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VER O QUE É, OU VER O QUE SE QUER?

por falcao, em 14.06.19

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O JOGO DAS SOMBRAS - Em geral prefiro o realismo ao optimismo. O optimismo provoca miopia, encarar a realidade torna tudo mais límpido. As cerimónias do 10 de Junho deste ano foram sobre as diferenças de encarar o país, com o Presidente da República a defender o optimismo,  o Primeiro Ministro a evitar o tema e o Comissário das Comemorações a traçar um retrato realista das coisas que deve ter deixado muitas individualidades agitadas e incómodas na tribuna de honra. É certo que Portugal é mais que fragilidades e erros, como disse Marcelo Rebelo de Sousa; mas é igualmente certo que temos tendência a protelar a resolução das fragilidades e a empurrar os erros para debaixo do tapete. É este eterno adiar que tem de mudar. O Estado precisa de uma varridela profunda e ela deve começar no desenho de um novo sistema eleitoral que permita que novas formações partidárias surjam e tenham representação parlamentar, para que os cidadãos se sintam mais perto dos eleitos e que os eleitos, a todos os níveis, das juntas de freguesias aos mais altos cargos, sejam exemplos de ética e de responsabilidade - o que implica responsabilizar os partidos pelas escolhas que fazem. A prioridade não pode ser criar novos eleitos na regionalização que alguns pretendem, não pode ser manter o jogo da mentira que tem dominado a política, sobretudo nestes anos mais próximos. A prioridade deve ser criar um sistema mais justo e mais escrutinável,  com uma justiça mais rápida nos casos de corrupção política. O tempo é o de proporcionar um sistema eleitoral que traga para a causa pública gente que se interesse pela política sem ser para traficar interesses, de legislação que penalize quem engana e rouba os cidadãos escondido atrás do manto do poder, seja local ou nacional, de partidos que não se limitem a fazer promessas que nunca cumprem. Como disse João Miguel Tavares em Portalegre,“nós precisamos de sentir que contamos para alguma coisa (além de pagar imposto)”.

 

SEMANADA - Armando Vara pediu escusa de ser ouvido de novo na Comissão de Inquérito à CGD mas o pedido foi recusado; dos 15 presidentes de câmara que foram constituídos arguidos nos últimos dois anos, 11 são do PS; o PSD apresentou um projeto de lei que propõe até 3 anos de prisão para quem matar cães ou gatos, mas não apresentou qualquer nova proposta sobre penalizações em casos de corrupção envolvendo políticos; Francisco Assis, do PS, afirmou que “Victor Constâncio é um homem sério e singularmente qualificado no plano económico, que ao longo da sua vida prestou relevantíssimos serviços ao país”; documentos do Banco de Portugal confirmam que a Administração da instituição, presidida por Victor Constâncio, sabia que Joe Berardo não tinha capacidade financeira para ser accionista qualificado do BCP; a CGD anunciou que vai avançar com a penhora dos salários que Joe Berardo receba por ser administrador de diversas empresas; 19,6% dos trabalhadores portugueses recebem o salário mínimo; o Conselho Superior das Finanças Públicas queixou-se de pelo terceiro ano consecutivo não ter acesso a dados financeiros do Sistema de Segurança Social e o Ministro da tutela, Vieira da Silva diz desconhecer a razão de tal facto; investigadores acompanharam durante dois anos a evolução da habitação numa área de 3,6 hectares à volta de uma rua de Alfama e concluíram que, de 150 apartamentos comprados, apenas um foi destinado à habitação própria; Lisboa é a cidade com maior rácio de casas para alugar a turistas no Airbnb face às principais capitais europeias, com um valor superior a 30 habitações por mil habitantes nesta plataforma.

 

EFEITO MEDINA -  Segundo um estudo internacional Lisboa é, pela terceira vez consecutiva, a cidade mais congestionada da Península Ibérica, acima de Madrid ou Barcelona e os condutores da capital passam em média 42 minutos por dia no trânsito, o que, no final de um ano, representa perto de 160 horas de tempo gasto em deslocações.

 

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ARTE VIRTUAL - Leonel Moura tem trabalhado nos últimos anos na aplicação de tecnologia à criação no domínio das artes plásticas. O percurso percorrido já recorreu a robots e agora propõe uma aplicação baseada em realidade aumentada, disponível gratuitamente na Apple Store e na Google Play, sob o nome Lisboa Viral. Através da aplicação Lisboa Viral o utilizador pode visualizar as 17 esculturas virtuais que se encontram espalhadas pela Grande Lisboa, desde vários pontos da capital até Cascais, Sintra, Ericeira, Sesimbra ou Mafra. Percorrendo os locais com a aplicação, em vez de um jogo onde se descobrem Pokémons, encontram-se as esculturas virtuais que são criadas por um programa generativo,  com recurso a realidade aumentada. Esses locais são Torre de Belém, Palácio de Belém, Praça do Comércio, Praça de Camões, Chiado, Rossio, Cais do Sodré (na imagem), Bairro Alto, Alfama, Estação do Oriente, Boca do Inferno, Cascais, Praia dos Pescadores, Cascais, Palácio de Sintra, Cabo da Roca, Sintra, Praia dos Pescadores, Ericeira, Cabo Espichel, Sesimbra e Palácio de Mafra. As obras podem ser visualizadas e também fazerem-se fotos ou vídeos que podem ser partilhados.  Estas esculturas existem também fisicamente em pequeno formato, tendo sido realizadas em impressão 3D e algumas já foram vendidas a colecionadores em Portugal e França com o preço médio de 3.000 euros. Leonel Moura está actualmente a preparar uma exposição a realizar em Pequim no próximo ano.

 

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UM SOM NOVO - Fred Pinto Ferreira já foi baterista dos Orelha Negra, Buraka Som Sistema, Os Dias de Raiva, Yellow W Van, Oiaiai, Laia e recentemente, da Banda do Mar, com os brasileiros Marcelo Camelo e Mallu Magalhães. É também um produtor multifacetado de numerosos discos dos mais variados artistas, entre os quais, por exemplo Mafalda Veiga e Luís Represas e já actuou como baterista da fadista Raquel Tavares. Agora Fred decidiu lançar-se a solo com o disco "O Amor Encontra-te no Fim", composto por 15 faixas. Fred encara este projecto como uma terapia musical para se reencontrar consigo próprio e, ao contrário da maioria dos mais recentes trabalhos discográficos portugueses, frequentemente monótonos e desinteressantes, há aqui a procura de alguma coisa nova e não um mero copiar de tendências. Confesso que este é dos discos portugueses deste ano que mais gostei de descobrir e tornou-se numa escuta frequente no Spotify. O nome do disco, com uma base de bateria acústica que é envolvida por electrónica, essencialmente instrumental,  é uma homenagem a uma canção de Daniel Johnston, “True Love Will Find You In The End”, evocado em “Para Nunca Mais Cair”, a derradeira faixa do álbum. Amaura, Francis Dale, Marcelo Camelo e Carlão são os convidados de Fred em “O Amor Encontra-te no Fim”.

 

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A GESTÃO DAS EMPRESAS FAMILIARES - Em Portugal, as empresas familiares contribuem para 65 % do PIB e são responsáveis por 50 % do emprego. Luís Parreirão, administrador da MGP SGPS, SA, accionista maioritária da Mota-Engil, analisou os desafios complexos de gestão que se colocam nesse contexto e reuniu as conclusões no livro “Empresas Familiares: Da Governance à Responsabilidade Social”. Como é a governança destas empresas familiares? Baseada na razão ou na emoção? Privilegiam mérito ou preferências individuais? Como são encarados os donos - como sócios ou familiares? E como são tomadas as decisões das maiores empresas familiares em Portugal, que representam 25 % das entidades cotadas na bolsa? Para Luís Parreirão as respostas não são óbvias e muito menos «nestes tempos de incerteza(s)», que impõem às empresas familiares «um mais forte, e mais flexível, planeamento estratégico, quer para si próprias, quer para a(s) família(s) accionista(s)». O autor foca temas como o aumento da espera pela sucessão dos herdeiros do accionista maioritário, resultante do aumento da esperança média de vida : «Será que as novas gerações estarão disponíveis para esperar até mais tarde? Quantos estarão disponíveis para conviver com a “síndrome do Príncipe Carlos”?»  Finalmente o autor aborda também, com recurso a dados europeus, o protocolo familiar e a nova realidade dos family offices, permitindo ter uma visão actualizada e prática sobre este universo.

 

A BELA MASSA - Várias pessoas já tinham elogiado o restaurante italiano que abriu recentemente na Praça da Armada, perto de Alcântara. Na semana passada pude finalmente lá ir com um grupo de amigos, por acaso de várias nacionalidades. O restaurante, que abriu no início deste ano, chama-se Ruvida e é gerido por um casal italiano que se estabeleceu em Lisboa - Valentina Franchi e Michel Fant. Tem uma sala com poucas mesas e cozinha aberta, um grande balcão onde Valentina ao fim da noite prepara a massa fresca para o dia seguinte (um espectáculo digno de se ver) e uma esplanada simpática. A decoração é simples e de bom gosto, infelizmente os arquitectos continuam a não ter cuidado com a acústica das salas de restaurantes - será que os arquitectos apreciam a cacofonia? Acústica à parte a cozinha do restaurante só merece elogios e a qualidade das massas é acima da média. O menu de almoço custa 16 euros e inclui entrada, prato principal, sobremesa, bebida e café - e pode ter a sorte de ser dia de tagliatelle com tomates e alcaparras, uma especialidade. Nas entradas destaco a mousse de mortadela, o tártaro de vitella alla piemonte e as sardinhas fritas marinadas num molho de cebola cozinhada em vinagre, com pedaços de pinhão - uma especialidade veneziana. Na lista das pasta destaco os tortelloni burro
 e oro, a massa bem no ponto, boa para tomar o gosto do molho de tomate e manteiga, muito suave, que vai às mil maravilhas com o recheio de ricota, parmesão e noz moscada. A lista de vinhos podia ser melhor sem ser maior, mas em compensação o spritz mereceu elogios de um especialista francês que estava na mesa. O serviço na sala pode melhorar um pouco. O Ruvina fica na Praça da Armada 17 e está aberto para almoços e jantares de quarta a sexta e aos sábados e domingos non stop das 12 às 23. Reservas pelo  213 950 977.

 

DIXIT - “A verdadeira modernidade da Administração, com que tantas autoridades e tantos políticos gostam de rechear os seus discursos, não é a da tecnologia, é a da humanidade e a da igualdade” - António Barreto.

 

BACK TO BASICS - “Há  tipos tão batoteiros que usam cartas marcadas quando jogam solitário” - personagem de um policial de Desmond Bagley.



 




 

 

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