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QUEM VÊ TV?  - Segundo a Anacom, no final de 2020, em cada 100 famílias 88 eram subscritoras de serviços em pacote de um dos operadores de telecomunicações, um aumento de 4,4% em relação ao ano anterior. Isto quer dizer que quase 90% dos lares portugueses têm acesso a um conjunto alargado de canais de televisão, além dos generalistas de acesso livre - RTP1 e 2, SIC e TVI. Os dados recolhidos pelas entidades que medem a audiência de televisão indicam que na semana passada cerca de 49% dos espectadores não seguiram estes canais generalistas - 34% preferiram o conjunto dos canais de cabo e quase 15% estiveram na categoria “outros”, que inclui jogos on-line e sobretudo os serviços de streaming, como a Netflix, Disney ou HBO, que têm vindo a crescer. Ao fim de semana a tendência para sair dos generalistas ainda é maior: No sábado passado, por exemplo, os canais de cabo foram seguidos por 37% dos espectadores e na categoria “outros” estiveram 18%: feitas as contas 55% dos espectadores preferiram estar fora dos generalistas. É curioso também ver que género de programas têm maior audiência. Se fizermos as contas, desde o início deste ano, nos dez programas que obtiveram maior audiência os nove mais vistos foram transmissões de jogos de futebol e o décimo foi o debate entre Marcelo Rebelo de Sousa e André Ventura. O jogo mais visto foi o Porto-Juventus para a Liga dos Campeões com 2,4 milhões de espectadores. Tirando o futebol o programa que regularmente tem tido maior audiência tem sido Isto É Gozar Com Quem Trabalha e na semana passada a entrevista de Ricardo Araújo Pereira a Carlos Moedas alcançou praticamente 1,4 milhões de espectadores, à frente das novelas, do Big Brother, de Hell’s Kitchen ou All Together Now. No cabo o domínio da CMTV é avassalador ocupando o primeiro lugar há 50 meses. Em matéria audiovisual, termino com uma curiosidade fresquinha: o Primeiro Ministro espanhol anunciou esta semana o lançamento de um plano de investimento no audiovisual no valor de 1.6 mil milhões de euros  que se destina a fomentar a produção audiovisual espanhola e a atrair produtores internacionais a irem filmar em Espanha. Chama-se a isto desenvolver uma indústria. A da televisão.

 

SEMANADA - Nos últimos 45 anos fecharam mais de mil quilómetros de linhas ferroviárias, e três capitais de distrito, Viseu, Vila Real e Bragança ficaram sem acesso ao comboio; segundo a Pordata em 2001 existiam 101,6 idosos por cada 100 jovens e em 2019 esse número tinha aumentado para 161,3; ainda segundo a Pordata em 2001 existiam 1.679.191 jovens com menos de 15 anos e em 2019 esse número tinha descido para 1.402.276;  em 2001 existiam 1.705.274 pessoas com mais de 65 anos em em 2019 o número tinha aumentado para 2.262.325; em Portugal  90% dos processos de corrupção acabam sem condenação; o Governo deixou 1% da despesa pública por executar em 2020; a carga fiscal subiu de 34,5% em 2019 para 34,8% do PIB em 2020; também em 2020 o rácio da dívida pública passou de 116,8% em 2019 para 133,6% em 2020; a historiadora Raquel Henriques da Silva escreveu uma carta aberta ao Primeiro Ministro sobre a falta de condições de diversos museus e afirma que  os Painéis de Nuno Gonçalves estarão durante o verão numa sala do Museu Nacional de Arte Antiga  sem ar condicionado ou sistema de alarme a funcionar com segurança; a partir de setembro, o mestrado integrado de Medicina do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar da Universidade do Porto terá uma nova cadeira, a de Introdução à Poesia, que será lecionada pelo escritor (e também médico) João Luís Barreto Guimarães. 

 

ARCO DA VELHA  - O juiz  Rui Fonseca e Castro, suspenso pelo Conselho Superior da Magistratura devido às posições públicas que tomou sobre o estado de emergência, acusou o Diretor Nacional da PSP de ser um idiota e um fantoche e desafiou-o no Facebook para um combate de artes marciais mistas.

 

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O REGRESSO DAS EXPOSIÇÕES - João Jacinto expõe desde 1987, é um artista plástico português com uma obra significativa, que integra diversas colecções portuguesas e estrangeiras, institucionais e particulares. Em 2010, a propósito de uma exposição na Galeria Fernando Santos, no Porto, o crítico Óscar Faria descreveu assim a obra de joão Jacinto: “As diversas declinações a que o artista sujeita as suas obras provêm de um mesmo exercício: testar os limites estruturais de uma obra que ora se afasta de um centro para evocar uma paisagem - abstracta, é certo -, ora se aproxima de uma fisicalidade determinada pela acumulação de matérias, ora assume uma vontade de abarcar outros territórios, dirigindo-se, sem medo, ao exterior de si, e aceitando o erro e a justaposição como elementos de composição. As pinturas, por vezes, são viradas do avesso, outras expõem a sua nudez, mas é sobretudo a sua dimensão corpórea, colorida, excessiva, que aqui importa”. A imagem que aqui se reproduz é de uma das duas dezenas de obras da sua nova exposição, “Solfatara”, que inaugura dia 6, para a semana na Galeria 111, no Campo Grande. Os preços variam entre 1672,50 € para as obras mais pequenas, de 50x42 cms e os 11.150€ para as maiores, de 180x163 cms. Com o desconfinamento as galerias começam pois a abrir e no dia 5, na Galeria Vera Cortês, em Alvalade, inaugura “então aquilo que” de Gonçalo Barreiros. A Galeria Filomena Soares irá reabrir ao público no dia 6 de Abril, com as exposições "Shell Game", de Andreia Santana e Anna-Sophie Berger, e "Places of War" de Daniel Nave. No dia 5 de Abril o MAAT abre três novas exposições - “Aquaria” sobre a relação com o mundo marinho com curadoria de Angela Rui, “X Não É Um País Pequeno” baseada em nove instalações e “Earth Bits”  sobre o impacto da acção humana no planeta. A terminar uma novidade sobre a  ARCO Lisboa - este ano, se a pandemia o permitir, a ARCO Lisboa regressa mas em Setembro, e num novo local, a Doca de Pedrouços. 



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O SOM DA PROMESSA ALCANÇADA - Sam Shepherd é um DJ e produtor discográfico com pergaminhos, conhecido como Floating Points. Nos seus sets de DJ muitas vezes recorria a temas do saxofonista de jazz Pharaoh Sanders. Agora  Sheperd, com 34 anos, juntou-se com Sanders, de 80, e pôs de pé um projecto intitulado “Promises”. Trata-se de uma obra de 46 minutos, em nove movimentos, composta para saxofone, teclados, electrónica e uma secção de cordas de 29 músicos da London Symphony Orchestra. Trata-se da mais significativa gravação de Pharaoh Sanders nos últimos sete anos e aqui se ouve bem a sua capacidade de transmitir emoções através do seu saxofone tenor - notas prolongadas, entoações que se misturam com as sonoridades eletrónicas criadas por Shepherd, solos curtos e vibrantes que se entrelaçam com a secção de cordas. É um disco misterioso, envolvente. Na realidade é a magia musical de Pharaoh Sanders que junta todas as peças deste disco. Numa entrevista de Outubro do ano passado à revista New Yorker, Sanders dizia que se dedicava mais nesta fase da vida a ouvir o que se passava à sua volta do que a ouvir gravações - desde as ondas do mar ao ruído dos aviões ou à cadência dos comboios. O trabalho com Shepherd, que produziu o álbum, prolongou-se durante um ano praticamente. E o resultado final é um daqueles momentos de música aos quais queremos sempre voltar. "Promises'' está disponível nas plataformas de streaming.

 

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ESCRITAS INTEMPORAIS - “Esteiros”, um romance de Soeiro Pereira Gomes publicado originalmente em 1941, é  considerado um elemento marcante da história portuguesa do século XX e uma das grandes obras literárias do neo-realismo. Soeiro Pereira Gomes, foi regente agrícola e dirigente do PCP e morreu em 1949, com 40 anos de idade. “Esteiros” é passado no Ribatejo e a sua acção centra-se na vida de cinco rapazes,  “os filhos dos homens que nunca foram meninos”, como diz a dedicatória que abre o romance. “Esteiros”, esclarece o autor que conhecia bem a região onde situou o livro,  são “minúsculos canais como dedos de mão espalmada, abertos na margem do Tejo”. Para assinalar os 80 anos da sua publicação original a Quetzal fez uma belíssima nova edição de “Esteiros” e Francisco José Viegas, no texto de introdução, escreve que esta obra é um “emblema da nossa literatura politicamente comprometida” mas “ultrapassa largamente a sua inegável vocação de instrumento político”. Sublinha ainda que “graças à qualidade da escrita de Soeiro Pereira Gomes e a um conhecimento detalhado daquele mundo real sobre o qual escreve”, o romance “ultrapassa o quadro de representações ideológicas a que estaria destinado numa leitura estritamente política”. O livro relata vidas difíceis a que ninguém quererá voltar, “degradantes condições de trabalho e de emprego” como Viegas bem sublinha -  uma ideia que convém reter nestes tempos em que estamos.

 

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SIMPLES E BOM - Um amigo meu, com quem trabalhei muitos anos, diz que sem conservas de atum a sua vida seria mais difícil. Tenho tendência a partilhar essa opinião. Não se assustem que hoje não vou falar de empadão de arroz e ovos mexidos com atum. Mas proponho uma receita com inspiração italiana que já me deu várias boas refeições. É rápida e fácil e estas quantidades são para duas/ três pessoas, dependendo do apetite e dieta em curso.  Trata-se de esparguete com atum, mas com um toque para as coisas ficarem mais interessantes. Primeiro escorrem-se duas latas de atum em azeite, uma dúzia de tomates cherry cortados ao meio, três ou quatro anchovas de lata desfeitas aos pedaços, uma colher de sopa bem servida de alcaparras escorridas e um pouco de azeite de boa qualidade. Mistura-se tudo bem, tempera-se com sal e pimenta a gosto e deixa-se repousar uma meia hora. Coze-se o esparguete em água abundante, bem salgada. Quando estiver “al dente'' escorre-se, volta para o tacho e deitam-se por cima todos os outros ingredientes que ficaram a repousar. Mistura-se muito bem, rectifica-se o tempero e deitam-se por cima folhas de manjericão cortadas aos pedaços. Serve-se imediatamente. Um rosé acompanha bem.

 

DIXIT - “O Estado não é forte demais. É fraco e pesado. É frágil. Só é forte nos obstáculos que cria. E para favorecer os seus”  - António Barreto

 

BACK TO BASICS - “Pensem de forma elaborada mas comuniquem com linguagem que as pessoas entendam” - William Butler Yeats.




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