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A GRANDE ILUSÃO - Quando olhamos para a lista dos 20  programas mais vistos da televisão portuguesa só vemos dois canais: SIC e TVI. Porquê? A explicação é fácil e baseia-se na táctica da sobreposição da realidade. Passo a explicar: estes dois canais começaram há algum tempo a desdobrar cada um dos seus principais programas em várias emissões, com títulos ligeiramente diferentes. O objectivo é conseguirem ocupar o maior número possível de lugares no ranking. Por exemplo as telenovelas têm “especiais”, o “Isto É Gozar Com Quem Trabalha” fica dividido em duas partes que ocupam de  facto dois lugares da lista, o “Big Brother” idem e o “Quem Quer Namorar Com o Agricultor” ainda mais. Na semana passada, por exemplo, a lista dos 20 programas mais vistos afinal só corresponde a dez programas realmente diferentes. Só o “Quem Quer Namorar Com O Agricultor” tem cinco presenças no top 20 graças a esta técnica dos desdobramentos. A lista assim elaborada dá uma ideia distorcida do que é de facto a realidade e diversidade da televisão em Portugal. Basta dar este pequeno exemplo - sem este truque de multiplicação dos programas a RTP1 também estaria com várias entradas, pelo menos cinco, na lista dos 20 mais da semana passada. É uma perigosa ilusão esta que se cria de fazer crer que só existe a SIC e a TVI quando as duas juntas alcançaram 34,6 por cento da média do total de espectadores da semana passada enquanto o conjunto de canais cabo por si só significou 37,8% .

 

SEMANADA - Mário Centeno afirmou que não falou e não quer falar com Costa e Silva no âmbito do estudo que este está a realizar para o Governo sobre a recuperação da economia; segundo o Conselho das Finanças Públicas o PIB pode cair entre 7,5 e 11,8% e a dívida pode disparar para 141,8% devido aos efeitos da pandemia na economia; o sector das empresas de diversões itinerantes, pirotecnia e música, que trabalham habitualmente nas festas e romarias de verão, estimam perder 50 milhões de euros este ano; um estudo divulgado esta semana indica que as rendas de casa já desceram 20% desde o início da pandemia; os lucros das empresas do PSI 20 caíram 56% desde o início da pandemia; um terço dos alunos do nono ano passa com negativa a matemática; durante o período do confinamento foram usados mais descartáveis e houve um recuo nos hábitos da reciclagem; no final da semana passada estavam operacionais e a voar 12.234 aviões em todo o mundo e continuavam em terra 14.025 à espera de ordem para descolar; Portugal esteve quase 100 dias sem jogos de futebol e na primeira semana de regresso dos jogos começaram logo os casos de violência; Pinto da Costa foi eleito para o 15º mandato consecutivo à frente do Futebol Clube do Porto, que dirige desde 1982, e alcançou 70% dos votos; as autoridades espanholas procuraram um crocodilo que teria sido visto no Douro, na zona de Valladolid - mas afinal era uma morsa.

 

ARCO DA VELHA - Três avaliadores de projectos da Fundação para a Ciência e Tecnologia concorreram e ganharam um apoio, apesar de terem tido acesso antecipado aos critérios de avaliação.

 

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FOLHEAR FOTOGRAFIAS  -  Uma das maneiras de seguir o que de melhor se faz em fotografia é ter acesso a edições de photobooks e revistas - e particularmente a Aperture, editada quatro vezes por ano, sazonalmente, pela Aperture Foundation, de Nova Iorque. Encontrar a Aperture em Portugal não era fácil mas agora já é possível adquiri-la (e folheá-la antes se fôr o caso), numa nova loja,a Photo Book Corner, que abriu na Avenida Marquês Sá da Bandeira, perto da Gulbenkian e praticamente paredes meias com a Under The Cover, uma loja especializada em revistas independentes. Assim se criou ali um pequeno cluster de divulgação e venda de edições difíceis de encontrar noutros locais. A Photo Book Corner dispõe de uma boa selecção de livros de fotografia de autores como Robert Frank, Todd Hido, Nan Goldin ou Martin Parr, entre outros. Além disso expõe ainda fotografia, que vende, apesar do espaço exíguo, mas bem aproveitado. Mas passemos a esta edição da Aperture, da primavera de 2020, que na capa leva o título genérico “House & Home”. A edição explora as formas dos espaços domésticos e as ligações entre arquitectura, design e fotografia. Logo na entrada, e fora deste tema, há dois pequenos artigos interessantes - um sobre a ligação entre a arte, artistas e a utilização das suas obras na publicidade; e outro sobre a crescente utilização de boa fotografia nas capas de livros, nalguns casos porque os seus autores  viram em exposições imagens que lhes pareceram adequadas às obras que tinham escrito e quiseram tê-las na capa. No tema principal desta edição destaco as páginas sobre Robert Adams e as suas fotografias dos anos 70, assim como a revisitação contemporânea do trabalho que Walker Evans fez nos anos 30 do século passado em Pittsburgh. Nesta edição da Aperture há ainda uma dezena de portfolios sobre o tema de capa que merecem atenção. Antes de ter existência física como loja, a Photo Book Corner já existia como uma operação on line - que pode descobrir em  www.photobookcorner.com.

 

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OS TIGRES REGRESSARAM - 22 anos sem deitar um disco cá para fora e agora sai isto: uma pérola. Os Três Tristes Tigres marcaram a última metade dos anos 90, mas desde 1998 que não editavam originais - “Comum” havia sido o seu último registo dessa época, sempre com Ana Deus, Alexandre Soares e as palavras de Regina Guimarães. Nos anos mais recentes tinham-se reencontrado em torno de Osso Vaidoso, um projecto nascido em 2010 entre a guitarra e a voz, desenvolvido por Alexandre Soares e as suas guitarras e Ana Deus e a sua voz. O novo disco, “Mínima Luz”, nasceu de um desafio de revisitação da obra dos Três Tristes Tigres feito pelo Teatro Rivoli. Uma coisa puxa a outra e nos últimos dois anos o novo disco foi nascendo na cabeça dos seus autores, foi ganhando forma. Desta vez Alexandre Soares chamou mais músicos para o seu lado, com destaque para o baterista Fred Ferreira, o baixista Rui Martelo, o percussionista Gustavo Costa e a harpista Angélica Salvi. Ao longo destas últimas duas décadas Alexandre Soares tem trabalhado em bandas sonoras e em composições para dança e teatro. Nos Osso Vaidoso deu asas à guitarra, que neste novo disco dos Três Tristes Tigres ganha electricidade e estabelece um renovado diálogo com os seus sintetizadores. Ana Deus está em grande forma a interpretar as palavras de Regina Guimarães que escreveu para cinco dos nove temas e a própria cantora escreveu um deles (“Surrealina”), Luca Argel outro e Regina Guimarães adaptou também poemas de Langston Hughes -  ‘Life is Fine’ aqui é “À Tona” e de William Blake “The Tyger”. Numa recente entrevista, falando sobre o disco, Ana Deus disse que ele “reflete o desejo de que haja mais luz e mais ciência na informação - hoje em dia, é como se anos e anos de ciência, estudo e conhecimento fossem abafados por lixo e conversas da treta.” “Mínima Luz” é uma edição de autor, em CD e vinil, que podem ser comprados através do email correiodostigres@gmail.com e que pode também ser ouvido no Spotify.

 

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OS DILEMAS DO FIM DA VIDA -  “Reconhecer os limites da ciência e da sua aplicação tecnológica é um acto de maturidade. Cumprir o desejo do doente, não o obrigar a viver através de meios tecnológicos, é respeitar o princípio da autonomia, que é o único princípio da moral, de acordo com Kant. Em nome da moralidade, obrigar um doente frágil a prolongar o seu sofrimento contra a sua vontade, simplesmente porque é possível através de meios tecnológicos, não é aceitável” - quem o afirma é o médico J. Filipe Monteiro, pneumologista e mestre em Bioética, no livro “Testamento Vital - Nos dilemas éticos do fim da vida”, agora editado. O tema da morte assistida foi ganhando relevo e no início deste ano o parlamento aprovou uma série de projectos que abriram o caminho para a elaboração de uma lei que permita e regulamenta a morte assistida. No livro de J. Filipe Monteiro ao longo dos vários capítulos são discutidos e reflectidos, o percurso histórico, os aspectos técnicos e filosóficos, a perspectiva de algumas religiões e organizações médicas. O livro explica ainda em detalhe todo o processo ligado à opção pelo  Testamento Vital ou Directivas Antecipadas da Vida. “A rejeição da obstinação terapêutica é um acto de boa prática médica”, defende o autor, que sublinha: “Todos os intervenientes, dos doentes aos médicos, passando  pela família e pelas instituições gestoras de saúde, devem envidar todos os esforços  para a sensibilização pedagógica do testamento vital”.

 

ELAS & AS ISCAS - Tinha saudades de uma isca, com elas, claro - o nome do prato é só por si um episódio, estimulando a imaginação. Mas adiante. A realidade é que  num take away não se pode comer iscas. A coisa não é simples - o corte tem de ser bem feito e desde as vacas loucas ficámos quase reduzidos às iscas de porco e aí o corte tem ainda de ser mais preciso e afinado - sempre muito fino. Temperá-las é outra arte e o molho outra ainda - um pouco de vinagre a mais ou a menos é a morte do artista. Na Valbom há um restraurante que tem umas iscas acima da média - o Jaguar. A sala é das inviáveis pela pandemia - pequena, cheia de mesas, corredor comprido estreito e balcão, tudo coisas impossíveis. Mas felizmente agora tem uma boa esplanada. Podem vir com elas como devem ser - as batatas cozidas, ou na versão traiçoeira, com batata frita aos palitos. Confesso que não sou ortodoxo e escolho conforme as ocasiões e o apetite do momento. É curioso que a Valbom tem mais abaixo, no clássico Polícia, outro bom local para umas iscas tradicionais. Mas devo deixar aqui uma recomendação: há uma outra hipótese de iscas, que é um petisco e não é frequente conseguir encontrar - iscas de leitão, ainda mais finas e delicadas que todas as outras. Aqui em Lisboa recomendo um sítio que por vezes as tem - é o Apuradinho, na Rua de Campolide. 

 

DIXIT - “O meu sonho é que conseguíssemos ter os cidadãos dos nossos países a mudar as suas vidas para criar uma relação de maior respeito pela natureza e pelos oceanos e que isso tivesse repercussões nas decisões políticas nos próximos anos” - Tiago Pitta e Cunha,presidente da Fundação Oceano Azul

 

BACK TO BASICS - “As nossas vidas começam a acabar no dia em que ficarmos silenciosos face às coisas que mais importam” - Martin Luther King



 

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publicado às 11:00


1 comentário

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De Joao Marques de Almeida a 13.06.2020 às 10:44

Amigo Manuel,

Desde que leio "Esquina do Rio" tenho aprendido muito sobre fotografia, pois terá um ignorante. Sobre as delícias do "Apuradinho" pretendo convida-lo para se juntar a mim e ao Vergílio Loureiro para almoçarmos lá numa data a acordar.

Abraço. João

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