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UMA CAMPANHA ESBURACADA?

por falcao, em 22.12.23

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OS PROMETEDORES - No fim de semana passado começou a campanha eleitoral, no rescaldo das eleições internas do PS. De um lado e do outro, ou seja do PS e PSD, sucedem-se promessas variadas, declarações vazias, acusações recíprocas, muito pouco de substancial e bastante de palavreado mais ou menos oco. Olho para as trocas de galhardetes entre Pedro Nuno Santos e Luís Montenegro e imagino que estou a ouvir os pregões dos vendedores de carros usados que ficam um em frente ao outro, nos dois lados de uma estrada. Parece tudo uma disputa entre partidos já gastos, em segunda mão. De um lado, oito anos de uma governação recente que atirou Portugal para a cauda da Europa e, do outro, silenciosos sinais de que não se sabe bem que caminho seguir. É certo que até ao lavar dos cestos prosseguirá a vindima dos votos, mas parece que a vinha da política foi atacada pelo míldio e ficou frágil e quebradiça. Gostava de ver programas eleitorais concretos em vez de promessas de despesas e milagres que se desfazem ao fim de pouco tempo. Gostava de ver ideias em vez de conversa fiada. Gostava de não sentir que na política estamos rodeados de mediocridade, de uma mediania nebulosa e anestesiante, perdidos entre teses da moda e ecos do passado. Não ouço nos protagonistas destas eleições o reconhecimento do presente nem o caminho do futuro. Só vejo ideias gastas, sem energia para conterem as muitas ameaças que espreitam. À minha frente vislumbro uma parede esburacada que é o retrato do estado a que chegou o sistema político português, sem partidos confiáveis, com corrupções distribuídas de forma equitativa, com demagogos emergentes e outros reincidentes. É por isto que o número de eleitores que não sabem em quem votar é tão grande nas sondagens que têm aparecido. Os partidos que se propõem ser governo vivem de uma batota eleitoral que estimula que existam votos que não têm tradução prática na escolha final. Como aqui escrevi há semanas nada da Lei Eleitoral foi alterado desde há décadas. 50 anos depois do 25 de Abril os partidos do chamado arco da governação protegem-se mutuamente para manter um sistema que protege os grandes, dificulta os partidos mais pequenos e, mais grave ainda, divide os eleitores entre duas categorias - os que têm um voto que elege e os que votam mas não elegem ninguém - aqueles votos desperdiçados graças ao método de Hondt. Nas eleições legislativas mais recentes aproximadamente 13 % dos votos expressos não serviram para eleger ninguém: caíram no limbo. E houve mais de 40% de abstenção. Querem que acreditemos nos políticos que mantêm este sistema?


SEMANADA - Em 2023 já foram contratados 3100 docentes sem formação pedagógica; há escolas em Lisboa onde os alunos ainda não tiveram neste ano lectivo aulas a Português, Inglês ou Ciências; em 2022 as obras públicas sofreram o maior desvio financeiro de sempre, num total de 130 milhões de euros; desde a demissão de António Costa o governo esteve mais activo do que habitualmente e fez publicar em Diário da República, entre 8 de Novembro e 11 de Dezembro, mais do dobro de actos do executivo do que a média mensal até Outubro; 35% dos concursos para dirigentes no sector público não conseguem atrair candidatos suficientes;  os impostos indirectos aumentaram 30% entre o primeiro orçamento de António Costa em 2016 e o de 2023 e só o IVA cobrado aumentou 50% para um valor recorde de 23 mil milhões; segundo a Pordata a população estrangeira residente em Portugal duplicou nos últimos dez anos, sendo que um em cada três imigrantes é originário do Brasil e metade nasceu em países de língua portuguesa; no final do ano passado viviam em Portugal 800 mil estrangeiros, que representam 14% da força de trabalho; os descontos dos trabalhadores imigrantes em Portugal deram 1600 milhões de euros à Segurança Social; no final do ano passado viviam na condição de sem-abrigo 10.773 pessoas e, destas, 5.975 viviam na rua, num abrigo de emergência, enquanto que 4.798 pessoas não tinham casa e viviam em alojamento temporário; quase 19.000 trabalhadores estão a recibos verdes no Estado, o número mais elevado de sempre.

 

O ARCO DA VELHA - Os TVDE criam entre 10 a 15% do trânsito automóvel  nas cidades de Lisboa e Porto e são um forte contributo para os congestionamentos de circulação.

 

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UMA PRENDA FOTOGRÁFICA - A Galeria das Salgadeiras, que recentemente saíu do Bairro Alto e inaugurou novas instalações em Alvalade (Av. Estados Unidos da América 53D), criou uma edição especial que junta um livro que assinala o aniversário da Galeria com quatro obras de outros tantos artistas - neste caso fotografias inéditas de Augusto Brázio, Cláudio Garrudo, Eva Diez e Inês d’Orey, que aliás são alguns dos referidos no livro “Untitled”. A caixa, “Untitled Box #1” é uma edição limitada de 25 exemplares numerados, com as impressões fotográficas em papel Cotton Fineart, que está à venda na Galeria por 480 euros. Esta edição especial prossegue a estratégia de publicações das Salgadeiras que já tem seis títulos. No livro aparecem ainda outros artistas como Carlos Alexandre Rodrigues,  Daniela Krtsch, Marta Ubach, Martinho Costa, Rita Gaspar Vieira, Rui Horta Pereira, Rui Soares Costa. A Galeria das Salgadeiras planeia prosseguir estas edições especiais e a "Untitled Box #2" será com outros artistas e outras técnicas. Outros destaques - no Arquivo Municipal/Fotográfico (Rua da Palma 256) a até 2 de Março do próximo ano pode ver a exposição “O Cerco de Lisboa” que inclui trabalhos de sete fotógrafos: Augusto Brázio, Lara Jacinto, Pedro Letria, Valter Vinagre, Paulo Catrica, Mad Rodrigues e São Trindade. Ainda na fotografia Alfredo Cunha e Rui Ochoa mostram em “América, América” a forma como olham para os Estados Unidos, na MAD Gallery(Rua Amorim nº3). 

 

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SIMPLICIDADE ACÚSTICA - Treze faixas, três quartos de hora, guitarra, voz e pouco mais, aqui e ali um piano ou uma harmónica. Quase a completar oito décadas de vida, Neil Young aparece sóbrio, discreto e tímido. Aqui estão canções feitas ao longo de toda a sua carreira, tudo gravações ao vivo durante quatro concertos de uma recente digressão, sem palmas nem barulhos do público. Apenas a simplicidade de um músico com as suas músicas, sempre em versões acústicas. “Before + After” é o testemunho de um tempo, com alguma carga de melancolia, canções que parecem pedaços da mesma história que se completam. “I’m The Ocean” é a primeira canção, originalmente gravada em 1995 com os Pearl Jam para “Mirror Ball”. Aqui, sem as guitarras eléctricas, pode ser redescoberta e apreciada de outra forma. Outro dos temas do disco é “If You Got Love”, gravado nas sessões do álbum predominantemente eletrónico “Trans”, de 1982, e que acabou por não ser incluída na versão editada, aqui usa órgão e harmónica. “A Dream That Can Last” baseia-se num piano discreto e “Burned” é uma canção que data de 1966, dos tempos dos Buffalo Springfield, tinha Neil Young uns 20 anos. E há outros temas como “Mother Earth”, “Mr. Soul”, “There Comes a Time” ou o final “Don´t Forget Love” que mostram clássicos incontornáveis, quase um testamento musical, a voz menos enérgica mas talvez mais envolvente. Uma bela prenda de Natal, edição Reprise, disponível em streaming na Apple Music.

 

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UM CLÁSSICO DE NATAL  - “Um Cântico de Natal” é uma das mais conhecidas obras de Charles Dickens, editado originalmente em 1843. Rapidamente este romance, considerado um dos 100 melhores romances de sempre, tornou-se num clássico da quadra natalícia. Dickens tornou-se conhecido com “The Pickwick Papers”, de 1836 e foi também o autor de obras como “Oliver Twist” e “Tales Of Two Cities”. Mas foi com “A Christmas Carol” que ganhou fama universal. Neste romance , “Um Cântico de Natal”, na versão portuguesa, acompanhamos Ebenezer Scrooge, um frio e avarento velho homem de negócios que, na véspera de Natal, é visitado pelo espírito do antigo sócio, Jacob Marley. Tendo vivido como Scrooge, Marley está preso a uma eternidade de sofrimento e revela a Scrooge que a única forma de evitar um destino semelhante ao seu será redimindo-se do seu comportamento, através da oportunidade de reflexão que lhe será proporcionada pela visita do Fantasma do Natal Passado, do Fantasma do Natal Presente e do Fantasma do Natal Futuro que se tornaram parte do nosso imaginário colectivo. De tal forma isso aconteceu que no dia da morte de Charles Dickens, o escritor Theodore Watts-Dunton ouviu uma rapariga que vendia fruta nas ruas de Londres exclamar: «Dickens morreu? Então, o Pai Natal também vai morrer?» Esta associação de Dickens ao Natal sobrevive até hoje e “Um Cântico de Natal” estabeleceu  Dickens como um dos maiores romancistas ingleses. É um clássico: teve adaptações no cinema, na televisão, no teatro, na banda desenhada e em outros livros. Esta nova edição da Guerra & Paz tem tradução de Carolina Ferreira Mendes.

 

PETISCO DA ÉPOCA - Como o Natal é tempo  de bacalhau devo dizer que nesta matéria há poucos sítios mais recomendáveis que A Casa do Bacalhau, ao Beato. Ali poderá encontrar uma oferta ampla de pratos de bacalhau, sendo que - importante - a matéria prima é de superior qualidade: o bacalhau da Caxamar. Mas antes disso passemos ao local: salas luminosas, amplas e confortáveis, serviço atento. O couvert inclui pão, broa, patê de bacalhau, azeite com balsâmico e azeitonas - boas - bem temperadas. Nas entradas destaco os pastéis de bacalhau, recheio rico e saboroso, ou o carpaccio de bacalhau com alcaparras, rúcula e vinagrete de azeitonas. Na lista as sugestões de bacalhau são numerosas, mas permito-me destacar o bacalhau com todos, postas altas, cozidas bem no ponto. Se lhe apetecer outros preparos sugiro o bacalhau à minhota, os filetes de bacalhau, um interessante caril de bacalhau com risotto de tinta de choco ou o bacalhau assado com grelos. Para os que gostam de coisas disfarçadas há empada de bacalhau ou bacalhau espiritual e, para os mais puristas, o incontornável bacalhau à Braz, - mas insista para vir com a envolvente de ovos mal passada. Caso algum comensal não goste de bacalhau há polvo na frigideira, tornedó e costeletas de borrego além de uma opção vegetariana. A casa tem uma bela garrafeira, lista de vinhos abundantes a preço razoável. Rua do Grilo 54, telefone 218 620 000.

 

DIXIT - “O Presidente respeita o pensamento do primeiro-ministro, mas não comenta” - Marcelo Rebelo de Sousa

 

BACK TO BASICS - “Saber estar e romper a tempo, correr os riscos da adesão e da renúncia, eis a política que vale a pena” - Francisco Sá Carneiro





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