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LIÇÕES DO BREXIT - Há dias vi o filme “Brexit - The Uncivil War”, uma produção feita para a HBO e que se centra na campanha do referendo de 2016 sobre a saída do Reino Unido da União Europeia. O filme foca-se na figura de Dominic Cummings, o estratega da campanha pela saída e que Boris Johnson nomeou seu assessor político especial quando foi nomeado  primeiro-ministro. Já que estamos em mais um episódio de suspense do Brexit convém recordar qual foi uma das ideias fortes utilizadas por Cummings na campanha: a de que a União Europeia era a causadora dos problemas do sistema de saúde britânico devido a razões financeiras. No fundo o que Cummings fez ao criar o slogan “Let’s Take Back Control” foi dar voz ao descontentamento crescente com a ingerência de Bruxelas. As recentes eleições legislativas trouxeram sinais claros de que existe um desagrado crescente em Portugal, fruto dos cortes efectuados, da sensação de que o dinheiro está a ser mal empregue e as prioridades mal definidas. O PS foi o claro vencedor e a perda da geringonça foi um dano colateral. Mas o surgimento de novos partidos na Assembleia da República é o sinal de que há quem comece a desacreditar do sistema partidário tradicional. Por mais que António Costa faça de Mandrake e promova truques de ilusionismo, a verdade é que a austeridade de Centeno trouxe-nos a benção europeia mas criou problemas mais graves na saúde, na justiça, na segurança e aumentou a carga fiscal. Este é na essência o cocktail explosivo de que se alimenta a contestação ao regime e onde florescem os inimigos da Democracia. São os partidos do poder, e o PS e o PSD em especial, quem aduba esta colheita de descontentamento. Todos os partidos começam por ser pequenos, todos os que querem mudar o regime começam por ser minoritários. A maneira de evitar ervas daninhas como o Chega é não lhes dar pretextos.

SEMANADA - Foi desmantelada uma rede que furtava retro-escavadoras em França sob encomenda de empresas portuguesas que usam esse equipamento; no ano passado em Portugal registaram-se 3700 mortes devido às baixas temperaturas, mas não se conhecem o número de pessoas em Portugal em pobreza energética sem possibilidade de aquecerem as suas casas; o endividamento da economia portuguesa subiu para 724 mil milhões de euros em Agosto, depois de ter estado dois meses a descer; mais de 30 organismos públicos foram vítimas de ataques de hackers durante este ano; a poluição no Rio Douro está acima do limite há mais de 30 anos; segundo  a Universidade Nova, na zona da Grande Lisboa, adquirir habitação leva 58% do rendimento das famílias; Portugal é o terceiro país europeu com menos crianças e jovens até aos 15 anos; segundo a agência de rating Moody, num total de 12 países europeus analisados, Portugal está entre os cinco que enfrentarão maiores dificuldades de crescimento económico decorrentes do envelhecimento da população; a maioria dos secretários de estado do novo Governo não tem qualquer experiência no sector privado da economia; segundo a Pordata Lisboa, Albufeira e Porto são os três locais do país onde se fazem em média e por pessoa mais compras por multibanco; a Comissão Europeia apontou duas falhas no plano orçamental português para 2020: deterioração no défice estrutural e subida da despesa pública acima do recomendado;  a entidade reguladora do sector da saúde tem 30 fiscais para 30 mil unidades que deve fiscalizar.

 

ARCO DA VELHA - Há oito mil pedidos de reforma pendentes na Caixa Geral de Aposentações, alguns em espera há mais de 300 dias.

 

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AO AR LIVRE E DENTRO DE PORTAS - Este é o fim de semana da Lisbon Week, que entre 26 e 3 de Outubro se dedica a dar a conhecer os segredos da zona da Ajuda. Todas as informações podem ser seguidas em lisbonweek.com . Sábado é a inauguração com uma festa no Jardim Botânico da Ajuda, que inclui uma festa barroca e um sunset. Festas à parte esta é a oportunidade de ver alguns segredos da zona, como a cúpula da Igreja da Memória e algumas zonas habitualmente não abertas ao público do Palácio da Ajuda, onde aliás decorre a exposição “Apocalipse” de Valentim Quaresma. Há também uma exposição baseada nas caras de moradores da Ajuda, mais 250 fotografias realizadas a outras tantas pessoas, e que estará visível ao ar livre a toda a gente numa instalação de arte urbana precisamente na Rua Professor Cid dos Santos. O outro destaque vai para o Imago Lisbon Photo Festival decorre até 17 de Novembro e tem um conjunto de exposições que vale a pena descobrir, com destaque para “Construir Pontes”, com fotografias de Augusto Brázio, Luísa Ferreira,Pedro Letria e São Trindade, que está no Museu da Água. Nas Carpintarias de São Lázaro está “Novas Visões na Fotografia Contemporânea” com imagens de Demetris Koilalous, Filippo Zambon, Jon Cazenave, Jonathan Llense, Katrien de Blauwer, Laurence Rasti, Liza Ambrossio, Malú Cabellos, Melanie Walker, Nydia Blas, Shen Chao-Liang, Virginie Rebetez: E no Convento da Graça está Master Show, de Pentti Sammallahti (na imagem). Todas as informações em imagolisboa.pt .

 

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A IMPORTÂNCIA DA REINVENÇÃO - A  “Monocle” está de novo a atravessar um bom momento. Criou no mês passado uma nova publicação, um anuário, desta vez o “Entrepreneurs”, uma evolução do programa que já existia na rádio online da revista. O novo anuário, que se junta ao “Forecast”, a “The Escapist” e ao “Drinking And Dining Directory”, é dedicado a quem procura inspiração e conselhos para dinamizar um negócio ou criar uma empresa. A revista edita ainda uma série de guias de cidades (há um de Lisboa) e várias edições em formato jornal e mais uns quantos livros temáticos. Se conjugarmos estas publicações com os videos disponíveis no site - mini-documentários sobre uma série de assuntos - e com a rádio online ficamos com uma ideia do que é uma empresa de mídia nascida na época digital e que a aproveita bem, mas que baseou o seu negócio (e reconhecimento e notoriedade) nas edições em papel e num modelo de conteúdos patrocinados que tem tido sucesso. Mas voltemos à edição de Novembro, já disponível. O destaque para a edição vai para o design - desde objectos a escritórios, passando é claro pela habitação. Mas há muito mais para ler. Nos negócios a história como a Levi’s se reinventou é deliciosa e não menos interessante é a forma como uma das maiores cadeias de livrarias do mundo, a norte-americana Barnes & Nobles, está a lutar pela existência com a ajuda de James Daunt, um inglês que depois de ter criado a sua própria pequena livraria em Londres obteve tanto êxito que foi chamado a recuperar a cadeia inglesa Waterstones e, agora, a salvar a Barnes & Nobles. Outro artigo muito interessante é o que relata a criação de um hub de galerias de arte que levou algumas das mais prestigiadas de Paris a mudar do centro da cidade para Romainville, uma antiga área industrial agora em reconversão nos arredores da capital francesa. Aí conseguem mais espaço por menos preço, além de um conjunto de sinergias como por exemplo na inauguração de exposições. Tudo isto estimulado por uma autarquia que aposta em que a presença destas galerias vai valorizar e reposicionar a área que está em reconversão, um pouco como há uns anos aconteceu em Berlim.  Vale bem a pena este número da “Monocle”.

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BELAS CANÇÕES - Ora aqui está o primeiro álbum dos Wilco desde 2016, “Ode To Joy”, uma belíssima colecção de canções - simples, muitas com a guitarra acústica bem presente e ritmos marcados. Jeff Tweedy, o líder do grupo parece em grande forma depois de nos últimos tempos ter feito três discos a solo e retoma aqui o prazer de trabalhar com a sua banda, que não sofre alterações desde há mais de uma década e que tem uma história de quase 25 anos e 11 discos de estúdio gravados. O escritor George Saunders escreveu em tempos que Tweedy era um “grande poeta americano que misturava consolo com  ironia”. Entre as 11 faixas destaque para canções como “Love Is Everywhere”, “We Were Lucky”, “Everyone Hides” ou “Hold Me Anyway”. Na verdade o disco desenrola-se em crescendo, começa por canções, digamos, mais austeras e vai abrindo aos poucos as portas de um universo de melodias descomplicadas, muitas influenciadas pela melhor tradição popular, que vem da folk. O mais engraçado é que depois por incursões em zona do rock experimental, e do pop, este “Ode To Joy” retoma sonoridades básicas e é um elogio da simplicidade. Destaque para o trabalho do baterista Glenn Kotche, o guitarrista Nels Cline e as palavras e voz de Tweedy. Edição Rough Trade, disponível no Spotify.

 

PETISCOS COM COELHO - Tenho na memória um coelho à caçador que se fazia em casa da minha avó e que era um petisco suculento. Sabe-se lá porquê e com o andar dos anos tornou-se mais difícil comer coelho - não aparecia nas ementas dos restaurantes nem nos supermercados. De há um ano a esta parte no entanto a coisa começou a mudar e está em curso uma campanha, apoiada pela União Europeia, que visa exactamente promover o consumo da carne de coelho, que faz parte das tradições de países como Portugal, Espanha, França e Itália e que são os seus maiores consumidores e produtores - muitas vezes em criação doméstica. Segundo os nutricionistas a carne de coelho é uma fonte de proteínas de alto valor biológico, é uma carne magra com uma quantidade de gordura total muito baixa e um teor de ácidos gordos e saturados baixo. Esta semana tive a sorte de estar presente numa degustação dirigida pelo Chef Hélio Loureiro na qual provei coelho cozinhado de duas formas invulgares - em rojões e em açorda. Confesso que ambos me surpreenderam - os rojões com maçã aos cubos e castanhas e a açorda, que me conquistou pelo sabor e leveza. Uma das outras propostas do Chef Loureiro era mais tradicional, uma empada de coelho, que estava verdadeiramente exemplar. Fiquei a saber que há muitas formas de preparar a carne de coelho para além do tradicional coelho frito e à caçador. Em carnedecoelhohoje.eu pode encontrar várias boas receitas.

 

DIXIT - “Em vez de procurarem pessoas para os cargos, procuraram cargos para as pessoas” - Manuel Tiago, do PCP, sobre o novo Governo

 

BACK TO BASICS - “A ilusão é o primeiro de todos os prazeres” - Oscar Wilde

 

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