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TUTTI FRUTTI? REALIDADE OU PROPAGANDA?

por falcao, em 29.06.18

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INVESTIGAÇÕES - Quando olho para a pompa e circunstância das investigações judiciais, muito bem publicitadas, envolvendo extensos meios humanos e usando pomposos e imaginativos nomes, ocorre-me se tudo isto não será uma manobra de ilusão criadas pelas autoridades judiciais para mostrarem que, ao contrário do que se vê, fazem alguma coisa. Acho muito bem que se investiguem as actividades dos políticos e sobretudo a dos autarcas, nomeadamente dos que tomam decisões sobre o urbanismo nas maiores cidades do país e não apenas sobre os que decidem compras de serviços e adjudicações. A confiança das pessoas nos políticos está quase no grau zero e se existem suspeitas seja do que fôr é bom que se investigue. Mas desejo que essas investigações levem a algum lado e não a um beco sem saída, como tem acontecido tantas vezes nos últimos anos. Uma investigação ou descobre um crime e o prova, ou não o consegue fazer e apenas destrói ainda mais a pouca confiança que existe. Esta semana foram mais de 70 buscas a sedes partidárias, escritórios de advogados e serviços autárquicos, com o correspondente alarido. Não sei quem dá os nomes às operações mas deve ser um belo criativo - “Tutti Frutti” é um nome excelente, mas resta saber se vai servir para vender a ideia de que o mal está em todo o lado ou para servir de sobremesa a alguém que queira fazer de conta que se investiga. Nestes últimos anos ganhei uma certeza: se confio pouco nos políticos, confio ainda menos nas investigações da justiça. E nas suas intenções.

 

SEMANADA - Em 2017 ficaram por fazer mais de 233 mil consultas de oftalmologia; o tempo médio de espera por uma consulta de oftalmologia no Serviço Nacional de Saúde é de 180 dias e há hospitais onde a espera é superior a dois anos; enquanto os aeroportos nacionais movimentaram mais 11,9% de passageiros no primeiro trimestre deste ano, face a igual período do ano anterior, os portos marítimos movimentaram menos 9,8% de mercadorias; nos primeiros três meses do ano o aeroporto de Lisboa movimentou 22 aviões por hora; a dívida pública portuguesa será a 11ª maior do mundo no final do ano e vai continuar  acima dos 120% do PIB; a economia portuguesa teve o quarto pior crescimento do PIB por habitante em idade de trabalhar entre 1998 e 2017; os cinco partidos da Assembleia da República representam hoje menos 850 mil portugueses do que representavam em 1995; sem contar com a Tutti Frutti, nesta legislatura o Ministério Público já fez 19 deputados arguidos quer no caso das viagens oferecidas quer devido a investigações sobre autarquias; mais de metade da população do Algarve tem excesso de peso; Portugal é um dos países da Europa onde se consome mais álcool per capita, sobretudo a partir da meia idade; o padre José Tolentino de Mendonça foi nomeado responsável pelo arquivo e biblioteca do Vaticano.

 

ARCO DA VELHA - O líder do Partido Comunista dos Trabalhadores Portugueses (PCTP/MRPP), Arnaldo de Matos, apelou segunda-feira, na sua conta no Twitter, à luta armada “contra a exploração capitalista”.

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FOLHEAR - Esta é a altura do ano em que a revista Monole publica a sua edição dedicada à lista das 25 cidades que considera melhores para viver. Este ano a lista das cidades é acompanhada por uma lista das dez pessoas (“dez heróis”, diz a revista) que mudam a vida nas urbes onde vivem. Comecemos pelas cidades - a avaliação é feita a partir de 60 métricas, que vão desde a extensão de ciclovias existentes, até à quantidade de lixo reciclada, passando pelo preço de um bom copo de vinho ou o custo da habitação. As cidades, diz a Monocle desde a sua fundação, são o futuro do mundo - em 2030 as áreas urbanas acolherão 60 por cento da população mundial. Portanto a classificação tem em conta aquilo que as cidades oferecem já actualmente e também o planeamento que está a ser feito para preparar o futuro. Munique foi a vencedora este ano  - pelas áreas verdes, pelo número de equipamentos culturais e estabelecimentos de ensino, pelo desenvolvimento de infraestruturas e a facilidade de ligações internacionais. Em segundo lugar aparece Tokyo, já a beneficiar do que tem sido feito para alojar os Jogos Olímpicos de 2020. E em terceiro lugar vem Viena. Nos lugares seguintes, por ordem, estão Zurique, Copenhaga, Berlim, Madrid, Hamburgo, Melbourne e, em décimo, Helsínquia. Lisboa aparece na 12ª posição. Já agora Amsterdão surge na 16ª, Barcelona na 19ª, Paris na 20ª. É nos heróis urbanos que Lisboa aparece melhor classificada com Pedro Borges, proprietário e programador do Cinema Ideal, distribuidor e produtor de filmes, na 4ªa posição. A revista elogia o papel desempenhado pelo Cinema Ideal, recuperado em 2014, sublinhando que uma sala dedicada à exibição de filmes de qualidade é uma componente essencial de qualquer cidade cosmopolita. E Vihls (Alexandre Farto) é outro português em destaque nesta edição, num artigo sobre Street Art.

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VER - Na quarta-feira à noite gostava de ter estado em Porto Brandão, na margem sul, quase frente ao MAAT, para ver o novo farol de Lisboa a acender-se. É um farol especial, uma escultura de alumínio e neon, num pontão antigo do porto, há muito desocupado (na imagem). Esteve para se chamar mesmo Farol, mas o nome que ficou foi Central Tejo, porque fica frente ao emblemático edifício industrial da antiga fábrica de electricidade, hoje em dia pertença da EDP.  Este farol foi imaginado e construído por Pedro Cabrita Reis, e as suas luzes acenderam no mesmo dia em que inaugurou a exposição da sua colecção, “Germinal”, agora apresentada pela primeira vez em Lisboa e que ficou a pertencer à Fundação EDP. A inauguração foi no mesmo dia em que o artista português foi tema em destaque no New York Times exactamente por essa colecção que construíu, focada em talentos emergentes surgidos ao longo de três décadas, obras que agora podem ser vistas precisamente na Central Tejo até 31 de Dezembro. Ao mesmo tempo, no MAAT, inaugurou a exposição “Pan African Unity Mural”, da Ângela Ferreira, uma poderosa afirmação de arte política focada na luta contra o colonialismo e o apartheid - até 8 de Outubro no Project Room do MAAT. Finalmente, num registo completamente diferente, destaque para a exposição de Teresa Pavão na galeria Appleton Square, uma revisitação das memórias de Alvalade enquanto bairro industrial no meio da Lisboa dos anos 60. No caso o pretexto é uma fábrica de passamanarias que funcionou onde hoje é a Appleton, fábrica que Teresa Pavão frequentava à procura de matéria-prima para os seus trabalhos. Aqui estão teares com fios de seda, vários materiais e produtos dessa época, manipulados e expostos pela artista numa encenação em que evoca a fábrica e mostra o que tem feito com os seus materiais. Na Appleton Square, Rua Acácio Paiva 27, até 11 de Julho.

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OUVIR - O pianista sueco Bobo Stenson ganhou fama ao lado do saxofonista Jan Garbarek ou do trompetista Tomasz Stanko. Bobo desde há uns anos utiliza a fórmula clássica do trio de jazz - piano, bateria, baixo. Actualmente Stenson é acompanhado no baixo por Anders Jormin e Jon Falt na bateria. “Contra La Indecisión”, o seu novo trabalho, agora editado pela ECM, e que surge seis anos depois de “Cantando”, o álbum anterior. O disco começa com “Canción Contra La Indecision”, uma bela composição do cubano Silvio Rodriguez na qual Bobo Stenson mostra a sua forma elegante e envolvente de tocar piano, subtilmente pontuado pela bateria e o baixo. O novo disco inclui ainda  um original de Stenson e cinco de Anders Jormin, além de brilhantes interpretações de composições de Eric Satie, Bela Bartok e Frederic Monpou. Destaque para a “Elegie” de Satie ou a “Cancion Y Danza VI” de Mompou e ainda para o tum tradicional do folclore eslovaco, “Wedding Songs From Poniky”, recuperado por Bartok. Dos originais, destaque para “Stilla”, “Three Shades Of A House” ou o trabalho colectivo de “Kalimba Impressions”. Este “Contra la Indecision” é um daqueles discos exemplares para mostrar como o encanto de um trio de jazz reside na simplicidade. Um dos grandes discos deste ano, Bobo Stenson Trio, Contra La Indecisión, edição ECM, no Spotify.

 

PROVAR - Por estes dias ofereceram-me a primeira edição de um livro interessantíssimo, “O Vinho - Propriedades e aplicações, resumo de comunicações e pareceres aprovados nos últimos congressos médicos”. Datado de 1936, foi escrito por Samuel Maia, médico, jornalista e escritor que viveu ao longo da primeira metade do século passado. “O vinho é bom, no bom momento, em boa conta” - escreve o autor logo no início da obra para mais adiante sublinhar: “Em resumo, fixemos que o vinho é uma bebida útil, agradável e inofensiva que deu as suas provas através dos tempos - os médicos devem recomendar o seu uso, conhecer as intolerâncias e combater o abuso”. Dito isto, e seguindo as recomendações do Dr. Samuel Maia lancei-me a provar os primeiros vinhos biológicos certificados da Quinta do Monte D’Oiro - o Lybra 2017, rosé e branco. O Branco é um blend de Viognier, Arinto e Marsanne, muito fresco e cítrico e o Rosé é integralmente feito a partir da casta Syrah, estruturado, muito fresco e seco, a merecer apreciação muito positiva. Para completar o ramalhete, destaco o Lybra tinto da colheita de 2015, também integralmente Syrah. Todos estes Lybra vêm assinados pela enóloga da Quinta do Monte d’Oiro, Graça Gonçalves. O Dr. Samuel Maia havia de ter gostado destes vinhos.

DIXIT - “Portugal não é bem os Estados Unidos da América” - Marcelo Rebelo de Sousa, respondendo a Trump, quando este lhe perguntou se Cristiano Ronaldo se candidataria a Presidente da República.

 

GOSTO - Em pouco mais de dois minutos Marcelo Rebelo de Sousa explicou a Donald Trump a história das relações entre Portugal e os Estados Unidos. Uma lição.

 

NÃO GOSTO - As queixas por maus tratos contra mulheres apresentadas em 2017 atingiram uma média de 14 por dia.

 

BACK TO BASICS - Não se pode confiar numa pessoa que não confia em ninguém - Jerome Blattner

 

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