhecida a sua vitória no PSD : “è preciso namorar bem para que o namoro dê certo”. A frase resume o programa político de Rio, também salientado por vários dos seus apoiantes: colocar-se em posição eleitoral sedutora para que nas próximas legislativas António Costa o possa desejar e envolver. O resultado das eleições do PSD é a consequência natural das mudanças introduzidas na política portuguesa com a solução de alianças despoletada por António Costa e que conseguiu transformar uma derrota eleitoral numa vitória. Definitivamente vivemos um novo tempo, com um apagamento cada vez maior das ideias, um tempo onde a política se resume ao tacticismo do momento, em que os partidos se dispõem a abdicar da sua identidade para conseguirem sentar-se à mesa do poder. Como o caso do PCP mostrou nas recentes autárquicas esta solução leva ao apagamento das diferenças entre partidos e produz uma quebra na influência dos que não lideram o processo. Tirando isto, e regressando ao PSD, os próximos tempos mostrarão a construção de um partido domesticado - Rio é autoritário e é perigoso confundir a arrogância que ostenta com uma coragem que ainda não se viu. Para todos os efeitos Rio chega ao poder no meio de chapeladas diversas, protagonizadas pelo seu próprio diretor de campanha e não desmentidas. Rui Rio tem a doença infantil dos historiadores, é como um arquivo histórico - olha para o passado sem pensar no presente e a ignorar o futuro.

 

SEMANADA - O Presidente da EMEL foi fotografado numa ciclovia, a pedalar numa das bicicletas alugadas pela empresa, e a proclamar que os seus agentes “raramente” andam a fazer caça à multa; a provedoria de justiça defendeu que a cobrança de multas por empresas municipais põe em causa a protecção dos particulares contra situações abusivas; Fernando Medina avisou que o chumbo da taxa de proteção civil cria a necessidade de aumentos nas taxas e impostos camarários; em Portugal o sector automóvel vale 5.9% do PIB e emprega 72 mil pessoas; mais de 40% do novo crédito ao consumo destinou-se a comprar carro; os preços de combustíveis nas zonas mais próximas de Espanha é cerca de 20% mais barato que nas grandes cidades; em ano e meio houve mais de meio milhão de contraordenações graves e muito graves nas estradas, mas só 3% dos infractores perderam pontos na carta de condução; o PS continuou a insistir na Lei do Financiamento partidário; dados agora divulgados mostram que até ao final de Novembro tinham visitado Portugal em 2017 cerca de 19,5 milhões de turistas; em 2017 o castelo de S. Jorge recebeu quase dois milhões de visitantes, 95% dos quais estrangeiros, o que o torna no monumento mais visitado do país; o mosteiro dos Jerónimos recebeu um milhão e cem mil visitantes; metade da população portuguesa só tem polícia a mais de 5 kms de casa; mais de 60% da bancada do PSD não apoiou Rui Rio nas directas.

 

ARCO DA VELHA - A Associação Mutualista recusou prestar informações à entidade contratada pela Santa casa da Misericórdia para avaliar a Caixa Económica Montepio Geral.

Almanaque_Portugues_300dpi.jpg

FOLHEAR - Gosto de almanaques. Desde pequeno que me fascina ler por antecipação o que se vai passar ao longo do ano, procurar receitas apropriadas a cada mês, saber das épocas ideais para tratar de algumas plantas e por aí fora. Aqui há umas décadas publicavam-se em Portugal vários almanaques e anuários, depois a coisa caíu em desuso e fiquei limitado a infalivelmente comprar o “Borda d’Água” quando ele começava a ser posto à venda por essas ruas. Agora a editora Guerra & Paz teve a boa ideia de ressuscitar o género e lançou o “Almanaque Português”.  Em cada mês há um calendário com dias comemorativos e outro com os santos, além de recomendações para a horta, pomar e jardim, provérbios populares, a listagem de feriados municipais e sua razão de ser, elencagem das festas e feiras e ainda um repositório de efemérides. Meses à parte, o Almanaque apresenta artigos sobre história, gastronomia, astronomia, astrologia,  anedotas e conselhos úteis que podem ir desde como tirar certas nódoas até como fazer uma mala. Este Almanaque Português, fonte de sabedoria, ensinamentos e diversão, está à venda por 15,50 euros - o que dá 1.29 euros por mês se o amortizarmos no primeiro ano, apesar de ele durar para muito mais tempo.

image.png

VER - Para a semana abre na Sociedade Nacional de Belas Artes uma exposição de uma centena de cartazes desenhados por Raul de Caldevilla que é considerado o primeiro grande publicitário português. A iniciativa é da Academia Portuguesa de Cinema (APC), em parceria com o Museu da Publicidade. Grande parte da obra apresentada foi criada na Empreza Technica Publicitária – ETP, fundada por Raul de Caldevilla no Porto, em 1912. A ETP é uma das primeiras agências de publicidade do país a produzir cartazes de grande formato e foi pioneira na introdução da publicidade exterior. Em 1917 expandiu-se, mudou de instalações e passou a chamar.-se Propagandas Caldevilla. Em 1921 criou a Caldevilla Filmes, produziu documentários e ficção e chegou a projectar o que mais tarde viria a ser a Tóbis, no Lumiar. Filho de um casal espanhol, Raul de Caldevilla nasceu no Porto em 1877, cidade onde viveu até à sua morte em 1951. Foi jornalista, autor dramático, publicitário e produtor de cinema. Na sua actividade não só promoveu os filmes que produzia, entre os quais o primeiro filme dedicado à temática do fado, em 1923, como criou a campanha para o lançamento do filme “Rosa do Adro”, da sua concorrente Invicta Filmes, que anunciou sob o lema “romance português, filme português, cenas portuguesas, actores portugueses. A exposição “Raul de Caldevilla – Cartazes de Sonho” estará na SNBA entre 23 de Janeiro e 12 de Fevereiro e em simultâneo decorre um pequeno ciclo na Cinemateca Portuguesa, mesmo em frente.

image (1).png

OUVIR - Paulo Furtado é das personagens mais fascinantes da música portuguesa do século XXI. A sua actividade tem-se desdobrado entre os Wray Gunn, banda injustamente pouco acompanhada em Portugal, e a sua própria carreira a solo enquanto The Legendary Tigerman. Nesta vertente a solo, até 2014, Paulo Furtado tocava em palco sózinho, guitarra, harmónica e bateria - um verdadeiro homem orquestra dos tempos modernos, combinando mecanismos de percussão com alguma  tecnologia. A partir de 2014, depois  do álbum “True,  passou a colaborar com Paulo Segadães na bateria e João Cabrita no saxofone - ambos tocam também no novo disco “Misfit”. A edição inclui um CD com 11 originais e um DVD que mostra um road movie fruto do percurso de construção e gravação do disco nos Estados Unidos, realizado por Pedro Maia e filmado por Rita Lino, com o próprio Paulo Furtado como protagonista. O filme documenta o processo criativo, acompanhando a composição das onze canções nos quartos de motel na California em que Furtado se foi alojando durante a rodagem, sendo posteriormente gravadas no estúdio do Rancho de La Luna, em Joshua Tree. The Legendary Tigerman (como os Wray Gunn aliás) tem uma intensa actividade fora de Portugal e uma agenda cheia de concertos. Vale a pena dizer aqui que a fotografia e o cinema há muito fazem parte dos interesses criativos de Paulo Furtado e este “Misfit” junta os vários mundos onde ele se move - e se quiserem ver as suas fotografias espreitem o Instagram de The Legendary Tigerman. Em “Misfit” falamos de rock com forte influência de blues, um som denso com canções magníficas como o manifesto enunciado em “Fix of rock’n’roll”, a envolvência de “The Saddest Girl On Earth”, “Black Hole” e do hipnótico “Red Sun” ou os irresistíveis “I Finally Belong To Someone” ou “Child Of Lust”.


PROVAR - Uma boa e resistente caçarola é um utensílio imprescindível numa cozinha. Não estou a falar de uma panela. Estou a falar de um recipiente de ferro, grosso e pesado, revestido a bom esmalte, com uma tampa que vede bem e que se pode usar no cimo do fogão ou no forno. É coisa para se cozinhar de forma lenta, aproveitando bem os sucos dos alimentos que estão a ser preparados. A boa caçarola é uma testemunha da vantagem de não se usar alta temperatura - razão tinham os antigos que cozinhavam a sopa de pedra original num pote de ferro forjado colocado por cima das brasas das lareiras das cozinhas de antão. A Le Creuset, fundada no início do século XX em França por dois belgas,  é uma das mais prestigiadas marcas que produz caçarolas de ferro esmaltadas, estas “cocottes”, também conhecidas por “dutch ovens “ noutras paragens. Tive a sorte de receber uma como prenda de Natal e antevejo grandes mudanças  na minha actividade culinária nos próximos meses. Este tipo de caçarola é o ideal para cozinhar carne e legumes ao mesmo tempo, num lento e suculento estufado ou num denso guisado. Se pesquisarem na net há imensas receitas para dutch ovens, muito tentadoras,  e que têm em comum a importância de cozinhar a baixa temperatura durante muito tempo. Um dia destes falo de algumas receitas bem sucedidas na minha Le Creuset. Cheira-me que isto é o princípio de uma bela amizade.

 

DIXIT - “O próximo PGR nascerá estigmatizado por uma espécie de reserva de desconfiança. A escolha ficará para sempre sob suspeita. Para salvar ou condenar Sócrates? Para liquidar ou ressuscitar Salgado e o Grupo Espírito Santo?” - António Barreto.

 

GOSTO - A coreógrafa cabo-verdiana Marlene Monteiro Freitas receberá o Leão de Prata na Bienal de Dança de Veneza.

 

NÃO GOSTO - António Costa não respondeu às perguntas colocadas no Parlamento, sobre o jantar da Web Summit no Panteão, dentro do prazo estabelecido para o fazer;

 

BACK TO BASICS - “Quando os políticos se queixam que a televisão dá da política a imagem de ela ser um circo, é preciso ter em conta que o circo já lá estava e que a televisão se limita a mostrar que nem todos os participantes no espectáculo estão convenientemente treinados” - Edward R. Murrow

 

www.facebook.com/mfalcao

instagram: mfalcao

twitter: @mfalcao





Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 13:15

IMG_0293.JPG

DUAS PERGUNTAS  - Nas eleições do PSD há duas perguntas que me surgem constantemente e que, para mim, são as decisivas para se fazer uma escolha:  Porque é que a esquerda prefere Rui Rio? Qual dos dois candidatos tem por objectivo derrotar António Costa? Confesso que a figura de Rui Rio não me agrada, e não é de agora. Assemelha-se a uma rolha que vai flutuando ao sabor do movimento das águas, sem nunca se comprometer demasiado. Não gosto da forma como no Porto impôs os seus gostos pessoais por competições automóveis e aviões a outras actividades, fazendo as correspondentes alocações financeiras, e, em simultâneo, subalternizou a política cultural que quase desapareceu do município enquanto Rio foi seu presidente. Nunca gostei do seu enlevo por António Costa e hoje compreende-se  que esse enlevo evoluíu para linha política, concretizada numa estratégia de possibilitar condições para uma aliança entre PS e PSD. O argumento ridículo de que essa seria a forma de afastar o BE e o PCP da esfera do poder colide com a evidência maior que é a de que a única forma de garantir uma derrota da frente de esquerda é o PSD lutar para obter uma vitória clara e não uma posição negocial. Isto no fundo é Rui Rio: um defensor de arranjinhos, alguém que se satisfaz com o segundo lugar e não tem rasgo para lutar pela vitória. É isso que mais impressão me faz. Rio hesita perante o conflito, prefere a conciliação. E, no país, não há eleições que se ganhem com este pensamento. Espero que dentro do PSD não ganhe a linha do compromisso de Rio. Não sou filiado em nenhum partido, tenho votado muitas vezes no PSD, e não me apetece votar num partido cujo projecto político, como é o de Rui Rio, seja aliar-se ao PS. Se fosse militante do PSD votaria em Pedro Santana Lopes.

 

SEMANADA - Mais de 80 médicos do serviço Nacional de Saúde pediram exclusão de responsabilidade, para se defenderem das falhas nos serviços e da falta de meios nos hospitais; o Ministério das Finanças, ao atrasar a autorização de verbas, está a bloquear a implementação dos planos de contingência da gripe que estavam planeados em vários hospitais - afirmou o bastonário da Ordem dos Médicos; a bastonária da Ordem dos Enfermeiros afirmou que sempre que membros do Governo visitam uma urgência hospitalar os doentes são retirados dos corredores de espera e levados para outros locais menos visíveis, até “para debaixo das escadas”;  “Coisa estranha esta: há tudo mais, mais, mais, mas a verdade é que a Saúde está menos, menos, menos” - disse Assunção Cristas em resposta a António Costa no debate quinzenal na Assembleia da República; em Portugal, um quarto dos jovens não tem emprego; Portugal foi o país onde o desemprego jovem mais cresceu na União Europeia; “Somos um país de treinadores de bancada” - afirmou Constança Urbano de Sousa, ex-Ministra da Administração Interna, dizendo-se vítima de sexismo nas críticas feitas à forma como geriu a resposta aos incêndios de 2017; caíu um pedaço de tecto na Escola Superior de Dança de Lisboa e chove em vários locais do edifício onde são dadas aulas; segundo a CAP, dos 15 milhões de euros anunciados como ajuda do Governo aos agricultores para a situação de seca, apenas foram pagos cerca de 20 mil euros; Portugal é o terceiro país que mais paga a agentes do futebol e num só ano foram pagos quase 50 milhões de euros em comissões; 25% das casas vendidas em Portugal no ano passado foram compradas por estrangeiros.

 

ARCO DA VELHA - O inspector geral do trabalho foi demitido por revelar informações pessoais de uma trabalhadora sob a sua tutela e agora indigna-se por ter sido afastado.

 

image (2).png

FOLHEAR - Sou fã dos livros de Astérix desde que os comecei a ler há mais de quatro décadas. Mesmo depois da morte de Goscinny, continuei a seguir o caminho que Uderzo foi traçando, com ajudas de novos colaboradores. E cheguei a este novo “Astérix e a Transitálica”, o 37º álbum da colecção. Editado no final do ano passado, só esta semana o fui comprar à Pó dos Livros e fiquei contente quando o livreiro me disse que esta nova aventura estava a ter mais saída que as anteriores -  "Astérix entre os Pictos" (2013) e "O Papiro de César" (2015), também assinados por Jean-Yves Ferri (argumento) e Didier Conrad (desenho). Neste novo livro Astérix e Obélix rumam à Península Itálica, de que até agora apenas conheciam Roma, que visitaram em "Astérix Gladiador" (1964) e "Os Louros de César" (1972). O pretexto é a participação numa corrida de quadrigas, organizada por Júlio César para provar a excelência das vias romanas - uma espécie de rallye onde até participa uma equipa da Lusitânia, por sinal um bocado avariada mas com um inesperado protagonismo final graças à perseverança que nessa época já era a nossa imagem de marca… No livro surge retratada , que me lembre pela primeira vez numa aventura de Astérix, a actividade de jornalistas - no caso a fazer o relato da competição e a entrevistar concorrentes. E o final é completamente inesperado - até nos novos amores que despertam Obélix… o melhor será lerem.

 

IMG_0165.jpg

VER -  Não é fácil falar de um conceito quando abordamos imagem e sobretudo a imagem fotográfica. Não estamos apenas a falar de uma maneira de ver, o que está em causa é o que se vê para, depois, se mostrar. E, em última análise, avaliar se faz sentido mostrar o que se vê.  Cláudio Garrudo optou por mostrar o que viu em momentos do céu deixando a cada um dos visitantes da sua mais recente exposição a responsabilidade (ou a possibilidade) de se encontrar nas fotografias. Chama-se “Luz Cega” e está exposta na Ermida Nossa Sra. da Conceição até 21 de Fevereiro (Travessa do Marta Pinto 21, ao Restelo, por trás dos Pastéis de Belém). José Manuel dos Santos, no texto do catálogo da exposição, afirma que estas fotografias “são as imagens de um telescópio interior que só se tornam nossas quando as imaginamos dos outros”. Cláudio Garrudo usou na impressão destas fotografias uma técnica antiga, a cianotopia - um processo de impressão fotográfica em tons azuis, que produz uma imagem em ciano, uma blueprint.  Além de fotógrafo, Cláudio Garrudo colabora activamente em diversas áreas da produção cultural, tem trabalhado com a Galeria das Salgadeiras e é coordenador da nova colecção PH, da Imprensa Nacional, recentemente inaugurada com uma edição sobre a obra de Jorge Molder. Outras sugestões: nas três montras verticais do British Bar Pedro Cabrita Reis escolheu para esta nona mostra das suas apresentações neste local obras de Noé Sendas, Vasco Futscher e Rui Calçada Bastos - que poderão ver até ao final deste mês. E as 85 muito desiguais obras de Miró continuam no Palácio da Ajuda até 13 de Fevereiro.

image (3).png

OUVIR - “Chasing Trane” é um documentário sobre a vida e obra de John Coltrane, escrito e realizado por John Scheinfeld, exibido na estação de televisão pública norte-americana PBS no ano passado. A produção contou com o apoio da família do músico assim como teve acesso ao arquivo das várias editoras discográficas para que ele gravou. Trane, assim era conhecido o saxofonista e compositor  pelos seus amigos, morreu em 1967 com 40 anos, no auge de uma carreira marcada pela diferença. O documentário mostra o impacto que a música de Coltrane teve na sua época e nos seus contemporâneos e mostra ainda as experiências, paixões e forças que marcaram a sua vida e a sua sonoridade - que muitos apelidaram de revolucionária. A banda sonora do documentário foi agora editada e inclui 11 temas interpretados pelo próprio John Coltrane. Os onze temas são “Love Supreme”, “Russian Lullaby”, “Trane’s Slo Blues”, “Giant Steps”, “My Favorite Things”, “My One And Only Love”  (com Johnny Hartman, o único vocalista com quem o saxofonista aceitou gravar), “Alabama”, “After The Rain”,  “Moment’s Notice” e versões ao vivo de “I Want To Talk About You” e de  “Chasin’ The Trane”. Este CD-banda sonora é uma espécie de introdução acelerada ao génio de Coltrane, patente nos diversos géneros que percorre. No fundo está aqui uma selecção das suas melhores gravações, com bons exemplos da inovação que trouxe ao jazz.

 

PROVAR - Comida de inverno é comida de tacho e comida de tacho é boa em restaurantes populares. Armado destes princípios básicos mão amiga encaminhou-me para o “Caçoila”, em Paço de Arcos. A ideologia da casa é simples: bons petiscos, cozinha regional portuguesa, doçaria tradicional. Não há refeição naquela casa que não deva ser antecedida de uma prova de petiscos - de tal maneira são famosos estes acepipes que os proprietários vão abrir, mesmo ao lado, uma petiscaria que estará aberta todo o dia. Na recente experiência o repasto começou com bom pão e bolinhas de queijo de cabra temperado para barrar o hidrato de carbono; depois vieram peixinhos da horta com uma fritura exemplar, alternados com pimentos padron,  suculentos. Até aqui estamos portanto num repasto vegetariano - em parte seguido na opção seguinte - uns ovos mexidos no ponto certo misturados com espargos verdes. A parte mais carnívora veio com o complemento destes ovos - um pica pau de vitela, de tempero saboroso e tenro, como tenho apanhado poucos ultimamente. Por sugestão de quem me transportou ao local rematou-se o repasto com migas de pato. Só que neste prato a carne desfiada do marreco vem misturada com couves picadas e salteadas, muito bem temperadas - que são as tais migas (na realidade migas de couve tradicionais em algumas regiões). Quem tiver estômago pode ainda apostar no ex libris doceiro da casa, umas farófias armadas de forma sugestiva. A casa é ampla, enche cedo, permite grupos grandes nas mesas corridas e tem um serviço simpático. A morada é Rua Oeiras do Piaui 12, Oeiras, e o telefone é  214460831.

 

DIXIT - “Vinhas para estas diretas para derrotar Pedro Passos Coelho na liderança, eu vim para derrotar António Costa” - Pedro Santana Lopes no debate desta semana na TVI.

 

GOSTO - Catherine Deneuve e cem escritoras, artistas e académicas francesas escreveram uma carta aberta em que rejeitam um feminismo “que exprime ódio pelos homens”.

 

NÃO GOSTO - Do fecho da livraria Aillaud & Lello na rua do Carmo, apesar de estar integrada no programa “Lojas Com História”.

 

BACK TO BASICS - É mais fácil obter perdão que conseguir autorização de fazer algo de invulgar - Stuart’s Law of Retroaction



Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 13:15

PRIMAVERA - Estamos oficialmente na Primavera, tempo de romance, a estação do ano em que a sedução anda à solta. Veja-se o que tem acontecido nestes dias: o Presidente da República e o Primeiro Ministro partilharam a mesma posição sobre a eventual venda de bancos portugueses a  capital estrangeiro; Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa foram juntos ao futebol, a Leiria, ver o Portugal-Bélgica; Marcelo e Costa estiveram também juntos nas críticas à gravidade da pena de Luaty Beirão;  o Orçamento de Estado passou sem frisson e foi promulgado antes do 1º de Abril para não existirem graçolas entre a razoabilidade das previsões orçamentais e o dia das mentiras. Está tudo portanto no melhor dos mundos. A maior prova do espírito primaveril vem, no entanto, de Rui Rio, que fez uma interrupção do seu ruidoso  silêncio para se juntar a Marcelo e a Costa, mostrando uma grande convergência de pontos de vista, como se costumava dizer nos comunicados oficias entre representações de países satélites da ex-URSS. Parafraseando a feliz expressão de Vasco Pulido Valente, ouso dizer que a geringonça encontrou finalmente um mecânico que poderá reparar alguma avaria que possa ter. É sabido como Rui Rio gosta de restaurar e recuperar veículos, portanto tem as competências necessárias para o caso de a geringonça conduzida pelo seu amigo Costa gripar algum cilindro ou quebrar algum amortecedor. Que o hábil Rio apareça e se ofereça como mecânico da geringonça na semana do Congresso do PSD é evidentemente um fruto do acaso, como tanta coisa no nosso Portugal.

IMG_4332.JPG

 SEMANADA - Marcelo Rebelo de Sousa recebeu um cão pastor alemão oferecido pela Força Aérea; dirigentes das associações representativas dos cães de raça portuguesa lamentam que não tenha sido oferecido um cão de “linhagem” lusa ao Presidente; já depois da oferta do canídeo soube-se que o Presidente vai fazer uma visita oficial à Alemanha; Marcelo Rebelo de Sousa optou por fazer uma comunicação ao país fora dos jornais televisivos das 20h00, preferindo as 17h00, horário do chá; o cenário escolhido para a comunicação, com uma escrivaninha e um pedaço de tapeçaria como fundo de imagem, foi muito comentado por especialistas em televisão, que o acharam desadequado; António Costa, referindo-se à reposição de feriados, disse que: “ há valores acima das conveniências conjunturais”; o numero de clientes de banda larga fixa aumentou 9,5% no ano passado, para um total de 2,99 milhões; num país tão dado a tecnologias foi revelado que o site do fisco não trabalha com alguns dos browsers mais usados do mercado; um em cada quatro professores, do pré-escolar ao ensino superior, está a recibos verdes; existe um déficit de sete mil camas na área dos cuidados continuados em todo o país; em 2014 formaram-se 2633 enfermeiros e emigraram 2850; no Hospital de Chaves foram adiadas cirurgias porque não existia fio para suturar as costuras das operações.

 

ARCO DA VELHA - Luis Amado, ex-Ministros dos Negócios Estrangeirs aquando da assinatura do Tratado de Lisboa, disse no Parlamento, a propósito do caso Banif, que as instituições europeias funcionam como um “centro de poder burocrático extremamente agressivo” ,  sublinhou que o poder da Europa chega a assemelhar-se a um “rolo compressor” e defendeu que “temos de reavaliar a relação com a UE”.

 

doce veneno.jpg

 FOLHEAR - O mercado está cheio de livros de dietas e de conselhos de alimentação, muitos deles com muita promessa e pouca explicação. Não é o caso de um novo título que se destaca e que faz da guerra ao açúcar a sua causa. Trata-se de “Doce Veneno”, da nutricionista Cláudia Cunha. O livro vai além da evidência dos bolos e dos doces ou do açúcar que se coloca no café e, por exemplo, dá conselhos sobre como ler as etiquetas dos alimentos processados em busca de formas de açucares escondidos. O ponto de partida é que o açúcar cria uma dependência, tal como o álcool, por exemplo, dependência que está ligada a uma série de doenças que à partida não imaginaríamos. “Doce Veneno” explica ainda o que o açúcar faz ao nosso organismo, desmistifica os substitutos artficiais do açúcar e aconselha alimentos a eliminar e outros a introduzir. Este livro de Cláudia Cunha estabelece um plano prático de desintoxicação do açúcar em 21 dias, sugere listas de compras saudáveis para serem utilizadas no plano e, mais tarde, no dia a dia. Além disso inclui um conjunto de receitas de culinária ajustadas ao plano, do pequeno almoço a snacks para comer durante o dia, passando pelas refeições principais. O livro é editado pela Esfera dos Livros e Cláudia Cunha tem um site que pode seguir em www.nutricaocompanhia.com .

 

image (13).png

VER - Várias sugestões para esta semana. Começo por destacar  uma das raras exposições de Manuel João Vieira, fundador dos Ena Pá 200, Irmãos Catita, artista plástico, compositor, músico e cantor, que criou e encenou diversas personagens em palco e em exposições diversas. Esta, chama-se “Viagens Na Minha Terra” e está na galeria Giefarte, Rua da Arrábida 44, ao Rato, até 26 de Abril (na imagem) . No Museu Colecção Berardo estará patente até 25 de Setembro a exposição “O Enigma - Arte Portuguesa na Colecção Berardo”, que agrupa trabalhos de Rui Chafes, Jorge Molder, João Maria Gusmão e Pedro Paiva, Pedro Cabrita Reis, João Tabarra e Ana Vieira.  Passando para  a Fundação Gulbenkian sugere-se “Inside a Creative Mind”, uma exposição que visita a obra de sete arquitectos portugueses - Aires Mateus, ARX Portugal, Carrilho da Graça, Gonçalo Byrne, Inês Lobo, Siza Vieira e Souto de Moura. Fica patente até 6 de Junho e inclui pequenos documentários de Catarina Mourão sobre os projectos apresentados. Destaque para uma maltratada exposição de João Mariano, que apenas até dia 16 fica no Arquivo Fotográfico Municipal (Rua da Palma 246), 20 fotografias do litoral de Lagoa sob o título “O Conhecido Desconhecido”. Finalizo com “Mexicano”, a exposição de Bruno Cidra que inaugurou esta semana na Galeria Baginski, onde ficará até 7 de Maio - Rua Capitão Leitão 51 e 53, ao Beato.

 

image (12).png

OUVIR - Entre meados dos anos 40 e 50 do século passado o produtor Norman Granz juntou um grupo de músicos de excepção, em formações de geometria variável.  O centro das operações começou por ser o Philarmonic Auditorium, de Los Angeles e, da série de concertos aí realizada, nasceu a sigla JATP - Jazz At The Philarmonic, que fez longas digressões pelos Estados Unidos. Nessa altura Ella Fitzgerald tinha começado a gravar para uma editora de jazz acabada de nascer, a Verve - que teve a felicidade de registar o seu talento sobretudo no apogeu da sua carreira. “The Ella Fitzgerald JATP” é um CD que reune 19 temas gravados entre 1949 e 1954, ou entre os 32 e 37 anos da cantora, uma das suas melhores fases. O CD, que agora agrupa pela primeira vez registos antes editados em vários LP’s, começa por um concerto de 1949 no Carnegie Hall em que Ella é acompanhada por Hank Jones, Ray Brown e Buddy Rich com interpretações excepcionais em “A New Shade Of Blues” e “Black Coffee” e uma versão arrebatadora de “Oh Lady Be Good”, de Gershwin. A segunda série de gravações, de 1953, foi feita no Connecticut e inclui clássicos como “Bill” de Jerome Kern e uma reinterpretação de um grande êxito de Peggy Lee, “Why Don’t You Do Right”. E um ano depois, em 1954, Ella, faz maravilhas com “Hernando’s Hideaway”, uma canção menor de uma banda sonora que ela transforma, outro Gershwin - “The Man That Got Away” e, a finalizar, “Later”, que ela já tinha gravado em estúdio nesse ano mas aue aqui aparece numa outra versão. Ao todo 22 temas de um lado menos conhecido da carreira de Ella Fitzgerald, fora dos estúdios, acompanhada por músicos fantásticos em concertos ao vivo cheios de fulgor. CD Verve, distribuído em Portugal por Universal Music

 

PROVAR -  Depois de escrever sobre um livro que prega a contenção, até fica mal abordar este tema, ainda por cima com três exemplos e um extra. O primeiro é uma conserva de achovas do Cantábrico, situada em Laredo, no norte de Espanha. São da marca Codesa, uma empresa familiar. A série Oro, disponível nos supermercados do El Corte Inglês, na zona do frio perto da peixaria, tem anchovas pescadas nos meses de Abril e Maio, que ficam um ano em salmoura, até serem cortadas em finíssimos filetes, embalados em azeite virgem, em caixas de 48 gramas. Perdoem-me os conserveiros portugueses, mas estas anchovas da série Oro da Codesa são os melhores filetes de anchova que conheço. Por mais estranho que pareça com estes filetes vão bem as finíssimas tostas de pão de centeio integral Finn Crisp, absolutamente sem mais nada - assim brilha o sabor das anchovas e das tostas. A terminar, para acompanhar isto, vem um produto bem português - um vinho tinto de superior qualidade, o Ex-Aequo de 2011, produção da Quinta do Monte d’Oiro, de José Bento dos Santos com Michel Chapoutier. Com 75% de Syrah e 25% de Touriga Nacional, este vinho mereceu a classificação de 95 pontos de Mark Squires, no Wine Avocate. Como no fim das anchovas ainda deve sobrar vinho sugiro que se prolongue a conversa, com as mesmas tostas, com um queijo da ilha de S. Miguel velho, de cura prolongada. A splendid time is guaranteed for all, como dizia o outro.

 

DIXIT - “Resta saber se o possível será suficiente...Só em 2017 saberemos se o modelo provou” - Marcelo Rebelo de Sousa, sobre o Orçamento de Estado

 

GOSTO -  A Orquestra Jazz de Matosinhos regressa aos Estados Unidos para uma residência de uma semana no mítico clube Blue Note, de Nova Iorque.

 

NÃO GOSTO - China Irão e Rússia são os três países com maiores restrições à liberdade de criação artistica, segundo um relatório divulgado esta semana

 

BACK TO BASICS - “O meu objectivo não é que as minhas respostas agradem a quem faz as perguntas” - William Shakespeare

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 14:00


Mais sobre mim

foto do autor


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.



Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2014
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2013
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2012
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2011
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2010
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2009
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2008
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2007
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2006
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D
  183. 2005
  184. J
  185. F
  186. M
  187. A
  188. M
  189. J
  190. J
  191. A
  192. S
  193. O
  194. N
  195. D
  196. 2004
  197. J
  198. F
  199. M
  200. A
  201. M
  202. J
  203. J
  204. A
  205. S
  206. O
  207. N
  208. D
  209. 2003
  210. J
  211. F
  212. M
  213. A
  214. M
  215. J
  216. J
  217. A
  218. S
  219. O
  220. N
  221. D