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SE NÃO ESTRAGAREM, PODE SER NEGÓCIO

por falcao, em 01.07.09

 (Publicado no «i» de 26 de Junho

 


No futuro como vai ser a televisão? Um bom bocado diferente daquilo que hoje conhecemos, de certeza. O ecrã tradicional vai progressivamente ser deixado de lado, substituído pelo ecrã do computador ou de vários outros dispositivos (ainda) mais móveis que um laptop. A forma de organização da programação também vai mudar – progressivamente as pessoas vão ter tendência a verem os programas que querem à hora a que estiverem disponíveis, e não à hora a que as estações os colocam em grelha de programas. A própria publicidade terá que se adaptar a estas mudanças.


Num tempo já próximo a televisão digital terrestre vai proporcionar uma experiência bem diferente daquela que temos hoje; a distribuição de sinal de televisão por fibra óptima vai complementar a oferta com uma diversidade e possibilidades de interacção que ainda nem sequer estão bem estimadas; a futura geração de telemóveis e novas redes de comunicações móveis tornarão mais fácil e acessível ver conteúdos vídeos on-demand ou simples emissões regulares de operadores de televisão. No centro de tudo isto estão os operadores de redes de comunicações: com diferenças tecnológicas quase inexistentes, com diferenças de preço mínimas, o principal critério de escolha dos clientes vai passar pelos conteúdos disponibilizados – e aqui o desporto, nomeadamente o futebol, desempenhará um papel fundamental.


É por isso que, depois de assegurar a TDT e de ter lançado o MEO, a PT voltou à necessidade de ter conteúdos audiovisuais e direitos de emissão, de preferência exclusivos, para os seus clientes. E é por isso que ter uma posição numa estação líder, que ainda por cima tem uma «fábrica» de produção própria, pode fazer sentido. Em termos de actividade e de negócio, o racional é perfeito; o pior será se a estação líder deixar de o ser, se existir a tentação de colocar interesses políticos à frente de critérios empresariais e se as mudanças efectuadas diminuírem as audiências e a qualidade dos conteúdos.  

 

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publicado às 11:32

ALERTA – Espera-se que em relação aos polémicos investimentos públicos previstos, e contestados pela maioria dos economistas de referência da área do PS, não sejam assinados à pressa contratos que comprometam o futuro, a seis meses de eleições. O problema é que o caso Freeport chegou onde chegou porque, no mínimo, os timings em que foi aprovado proporcionam que surjam suspeitas.  

 


 


ENTREVISTA – O discurso do Primeiro-Ministro transmitido pela RTP na passada terça-feira resumiu-se a um exercício de propaganda em matéria política e económica e à afirmação de ameaças relativamente ao caso Freeport. Pelo meio ficaram verdadeiras pérolas, como a de considerar como absolutamente normal tratar as opiniões de jornalistas como calúnias passíveis de perseguição criminal. É verdade que existe uma campanha negra em Portugal – mas é a que o Primeiro-Ministro move contra quem o critica, é a campanha negra do Governo contra a liberdade de expressão e de informação, que foi levada ao extremo quando José Sócrates, no exercício do cargo de Primeiro-Ministro se armou em crítico de televisão e analista de comunicação e atacou os noticiários de um canal de televisão pelo simples facto de reportar factos que lhe são pessoalmente incómodos. Nos tempos que correm temos um Primeiro-Ministro que persegue notícias e opiniões publicadas na imprensa e persegue os seus autores, ao mesmo tempo que se veste de vítima. Hugo Chávez, com quem Sócrates tem uma boa relação, também se incomodava com uma estação de televisão e, para resolver o problema, mandou encerrá-la. A cobardia política anda sempre de mãos dadas com a intolerância.


 

 


 


 


LISBOA – A Frente que quer a união à esquerda nas eleições autárquicas da capital procura apenas a junção de interesses espúrios, de circunstância e conveniência, suficientes para assegurar a vitória duvidosa de uma esquerda sem ideias e com uma prática de direita – os dois anos que António Costa leva como Presidente da Câmara são prova disso. Curioso é que esse período de dois anos seja exactamente o mesmo tempo que Santana Lopes levou no exercício efectivo do mesmo cargo, em Lisboa. Basta comparar o que foi feito, em igual tempo, por um e por outro. Costa claramente sai a perder. A sua herança é uma cidade suja, descuidada, agreste para quem a habita. 

 


 


PERGUNTA – O que é feito do processo da Casa Pia que de repente não se ouve falar do caso? Não é estranha a forma como a justiça funciona, ao arrastar casos durante anos até que venham a cair no esquecimento? 

 


 


DESCOBRIR – Se forem ao You Tube e procurarem na barra de canais o da educação poderão aí encontrar gravações vídeos de palestras e aulas de distintos professores de Universidades tão prestigiadas como Harvard, Yale, Carnegie Mellon ou Stanford. Outro bom sítio para procurar apresentações interessantes do ponto de vista profissional e científico é o www.ted.com , neste caso divididas em áreas que vão do entretenimento ao design, passando por tecnologia ou negócios. 

 


OUVIR – Ida Maria é uma norueguesa de 24 anos que canta com raiva e energia, que canta o que lhe vai no espírito sem atender a conveniências. Seguidora dos Pogues no que toca à quantidade de álcool que ingere antes de actuar, do punk no que toca às palavras e ao estilo, e da new wave no que toca a arranjos e produção – o resultado é aliciante e diferente de tudo o que tem surgido nos últimos anos. É fresco, incómodo como só a boa música o é, e perturbante como as belas canções sabem ser. Ouçam «Oh My God», «Louie» ou «I Like You So Much Better When You Are Naked», três das canções que fazerm de «Fortress Round My Heart» um dos albums a reter para o balance deste ano. Comprado na Amazon. 

 


VER – Uma recomendação no Porto: na Galeria Quase (Rua do Vilar 54), desenhos, fotografias e esculturas de Cristina Ataíde. Os desenhos combinam a grafite com o guache e criam ambientes que se prolongam nas esculturas, que combinam árvores, tecido e chumbo. Algumas fotografias completam a visão de Cristina Ataíde, que persistentemente tem operado nesta diversidade de meios, unidos por um fio condutor balizado pela observação, como se fosse a intervenção deliciosa de um voyeur anarquista sobre o que está à sua volta. 

 


 


FOLHEAR – A revista norte-americana «Rolling Stone» diminuíu de formato e perdeu aquele tamanho invulgar que a caracterizava. Passou a gora ao formato típico das revistas americanas – provavelmente porque o seu público tradicional foi envelhecendo e já não consegue abrir os braços o suficiente para o percorrer as páginas do tamanho antigo. Seja como for, tamanhos à parte, a Rolling Stone lá vai dando conta do recado embora com um tom mais cinzento e conformista do que há uns anos atrás. A publicação ainda é boa para ir vendo o que acontece, mas deixou de ser um guia de tendências. 

 


 


EXPERIMENTAR – Sabores orientais no New Wok; Rua Capelo 24, exactamente na esquina com a Rua Anchieta, frente ao Governo Civil. Não é a  melhor das vizinhanças mas a qualidade dos noodles e a diversidade de propostas, assim como a simpatia do serviço, a decoração do local e o atrevimento de algumas combinações inesperadas tornam o New Wok num sítio a conhecer se tiver vontade de experimentar um dos restaurantes de inspiração asiática mais conseguidos de Lisboa. Experimentem o gelado de sésamo na parte das sobremeses. Telefone 213477189. 

 


 


DESCONTRAIR – Este fim de semana o CCB propõe os seus Dias da Música, este ano dedicados a Bach, com algumas incursões na obra do compositor por músicos de outras áreas, como é o caso de Bernardo Sassetti. É uma programação rica e diversificada, prova provada da falta de razão dos velhos do Restelo que se puseram aos uivos quando a velha «Festa da Música», importada de Nantes e da habilidade comercial de René Martin, foi em boa hora abandonada por Mega Ferreira que preferiu investir numa programação própria. 

 


 


BACK TO BASICS - Bota-Abaixismo é o que o Governo tem andado a fazer ao país – ouvido na rua. 

 

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publicado às 13:01


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