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O PARADOXO EUROPEU & SUGESTÕES AVULSAS

por falcao, em 29.07.16

DESFOQUE - Como há-de alguém perceber o paradoxo que assola a Europa? Como há-de alguém perceber que, no mesmo dia em que um padre é degolado pelo ISIS no norte de França, em Bruxelas a preocupação central seja debater e decidir sobre penalizações a aplicar a Portugal e Espanha? O resultado da discussão, após semanas de intrigas, ameaças e burburinho, com todo o mérito dos envolvidos, foi que a multa é zero - vamos a ver se a coisa fica por aqui ou se ainda há mais trapalhadas. Mas a questão fundamental é esta: a Europa ficou refém da morte anunciada pelo ISIS, de atentados que se repetem, de sobressaltos no dia a dia dos cidadãos. O problema principal da Europa é político, tem a ver com decisões que vão além do déficit, tem a ver com a sua relação com os seus cidadãos. A Comissão Europeia continua a achar que a sua missão é vigiar o pacto de estabilidade, apesar de, literalmente, todos os dias lhe rebentar uma bomba nas mãos, que mata inocentes e agrava a insegurança. Qualquer dia o pacto de estabilidade pode estar a ser cumprido a 100%, mas entretanto o terror dominou a Europa. Sobre o que se passa na Turquia, nota-se que significativamente não surge nem uma palavra. A Europa é uma entidade muito mal gerida do ponto de vista político e do ponto de vista económico os maus resultados estão à vista na falta de crescimento, na ruína do  sistema financeiro, no próprio Euro. Com um desgoverno assim não admira que haja quem dele queira sair. Sobre isto, sobre a política na Europa, não há reflexão séria transnacional - apenas se vêem  fundamentalistas de opereta como Dijsselbloem a falarem sobre fantasias, e Junckers de humor variável a ensaiar represálias aos ingleses. O maior problema está na falta de uma atitude política clara da Europa perante as ameaças que a atacam todas as semanas. A casa está a arder e há quem pense no que deve ser a sua decoração, mesmo quando as salas já estão em labaredas.

 

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SEMANADA - Entre a meia noite e as 20h00 de segunda-feira passada registaram-se 215 incêndios, ou seja um em cada cinco minutos; segundo o Instituto de Conservação da Natureza um quarto dos incêndios florestais tem origem criminosa;  no primeiro semestre do ano houve mais de 50 assaltos por dia a residências; depois das audiências com o Presidente da República os partidos do Governo e da oposição disseram não ver sinais de crise política; as ultimas sondagens indicam que PS e Bloco de Esquerda sozinhos já conseguiriam maioria parlamentar se houvesse eleições; a CGTP começou a pressionar o Governo; Ascenso Simões, deputado do PS, afirmou que “António Costa tem de convidar o Bloco de Esquerda e o PCP para o Governo”; Em média, a eleição de cada um dos 230 deputados da Assembleia da República custou ao partido que o apoiou quase 45 mil euros, um aumento de mais de 20% em relação a 2011; os portugueses com idade entre os 50 e os 70 anos já gastam mais tempo semanalmente à frente do ecrã do computador do que à frente do ecrã da televisão; o valor dos contratos de obras públicas celebrados no primeiro semestre é o mais baixo desde 2011; um quarto das obras públicas é contratada pelo Estado com um desconto superior a 30% do preço base, o que estimula a concorrência desleal ao indicar preços base mal calculados; todos os meses são apanhadas 4680 baixas fraudulentas;   há mais de 300 casos de negligência médica à espera de perícia; os portugueses cresceram em média 14 cm num século; Segundo a Marktest, de 24 de Janeiro a 24 de Julho, Marcelo Rebelo de Sousa interveio na primeira pessoa em 1.616 notícias na RTP, SIC, TVI e CMTV, o que corresponde a uma média de quase nove notícias por dia e 22 minutos de exposição diários.

 

ARCO DA VELHA - No início da semana o Pokémon Go já tinha gerado mais tweets que o Brexit ou o Euro 2016.

 

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FOLHEAR - Desde o ano passado, no Verão, a Monocle publica uma edição especial chamada “The Escapist”. Como o nome indica o tema é a fuga aos hábitos rotineiros, o conseguir desligar do dia a dia de trabalho em tempo de férias. É de alguma forma engraçado constatar que enquanto as edições mensais da Monocle estão a perder garra, as duas especiais anuais - este The Escapist e o natalício The Forescast, dedicado a tendências, conservam a criatividade dos primeiros tempos da “Monocle”. A presente edição da Escapist tem 258 páginas onde reportagens, notas de viagem, sugestões e artigos diversos coexistem com portfolios fotográficos. Portugal ficou bem na fotografia, por falar nisso - o portfolio principal é dedicado aos marinheiros portugueses que vivem nos nossos submarinos. Ben Ingham  fotografou e Trish Lorenz escreveu sobre a marinha portuguesa - uma das mais antigas do mundo,que remonta ao século XII, como ela faz notar. Trish Lorenz vive em Lisboa desde 2014 e tem escrito sobre a cidade em diversas publicações. Aqui debruça-se sobre os nossos marinheiros, a nossa Marinha e o papel de Portugal. O outro destaque que nos coube é sobre os Açores - que são vistos pelo editor principal da Monocle, Andrew Tuck. Rapidamente percebeu os ilhéus - o mar, que os de fora vêem como um obstáculo, é encarado pelos açorianos como uma porta de saída. Aqui está uma bela peça sobre o Açores, que sugere roteiros, dá recomendações como o Hotel Terra Nostra e o Arquipéloago - Centro de Arte contemporânea. Esta edição do Escapist enumera também uma lista dos melhores restaurantes do mundo e em Lisboa surge o Gambrinus no lugar 37 de uma lista de 50. Numa nota  que enumera os cinco melhores sítios para petiscar fora de horas é apontado o Isco da Bica (Rua do Almada 29). A finalizar - vale a pena ler o especial sobre Palermo, um grande cidade, aqui muito bem observada. Saudades da Sicília, é o que é.

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VER - Hoje as minhas recomendações vão a norte. Começo por uma exposição de fotografia (na imagem), de Maria Leonardo . Chama-se “Mar, Terra e Outros Lugares” e está numa Guest House, a Miss’Opo, na Rua dos Caldeireiros 100, no Porto. A exposição, patente até 27 de Agosto, combina imagens feitas em Lisboa e Berlim e ainda uma ficção criada pelo ambiente da Isola Di Vulcano, na Sicília. Maria Leonardo mostra o que vê, e vê bem o que se passa à sua volta, com um filtro muito pessoal, sensível nas suas imagens, que lhe permite uma abordagem criativa da côr. Se não puderem ver a exposição no Porto vejam o site da autora, em cargocollective.com/MariaLeonardo. As vendas realizadas na exposição destinam-se a financiar a frequência da prestigiada Akademie der Bildenden Kunste, em Munique, no próximo ano. Já que estamos a norte sugiro que numa destas noites de quinta-feira se dirija ao Museu Nacional Soares dos Reis onde poderá ter uma visita guiada. O programa de verão do Museu, incluído no Porto Art Fest - que vai até 30 de Setembro -  está cheio de iniciativas como oficinas de azulejo ou de bijuteria e para ter informação sobre as numerosas actividades vale a pena consultar o site  www.museusoaresdosreis.pt. Finalmente, em Serralves, e para além dos desenhos do arquivo de Siza Vieira, destaque para a exposição de artistas convidados a pensarem, obras em função do espaço - a americana Trisha Donnelly explorou a arquitectura art déco da casa principal e a sua relação com o jardim, e o britânico Liam Gillick imaginou uma mostra, que se estende ao longo de um ano, em quatro momentos, intitulada Campanha.

 

OUVIR - Rolf Lislevand é um norueguês que se dedica a instrumentos clássicos e é um conceituado  intérprete criativo de guitarra e alaúde. Participou, com Jordi Savall, com quem tem extensa colaboração, na banda sonora do filme “Tous Les Matins du Monde”. O seu foco é a  música antiga e o seu mais recente disco, para a ECM, “La Mascarade”, vai buscar obras de dois compositores do século XVII, Robert de Visée e Francesco Corbetta. Lislevand improvisa na introdução a alguns temas e de uma forma geral toca neste disco como se estivesse num concerto para uma pequena plateia de amantes da música barroca, e da sua forma de tocar guitarra em particular. A produção, exemplar, esteve a cargo de Manfred Eisher, que adoptou a abordagem da “musica callada”, ou, se preferirem, da música que vive no silêncio - esse conceito tão raro e sem o qual não conseguiríamos entender nenhuma música. CD ECM New Series, na Amazon.

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PROVAR -  Com este calor o que apetece é um gelado. Mesmo fora do verão gosto de gelado à sobremesa, e então com estas temperaturas nem se fala. Um dia destes resolvi ir almoçar o meu bitoque preferido, que é o do Restaurante Roma, junto à Piscina da avenida com o mesmo nome. Já aqui o disse, a carne é de bom lombo, vem temperada com gosto e cozinhada no ponto, e as batatas fritas às rodelas finas, feitas na hora, são de chorar por mais. Resolvido o bitoque fui à porta ao lado, à Casa do Gelado e encontrei um inesperado gelado de physalis, um saboroso fruto, até aqui raro, e que começa a aparecer com maior frequência . Combinei-o com um gelado de chocolate puro. O resultado foi uma delícia. Ficou por experimentar o gelado de mirtilos e o de ananás dos Açores com gengibre. E também tem cassata… Casa do Gelado 1981 - Avenida de Roma 28, junto à piscina, ao lado do restaurante Roma, das 11 às 24h00.

 

DIXIT - “Pode e deve haver austeridade. Com sentido de obediência aos interesses nacionais. Não ao de outros interesses nacionais” - José Maltez

 

GOSTO - Desta afirmação de Carolina Patrocínio: “ter sido mandatária do PS é das poucas coisas de que me arrependo na vida”.

 

NÃO GOSTO - Da substituição de arbustos por calçada, como está previsto acontecer na Avenida D. João II, na Expo.

 

BACK TO BASICS - “O grande problema da vida dos políticos é que correm sempre o risco de ter o trabalho interrompido pelo resultado de eleições” - Will Rogers

 

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publicado às 18:30

COMO IRÁ FICAR O NOSSO AUTO-RETRATO?

por falcao, em 18.03.16

AUTO-RETRATO - Estamos aqui entretidos com o nosso orçamento - o primeiro orçamento em que o PCP votou favoravelmente em dezenas de anos - e o resto da Europa não se rala muito com os nossos sobressaltos internos. Não se vê grande eco dos acontecimentos lusitanos por essa União fora. Em contrapartida ouve-se o ranger de dentes que o Banco Central Europeu provoca, sente-se o arrepio que o resultado das eleições na Alemanha desencadeou, palpita-se a inquietação sobre as conversações com a Turquia, percebe-se a insegurança que a situação em Espanha produz nos analistas. Portugal é  a última preocupação da Europa, é um dano colateral na melhor das hipóteses. Se a coisa correr mal e Costa não tiver o tal plano B, a Comissão Europeia não vai ser branda no julgamento e, mais uma vez, perceberemos a asneira tarde demais. Gostaria que não fosse assim, mas a Europa é o que é, e nós temos a dimensão que temos. Ou seja, estamos entre a espada e a parede, local onde recorrentemente voltamos. Vou gostar de seguir a execução orçamental, vou gostar de ver se as previsões de receitas com o aumento dos impostos nos combustíveis se cumprem, se a descida do IVA na restauração tem algum efeito prático, se a despesa pública não explode com subsidios a taxis e benefícios fiscais a animais. A vida não está fácil e da maneira que as coisas estão não vejo maneiras de melhorar. A nossa selfie arrisca-se a ficar desfocada.

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SEMANADA - Marcelo pegou no seu próprio carro e foi visitar Mário Soares a casa no Domingo; 28% dos portugueses entre os 16 e 74 anos nunca usaram a internet - a média europeia é de 16%; Portugal teve a mais baixa taxa de fertilidade da União Europeia em 2014; as despesas de veterinário com animais domésticos até ao limite de 250 euros anuais vão poder ser deduzidas no IRS; no ano passado as infecções hospitalares mataram sete vezes mais que os acidentes rodoviários - 12 pessoas por dia; o Ministério da Educação reconheceu não saber quantos professores estão de baixa; um relatório internacional revelou que os adolescentes portugueses são os que menos gostam da escola nos 42 países analisados; em 2015 foram feitas mais de 300 mil queixas nos livros de reclamações, sobretudo nos sectores do comércio e restauração; a DECO recebeu quase 700 mil queixas em 2015, um aumento de 24% face a 2014, com o sector da energia e das telecomunicações a motivarem o maior numero de reclamações; os despedimentos colectivos aumentaram 32,5% desde Janeiro; Angola e Brasil foram responsáveis por uma quebra de mil milhões nas exportações portuguesas em 2015; ainda há 156 milhões de euros em notas de escudos por trocar; por causa da diferença no preço dos combustíveis, devido à carga fiscal, os portugueses abastecem cerca de um milhão de euros por dia em Espanha; o governo vai criar novas taxas que aumentarão o peso das receitas obtidas pela chamada fiscalidade verde; o Governo propõe-se atribuir financiamentos de 17 milhões de euros com o intuito de promover a modernização dos taxis; um quarto dos carros da PSP estão parados, avariados ou para abate.

 

ARCO DA VELHA - A Câmara Municipal de Lisboa, que metodicamente toma medidas para dificultar o trânsito automóvel e a vida dos automobilistas, encara proceder à demolição quase total da Vila Martel, na encosta da Glória, onde trabalharam alguns dos maiores nomes da pintura portuguesa, para construir um estacionamento robotizado de catorze andares - chama-se a isto o Paradoxo de Medina. Que triste sina a de Lisboa…

 

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FOLHEAR - Os meus leitores saberão que eu me interesso por experimentar restaurantes, petiscarias, locais variados desde que não sejam pretensiosos, onde se pratique boa cozinha.  Além disso também já terão notado que eu sou um crente na possibilidade da sobrevivência do papel impresso - nomeadamente das revistas. Já aqui falei algumas vezes sobre a quantidade (e qualidade) de novas revistas que vão surgindo, muitas dirigidas a nichos, outras mais abrangentes. A partir de agora há um local em Lisboa, na Rua Marquês Sá da Bandeira 88, perto da Gulbenkian, onde se pode encontrar esta nova geração de revistas e apreciar a diversidade e criatividade que o sector tem. Este quiosque contemporâneo chama-se Under The Cover (vejam a página no Facebook com o mesmo nome). Uma das revistas que por estes dias lá vi e trouxe para casa chama-se “The Gourmand - A food and culture journal”. Na primeira página está uma citação de Leonard Cohen: “we humans are always looking for things to do between meals”. The Gourmand tem uma periodicidade semestral, é editada no Reino Unido e lá tem um preço de 12 libras. Foi considerada a revista do ano em 2015. Cada edição mistura objectos com comida, receitas com reportagens, entrevistas com ensaios. A fotografia é exemplar, a ilustração é cuidada. Neste número 7, editado em finais de Janeiro, destaco um ensaio de um linguista sobre a forma como os menus, as criticas de restaurantes ou a apreciação de vinhos é escrita - um texto deslumbrante intitulado “Sex, Druga And Sushi Rolls”. Embora não goste de franceses, gostei da introdução aos princípios básicos da cozinha francesa a propósito dos conselhos culinários de Alexandre Dumas; gostei ainda mais da história sobre as habilidades gastronómicas do vampiresco actor Vincent Price e guardei  as receitas que vêm no final da revista - e que em algum ponto são mencionadas num dos seus artigos. Sugiro que vá à Under The Cover ver a revista ou que visite o site  thegourmand.co.uk

 

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VER - Esta recomendação é para quem está no Porto. Na Galeria Árvore ( Rua Azevedo de Albuquerque 1), está uma exposição que agrupa obras de Cristina Ataíde (na imagem), Graça Pereira Coutinho e Ana Vidigal sob o título “O Sublime Flamejar das Pestanas”, com curadoria de Albuquerque Mendes. Cada uma das artistas tem um espaço próprio na exposição e há uma zona comum onde as obras de todas se cruzam, estabelecendo o diálogo de partida. A ideia é evocar uma casa onde cada divisão é habitada por uma pessoa e existe uma zona comum que é de todas. São 30 obras, entre cerâmicas, pinturas e instalações, em exposição na Árvore até ao fim do mês.

 

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OUVIR - No princípio é a linha do baixo; depois, é  a voz. A voz, aqui faz a diferença. A simplicidade dos arranjos ajuda. A clareza das palavras é bem vinda. O som simples e despretensioso é uma benção. De repente dei comigo a trautear estas canções dos Minta & The Brook Trout. A pôr o disco a tocar vezes seguidas - para ouvir a voz surpreendente de Francisca Cortesão, a guitarra discreta e eficaz de Bruno Pernadas, o baixo de Mariana Ricardo, as teclas de Margarida Campelo, a percussão de Nuno Pessoa. Há muito tempo que uma banda portuguesa não me surpreendia tanto como aconteceu com “Slow”,. este disco dos Minta & The Brook Trout, um grupo que ao todo já tem meia dúzia de registos no activo. Devo dizer que as canções, as onze histórias que estão neste disco, são da autoria de Francisca Cortesão. Parecem autobiográficas, estão muito bem escritas - um sentido rigoroso na utilização das palavras, cantado em inglês. É o meu disco português do mês. CD NorteSul/ Valentim de Carvalho.

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PROVAR -  Raramente utilizo açúcar - nem no café. Também não uso adoçantes. Em geral não bebo refrigerantes adocicados. Mas o chocolate… o chocolate é um incontornável vício. Gosto dele duro e amargo. Uma variante possível são farripas de casca de laranja cobertas com chocolate escuro. Em relação aos ovos da Páscoa, durante muito tempo dediquei-os às crianças. Mas quando descobri que a chocolataria Equador tinha ovos de chocolate preto fiquei naquela fase do regresso à infância. Só me apetecia que me escondessem ovos desse chocolate nos cantos da casa para eu os ir descobrindo. Esta versão adulta dos ovos de chocolate veio trazer uma Páscoa diferente. Nunca é tarde para actualizarmos as nossas memórias e para descobrirmos novos prazeres,  neste caso na Chocolataria Equador - no Porto na Rua Sá da Bandeira 637, e em Lisboa na Rua da Misericórdia 72. O difícil é escolher.

 

DIXIT - “No Brasil é assim: quando um pobre rouba, vai para a cadeia, mas quando um rico rouba, ele vira ministro" - Lula da Silva, 1988

 

GOSTO - Há uma editora portuguesa de Jazz, a Clean Feed, que se tornou uma referência no jazz internacional e que editou 400 discos nos 15 anos que já leva de vida e que agora celebra.

 

NÃO GOSTO - Do caos das obras em Lisboa, dos projectos feitos à pressa e que são interrompidos para serem corrigidos e nunca mais sãoretomados, do desprezo que a autarquia manifesta pelos lisboetas que são quem sustenta o incompetente desgoverno da cidade.

 

BACK TO BASICS - “Gosto do cinema que me faz mexer na cadeira” - Nicolau Breyner

 

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publicado às 14:00


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