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UNS VÃO, OUTROS FICAM-SE...

por falcao, em 14.04.22

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A SOCIEDADE DAS NAÇÕES - Bem sei que a diplomacia é sempre um tema complicado, que os diplomatas gostam de usar cinto e suspensórios em simultâneo, para estarem bem seguros de que as calças não lhes caem a meio do percurso. E também sei que a ONU é um território extremo de diplomacia, onde as regras ditam que o uso de pinças é utilizado a par do cinismo. Mas custa-me que alguns dos seus organismos, no caso da invasão da Ucrânia, não sejam mais activos. Para mim a situação resume-se assim: Roberta Metsola, presidente do Parlamento Europeu, foi à Ucrânia; Ursula Von der Leyen, Presidente da Comissão Europeia, foi à Ucrânia; Josep Borrell, alto representante da União Europeia para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança, foi à Ucrânia; Boris Johnson, Primeiro-Ministro britânico, foi à Ucrânia; António Vitorino, Director-geral da Organização Internacional para a Migração das Nações Unidas não foi à Ucrânia; António Guterres, Secretário Geral das Nações Unidas, não foi à Ucrânia. A presença física de líderes mundiais em território ucraniano é não só uma prova de apoio à resistência ucraniana face à invasão russa, mas também uma afirmação de que há princípios civilizacionais e políticos que não devem ser violados. Guterres foi eleito para a ONU com o voto da Rússia e fica-se sempre na dúvida até que ponto o seu tradicional jogo de equilibrista é a causa principal do seu imobilismo, quer verbal, quer físico ou se a sua proverbial fuga aos problemas também joga nisto. E em relação a António Vitorino ainda menos se percebe a ruidosa ausência, tendo em conta que o problema dos refugiados ucranianos devia merecer toda a atenção de quem se ocupa do problema das migrações. Mas isto se calhar sou eu que sou ingénuo, não percebo nada e ainda acredito na boa fé da raça humana. Cada vez menos, é certo…



SEMANADA - Segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), a cobrança de IVA subiu 13,4% em 2021, para 19 mil milhões de euros, um valor record; a carga fiscal, ou seja, o total de impostos e contribuições sociais sobre o PIB, atingiu o seu valor mais alto de sempre em 2021; em 2002 Portugal tinha a 15.ª posição entre os 27 países da UE, em termos de rendimento per capita, no final do ano passado tinha descido para a 21ª posição; Portugal é, depois de Malta, o segundo país da UE com impostos mais altos sobre as empresas; um estudo recente indica que Portugal não cumpre os prazos de pagamento dos apoios comunitários a projectos aprovados; a produtividade em Portugal é 73% da média europeia; o investimento de cidadãos estrangeiros na aquisição de casas na região de Lisboa atingiu os 923,1 milhões de euros, o valor das 1767 casas compradas principalmente, e por esta ordem, por americanos, franceses e chineses; 35,2% dos refugiados ucranianos em Portugal são crianças e só 10% estão já inscritas em escolas; em Portugal entraram 360 crianças refugiadas ucranianas que vieram sem a companhia dos pais; 3,6 milhões de pessoas foram infectadas por Covid-19 em Portugal, cerca de 35% da população total; desde que a equipa brasileira de gestão da TAP a levou a investir  naquele país na área da manutenção, a companhia aérea sempre registou prejuízos ao longo de 16 anos, e a aventura brasileira teve um custo superior a 500 milhões de euros; a TAP registou no ano passado  prejuízos de 4,3 milhões de euros por dia; os atrasos no plano Ferrovia 2020 vão causar 2,4 milhões em custos ambientais; o INE confirmou o valor da inflação para março: 5,3% o valor mais elevado desde Junho de 1994;  ainda segundo o INE os preços de energia dispararam 19,8%, o valor mais elevado desde fevereiro de 1991, enquanto os produtos agrícolas subiram 5,8%.

 

O ARCO DA VELHA - Há oito anos, num inquérito promovido pelo Conselho Pedagógico da Faculdade de Direito de Lisboa,  já haviam sido feitas queixas de assédio moral sexual por parte de professores, essas queixas constaram de um relatório, mas nunca foram investigadas nem foi tomada qualquer medida.

 

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UMA BOA IDEIA FOTOGRÁFICA  - Uma das mais curiosas ideias de trabalho fotográfico que segui nos últimos tempos é o projecto “Tempo Suspenso”, de Joana Carvalho Dias, que está na Sala dos Passos Perdidos do piso zero do Museu Nacional de Arte Antiga. São 40 retratos, de outros tantos funcionários e colaboradores do Museu. Ao longo de meses os espaços foram sendo identificados por cada um dos retratados. Na escolha do lugar da fotografia uns traziam ideias claras e definidas, outros hesitavam, para outros houve notas de indiferença, mas também houve, para alguns, sentimentos de rejeição de alguns espaços no museu. Cada um evidenciou a sua relação com as suas obras, com o seu espaço, com os seus tempos, com a sua memória. Ao todo são 40 retratos onde se sente a ingenuidade nalguns casos, mas também a cumplicidade noutros e até, como no retrato de Narcisa Miranda, que aqui se reproduz, se nota um cuidadoso jogo revelador das preferências de cada retratado e da sua ligação às peças expostas que escolheu. A exposição pode ser vista até 30 de Abril. Outras sugestões fotográficas: até dia 25 podem ainda ver na Fundação Gulbenkian a exposição “As Bravas”, em que Paulo Pimenta fotografou mulheres, com mais de 70 anos, de duas aldeias de Amarante, Vila Chã do Marão e Olo. E na Casa da Imprensa, em Lisboa (Rua da Horta Seca 26, ao Chiado), Alfredo Cunha mostra o trabalho de 50 anos de carreira como fotojornalista. Para terminar, em Guimarães, Duarte Belo apresenta a exposição "Território Manuel Botelho”, na Garagem Avenida, que faz o registo documental fotográfico do território de espaços construídos e de objetos do arquiteto, bem como dos espaços do seu quotidiano.

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FESTAS ILUSTRADAS - O poeta Paul Verlaine teve uma vida bem agitada. Boémio por natureza, distinguiu-se em obras como “Poemas Saturninos” ou “Romances sans Paroles” e foi uma das principais figuras do simbolismo francês. Nasceu em 1844, morreu na miséria em Janeiro de 1896, esteve preso dois anos por ter disparado sobre o também poeta Arthur Rimbaud com quem tinha uma profunda ligação. Em 1869 publicou “Festas Galantes”, um conjunto de poemas sobre a sedução, a ambiguidade dos sentimentos amorosos e o erotismo. O livro teve uma rara edição de bibliófilo em 1928, com apenas 25 exemplares numerados. Nesta edição os poemas de Verlaine foram acompanhados por 23 ilustrações de Georges Barbier, um ilustrador de revistas de moda e desenhador para o teatro e o cinema, que o reviu com a imagem déco da sua época, mas tendo sempre presente a expressão poética de Verlaine. O ilustrador citou os aspectos mais libertinos e sedutores das personagens, bem como o excesso e o humor presentes que caracterizavam as “Festas Galantes” de Verlaine. O primeiro exemplar dessa edição numerada, de apenas 25 exemplares, que inclui 23 aguarelas (20 de página inteira e 3 vinhetas) concebidas por George Barbier, viria, anos mais tarde, a ser adquirido em Paris pelo coleccionador Calouste Gulbenkian, que o incluiu no seu espólio.  Foi esse  exemplar número um da edição que agora serviu de base para a publicação da obra em Portugal, numa edição da Guerra e Paz, com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian, onde a obra está. Esta edição inclui os 22 poemas originais em francês, uma tradução cuidada para português do poeta João Moita, uma reprodução das deliciosas aguarelas originais e um texto do escritor austríaco Stefan Zweig sobre estas “Festas Galantes”.

 

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TRIO RENOVADO - Cada vez que o pianista norueguês Tord Gustavsen apresenta um novo disco corro a ouvi-lo. Não tenho registo de desilusões desde que o faço com os seus primeiros discos em trio, a partir de 2003. Ao todo são nove discos. Em 2012 alargou  sua formação para um quarteto e fez um dos seus melhores trabalhos, “The Well”. Depois regressou ao trio clássico, piano, baixo, bateria, e é assim que o encontro no CD “Opening”, acabado de lançar. Neste novo trabalho Gustavsen é acompanhado pelo baterista Jarle Vespestad, que com ele colabora há muito, desde o primeiro disco, “Changing Places”,  e por um novo baixista, Steinar Raknes. Para mim a coisa mais fascinante no trabalho de Tord Gustavsen enquanto músico e compositor é a forma como é capaz de conjugar sensibilidade com vigor e calor com tranquilidade. Gravado no auditório Stelio Molo em Lugano, o disco coexiste entre momentos de improvisação e um trabalho de composição sólido. O novo baixista, Steinar Raknes, integra-se bem e parece mais presente que o seu antecessor, nomeadamente nos momentos em que intervém de forma mais marcante. “Opening” tem 12 temas, recorre pontualmente a citações da música folk escandinava, mas tem a inconfundível imagem de marca da sonoridade do piano de Gustavsen. “The Circle”, o primeiro tema do álbum, é exemplar na forma como cruza o trabalho dos três músicos. “Opening”, “Findings” , “Shepherd Song” e “Stream” são outros pontos altos deste álbum, já disponível nas plataformas de streaming e em CD na ECM.

 

SALADA, EU? - Queriam uma receita pascal de cabrito? Pois levam outra coisa, mais verdejante. O segredo de uma salada César está no tempero e na qualidade e frescura da alface. Há muitas versões mas aquele que prefiro é uma mistura de maionese, mostarda de dijon, azeite e um pouco de molho inglês, tudo bem mexido.  Se quiser adicionar dois ou três filetes de anchovas cortados aos pedaços ainda fica melhor - mas sou sensível às resistências de quem ainda não se entregou aos prazeres que só uma boa conserva de anchova pode proporcionar. Para a salada a coisa é simples:  juntar bocados de frango com alface muito fresca cortada em pedaços não demasiado pequenos, alguns tomates cherry, croutons (feitos em casa, a partir de pão de véspera, partido manualmente, incluindo côdea, bem tostado no forno, salpicados com sal azeite e cebolinho). Por fim, pedaços de queijo - dividem-se as opiniões se entre uns quadrados de feta ou lascas de parmesão cortadas na altura. Seja como fôr está garantida uma bela salada. Recordem-se que a salada César é um exercício de tema livre que deve ter em conta o que há no frigorífico - não é heresia juntar pedaços de presunto ou bacon se os restos de frango forem insuficientes. Uma salada com muitas regras passa a ser uma maçada - rima com salada mas não é a mesma coisa.

 

DIXIT - “Dizer que a Ucrânia não pode, se assim o quiser, integrar a NATO é afirmar que ela não tem um estatuto soberano, livre e independente igual ao de qualquer outro Estado” - António Araújo

 

BACK TO BASICS - “Nós somos aquilo que repetidamente fazemos” - Aristóteles

 




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publicado às 11:00


1 comentário

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De Zé Onofre a 15.04.2022 às 21:38

Boa noite, Falcão

Em relação ao texto «UNS VÃO, OUTROS FICAM-SE…» comento-o com este texto do sr. Director da OMS

“O que está a acontecer na Etiópia é trágico, as pessoas são queimadas vivas por causa da sua etnia, e por nada mais, e não tenho a certeza se isso foi levado a sério pela comunicação social”, comentou o responsável da OMS, acrescentando: “Precisamos de um equilíbrio. Devemos levar cada vida a sério, porque cada vida é preciosa”.»
Aqui ninguém vai, todos se ficam. Porquê o silêncio ensurdecedor sobre este conflito, quando na Ucrânia até uma imagem destruída tem direito de antena?
Zé Onofre


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