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A CÂMARA DA IMOBILIDADE - O actual executivo autárquico de Lisboa gaba-se de ter implementado políticas de mobilidade que favorecem os residentes da cidade. Ao longo do mandato de António Costa, e depois de Fernando Medina, tenho colocado as maiores reservas a estas afirmações - que têm apenas em consideração políticas parcelares e não um retrato geral da comodidade dos residentes lisboetas. Não vou entrar nas polémicas sobre bicicletas, trotinetas e outras soluções apregoadas como milagrosas e que em muitos casos aprofundam a insegurança - a começar pela dos peões. Nem menciono a insuficiência dos transportes públicos na cidade. Na minha opinião o vereador da mobilidade, Miguel Gaspar, é na realidade vereador da imobilidade. A Câmara Municipal de Lisboa toma medidas contraditórias a que ele dá cobertura - de um lado deseja menos carros na cidade e dificulta a circulação automóvel nalgumas vias (como sucedeu na Avenida da República e nos seus cruzamentos) e por outro toma medidas que visam transformar algumas artérias em vias rápidas. O caso mais recente é o do anúncio por Miguel Gaspar, na sequência das alterações previstas para a Praça de Espanha, de obras na Rua de Campolide que visam apenas criar uma entrada mais fácil daquele lado da cidade, contribuindo para uma circulação ainda mais difícil na Avenida Miguel Torga e na circulação naquela zona eminentemente residencial, em desrespeito total pelos seus moradores. Há poucos anos foram ali implementadas soluções de trânsito, sobretudo no cimo da Miguel Torga e no cruzamento da Marquês da Fronteira, que tornaram a circulação local um inferno para quem lá vive. A medida agora anunciada, conjugada com as malfeitorias anteriores, vai piorar tudo ainda mais. O que ali se está a passar e a preparar é o espelho da política de um executivo camarário mais interessado em obras de fachada e decorativas do que em tornar mais confortável a cidade para quem a vive no dia-a-dia e aqui paga as suas contribuições e impostos. Lisboa está cada vez mais a tornar-se numa cidade feita para quem não a habita e a situação tem culpados claros: Fernando Medina, Manuel Salgado e Miguel Gaspar estão à cabeça da lista de responsáveis pela destruição de uma cidade vivida. Preferiram fazer uma cidade visitada, preferiram favorecer a especulação imobiliária, preferiram penalizar os lisboetas, essa espécie em vias de extinção.

 

SEMANADA - Nos primeiros seis meses do ano a Polícia Judiciária fez seis operações contra a corrupção que visaram 14 autarcas; os bancos emprestaram 900 milhões de euros a grandes clientes sem quaisquer garantias; cerca de 80% das perdas associadas aos maiores devedores da CGD tiveram origem em créditos produzidos em mandatos de Carlos Santos Ferreira como Presidente do Conselho de Administração do banco, equipa de gestão que incluía Maldonado Gonelha a Armando Vara - indica o relatório preliminar da Comissão Parlamentar que investigou a instituição; o número de movimentos de aviões entre a meia noite e as seis chega a duplicar o máximo legalmente permitido; está prevista a abertura de 65 novos hotéis este ano em todo o país - dos quais 22 em Lisboa e 15 no Porto; já existem mais veículos de plataformas electrónicas do que táxis em Lisboa, Porto e Faro; o mais recente relatório da Autoridade para as Condições do Trabalho às empresas detectou aumento de 60% nos salários em atraso; o número de atingidos por doenças sexualmente transmissíveis aumentou 33% em 2018  e verificou-se também um aumento significativo entre pessoas com mais de 65 anos; a taxa de emprego dos cidadãos estrangeiros em território nacional ultrapassa os 73%, está a subir desde a crise e ultrapassa a média europeia; o sistema de ensino teve 40 reformas em 30 anos, das quais 18 desde o início deste século; há 700 mil portugueses sem médico de medicina geral e familiar. 

 

ARCO DA VELHA - A nova Lei das Beatas prevê que restaurantes e similares se possam candidatar a receber apoios financeiros se colocarem cinzeiros junto à entrada…

 

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JOALHARIA, ARQUITECTURA E FOTOGRAFIA  - O destaque desta semana vai para a exposição de joalharia contemporânea portuguesa que abriu na Gulbenkian e que é o prato forte da iniciativa “Convidados de Verão” da Fundação. Cristina Filipe, curadora da exposição, procurou estabelecer relações entre joias contemporâneas e obras do Museu Gulbenkian. A mostra segue a linha cronológica da exposição permanente da Coleção Moderna, apresentando joias realizadas entre 1958 e 2018 por artistas representados na Coleção como Jorge Vieira, José Aurélio, Maria José Oliveira, Vítor Pomar ou Pedro Cabrita Reis. São também criadas ligações entre peças da Coleção Moderna e obras de joalharia e estão presentes artistas como Alberto Gordillo, Kukas, Tereza Seabra ou Alexandra de Serpa Pimentel, entre outros, que iniciaram uma mudança na joalharia em Portugal desde a década de 1960, paralela à que se verificou nas artes plásticas e que demarcou a joalharia do campo das artes decorativas e aplicadas. No MAAT. desde a semana passada e até 2 de Setembro, pode ser vista a exposição “Form And Light”, que através da fotografia de Yigal Gawze, documenta a arquitectura Bauhaus erigida em Tel Aviv entre 1930 e 1940 e que foi uma espécie de laboratório onde os arquitetos, formados em vários países europeus, discutiam e criavam nas margens do Mediterrâneo um “modernismo modificado”. A fotografia dessa arquitectura, feita por Yigal Gawze evoca  a fotografia de vanguarda dos anos 30. Finalmente, e para continuar na fotografia, a Galeria das Salgadeiras (Rua da Atalaia 12) apresenta a exposição Ater, com trabalhos de Cláudio Garrudo, Augusto Brázio, Daniela Krtsch, João Dias, Jordi Burch, Maria Capelo, Rui Horta Pereira e Rui Soares Costa.

 

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GUITAR ROCK - O guitarrista Jack White é uma das mais fascinantes personagens do rock contemporâneo. O seu percurso inclui os White Stripes, uma longa carreira a solo, colaborações com nomes como Neil Young e projectos paralelos como The Dead Weather e  The Raconteurs, uma banda de existência incerta nascida em 2006 e que há 11 anos não editava nenhum disco. O silêncio foi agora quebrado com “Help Us Stranger”, gravado em Nashville mas marcado por Detroit, a cidade onde Jack White e Brendan Benson, os dois mentores do grupo, cresceram e começaram a tocar em bandas de garagem. Jack e Brendan são acompanhados nos Raconteurs por Jack Lawrence no baixo e Patrick Keeler na bateria. Este quarteto atirou-se a este disco como se se preparasse para uma batalha e o resultado é uma espécie de manifesto a dizer que o rock está vivo e se recomenda: quando White e Benson cantam “I’m here right now/I’m not dead yet” está dado o mote. O álbum tem baladas envolventes e duras como “Somedays (I don’t feel like trying)”, temas impactantes como a faixa de entrada “Bored And Razed” onde a guitarra de White estabelece a ordem num diálogo com a voz e a bateria, em contraste com a tranquilidade de Benson em “Only Child”, as harmonias de um quase pop “Sunday Driver” , a evocação dos blues em “Now That You’re Gone”, a energia contagiante de “Don’t Bother Me”, o dramatismo da ruptura cantada em “Now That You’re Gone” ou a inesperada versão de um tema de Donovan, “Hey Gip”. Entre a prova de vida do rock e um exercício de nostalgia este “Help Us Stranger” mostra a versatilidade de White e Benson

 

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JOGOS ANALÓGICOS - Se procura um livro para levar na bagagem de férias considere  “Os Jogos Da Minha Infância”. Trata-se um manual abreviado de jogos tradicionais que dispensam electricidade, computador ou telemóvel e que podem ser jogados em qualquer lado, uns dentro de casa, outros na rua. Desde o clássico pião, à apanhada e cabra cega, passando pelo macaquinho chinês, a barra do lenço, o elástico, a carica, berlindes ou o jogo do mata, o livro percorre mais de cinquenta jogos, cada um com um descritivo e instruções sintéticas. Nos casos em que se requer uma tabela de pontuação há modelos e as ilustrações proporcionam a visualização dos principais movimentos possíveis em cada jogo. O livro resulta de uma recolha da equipa editorial da editora Guerra e Paz em  torno de jogos tradicionais - pedrinhas e arte na esquadria para a macaca; destreza motriz e agilidade para o jogo do elástico; saltos dignos de um campeão olímpico no Mamã, dá licença?; cultura geral para o intemporal stop, pontaria e mestria para o berlinde, também apelidado de «guelas». Para além de jogos para jogar ao ar livre, o livro, “Os Jogos da Minha Infância” inclui também jogos para fazer em casa, da sueca ao jogo do galo ou à batalha naval. 

 

IDEIAS ORIENTAIS - De repente nos supermercados surgiram legumes a que não estamos habituados e com origens diversas - do Oriente vêm as couves pak choy e as berinjelas roxas chinesas, longas e finas; e do norte da Europa vêm os pepinos holandeses. Todos são diferentes, no paladar e na textura, de outros legumes das mesmas famílias, mas mais comuns em Portugal. O pepino holandês, por exemplo, é mais suave, menos acre que o pepino vulgar. A berinjela roxa é menos azeda e pela sua dimensão e textura, mais fácil de saltear. A couve pak choy fica bem cozida ao vapor ou levemente salteada - cozinha rápido. Estes três legumes não chegam cá vindos das suas paragens originais - curiosamente vêm todos do sul de Espanha, uma zona que parece ter-se especializado no cultivo destas espécies. Os seus sabores são mais suaves, as possibilidades de preparação que se vão descobrindo graças a pesquisas na internet abrem imensas possibilidades. O pepino, cortado em fatias muito finas, fica bem temperado com vinagre de arroz, lima, um pouco de saké, sal e sementes de sésamo - o resultado pode ser usado como aperitivo ou numa salada muito fresca. A couve pak choy funciona bem salteada e polvilhada com sementes de sésamo. Dá um belo acompanhamento. E as berinjelas roxas, salteadas e temperadas com molho de soja, ficam bem misturadas com peixe desfiado e camarões. 

 

DIXIT - “Uma visão positiva é aquilo que nos faz continuar, apesar das contrariedades que surgem ao longo da vida; a única desvantagem é que essa visão positiva dificulta-nos que vejamos as coisas más” - Andrea Camilleri

 

BACK TO BASICS - “A razão tem sempre um ar horrível quando não joga a nosso favor” - Halifax



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