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UMA CAMPANHA FRAQUINHA E VAGAROSA

por falcao, em 07.06.24

 

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EUROELEIÇÕES - Se na última semana da campanha eleitoral para o Parlamento Europeu se  discutiram alguns temas europeus, nas semanas anteriores o foco foi em problemas domésticos, com a agenda a ser comandada sobretudo por pequenos partidos de esquerda, que preferiram a política paroquial. Foi assim que durante semanas as políticas da saúde, a questão do aborto ou da habitação foram chamadas à liça e ocuparam a maior parte do tempo de debates, com raras incursões nas políticas de emigração, ambientais e pouco mais. De início temas como a guerra da Ucrânia, assunto desagradável à esquerda do PS, esteve arredada de conversas, num silêncio cúmplice com Putin. Pelas mesmas razões, da política de defesa também pouco se ouviu falar. Mas se a política de imigração, os impostos e fundos europeus e o alargamento da União Europeia deram ar de sua graça na última semana, continuaram sem  discussão questões tão importantes como o renascer, pela mão de Macron, sob o pretexto da refundação da Europa, do eixo França- Alemanha, com a divisão por regiões das políticas industriais baseadas no reforço desse eixo. O pano de fundo destas eleições é  no entanto o aumento das intenções de voto na direita mais radical, sem que existam grandes reflexões sobre as suas causas. Nestas europeias, na Alemanha, pela primeira vez, a idade de voto desce para os 16 anos, numa altura em que a direita radical AfD é sobretudo apoiada pelos jovens. E há recomposições - como em França, onde um candidato que se apresenta como social democrata, Raphael Gluksmann, do novo Place Publique, ameaça ficar à frente de Macron, mas atrás de Marine Le Pen. Aqui ao lado, em Espanha, também o Vox ameaça ter um resultado significativo. Já em Portugal, onde é inevitável que o resultado obtido por PS e PSD proporcione leituras nacionais, uma coisa é certa: independentemente do resultado que Sebastião Bugalho obtiver nestas europeias, ele já construíu uma rampa de lançamento no interior do PSD, palmilhando concelhias e distritais que aposto, Europa à parte,  lhe serão úteis em futuros vôos.


SEMANADA - Nos últimos 16 anos foram registados 1011 casos de tráfico de pessoas em Portugal; o aumento de tráfico de pessoas, auxílio à imigração ilegal, crimes de ódio e violência entre grupos foram os principais indicadores do aumento da criminalidade e da violência em Portugal, no último ano; em 2023 a criminalidade violenta e grave representou 3,8 por cento de toda a criminalidade participada; extorsão, resistência e coação sobre funcionários, roubo por esticão, rapto, sequestro e roubo na via pública foram os crimes violentos e graves que mais subiram no ano passado; nas questões de criminalidade sexual, o maior número de ocorrências está associado aos crimes de abuso sexual de crianças, de violação e de pornografia de menores, perpretados em esmagadora maioria por indivíduos do sexo masculino contra indivíduos do sexo feminino, em ambiente familiar, e com vítimas entre os 8 e os 13 anos; Portugal tem os agricultores mais velhos da Europa, 51,9% das pessoas que se dedicam à agricultura no nosso país têm mais de 65 anos, e há apenas 1,9% com menos de 35 anos; em Portugal a população com 80 anos ou mais quase duplicou nas duas últimas décadas;  os bancos que operam em Portugal, bem como outras entidades financeiras, comunicaram no ano passado mais de 18 mil transações suspeitas de branqueamento de capitais.

 

O ARCO DA VELHA - Na estação Alto dos Moinhos o Metropolitano de Lisboa tapou os painéis de azulejo feitos por Júlio Pomar, evocando grandes figuras da literatura portuguesa,  com máquinas de emissão de bilhetes e outros aparelhos de grandes dimensões.

 

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UMA DESCOBERTA - Volta e meia descobrimos alguém com  uma obra considerável e até agora quase desconhecido. José de Almeida Araújo foi amigo de estrelas como Jean Simmons e John Wayne, privou com Le Corbusier e também com Picasso, Henri Salvador, André Malraux e Errol Flynn. Depois de viver em vários países, voltou a Cascais, como um quase desconhecido, para terminar os seus dias. Nasceu em 1924 e morreu no passado dia 8 de maio, pouco antes de celebrar um século de vida.  Filho de pai português e mãe alemã judia, José Harry de Almeida Araújo cresceu com a família materna, em Berlim, e na adolescência viveu em Cascais. No pós-guerra, descontente com o cenário português da época, emigrou, primeiro para Paris e depois para Londres. A exposição “Almeida Araújo: Fotografia e Pintura” que está no Centro Cultural de Cascais, integra 18 telas produzidas entre 1960 e 1994, entre retratos de familiares e amigos, como um retrato de Nureyev, e representações de paisagens portuguesas, francesas e brasileiras. A pintura completa-se com fotografias feitas por Almeida Araújo, registos do quotidiano de Londres, em Inglaterra, nos anos 50 e fotografou também personalidades da política e das artes como John F. Kennedy, Jeanne Moreau, Jean Cocteau e Roger Vadim. Para além do seu trabalho de pintura e fotografia, José de Almeida Araújo foi escultor, actor e arquitecto - projetou, por exemplo, o hotel Vilalara Thalassa, no Algarve. Foi também o artista escolhido para pintar o topo da maior galeria do Convento de Santa Maria delle Grazie, em Milão, onde realizou a “Adoração da Cruz”, uma grande pintura em óleo sobre madeira. Pintou ainda retratos de Winston Churchill e da Princesa Soraya do Irão. A exposição está patente no Centro Cultural de Cascais até 23 de Junho.

 

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ROTEIRO - Hoje começo pela exposição de Rui Algarvio na Galeria Carlos Carvalho (Rua Joly Braga Santos Lote F),  Intitulada “Os Passeios Com Caronte” (na imagem) na qual  Rui Algarvio aborda a relação entre o ser humano e a paisagem. A exposição fica patente até 14 de Setembro. Na No-No Gallery (Rua de Santo António à Estrela 39), Ana Pérez-Quiroga apresenta até ao início de setembro a exposição “Estonteante”. Na Galeria das Salgadeiras (nova morada- Avenida dos Estados Unidos 53D), Rita Gaspar Vieira apresenta até 14 de Setembro “Água Viva”. Na galeria Santa Maria Maior (Rua da Madalena 147), Tomaz Hipólito apresenta até dia 29 a exposição “Tension”. Uma exposição a não perder, até 22 de Junho,  é “Release The Chicken”, da moçambicana Eugénia Mussa na Galeria Monitor (Rua da Páscoa 91). Na Fundação Arpad-Szenes-Vieira da Silva pode ser vista até 7 de Julho uma exposição sobre a obra gráfica de Maria Helena Vieira da Silva sob o título “Os Frutos da Liberdade”. Na Casa da Cultura de Setúbal está patente um trabalho do fotógrafo chileno Roberto Santadreu intitulada “Trabalhar no Estaleiro”, baseada na obra literária de Juan Carlos Onetti. E na Galeria das Tapeçarias de Portalegre (Rua Academia das Ciências 2) pode ser vista a exposição “Diálogos”, que apresenta cerâmicas de Beatriz Horta Correia em simultâneo com tapeçarias de  Cruzeiro Seixas, Cargaleiro, Menez e Vieira da Silva.

 

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OUTRA LISBOA - Neill Lochery é um historiador britânico que se tem debruçado em particular sobre os anos 40 e 50 no contexto da segunda grande guerra. Há alguns anos escreveu "Lisboa: A Guerra nas Sombras da Cidade da Luz, 1939- 1945" onde relatou os resultados da sua investigação sobre o papel central de Lisboa nos confrontos entre os serviços de espionagem dos aliados e da Alemanha nazi e as suas relações com as autoridades portuguesas de então. No novo livro "Lisboa II - Os Países Neutros e a Pilhagem Nazi", aborda o papel de Portugal, no pós-guerra.  Com base  em informação inédita, Lochery revela os meandros da fuga dos tesouros roubados pelos nazis e o papel que Portugal teve no desaparecimento de obras de arte de colecionadores judeus, como os Rothschild, e a galeristas importantes, como Paul Rosenberg, de Paris. Segundo Lochery durante a II Guerra Mundial os nazis saquearam cerca de 20 por cento da arte e dos tesouros europeus, entre elas obras dos artistas mais importantes de todos os tempos como Pablo Picasso e Vincent van Gogh. Este "Lisboa II" relata a fascinante história da corrida dos aliados para recuperar estes bens roubados antes que desaparecessem, e antes que a vontade de punir a Alemanha fosse substituída pelas considerações políticas da Guerra Fria, que se aproximava rapidamente. Neill Lochery dá a conhecer os meandros da fuga dos tesouros roubados pelos nazis e a passagem por Lisboa de muitos deles. Aborda também a relação entre os serviços secretos alemães e a PVDE e posteriormente a PIDE e a forma como Salazar seguia o que se passava. Com uma escrita empolgante, este “Lisboa II” permite  ter uma imagem que muitos desconhecem do que se passava em Lisboa nos anos do pós guerra. Edição Casa das Letras. 

 

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UM DISCO ESPECIAL  - A saxofonista Melissa Aldana nasceu em Santiago do Chile mas estudou e vive nos Estados Unidos. O seu primeiro disco data de 2010 e em 2019 foi nomeada para os Grammys com o álbum “Visions”.  Em 2022 gravou com o seu quinteto o álbum “12 Stars” e agora editou “Echoes of the Inner Prophet”. O disco é um espelho da evolução do seu grupo, onde, além de Aldana no sax tenor, participam Lage Lund na guitarra, Fabian Almazan no piano, Pablo Menares no baixo e Kush Abade na bateria. Este quinteto, que realizou uma extensa digressão, é já considerado uma das mais interessantes formações do jazz contemporâneo. Com arranjos e produção de Lund, que com ela trabalha há alguns anos, o  novo álbum é assumidamente uma homenagem a Wayne Shorter, por quem Aldana tem uma enorme admiração. A maior parte das oito composições são suas, mas há uma de Lund, “I Know You Know”e outra de Menares, “Ritual”, com a participação do brasileiro Guinga. Outros temas, como “Unconscious Whisper”, “The Solitary Seeker” e “A Purpose” ou “Cone of Silence”, mostram a forma muito particular com que Aldana cria a sua estética sonora, baseada em improvisações que depois evoluem de forma envolvente em perfeita articulação com os seus músicos. O disco está disponível nas plataformas de streaming.

 

DIXIT - “Hoje, o tema económico mais central na UE é a estagnação da nossa produtividade e a perda de terreno em relação aos outros grandes blocos económicos. Nos últimos 20 anos, a distância que separa a riqueza de um europeu médio em relação a um americano médio aumentou de forma considerável.” - Ricardo Reis

 

BACK TO BASICS - “Todos reivindicam mudanças desde que elas não os afetem pessoalmente” - anónimo 

 

A ESQUINA DO RIO É PUBLICADA SEMANALMENTE, ÀS SEXTAS, NO SUPLEMENTO WEEKEND DO JORNAL DE  NEGÓCIOS

 

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