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GOSTAM DA ARRUMAÇÃO FEITA EM LISBOA?

por falcao, em 01.09.09

 


(Publicado no diário «Metro» de 1 de Setembro)

 

No início desta colaboração com o «Metro» gostaria de deixar claro algumas circunstâncias: sou candidato à Presidência da Assembleia Municipal de Lisboa na lista proposta por Pedro Santana Lopes; não tenho partido, não sou republicano, acho que o Estado age com excessiva frequência contra os cidadãos e entendo que o fisco comete demasiados abusos para poder ser encarado como uma entidade séria e justa.

Dito isto, e como sempre achei que a música ajuda a entender as pessoas, devo declarar que a minha pessoalíssima banda sonora deste verão foi constituída pelos mais recentes discos de Ben Harper, Sonic Youth, Regina Spektor, Nouvelle Vague e Rokia Traoré. O australiano Peter Carey é o meu escritor favorito do momento e o próximo filme que hei-de ver é «Sacanas Sem Lei!» de Quentin Tarentino. Não gosto de usar gravata, tenho 55 anos, nasci e fui criado em Lisboa, gosto desta terra, gosto desta cidade, comovo-me cada vez que regresso e irrita-me que ela esteja a ser tão maltratada como ultimamente tem sido. Se pudesse, andava sempre de «Vespa». Pronto, está feito o meu retrato.

Estou na lista da coligação «Lisboa Com Sentido» porque acho mesmo que esta cidade precisa de levar uma volta. Prefiro um candidato que queira mudar e melhorar a cidade, a outro que apenas queira ter as coisas arrumadinhas. Sobretudo, quero um Presidente da Câmara que pense mais nos munícipes que nos interesses do Governo, alguém que se preocupe mais com Lisboa do que com o seu partido, que esteja interessado em conseguir repovoar a cidade, torná-la mais confortável e agradável para quem cá vive. Quero alguém que prefira uma política de recuperação a uma política de demolição, quero alguém que melhore o Terreiro do Paço e não que o transforme numa palhaçada, quero alguém que devolva o rio à cidade, em vez de o entregar às empresas de contentores.

Se estão contentes com o estado da cidade, a sua limpeza, o estado dos seus jardins e os buracos por todo o lado, já sabem que devem votar no arrumadinho. Eu espero que prefiram mudar.

 

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publicado às 15:59

VOTO SANTANA LOPES

por falcao, em 17.08.09

(Publicado no «i» de 15 de Agosto)


Começo por dizer que simpatizo com António Costa, mas acho que é daqueles políticos à antiga - bela retórica, práticas fracas, falta de decisão, resultados instáveis.

Por outro lado confesso-me sem partido há muitos anos e esclareço que trabalhei em diversas ocasiões com Pedro Santana Lopes – tivemos bons e maus momentos, mas o balanço é positivo e reconheço-lhe ser apaixonado pelas causas em que se mete, ter rasgo e visão e querer resultados.

Mas passemos a Lisboa e comecemos, sem receios, pela questão dos dinheiros. Quando António Costa chegou à Câmara Municipal de Lisboa, tudo somado, o passivo desta era de 1200 milhões de euros e, agora, é de 1700 milhões de euros. Ele não é mais poupado que os outros, nem melhor gestor. E, apesar deste aumento, fez menos obra. Tem tomado medidas erráticas como aconteceu no Terreiro do Paço e na Ribeira das Naus e não se opõe nem a imposições do Governo, nem a caprichos caros da sua equipa - como mostra o folclore da caríssima e, no fundo, inútil plantação de girassóis em Campolide, só para satisfazer uma mania de Sá Fernandes, o mesmo que deixa os jardins degradarem-se. Por exemplo, não teria sido melhor usar esse dinheiro na manutenção dos cemitérios, vergonhosamente degradados?

Comparemos algumas coisas: o que tem maior impacto na qualidade de vida da cidade? - A recuperação de Monsanto, que Santana Lopes fez, a sua política de recuperação urbana, o túnel do Marquês, ou as duvidosas e caríssimas ciclovias de Costa?

Depois de ter visto a sua equipa inicial desagregar-se, a nova lista de candidatos de Costa é um arranjo de conveniência em que vários protagonistas pensam coisas bem diferentes sobre aspectos decisivos do governo de uma cidade – uma garantia de paralisia certa. António Costa parece um Presidente ausente, que aparenta assumir o cargo com sacrifício e pouco entusiasmo, talvez porque a sua ambição não esteja na cidade e sim no evoluir da situação do PS e no que se passará se Sócrates sair de cena.

Pedro Santana Lopes está focado em Lisboa, vai preocupar-se com as questões que têm a ver com a qualidade de vida na capital: garantir uma cidade mais limpa (Lisboa está sujíssima), maior atenção ao trânsito e estacionamento, mas, também, maior atenção às políticas sociais que quase desapareceram com António Costa (veja-se o aumento dos sem- abrigo), e à optimização da conjugação entre a política cultural local e nacional, de forma articulada com a promoção turística de Lisboa.

Governar Lisboa é ter as pessoas em conta, combater interesses estabelecidos, bater o pé ao poder central, tornar a vida fácil a quem cá vive, conseguir trazer mais moradores para a cidade e não penalizar quem aqui paga impostos. Comparando o exercício dos mandatos, Santana Lopes fará melhor trabalho.

 

 

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publicado às 22:21

...

por falcao, em 28.09.07
O CRITÉRIO EDITORIAL
A questão básica colocada pela atitude de Santana Lopes na SIC Notícias, na noite de quarta-feira, tem a ver exactamente com os termos em que se define a linha editorial de uma meio de comunicação que se apresenta como fazendo informação de referência.
Que Santana Lopes esteve bem é uma evidência - mas era bom que o assunto não ficasse esquecido e se debatesse o essencial da questão, que é o valor dos directos, a forma como são utilizados e o efeito que têm na informação.
Nos últimos anos a utilização de directos vulgarizou-se e isso não é bom. Pode dar muita imagem em movimento, mas é perigoso - um directo é uma possibilidade de manipular a informação e a opinião pública e não de fazer informação credível.
Vamos por partes - o jornalismo é basicamente intermediação. A evidência interessa pouco - é mais importante um relato que separe o trigo do joio, uma análise cuidada das forças em presença, a possibilidade de ouvir várias pesoas, qualificadas, sobre o mesmo tema. Os actuais directos não têm intgermediação - ou se têm é apenas electrónica, entre a câmara que capta e o receptor que recebe a imagem. E isto , por muito que custe a quem se mete nestas aventuras, não é jornalismo.
A mania dos directos é aliás responsável por essa anormalidade da vida mediática portuguesa que são as conferências de imprensa às oito da noite, para passarem em directo no Telejornal, ainda por cima estranhas conferências de imprensa - muitas delas anunciadas como sem direito a perguntas. Ou seja, trata-se de utilização de tempo de antena - sem querer exagerar é o mesmo comportamento de Hugo Chávez - quer falar sem ser interrompido, quando lhe dá mais jeito.
A opção de Santana Lopes, ao suspender a entrevista que estava a dar sobre a crise no PSD e o sistema partidário vem chamar a atenção para isto - o abuso dos directos irrelevantes, a prevalência do imediatismo sobre a reportagem, a apetência de muita comunicação pelo espectáculo, mesmo que seja vazio.
Um directo, infelizmente, não é uma reportagem na maior parte das vezes. De facto, é-o raramente. E o bom senso manda que a menos que haja uma catástrofe relevante, não se interrompa uma conversa sobre um tema sério. Não é só uma falta de respeito para com o entrevistado. É sobretudo uma enorme falta de respeito perante todos quantos estavam a seguir a emissão e queriam ouvir a entrevista. Nenhuma linha editorial deve violar a expectativa dos destinatários da mensagem, nem forçar uns temas por cima dos outros.
Mas isto é uma herança da prática «vamos até ao fim da rua, vamos até ao fim do mundo», que anda bem distante do jornalismo.

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publicado às 10:34


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